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02 set 2015

As teorias da conspiração fazem algum sentido?

Arquivado em Comportamento

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aécio maçonariadilma illuminatti

Quando as crises financeiras e políticas apertam, surge um solo fértil para as teorias da conspiração, em especial nas redes sociais. Você sabe exatamente o que é teoria da conspiração? Também chamada de “conspiracionismo” é qualquer teoria que explica um evento histórico ou atual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos, tais como uma “sociedade secreta” ou “governo sombra”.

Conversei com Sérgio Pereira Couto, 48 anos, jornalista e escritor especializado em história do esoterismo, da ciência criminal, de teorias de conspiração e das sociedades secretas. Segundo entrevista para a revista Istoé em 2010, foi redator das revistas História Oculta e Biblioteca Negra, publicadas pela Editora Mythos, além de ter participado das revistas Geek, Discovery Magazine e outras. Hoje continua a trabalhar com outras revistas da mesma editora (Biblioteca Secreta, Sociedades Secretas e Arquivos Negros), enquanto prepara novos livros que serão lançados em livrarias e bancas de jornais. Confira:

Adriana Santos: Na sua opinião: por que as crises políticas e econômicas favorecem as teorias da conspiração?

Sérgio Pereira Couto: Numa situação onde ninguém sabe apontar um culpado oficial, uma causa para a crise acontecer, é mais interessante experimentar a sensação de “estamos impotentes” do que se preocupar em localizar as verdadeiras causas e analisá-las. Assim, é mais fácil culpar as conspirações, algo que não acontece em plena luz do dia e que nunca se sabe quando estão em operação, do que admitir que a possível culpa esteja em nós mesmos, pela incapacidade de enfrentar o problema.

Adriana Santos: Na sua avaliação, quais os motivos dos interesses dos brasileiros pelas sociedades secretas, em especial com relação aos Iluminatti?

Sérgio Pereira Couto: Todo povo gosta de pensar que os problemas de seu dia-a-dia são causados por forças “invisíveis”, como dizia Jânio Quadros. Com os estadunidenses, o vilão preferido sempre foi o governo federal, pois contra ele pouco (ou nada) pode ser feito. O mesmo acontece no Brasil. O que não se conhece ou não se tem acesso, é foco de desconfiança. E o governo está cheio de membros de sociedades secretas (principalmente maçons). Essa história toda de Illuminati no governo é coisa típica de conspirólogos (estudiosos de teorias de conspiração) e nunca esbarra na confirmação histórica, científica ou mesmo acadêmica. Porém todos adoram uma boa história de suspense, não é? Assim, é fácil pensar nos Illuminati como o grupo manipulador que todos adoram odiar…

Adriana Santos: Até que ponto as sociedades secretas influenciam a política brasileira?

Sérgio Pereira Couto: Hoje em dia, muito pouco. Mesmo porque os diversos grupos sabem que, desde o estouro de O Código da Vinci em 2004, as sociedades secretas passaram a ser uma atração que atrai muita gente. E depois, esquecemos com facilidade que não são apenas políticos que participam desse tipo de grupo. Praticamente todos os setores da sociedade moderna frequentam as lojas e templos ligados a maçonaria e outros grupos.

Adriana Santos: A maçonaria continua influenciando a política brasileira?

Sérgio Pereira Couto: Se levarmos em consideração que os políticos da velha guarda eram, em quase sua maioria, maçons, há ainda muitos casos de que seus filhos e até seus netos passaram a fazer parte da mesma sociedade secreta. Ainda mais porque a Maçonaria possui grupos organizados para as esposas, os filhos e as filhas, ou seja, cobrem todos os componentes da família tradicional. E a famosa ajuda que os membros dão uns aos outros ainda faz com que muitos prefiram se tornar maçons a fim de conseguir uma ascensão social e até econômica rápida. Não acredito em uma influência direta, mas sim indireta.

Adriana Santos: Ao longo da história da humanidade, várias sociedades secretas foram criadas com os mais diversos propósitos, que obviamente nunca são totalmente revelados, se tornando um fácil alvo de teorias de conspiração. Por que os iluminatti são considerados as sociedades secretas que buscam dominar o mundo e são tão temidos pelos cristãos?

