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14 dez 2015

Secretário da Sociedade Brasileira de Virologia diz que zika vírus surgiu na Copa de 2014

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Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da Dengue e da febre Chikungunya, o zika vírus é motivo de preocupação por parte dos brasileiros, em especial das mulheres grávidas. No dia 15 de dezembro, às 20h, na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), o secretário da Sociedade Brasileira de Virologia, Maurício Nogueira estará em Belo Horizonte para um encontro com profissionais da saúde. Ele também é professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e estuda o novo vírus desde o surgimento em território nacional que, segundo ele, data da Copa do Mundo de 2014.

Nogueira afirma que o objetivo da reunião será, além de trocar experiências com os profissionais presentes, fazer uma abordagem do histórico do Zika vírus no Brasil e no mundo. “Quero colocar em discussão nossas dúvidas e certezas, porque o que se tem de concreto é que esse fenômeno não vai acabar em pouco tempo.” De acordo com ele, 1200 microcefalias recentes levam a crer que estão associadas ao Zika, mas como o vírus causou isto, ainda não sabem. “A informação que conseguimos levantar é que pode ter vindo de regiões da Ásia.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a relação entre a infecção pelo Zika vírus e os casos de bebês que nasceram com microcefalia, resultado do desenvolvimento anormal do cérebro durante a gestação. Ela pode causar retardo mental em 90% dos casos, problemas de visão e de audição e distúrbios neurológicos como a epilepsia. Porém, como advertiu o virologista, o vírus ainda requer estudos e a busca de novas estratégias que minem de vez o risco de doenças.

O virologista explica que, embora as notícias sobre o aparecimento do Zika vírus tenham começado a circular no meio científico no ano passado, o primeiro caso foi detectado somente em abril de 2015. “Desde então começamos a estudar mais de perto, inclusive a possível relação com a microcefalia”, conta. A hipótese da relação entre o vírus e os casos de má formação foi levantada por autoridades de saúde brasileiras depois que mais de uma centena de casos foram detectados em Pernambuco, até outubro.

Em novembro, o Instituto Oswaldo Cruz anunciou ter encontrado sinais do vírus no líquido amniótico de duas gestantes cujos bebês foram diagnosticados com microcefalia. Atualmente, 1.248 casos de microcefalia foram confirmados em bebês de 14 estados. Estes números, segundo o virologista são preocupantes: “No entanto, acredito que alarmar a população, como tem sido feito pelo Ministério da Saúde e divulgado pela imprensa, não é a melhor solução para barrar novas ocorrências. É necessário conhecer melhor a situação, e ressaltar que ainda não temos respostas imediatas a dar”.

Maurício Nogueira chama atenção para o fato do Governo não conseguir derrotar um mosquito que circula há quase 30 anos no país. “As ações precisam ser mais eficazes e contar com o apoio da comunidade, afinal, as esferas do Estado não têm como fazer vigilância na residência de cada cidadão.” Em sua opinião, talvez seja a hora de envolver associações de bairro e, até mesmo, as igrejas, no trabalho de combate ao vetor da dengue, febre Chikungunya e, atualmente, também do Zika vírus. “Em São Paulo, estamos nos preparando para o que está por vir, como que é o caso de Minas Gerais, aonde o vírus ainda não chegou com toda força”, destaca.

Conversei, por e-mail, com o Prof. Dr. Maurício Lacerda Nogueira. Confira:

Adriana Santos: Qual a relação entre zika e microcefalia?

Maurício Lacerda: No momento podemos dizer que existe apenas uma associação temporal entre as duas situações. É provavelmente uma causalidade. A única explicação. Apesar do Ministério ter dado como comprovada esta associação devido a detecção do vírus em um feto e no liquido amniótico de duas crianças com microcefalia, eu e outros pesquisadores consideramos que os critérios científicos para esta comprovação ainda não foram todos cumpridos. Porém devido a gravidade da situação e das potenciais implicações do problemas, devemos considerar esta associação como real até que prova em contrario.

Adriana Santos:  O teste atualmente disponível para diagnosticar o zika vírus no Brasil ainda é complexo e só pode ser realizado em laboratórios altamente especializados. Como evitar uma epidemia e controlar a doença sem um diagnóstico preciso por parte do sistema público de Saúde?

