Categoria "saúde"
01 fev 2019

Vamos conversar sobre relação médico-paciente?

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Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns profissionais mais antigos e resistentes aos modismos de cada época ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço da tecnologia dura, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Será? São hipóteses. Inclusive, estou pesquisando sobre o assunto, por meio de uma pesquisa online. Se puder me ajudar, acesse AQUI.

livroEntrevistei o coloproctologista e curador do Centro de Memória da Faculdade Ciências Médicas, Geraldo Magela Gomes da Cruz.  Ele também é autor do livro “Câncer no reto: meu paciente e eu”.  “O livro relata a história de dez pacientes (todos já faleceram) que me marcaram muito e foram exaustivamente discutidos no Ciclo Psicanalítico de Minas Gerais”, esclarece.

Sobretudo nas décadas de 60 e 70 os cânceres retais baixos e mesmo de reto médio (alcançados pelo toque retal) eram operados sem muita tecnologia. Diagnosticado o câncer retal baixo ou médio o paciente era submetido a uma cirurgia altamente mutiladora, levando o paciente, com frequência, a impotência sexual e bexiga neurogênica (ora retenção ora incontinência urinária).

Em seu desespero, o paciente procurava respostas e ajuda do médico, que quase sempre se resumiam a palavras rápidas de consolo e encaminhamento ao oncologista (na década de 60 e 70 estava iniciando a especialidade). E, em seu desespero, o médico se sentia impotente para lidar e ajudar o paciente. Tratava de “se livrar dele”, encaminhando-o ao psiquiatra, ao clínico, que também não tinham a menor ideia de como ajudar. O médico já entrava em pânico quando via o paciente amputado na sala de espera do consultório. Como tudo era empírico, as mentiras ficavam soltas: “a colostomia vai ser revertida quando seus eosinófilos atingissem 50% no sangue circulante”, dentre outras tantas. Hoje, com o Google, isto não seria possível, porque o paciente veria que o normal no sangue circulante é 3%, e, excepcionalmente atinge 10 ou 15% em estados alérgicos e imunológicos especiais.

“Esta situação passou a me incomodar de forma cada vez mais marcante. Primeiro porque, na verdade, trocava uma doença (câncer) por outras insuportáveis (colostomia, ausência de ânus, etc); e em segundo lugar porque não tinha condições de dar ao paciente algo em troca da mutilação que nele fizera. Sentia-me devedor”, conclui o curador.

Adriana Santos:  Qual a importância do aprimoramento das técnicas de comunicação por parte dos médicos no atendimento clínico, principalmente com a proliferação das redes sociais?

Geraldo Magela: Independentemente de ser médico e de estar atendendo, é importante dominar a relação com a mídia e entender sobre as redes sociais, porque já é parte da nossa vida. Se você não integra no meio midiático, você está alijado do convívio social. No que se refere ao atendimento ao paciente, ele hoje em dia não suporta esperar por uma resposta do médico. Ele quer uma resposta para suas dúvidas ou alívio para sua dor agora! Perdemos a noção de tempo e de espaço: todos estamos ligados instantaneamente e independente de onde estejamos. Parece que o médico está presente e disponível o tempo todo! Por isso, é importante aprimorar e saber usar os métodos de comunicação, se não vai estar fadado a permanecer desatualizado e alheio às tendências.

Na sua opinião, por que que muitos médicos têm dificuldades em estabelecer vínculos com seus pacientes?

Esta dificuldade pode vir de dois lados, o primeiro lado é da própria formação dos médicos enquanto seres humanos que são: como seu sistema neuropsicogênico foi formado pelo desejo e condução de seus cuidadores. Os médicos não tiveram infâncias iguais e sabemos que esta fase do ser humano marca todo seu futuro em relação com o outro (no caso o paciente é o outro). Em segundo lugar, porque não encontra motivação: falta de reconhecimento pelo trabalho, baixa remuneração, condições de trabalho precárias, a insatisfação com honorários pagos pelo SUS e pelos convênios.

Como a comunicação pode ajudar os médicos a recuperar o vínculo perdido com seus pacientes?