Sérgio Pereira Couto: Meus contatos e minhas pesquisas desmentem isso de maneira inequívoca. Para se ter uma ideia, é complicado falar sobre Illuminati sem vê-los inseridos em outros contextos (dentro das lojas maçônicas ou misturados com os neotemplários, por exemplo). Não há hoje um grupo que seja Illuminatus por si mesmo. Até o site oficial deles está dentro do domínio grandorient.org, que pertence aos Maçons. Isso os torna parte dos Illuminati? Pelo contrário, mostra que são um pequeno grupo que age de maneira quase simbiótica com os maçons, bem maiores e com muito mais recursos. Pelo que eu saiba, os cristão nunca temeram os Illuminati mais do que qualquer outra sociedade secreta. Esse é um conceito criado pela ficção de Dan Brown e não corresponde aos fatos históricos colhidos e reconhecidos pelos pesquisadores tarimbados. E os Illuminati não querem mais dominar o mundo do que as demais sociedades secretas. Novamente é necessário separar o joio do trigo por aqui.

Adriana Santos: Por que as sociedades secretas não aceitam membros mulheres?

Vale dizer que apenas os ramos mais tradicionalistas não aceitam mulheres. Mesmo na Maçonaria já há correntes feministas e mistas, embora não sejam reconhecidas pela maçonaria tradicional. Isso tem uma explicação histórica: desde o começo esses grupos eram exclusivos de homens, que os mantinham em atividades ditas “saudáveis” longe dos rigores e obrigações do casamento, como se fosse uma espécie de “clube de cavalheiros”, comuns até hoje na Europa. Há quem afirme que as mulheres não são aceitas porque tem “tendências a falar mais que os homens” e que, por isso, não serviriam para guardar os segredos dos grupos onde atuam, mas são apenas reinterpretações modernas e sem apoio histórico.

Adriana Santos: Os iluminatti estão presentes no governo brasileirol? A presidente Dilma poderia ser uma Iluminatti?

Sérgio Pereira Couto: Não. Não há nenhum Illuminatus no governo. E se houver, com certeza não estará no PT ou se envolvendo com política brasileira via partido.

Adriana Santos: Por que alguns símbolos Iluminatti são considerados satânicos?

Sérgio Pereira Couto:  Os símbolos universais, quando não se conhece sua verdadeira origem, são assim interpretados porque a maioria das pessoas tem a mente fechada e imagina sempre um cenário de conspiração ou controle da mente. Nenhum dos chamados símbolos Illuminati são satânicos. Nem mesmo os símbolos considerados satânicos são assim chamados, são pura invenção de pessoas normais. O Olho que Tudo Vê, como já disse antes, é apenas a presença de Deus,nada mais. Ou já esqueceram que Deus não tem a forma de um homem velho de barbas longas? Como você representa algo que não tem forma? Essa do domínio político de um único país é invenção descarada de conspirólogos.

Adriana Santos: Muitos afirmam que alguns desenhos animados muito conhecidos das crianças usam mensagens subliminares para atender aos planos de dominação dos Iluminatti. Isso é possível? O cinema, por exemplo, seria um grande divulgador das ideias Iluminatti?

Sérgio Pereira Couto: Outra bobagem pura. Sim, na teoria qualquer coisa (mesmo um simples email) pode passar uma imagem codificada ou um texto subliminar. Mas se começarmos a ver demônios onde não existem, de que adianta irmos ao cinema ou vermos tv? A maldade está na cabeça de quem interpreta o quadro que vê. O cinema é propagador de violência e sexo, não de ideias Illuminati.

Adriana Santos: Você é Iluminatti ou conhece algum me membro Iluminatti?

Sérgio Pereira Couto: Não, com certeza não sou um Illuminatus. Conheço pelo menos seis pessoas que são Illuminati, três delas maçons e três pertencentes a outra vertente. Todos são minhas fontes de confiança e uso-as toda vez que preciso de informações. Da mesma forma que mantenho relações com pelo menos um membro de todas as outras sociedades existentes.

02 set 2015

Uma receitinha de torta vegana de limão que é um espetáculo

torta vegana

Pessoal, estou na fase de testar receitas vegetarianas! Comprei uma revista que é um espetáculo e oferece dicas muito bacanas de doces, salgados, pizzas, hambúrgueres, sanduíches… Tudo sem nenhum ingrediente de origem animal. Então resolvi apostar em uma torta vegana de limão. Não segui exatamente a receita da revista. Fiz algumas adaptações, mas o resultado final ficou muito interessante. Na verdade uma delícia! Precisei me vigiar para não comer a travessa inteira. A receita é bem refrescante, leve e cheirosa. Segue a receitinha com o toque da Chef Dri.

Ingredientes:

1 xícara de (chá) de bolachas ( tipo “Maizena”) moídas

1 xícara (chá) de óleo de girassol

2 colheres de sopa de creme de leite de soja

Suco de 2 limões grandes

2 xícaras (chá) de leite condensado de soja

1 xícara  (chá) de chantilly vegano (100% vegetal)

Raspas de limão para decorar

Como fazer?

