Categoria "Uncategorized"
21 maio 2015

Uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio

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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio representa uma das vinte maiores causas de morte no mundo e um importante problema de saúde pública. A cada ano, cerca de um milhão de pessoas morrem por suicídio em todo o mundo (uma morte a cada 40 segundos), representando a triste estatística de estar entre as dez principais causas de morte na maioria dos países.

Existe uma forte relação entre a presença de transtornos mentais e risco de suicídio. Estudos mostram que praticamente 100% dos suicidas têm uma doença psiquiátrica que não foi diagnosticada nem tratada, muitas vezes. Os diagnósticos mais frequentes são depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e transtornos relacionados ao uso de substancias (álcool, crack, etc)

No Brasil, estima-se em  dez mil mortes anuais, com um aumento significativo de morte por suicídio entre jovens nas ultimas décadas.  Os principais grupos de risco são jovens entre 15 e 29 anos e idosos.  Segundo o vice- presidente da Associação Latinoamericana de Suicidologia, representante do Brasil na IASP (International Association of Suicide Prevention) e vice-presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, Humberto Corrêa, os homens se suicidam três a quatro vezes mais do que as mulheres.

humberto

Adriana Santos: Há como se prevenir contra o suicídio?

Dr. Humberto Correa: Sim, o suicídio pode ser prevenido. Sabemos hoje que praticamente cem por cento dos suicidas tinha um transtorno psiquiátrico no momento em que se mataram, embora muitos não tivessem um diagnóstico e muito menos um tratamento adequado.O mais comumente associado ao suicídio sendo a depressão.

Há várias estratégias possível para a prevenção, mas uma muito importante consiste na identificação e tratamento rápido e eficaz de pessoas que passam por uma doença mental. Sabemos também que uma tentativa de suicídio é um importante predispor de nova tentativa de suicídio e de suicídio. Assim, o acompanhamento próximo, rigoroso, de pessoas que fizeram uma tentativa de suicídio seria também fundamental para a prevenção do suicídio.

Adriana Santos: O que é comportamento suicida?

Dr. Humberto Correa: Comportamento suicida é o nome que se dá ao conjunto de fenômeno associados ao suicídio e se divide, de forma didática em: Pensamentos de morte, pensamentos de suicídio, com ou sem planos para sua execução, tentativa de suicídio e suicídio.
Define-se o suicídio como: Todo ato provocado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a própria morte, usando um método que ele acredita ser letal.

Adriana Santos: Quais os comportamentos suicidas associados a doenças psiquiátricas?

Dr. Humberto Correa: Todo suicídio está associado a doença psiquiátrica.

Adriana Santos: É comum uma pessoa que não apresenta transtornos mentais cometer suicídio? Em quais situações?

Dr. Humberto Correa: Não é comum, diria mesmo que é muito raro, embora, em tese possam existir pessoas que, em seu perfeito juízo, optem, por escolha pessoal tirarem suas próprias vidas.

Durante um episódio de doença mental, vamos tomar a depressão como exemplo, o indivíduo perde a capacidade de avaliar de forma neutra o que acontece a seu redor. Na depressão o indivíduo enxerga sua vida e tido o que está a sua volta de forma mais pessimista, parece a esse indivíduo que todos os seus problemas são sem solução, ele sente muitas vezes que se tornou um peso, um fardo para as pessoas próximas. Esse tipo de alteração da visão da realidade, provocada pela doença mental, pode fazer com que o indivíduo pense em se matar e pode fazer com que ele tire sua própria vida. O tratamento da doença fará com que essa visão pessimista da realidade desapareça e as ideias de suicídio desaparecerão também.

Adriana Santos: Quais os fatores de risco e fatores protetores para o comportamento suicida?

Dr. Humberto Correa: Todos os laços sociais são fatores protetores: trabalho, família, filhos..etc.

Assim, quem esta trabalhando se suicida menos do que quem esta desempregado ou aposentado. Quem é casado se suicida menos do que quem é solteiro ou viúvo ou separado. Quem tem filhos se suicida menos do que que não tem. Quem tem uma fé religiosa se suicida menos do que quem não tem nenhuma. Ou seja, laços sociais são protetores, falta desses laços são fatores de risco

Temos ainda fatores de risco epidemiológicos; Ser do sexo masculino (os homens se suicidam três a quatro vezes mais do que as mulheres) , jovens (15 a 29 anos de idade) e idosos (mais de 60 anos).

Ter uma historia familiar de comportamento suicida (tentativa dou suicídio). Hoje sabemos que o suicídio também em parte geneticamente determinado.

Ter feito uma tentativa de suicídio anterior (esse eh o principal fator de risco).

Estar passando por alguma situação de vida estressante.