Se a comunicação for midiática, eu acredito que nunca. Se o médico não consegue manter uma boa relação médico-paciente na presença dele, na ausência, por meio de um site de relacionamento, por áudios, vídeos e imagens, jamais conseguirá. Repito: relação médico-paciente é um caso de amor, de respeito, de compreensão. Tem que haver a presença. Há um mal necessário: a interposição de SUS e planos de saúde entre o médico e o paciente. Digo “mal necessário” porque a medicina está caríssima e acima do poder aquisitivo da grande maioria dos brasileiros.

O que é humanização no atendimento médico na sua opinião?

Para mim, humanização no atendimento médico é o médico agir de tal forma com o paciente, que mesmo no meio de 20 outros pacientes na sala de espera cada um tenha certeza de que ele é o mais importante. Para isto o médico tem que estar satisfeito com o retorno de sua profissão. Esta resposta é uma resposta singela de um médico! Esta mesma pergunta terá respostas diferentes se formuladas para o Ministério de Saúde, para o SUS e para os planos de saúde.

Você acredita que as redes sociais podem aproximar médicos e pacientes?

Pode, mas é uma aproximação muito superficial. Não é uma aproximação de contato. E pode acontecer o oposto: afastar, em decorrência da superficialidade do contato. Eu não acho que é a rede social que vai aproximar. A rede social vai facilitar a relação, em tempo (imediatamente) e espaço (seja lá onde o médico estiver). O paciente que está com dor não pode esperar um médico atender um telefone fixo 3 ou 4 horas depois, é preciso que ele atenda o Whatsapp ou SMS e na hora dê uma solução orientação.

Quais os cuidados que os médicos devem ter na hora de usar as redes sociais?

Muito cuidado. Todo cuidado é pouco! Como coloproctologista já recebi imagens de clientes mostrando-me hemorroidas edemaciadas ou trombosadas, perguntando-me o que fazer. Imagine se tais coisas vazem. Algumas especialidades são potencialmente mais vulneráveis, como a minha, a ginecologia, a urologia, a andrologia, a obstetrícia. São imagens enviadas por pacientes pela por mídia eletrônica. Mas, há o perigo também para o médico: ser vítima de divulgação de áudio e vídeo sem anuência dele! Então, é necessário muito cuidado porque você não sabe quem vai acessar e quem vai mostrar o que foi escrito, ou que foi fotografado.

As redes sociais podem ajudar na humanização do atendimento médico?

Nunca! As redes sociais podem é facilitar, tornar o atendimento não presencial mais rápido, substituir a relação direta médico-paciente. Mas, não melhorar e humanizar. Humanizar inclui estar presente, é o paciente sentir a mão do médico em seu ombro, sentir o apoio. Todos os sentidos têm que estar envolvidos na presença do paciente: o olhar, a escuta o contato físico. Até os jeitos e trejeitos do paciente podem ser úteis na relação médico-paciente. A relação médico-paciente é um ato de amor: não pode ser virtual. Tem que ser presencial. Um vídeo, um áudio ou mensagens do google não podem substituir a presença dos dois.

25 jan 2019

Como anda a saúde do seu intestino?

Arquivado em Comportamento, saúde
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O intestino  tem mais neurônios que a espinha dorsal e age independentemente do sistema nervoso central. É considerado por muitos como o segundo cérebro” do corpo. Outra informação importante é o tamanho do nosso canal alimentar. Se esticássemos seus dois segmentos: o delgado e o grosso, o intestino ocuparia uma área de 250 metros quadrados, o equivalente a uma quadra de tênis. É por isso e por muito mais que devemos escolher bem os alimentos que consumimos; praticar com regularidade qualquer tipo de atividade física; evitar o abuso do álcool; abandonar o vício do tabaco; e procurar levar uma vida mais simples e feliz.

Para esclarecer algumas dúvidas sobre a importância do cuidado com o intestino, conversei por e-mail com o Dr. Diogo Paim, cirurgião do Aparelho Digestivo e professor da Faculdade Ciências Médicas. Confira:

Adriana Santos: Qual a influência do bom funcionamento do intestino na saúde saúde do resto do organismo?

Diego Paim O funcionamento adequado do intestino, englobando desde o processo de absorção de nutrientes, água e eliminação de resíduos indesejáveis, colabora de maneira global no pronto funcionamento de todo o organismo. Se há um desequilíbrio em qualquer dos sistemas e órgãos do nosso corpo, isso tem repercussão em todo o nosso organismo.

É verdade que o desempenho do intestino influência o humor da pessoa?