Maurício Lacerda: Existem alguns testes. Os métodos sorológicos, que são geralmente mais baratos, não são eficientes nem estão disponíveis para Zika devido a não existência de testes comerciais e de um risco e reação cruzada com dengue. Já os testes moleculares (que são mais caros) são amplamente usados no mundo e podem ser feitos no Brasil. Embora a rede de laboratórios e saúde pública capacitada a fazer isto seja pequena (com centros de excelência como o Instituo Evandro Chagas e Instituo Adolfo Lutz) as universidades brasileiras têm dezenas (ou centenas) de laboratórios equipados para fazer este tipo de exame. O que se precisa é de uma decisão econômica e política, já que estes laboratórios não são utilizados pela rede de saúde pública. Aqui mesmo em Belo Horizonte tanto a UFMG como o René Rachou têm diversos laboratórios equipados e com gente qualificada para realizar estes exames.

Na verdade em termos de saúde publica o diagnostico individual é teoricamente desnecessário. Apenas saber quais os agentes circulando em determinada região já seriam suficiente. Porém a nossa realidade e outra. Temos a obrigação de fazer o diagnóstico de dengue, pois dengue mata se não for abordada corretamente. Além disto temos chickungunya também circulando além do Zika. O direito individual de cada cidadão saber o que tem (ou teve) precisa ser respeitado, porém considero isto inviável em termos de financiamento.

Adriana Santos:  Na sua opinião as autoridades foram omissas quando apareceram os primeiros casos?

Maurício Lacerda: Omissão não. Ninguém esperava que algo assim aparecesse. Na verdade o sistema de vigilância se mostrou falho, pois mais de 5000 casos suspeitos ocorreram antes de fazermos o primeiro diagnostico. Após o diagnostico se tomou uma atitude de complacência com o Zika, pois diante do Dengue e do CHKV ele é considerado um vírus benigno. Ai fomos surpreendidos com a microcefalia, que não havia sido vista em lugar nenhum antes.

Adriana Santos:  Representantes de movimentos sociais e populares do campo protestaram na última quinta-feira (3) contra o uso indiscriminado de agrotóxicos – que para eles têm a ver com o aumento no número de casos de microcefalia. Há estudos que confirmam ou negam essa afirmação?

Maurício Lacerda: Nem que comprovem e nem que neguem. Mas se deve ter muito cuidado com “agendas ocultas” que aparecem neste momento. Tanto os movimentos populares do campo quanto o movimento anti-vacinação estão utilizando esta crise para divulgar a sua agenda, que não tem nada a ver com a situação. Mas voltando a questão do agrotóxico, ele só foi utilizado agora? Por que não teve microcefalia antes? O movimento esta aproveitando de uma situação de crise, e a falta dos estudos corretos para provar a associação, para levantar sua agende e obter atenção.

Adriana Santos: Estamos preparados para controlar o zika vírus?

Maurício Lacerda: Não. Nem Zika. Nem CHKV. Nem Dengue. São 30 anos de tentativas e não conseguimos. A epidemia de Zika será enorme no pais, assim como será a de CHKV nos próximos anos.

Adriana Santos:  Quais as consequências imediatas do aumento do zika vírus?

Maurício Lacerda: Um aumento enorme de atendimentos de emergência, um grande aumento nos dados oficiais de dengue (pois haverá erro de diagnóstico) e um grande número e formas atípicas (incluindo a microcefalia, se outros fatores não tiverem envolvidos).

Adriana Santos:  Como pode ser transmitido o zica vírus?

Maurício Lacerda: A única forma importante é a picada de mosquito. Transmissão por transfusão, leite ou sexual é mais anedótica do que de importância médica.

Adriana Santos:  Como a mulher grávida pode se proteger?

Maurício Lacerda: Evitar contato com mosquitos infectados. O que e difícil. Primeiros precisamos saber onde estão estes mosquitos (e não fazemos este tipo de controle no pais). Mas em locais de circulação de Zika devemos prevenir este contato através da utilização de repelentes, roupas compridas e permanecer dentro das casas. Nada fácil de se fazer no verão brasileiro.

Adriana Santos:  Mulheres grávidas podem realizar os testes?

Maurício Lacerda: Depende do teste e com qual objetivo. Não temos testes confiáveis que permitam dizer se ela foi exposta ou não ao Zika. E não sabemos qual a frequência de casos de zica que podem levar a microcefalia (e nem o período). Na verdade sabemos muito pouco do que esta acontecendo. Na maioria das vezes estamos dando opiniões embasadas em experiência pessoal em outras doenças. Esta situação nunca ocorreu em lugar nenhum do mundo.

Adriana Santos: Conclusões finais. Obrigada pela entrevista.