Ter sofrido abuso físico, sexual ou psicológico na infância

livro suicídio

Suicídio: Informação para prevenir. Publicada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em 2014, o livro aborda de forma sucinta, porém não menos completa questões como definição, mitos, avaliação, prevenção entre outras questões importantes para a abordagem do tema. Acesse gratuitamente: AQUI

20 maio 2015

Prevenção em Saúde Mental com Foco na Depressão

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depressão

Por: *Rafael Ribeiro Santos, médico psiquiatra do Biocor Instituto 

Na segunda década do século XXI, falar abertamente sobre transtornos mentais ainda é tabu. A prevalente segregação do paciente em manicômios em décadas anteriores à reforma psiquiátrica e vários mitos ainda hoje alimentados sobre o tratamento da doença mental contribuem para sua estigmatização. Tal estigma só consolida julgamentos leigos, retarda a busca por ajuda adequada e leva a equívocos, inclusive por parte de equipes de saúde.

Os transtornos mentais são doenças crônicas altamente prevalentes no mundo e resultam de um somatório de componentes biológicos, psicológicos e sociais. Contribuem de forma marcante para morbidade e mortalidade precoces, trazendo sobrecarga relevante e dano à vida pessoal, social e ocupacional. Além disso, prejudicam a qualidade de vida dos pacientes e afetam até a comunidade em seu entorno. Tragédias preveníveis como o acidente deliberadamente provocado pelo copiloto da German Wings fazem-nos refletir e repensar a importância de uma saúde mental plena em nosso cotidiano individual e coletivo.

Estudos recentes mostram que aproximadamente 25% da população mundial apresenta um ou mais transtornos mentais ao longo da vida. Dados epidemiológicos nacionais postulam que 29,6% da população da região metropolitana de São Paulo apresenta algum transtorno mental, sendo que dois terços destes seriam moderados ou graves. Mais preocupante, no entanto, é a constatação que 75% dos pacientes psiquiátricos em países em desenvolvimento não recebe nenhum tratamento, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Depressão é um dos transtornos mentais mais prevalentes e incapacitantes da atualidade. A OMS demonstrou que os transtornos depressivos são uma das principais causas de doença em todo o mundo, com taxas de prevalência que vão de 6 a 9% da população. Pode levar ao suicídio, sobretudo em casos mais graves e sem tratamento adequado. Assim, é importante saber reconhecer alguns de seus sintomas como: humor deprimido, falta de prazer, energia ou vontade para atividades, desesperança, choro fácil, alterações do padrão de sono ou alimentação, isolamento social, irritabilidade, além de pensamentos ou atos suicidas.

A prevenção de eventos adversos advindos da depressão e de outros transtornos mentais passa por melhor capacitação dos profissionais de saúde, inserção sistematizada de equipes de saúde mental na atenção básica e estruturação de uma rede de saúde mental completa. A tragédia da German Wings poderia ter sido evitada por uma avaliação periódica mais cuidadosa dos funcionários por equipes de medicina de trabalho mais atentas à saúde mental. Tal procedimento deveria ser padrão, principalmente em profissões de maior responsabilidade e risco para a sociedade. Reduzir o dano trazido pela depressão e outros transtornos mentais é essencial. É necessária a conscientização da população, de forma clara e plena, sobre os sinais e sintomas dessas doenças e sua necessidade de um diagnóstico médico e tratamento multidisciplinar. É premente uma ressignificação da doença mental na sociedade, afastar mitos e preconceitos e possibilitar acesso a um tratamento humanizado a todos que necessitem.

*Formado pela UFMG, residência pelo IRS-FHEMIG, mestre em Neurociências pela UFMG

 

15 maio 2015

As vítimas do agrotóxico

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O Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxico no planeta, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas em 2009, equivalente a um uso médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.

Entre 2007 e 2014, foram registrados no país 34,147 casos de intoxicação por  agrotóxico, de acordo com a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). São vários os problemas de saúde causados ​​por esse tipo de intoxicação: malformação de feto, câncer, infertilidade, problemas cardíacos e neuronais.

Os agrotóxicos são amplamente utilizados com a justificativa de alimentos com preços mais acessível. No entanto uma utilização indiscriminada destes produtos pode causar danos à saúde humana e animal e ao meio ambiente.

As doenças ocupacionais e intoxicações acidentais são frequentes, devido à dificuldade na utilização de equipamentos de segurança quanto ao uso seguro dos agrotóxicos e á baixa escolaridade do trabalhador rural.

No Brasil, conforme Normas Regulamentadoras, tambem conhecidas Como NRs, regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho. Essas Normas são citadas no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A Norma Regulamentadora 31 tem como objetivo estabelecer preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar o compatível planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho.

Em entrevista exclusiva para o Blog “Saúde do Meio”, o desembargador Anemar Pereira do Amaral da Justiça do Trabalho de Minas Gerais (TRT) explica sobre o não cumprimento das exigências da Norma Regulamentadora 31 e sobre a falta de notificação por parte da Saúde dos casos dos trabalhadores expostos a agrotóxicos.

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