Sim, nos dois extremos. A pessoa que tem intestino preso irá apresentar distensão do abdome, dor abdominal e outras queixas que repercutem na atividade diária. O oposto, na diarreia, leva a restrições tanto físicas com limitação de sair de casa, trabalhar, etc…levando a alterações do humor e desanimo.

Por que as mulheres tendem a sofrer mais com o intestino lento ou preso?

O próprio funcionamento hormonal da mulher faz com que o intestino absorva mais água tendendo a lentificação do intestino. O mesmo acontece de maneira mais acentuada na gravidez.

As mulheres na menopausa sofrem mais com o intestino lento?

O funcionamento da intestino na menopausa é variável, algumas pacientes tendem a ter o intestino mais lento, em outros casos a resposta é diferente. Lembrando que isso depende não só das mudanças hormonais quanto de fatores alimentares, uso de medicamentos, atividade física.

Quais os alimentos são prejudiciais ao intestino?

Para uma pessoa normal, uma boa alimentação é muito importante para o funcionamento em geral. Recomenda-se nesses casos uma alimentação adequada e balanceada. Restrições específicas de alguns alimentos são indicadas em casos específicos de acordo com cada paciente.

Quais os alimentos são amigos do intestino?

Alimentos saudáveis, com quantidade adequada de fibras e alta ingestão de água colaboram para um bom funcionamento intestinal.

A atividade física regular colabora com o bom funcionamento do intestino?

Sim, com certeza. Além de influenciar no humor, na saúde do coração , a atividade física geralmente está associada a grande ingesta de água, que é bastante importante.

Por que o cigarro prejudica o funcionamento pleno do intestino?

O cigarro exerce efeitos negativos em praticamente todos os órgão do corpo humano, aumentando a incidência de câncer em geral e com grande prejuízo para as nossas artérias e veias. Se o intestino não recebe quantidade adequada de sangue ele não absorve nem elimina de maneira correta.

Quando procurar um médico?

O médico deve ser procurado sempre que houver alteração no funcionamento do intestino ou algum sinal de alarme.

Quais as principais doenças que atingem o intestino?

Polipos são extremamente comuns, divertículos que podem causar diverticulite ou sangramento, além de tumores e doenças que acometem a região do anus (hemorroidas, fissuras) e doença inflamatória intestinal.

Como prevenir contra o câncer do intestino?

Recomenda-se de rotina realização de exames de rastreamento, que são escolhidos e indicados de acordo com cada paciente. Desses exames, a realização de colonoscopia torna-se indicada nos pacientes de ambos os sexos acima de 50 anos para pacientes assintomáticos. Existe tendencia de reduzir a idade de inicia para a quarta década de vida. Em pacientes com parentes com câncer de intestino, a idade de início é antecipada.

Laxantes são aconselháveis em quais casos?

Em pacientes constipados graves, apos medidas alimentares e de ingesta de água, que não foram efetivas, pode-se em usar laxantes. Esses devem ser escolhidos de maneira a serem usados com parcimônia, usando os medicamentos que menos levam a problemas de uso cronico, tais como laxantes naturais, PEG, etc.

O que mais irrita o intestino?

Numa pessoa normal, deve-se cuidar para alimentação saudável e com menos produtos químicos. Essas medidas são importantes para cuidar de todo o sistema digestivo. Devemos pensar nos alimentos de forma mais ampla. Além de ser nutritivo, deve ser funcional, possuir componentes que influenciam determinadas funções do organismo, nos ajudando na proteção e manutenção da saúde.

Considerações finais

Cuidar da saúde do intestino é cuidar do bom funcionamento do nosso corpo. Ter uma alimentação saudável, beber muita água, realizar atividade física além da prevenção do câncer são extremamente importantes.

 

23 jan 2019

Por que a relação médico-paciente parece tão distante?

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Olá amigo! Olá amiga! Preciso de uma forcinha amiga! É simples e rápido! É só você preencher um pequeno questionário digital. O objetivo é nortear a produção de um artigo jornalístico sobre a relação médico-paciente. AQUI

Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns profissionais mais antigos e resistentes aos modismos de cada época ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço da tecnologia dura, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Você concorda?

Gostaria de contar com a sua colaboração voluntária. Se puder compartilhar com os amigos, agradeço!

Gratidão,

Adriana Santos

Acesse o questionário RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

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