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12 jul 2021

Julho Amarelo: saiba mais como enfrentar as hepatites virais

Arquivado em Cidade, Comportamento, saúde

Arquivo pessoal/divulgação

Por Dra. Rosângela Teixeira,  clínica médica e hepatologista do Hospital Felício Rocho, e  Geraldo Scarabelli Pereira, Referência Técnica em Hepatites Virais – Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais

As hepatites virais constituem, ainda, um sério problema de saúde pública. Consagrado “Julho Amarelo”, o mês é internacionalmente referido como de combate às hepatites virais e, desde 2010, tem seu dia 28 dedicado à conscientização das pessoas sobre essas doenças, através de campanhas educativas.

Hepatite é um termo genérico que significa inflamação do fígado. As doenças que levam este nome podem ser causadas por diversos fatores, como consumo abusivo de álcool ou de drogas tóxicas para o fígado, infecção por vírus, doenças genéticas, obesidade, entre outros. No entanto, aqui vamos tratar das hepatites mais frequentes, provocadas por vírus que tem tropismo preferencial pelo fígado, como os vírus “A” (HAV), “B” (HBV), “C” (HCV), “D” (HDV) e “E” (HEV).

As formas de transmissão desses vírus são muito distintas. A do vírus HBV é principalmente pela via sexual, através de relações desprotegidas com pessoas contaminadas, enquanto a infecção pelos vírus A e E se dá pela via fecal-oral, através de alimentos contaminados e precárias condições sanitárias, e do vírus C ocorre por via parenteral, ou seja, através do contato do sangue de pessoa não infectada com o sangue de pessoa infectada. Assim, a transmissão parenteral do HCV pode ocorrer pelo compartilhamento de seringas e outros objetos contaminados. A transmissão mãe-filho do HBV ocorre com maior frequência do que o HCV.

Não somente as formas de transmissão dos vírus das hepatites são diferentes, como também suas apresentações clínicas e evolutivas são distintas. As hepatites A e E são doenças cujas manifestações clínicas, quando presentes, são agudas e autolimitadas como, por exemplo, o aparecimento de icterícia, urina escura e fezes claras, febre baixa e falta de apetite que, em geral, são resolvidas espontaneamente. No entanto, as hepatites B e C podem não se manifestar por meio desses sintomas na fase aguda e, além disso, diferem das hepatites A e E por terem altas chances de se tornarem doenças crônicas que, de forma silenciosa e assintomática, têm grande potencial de evoluírem para a cirrose e o câncer do fígado.

Assim, é fundamental que sejam instituídas estratégias de prevenção da nossa população para que as pessoas não se contaminem por esses vírus.

É importante enfatizar que as vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis na rede pública. Os pais e responsáveis devem ficar atentos à atualização das vacinas no cartão de vacinação de seus filhos e, também, é essencial que sejam vacinados os adultos, independentemente do gênero, sejam eles profissionais de saúde, pessoas em condição de vulnerabilidade e todos aqueles que, pela testagem do sangue, os exames revelarem que nunca tiveram contato anterior com esse vírus. As mulheres em idade fértil devem ser vacinadas contra a hepatite B para prevenir a transmissão para seus filhos.

A testagem rápida para os vírus das hepatites B e C também está disponível nas Unidades Básicas de Saúde e deve ser amplamente incentivada, sendo essencial que todas as pessoas a façam,  pelo menos, uma vez na vida. Essas doenças são assintomáticas até tardiamente, quando as complicações da cirrose já estão instaladas.

O Brasil é signatário da proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminação das hepatites virais B e C como problema de Saúde Pública, até 2030. O Ministério da Saúde, juntamente com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, atua para expandir o programa de vacinação a pessoas susceptíveis e de tratamento das hepatites virais na rede pública. Há medicamentos gratuitos que curam a infecção pelo vírus C e que controlam a replicação do vírus B.

É essencial saber que não existe vacina contra a hepatite C e, portanto, a prevenção é o melhor remédio. O tratamento precoce de sua forma crônica pode prevenir a evolução desta doença para a cirrose e o câncer. Quanto à hepatite B crônica, embora não possa ser curada, o controle da grande quantidade de vírus no sangue com medicamentos é fundamental para ajudar no combate ao risco de cirrose e câncer.

Nesse caso, procure a Unidade Básica de Saúde e faça o teste das hepatites B e C. As melhores medidas a serem adotadas contra essas doenças são:

– Evitar o contágio pelos vírus através de relações sexuais seguras, e o contato em geral com sangue de outras pessoas;

– Vacinar contra a hepatite B;

– Descobrir se já se contaminou através da testagem rápida nas Unidades Básicas de Saúde;

– Tratar precocemente essas doenças para evitar a cirrose e o câncer.

Dessa forma, é fundamental o engajamento de todos, instituições governamentais, profissionais da saúde e população, para que seja possível ampliar o conhecimento sobre esses sérios agravos e, assim, com cada um fazendo a sua parte, prevenirmos e combatermos as hepatites de maneira eficaz.

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