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11 fev 2016

ESPECIAL: Politica & Amor. “Falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção”

Arquivado em Comportamento, opinião

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John Lennon e Yoko Ono se casaram em 20 de março de 1969 e, no dia seguinte, em plena lua-de-mel no Hotel Hilton, em Amsterdã, segurando tulipas, começaram um protesto pacífico contra a guerra do Vietnã. Eles ficaram nus na cama por uma semana. Foi um ato político em nome do amor altruísta. O evento foi chamado de “Bed in”, ou “John e Yoko na cama pela paz”.

Durante a década de 1970, John e Yoko envolveram-se em vários eventos políticos, como promoção à paz, pelos direitos das mulheres e trabalhadores e também exigindo o fim da Guerra do Vietnã. O casal mais conhecido da história contemporânea também colecionou desafetos. Onze anos depois do bed-in de Montreal, no dia 8 de dezembro de 1980, Lennon foi assassinado à porta do edifício Dakota, em Nova York, por Mark Chapman.

O desfecho trágico envolvendo o assassinato de Lennon é emblemático para pontuar a reflexão que proponho nesta postagem: o que a política tem de congruente com o amor? A temática é oportuna principalmente em tempos nos quais a política e o amor estão tão em baixa. O ódio matou o sonho? Até que ponto é possível governar com amor? É possível governar sem amor?

Conversei com Filipe Celeti. Ele é bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela mesma instituição. Editor da Bunker Editorial. Colabora com artigos para o Instituto Ludwig von Mises Brasil (IMB), e tem participado com artigos e podcasts em outros sites e institutos como Portal Libertarianismo, Livre & Liberdade e Estudantes Pela Liberdade (EPL), referentes à educação, política e cotidiano.  Segundo ele, “falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção”.

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Filipe Celeti/Arquivo pessoal

Adriana Santos:  A política pode ser amorosa?

Filipe Celeti: A política expressa um modo de amar. O problema com a palavra amorosa é pensar no amor enquanto romantismo, beleza, sutileza, doação, negação de si e muitos outros termos que estão presentes no senso comum. Quando vemos o amor humano se manifestar, enxergamos o ciúmes, a luxúria, os crimes passionais, o egoísmo, a possessividade e uma série de sensações amorosas que diferem do idealismo que envolve o amor. A política é amorosa. Carrega os vícios e as taras, os sonhos e as utopias dos amantes.

Adriana Santos:  A política é compatível com o amor?

Filipe Celeti: Eu vejo cinco compatibilidades entre política e amor. Os insensíveis são como os totalitários: eles não amam e querem que os outros também não amem. Os amantes altruístas são como os socialistas: o outro é louvado para que a individualidade desapareça. Os egoístas são como os conservadores: pretendem impedir que os outros sejam diferentes de seus padrões. Os românticos são como os centristas: são confusos naquilo que desejam ou esperam de si e dos outros. Os amoristas – os que amam plenamente – são como os libertários: querem o máximo de realização pessoal e de realização do outro.

Adriana Santos:  É possível governar com amor?

Filipe Celeti: Só se governa com amor. O importante é perguntar: qual amor? Há quem não ame e queira controlar tudo para que nada se parece com o amor que não compreende. Há quem negue a si mesmo e busque sempre agradar o outro, geralmente governando em nome de um outro dissolvido numa coletividade qualquer. Há quem ame apenas a si mesmo e que seja capaz de governar apenas para si. Há quem esteja confuso, mudando as regras e as suas convicções a todo momento. Há quem ame plenamente a si e aos outros, desejando que todos sejam livres para viver suas vidas plenamente, sem serem negados, perseguidos ou precisarem se esvaziar de si mesmos.

Adriana Santos:  O amor pode ser um ato político?

Filipe Celeti: Certamente! Embora muitas vezes o amor politizado que se busca é mais do que já está vivenciado, presenciado por todos nós. Vivemos numa época do desprezo pelo amor, aquela flor roxa que nasce no coração dos trouxas. Vivemos numa época do egocentrismo, no qual o amor que importa é apenas o amor de si. Como se amar a si mesmo bastasse. Também há o apelo altruísta que no fundo apenas dissolve o amor, visto que não há um ser que o possua em si mesmo para transbordá-lo para o outro. A maioria não sabe amar, fica cedendo aqui ou acolá, tentando equacionar o seu eu e o outro. Amar não é batalhar para impor a si e nem uma abstenção de si. Amar não é uma formalidade ou um teatro. Amar não é viver eternamente conciliando duas formas de amar até a exaustão da insegurança.

Adriana Santos:  A política pode ser um ato de amor.

Filipe Celeti: Sim! Através da política posso efetivar minha insensibilidade buscando cada vez mais poder para controlar a todos. Meu egoísmo encontra sólida base na política para legislar em benefício próprio. Meu altruísmo me motiva a negar a mim mesmo, me tornando a voz de uma minoria silenciada. O romantismo e sua utopia me levam a politicar sem saber muito bem o que desejo, mas tendo a sensação que estou pelo menos tentando. Minha amorosidade pode me levar a lutar contra os que querem impor o modo de amar que possuem a todos.

Adriana Santos:  O amor pode transformar a política?

Filipe Celeti: O amor transforma a política. Nem sempre o amor a muda para o que poderíamos chamar de “melhor”. Há vários amantes, amando de diversas maneiras, com uma base sólida de como devem amar e efetivando o amor que aprenderam a ter. Vence aquele que conseguir conquistar os outros amantes. Presentes, discursos, promessas, trocas de afeto, ofensas, ciúmes para com a nova coligação ou partido do antigo amante, traições, delações premiadas, tudo faz parte do turbilhão amoroso da política. É por isto que falta muitas vezes amor próprio para dizer não à corrupção e amor para com os outros para dizer não ao apelo dos lobbies que visam apenas seus próprios benefícios.

Adriana Santos: Vale a pena ler o artigo “A Política do Amor” do filósofo Filipe Celeti. AQUI

CINEMA, POLÍTICA E AMOR

Falar de amor no campo político gera certo mal-estar. Pelo menos no cinema, a relação política e amor  é quase sempre explosiva. Pedi algumas indicações de filmes consagrados sobre o tema para quem entende do assunto.

Veja a lista com Marden Machado. Ele é jornalista, roteirista e também comentarista de cinema do programa Light News, da Transamérica Light FM, bem como da rádio CBN Curitiba. Participa também dos programas Fale Com Maria, da TV Evangelizar e Caldo de Cultura, da UFPR TV. É autor do livro Cinemarden – Um Guia (Possível) de Filmes, lançado pela Editora Arte e Letra, de Curitiba. Comenta um filme por dia no YouTube.

Marden fez uma edição especial para o blog “Saúde do Meio”. Confira:

 

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“Sindicato de Ladrões”/Divulgação

 

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“Rede de Intrigas”/Divulgação

 

Eles-não-usam-black-tie

“Eles não usam black-tie”/Divulgação

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“Pra frente, Brasil”/ Divulgação

1984

“1984” /Divulgação

  • roberto silva

    Em 11.02.2016

    No título da matéria a palavra “muitas ” apresenta no plural quero saber se gramaticalmente está correto porque penso que deveria ser ” muita vezes” estou com duvida..

  • Adriana Santos

    Em 11.02.2016

    Ei Roberto, a frase está correta… Muitas vezes. Obrigada pelo comentário. Abraços e volte sempre. Espero que tenha gostado da postagem.

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