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01 dez 2015

Humanos habitam a Amazônia há mais de mais de 14 mil anos

Arquivado em Meio Ambiente
Amazônia

No mapa, os sítios arqueológicos avaliados na pesquisa. Destacadas em azul, as áreas contempladas pelas pesquisas do Instituto Mamirauá. (Adaptação ao mapa publicado originalmente no artigo)

A história da ocupação humana na Amazônia é datada de mais de 14 mil anos. Ao contrário do estereótipo de região intocada e com grande vazio demográfico, esse ambiente era diversamente ocupado antes da chegada dos europeus ao continente. O artigo “The domestication of Amazonia before European conquest”, publicado recentemente na revista “Proceedings of the Royal Society B”, traz algumas percepções sobre o assunto.

Uma parte dos dados divulgados foi coletada em parceria pelas equipes de arqueologia do Instituto Mamirauá e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). Entre os autores do artigo, está o arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor da USP e parceiro do Instituto.

Por meio da parceria, as pesquisas são desenvolvidas desde 2006 em sítios arqueológicos nas Reservas Mamirauá e Amanã e nos municípios de Tefé e Alvarães, ambos no Amazonas. A equipe do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca compreender os modos de vida dos povos que ocuparam essas áreas, a partir da análise de vestígios encontrados na região.

“É interessante pensarmos no quanto essas ocupações interagiram e modificaram o meio ambiente, tornando-o propício para suas necessidades. O que a gente já conhece é quem veio antes e quem veio depois. O próximo passo é entender como eles interagindo-se relacionavam com o ambiente”, afirmou Eduardo Kazuo Tamanaha, pesquisador de arqueologia do Instituto Mamirauá.

Nas regiões do baixo e médio Solimões, os pesquisadores encontraram diferentes culturas cerâmicas. As primeiras evidências de grupos ceramistas datam entre 1.610 a 930 aC. Eduardo Kazuo ressalta que, sobre as primeiras ocupações, ainda há pouco conhecimento, com vestígios pontuais, que não oferecem informações sobre o manejo do ambiente. “Mas esses grupos estão produzindo cerâmica. E, pelo modo que o grupo ocupa e pelo tipo de cerâmica, a gente consegue associar a outras áreas da Amazônia, e com outras pesquisas”, reforça o pesquisador.

Reserva Amanã

Em outubro, a equipe de arqueólogos, formada por pesquisadores do Instituto Mamirauá e da USP, esteve em expedição para os sítios arqueológicos da Reserva Amanã. O trabalho faz parte de pesquisa realizada entre 2008 e 2009 na região, que foi retomada recentemente.

Para Silva Cunha Lima, pesquisadora da USP, um dos objetivos é criar uma metodologia de monitoramento de sítios arqueológicos, para acompanhar a conservação dos vestígios e possível estado de degeneração, de acordo com cada ambiente. “A ideia é criar uma metodologia para monitorar os sítios arqueológicos em outras comunidades. Para ter um controle de quanto está se perdendo e em que velocidade, por isso a gente vai testar trabalhar com o GPS para ter mais precisão das localizações” afirma.

No campo, foram visitados sítios localizados nas comunidades Boa Esperança e Bom Jesus do Baré, e a metodologia utilizada foi a identificação de urnas e outros vestígios cerâmicos, e em seguida realizadas medidas da espessura e diâmetro, com o intuito de comparar com os dados registrados em 2014. Também serão comparadas a quantidade e localização dos vestígios, com os dados das pesquisas de 2008 e 2009. A equipe também fotografa os vestígios e marca a localização com o GPS.

“Percebemos que os mesmos tipos de urnas encontrados na comunidade Boa Esperança são encontrados em outros sítios também, possivelmente podem ser do mesmo período de ocupação”, comentou Eduardo.

Texto: Amanda Lelis e Aline Fidelix

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