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23 jun 2021

O Analfabetismo Digital e a Trincheira do Conhecimento

Arquivado em Cidade, Comportamento

Por Alex Cabral, advogado, empreendedor, apaixonado por educação e novas tecnologias.

Trincheiras são valas de aproximadamente dois metros de profundidade escavadas no chão como estratégia de defesa e ataque durante as guerras. Faz setenta e nove anos desde que o Brasil participou da Segunda Grande Guerra Mundial. Em 2021, as nossas guerras mudaram, assim como as trincheiras. Anualmente, a UNESCO, braço da ONU para a Educação, apresenta o seu, com o propósito de examinar a evolução da Educação segundo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, conforme a chamada Agenda 2030.

No Relatório Global da Educação (GEM), publicado em junho do ano passado, a UNESCO examinou o objetivo de “educação inclusiva, equitativa e de qualidade e promover a aprendizagem ao longo da vida para todos” até 2030. Nesse caminho, o analfabetismo digital vai além de uma simples trincheira e tem figurado como verdadeiro abismo ao conhecimento, especialmente para grupos vulneráveis.

Na sociedade do conhecimento, o desafio é transformar toda a imensidão de informação em conhecimento. No Brasil, a inclusão digital aparece cada vez mais como trincheira – assim como nas guerras como estratégia de defesa e ataque – ao desenvolvimento humano. Num país onde 30% ainda não têm acesso à internet, o Auxílio Emergencial, benefício do governo federal destinado aos mais afetados pela Pandemia do Covid-19, exige o uso de, pelo menos, dois aplicativos, um para cadastro e outro para o saque dos valores.

Previsto como direito humano no artigo 19.3 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, o acesso à internet já se incorporou como direito fundamental na França e da Costa Rica. No Brasil, há ainda os perigos a que se expõem jovens e crianças privados do direito social à cybereducação. Na Era Tecnológica, a internet das coisas conecta objetos e lhes dá uma nova dimensão. Na “internet dos corpos” é o próprio corpo humano que serve como fonte de informação. No Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer e o analfabetismo digital é apenas uma das trincheiras a serem superadas na guerra por uma educação inclusiva.

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