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29 set 2015

Oncologista alerta sobre os cuidados especiais com o idoso com câncer

Arquivado em Idoso

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O Brasil já não é mais tão jovem. Estimativas do IBGE apontam que a população acima de 60 anos vai quadruplicar até 2060, passando de 14,9 milhões, em 2013, para 58,4 milhões. Estamos mais velhos e também mais preocupados com saúde, prevenção de doenças e qualidade de vida. Queremos envelhecer bem para aproveitar os momentos preciosos com a nossa família e os nossos queridos amigos.

Próximo às comemorações do Dia Internacional da Terceira Idade (1º/10) um dado chama a atenção e serve de alerta para todos. Segundo pesquisas, cerca de 50 % dos diagnósticos de câncer e de 70 % das mortes por câncer ocorrem em indivíduos acima de 65 anos. Estes números tendem a crescer à medida que o percentual de idosos aumenta.

De acordo com a oncologista Raquel Andrade Ribeiro, da equipe do Oncocentro Mina Gerais, os princípios essenciais do tratamento de câncer avançado em idosos são os mesmos que em pacientes mais jovens, com o agravante de que os pacientes mais velhos podem ter declínio da função de órgãos relacionados com a idade. “Por isso, os idosos necessitam de uma atenção especial quanto aos riscos da quimioterapia em relação à qualidade de vida, em particular no contexto de expectativa de vida estimada”, explica a especialista.

Segundo a médica, a dificuldade no tratamento oncológico do idoso está na diversidade da própria população idosa, pois existem pacientes que não apresentam qualquer patologia, enquanto outros possuem múltiplas doenças, portanto maior fragilidade. Por isso, o tratamento multidisciplinar é o mais indicado para estes pacientes. “O oncologista entra com toda sua expertise em câncer, prescrevendo o correto tratamento. E o geriatra cuida do idoso como um todo, em todas as necessidades”, destaca Raquel Andrade.

Para a especialista, a idade avançada não é, por si só, contra indicação para um tratamento oncológico curativo. No entanto, orienta que a avaliação global do paciente é fundamental para definir a melhor forma de realizar o tratamento. “A presença de um geriatra é fundamental no atendimento ao idoso devido às alterações fisiológicas e psicossociais decorrentes do envelhecimento e que podem comprometer a segurança e a eficácia do tratamento oncológico caso não forem abordadas. Em alguns casos, os riscos do tratamento podem até exceder os potenciais benefícios”, alerta a oncologista.

Definir qual a melhor estratégia no tratamento oncológico para o paciente idoso implica em uma avaliação global, que considera a expectativa de vida do paciente, sua capacidade física, suporte social, opções e crenças pessoais. “A importância da funcionalidade do tratamento está diretamente relacionada com a heterogeneidade da população idosa, que não nos permite considerar apenas a idade cronológica. Podemos ter um idoso de 65 anos totalmente dependente e um de 80 anos independente e funcional. Este último provavelmente estaria apto a receber o tratamento oncológico tradicional”, completa Raquel Andrade.

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