Maurício Lacerda: Muito ainda precisa ser feito para podermos responder estas perguntas. Muitas pesquisas são necessárias e muitos recursos precisam ser alocados a esta questão. Infelizmente as respostas só virão quando a maior parte do problema passar.

17 nov 2015

Para os Krenak, o rio Doce é considerado um avó sábio

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Reprodução/Facebook

Para os Krenak, o rio Doce é considerado um avó sábio, chamado por eles de Uatu. Se para os brasileiros a tragédia provocada pelo rompimento das barragens na região de Mariana doí, não podemos imaginar a ferida aberta desse povo cuja história e vida se embrenha com a do rio.

O projeto Comunidade Espelho D´água  (Lei Murilo Mendes/Juiz de Fora/MG) publicou no Facebbok um fragmento de uma conversa, em agosto de 2014, com Aílton Krenak, principal líder do movimento indígena dos anos 70, sobre a relação dos Krenak com o rio Doce.

“Enquanto meu pai, meu avô, meus primos, olham aquela montanha e veem o humor da montanha e veem se ela está triste, feliz ou ameaçadora, e fazem cerimônia para a montanha, cantam para ela, cantam para o rio (…) o cientista olha o rio e calcula quantos megawatts ele vai produzir construindo uma hidrelétrica, uma barragem (…) Ali não tem música, a montanha não tem humor, e o rio não tem nome. É tudo coisa”, (Aílton Krenak)

Ailton Krenak nasceu no Vale do Rio Doce, Minas Gerais, em 1954. Com 17 anos Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná. Alfabetizou-se aos 18 anos, tornando-se a seguir produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980, passou a se dedicar exclusivamente à articulação do movimento indígena. Em 1987, no contexto das discussões da Assembleia Constituinte, Ailton Krenak foi autor de um gesto marcante, logo captado pela imprensa e que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Em 1988, participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI), fórum intertribal interessado em estabelecer uma representação do movimento indígena em nível nacional, participando, em 1989, do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reunia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta da criação das reservas extrativistas, visando a proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, Ailton se recolheu de volta à Minas Gerais e mais perto do seu povo. Atualmente, está no Núcleo de Cultura Indígena, ONG que realiza desde 1998 o Festival de Dança e Cultura Indígena, idealizado e mantido por Ailton Krenak, na Serra do Cipó (MG), evento que visa promover o intercâmbio entre as diferentes etnias indígenas e delas com os não-índios.

Rio Doce para os KrenakToda nossa solidariedade aos Krenak, para quem o Uatu, que chamamos rio Doce, é seu avô, seu ancestral. Se para nós essa tragédia dói e entristece, não podemos imaginar a dor desse povo cuja história e vida se embrenha com a do rio.Nessa fragmento de uma linda conversa que tivemos com Aílton Krenak, em agosto de 2014, ele nos conta um pouco sobre a relação dos Krenak com esse rio.

Posted by Espelho D’água on Sexta, 13 de novembro de 2015

04 nov 2015

Senadores aprovam projeto que autoriza remoção imediata de animais vítimas do trânsito

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Rosimara Ferreira/Arquivo Pessoal

Aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, projeto de lei que autoriza o policial, em caso de acidente de trânsito, a ordenar a remoção imediata de animais que tenham sofrido lesões ou ferimentos (PLC 116/2014). A remoção será feita independentemente de exame do local.

A Lei 5.970/1973 de 1973 faz referência apenas à imediata remoção de pessoas lesionadas dos locais de acidente. A proposta acrescenta a esse dispositivo a permissão para retirada de animais feridos.

A retirada do animal ferido pode ser feita mesmo que haja perícia posterior e não deve impedir o esclarecimento das causas do acidente, pois a lei em vigor já estabelece a necessidade de a autoridade responsável pela remoção lavrar boletim de ocorrência, com descrições do fato, as testemunhas e demais circunstâncias relevantes à solução do caso.

O autor da proposta, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), destacou, na justificativa da matéria, que cabe ao estado zelar pela fauna e protegê-la. Para ele, a propositura idealiza tão somente cumprir o que determina a Constituição e o que consta na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, tratado do qual o Brasil é signatário.

A proposta, que teve como relator ad hoc o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), seguirá para votação em Plenário.

ATROPELAMENTO DE ANIMAIS

O atropelômetro é uma iniciativa do CBEE e estima em tempo real o número de vertebrados terrestres silvestres mortos por atropelamento nas rodovias brasileiras.

Segundo estimativas, 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Diariamente, devem morrer mais de 1,3 milhões de animais e ao final de um ano, até 475 milhões de animais selvagens são atropelados no Brasil.

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