Para a massa, misture bem as quantidades indicadas de bolachas, óleo e o creme de leite. Espalhe a mistura em uma forma e leve ao forno até dourar. Retire a deixe esfriar, mas antes triture com um garfo a massa (o resultado final fica crocante). Para o creme, bata no liquidificador o suco de limão com o leite condensado. Adicione o chantilly e bata até obter um creme mais consistente. Espalhe o creme por cima dos biscoitos triturados com os outros ingredientes que foram ao forno.

01 set 2015

Precisamos conversar sobre drogas

Arquivado em Saúde & Literatura

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O Saúde & Literatura apresenta o livro Redes de Atenção aos Usuários de Drogas; Políticas e práticas – dos organizadores Telmo M. Ronzani, Pedro Henrique A. da Costa, Daniela Cristina B. Mota e Tamires Jordão Laport, lançado pela Cortez Editora. A apresentação foi feita por Julio Calzada,  ex-secretário geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai.

“Durante décadas nos fizeram acreditar que a questão das drogas estava determinada por uma oferta que indicava uma demanda passiva, quase ingênua e inofensiva, sendo “seduzida” por uma oferta diabólica e perversa. Pretendiam nos convencer de que a forma de resolver esta relação maquiavélica era mediante as normas, a lei penal e a fiscalização” (Julio Calzada).

O assunto drogas nunca é “ingênuo e inofensivo”, mas ainda cercado de sombras e de informações contraditórias. Encarar o assunto tão polêmico de forma ética, transparente, despido de moralidades religiosas e políticas não é fácil, mas necessário para que possamos avançar enquanto sociedade.

Os autores deste livro nos apontam um caminho não instrumental nem mecanicista, mas levando em conta o bom senso que complexidade exige.

Conversei com o professor, Dr. Telmo M. Ronzani, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Drogas-CREPEIA
Departamento de  Psicologia Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF .

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Arquivo pessoal

Adriana Santos: Qual a proposta central do livro?

Telmo Ronzani: O livro é uma coletânea de capítulos de autores nacionais e internacionais, especialistas na área. Estamos já há algum tempo trabalhando e planejando o livro. Escolhemos com bastante critério e cuidado quem seriam os colaboradores, bem como a temática escolhida. Temos um número considerável de livros sobre drogas e não gostaríamos que fosse apenas mais um livro, mas sim que trouxesse uma temática importante e atual. Por isso, pensamos focar no tema da rede de cuidado dos usuários e nas políticas sobre drogas, que são temas muito discutidos, mas com necessidade de uma literatura condensada e sistematizada.

Adriana Santos: O Brasil avançou com relação ás políticas de proteção contra o abuso de drogas no cenário mundial?

Telmo Ronzani: Acho que temos avançado, mas ainda temos muito ainda para conquistar. Essa é uma temática polêmica, com várias visões, interesses e pontos de vista. Por isso, é uma área que algumas vezes observamos avanços e ampliação da discussão e outras vezes, retrocessos. De qualquer maneira, apesar dos imensos desafios e lacunas ainda existentes, poderíamos dizer que temos mais mobilização e discussão sobre a temática. No Brasil, até o final dos anos 90, o tema se restringia à esfera policial e à filantropia e não havia um interesse muito grande de opinião pública. Agora já podemos observar uma rede se formando, o interesse de outros setores da sociedade e o fortalecimento de ações mais amplas e com maior qualidade e cuidado com os usuários. Mas, como disse, ainda há um longo caminho a percorrer.

Adriana Santos: Como promover o acesso de pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção?

Telmo Ronzani: O caminho é a ampliação e o fortalecimento dessa rede de atenção. Rede esta que deve ser pública, gratuita, acessível, aberta, de base comunitária e que respeite minimamente os direitos dos cidadãos. E que tenha uma qualidade técnica aceitável. Devemos compreender que o uso de substâncias apresenta um componente social e cultural muito forte e que os problemas decorrentes do consumo não se limitam a somente um tipo de usuário. Por isso, além de uma rede amplamente disponível, ela precisa ter também uma organização e oferta de serviços variados, de acordo com a gravidade ou caracterização do problema. Por isso, como não existe somente um tipo de usuário, não devemos oferecer somente um tipo de tratamento.

Adriana Santos: Na sua avaliação os profissionais de saúde do SUS de Minas Gerais estão qualificados para receber na atenção primária pessoas em situação de crise provocada pelo abuso de drogas?

Telmo Ronzani: O que defendemos quando falamos da rede de atenção ao usuário de drogas é que “qualquer porta é a porta certa de entrada no sistema”. Portanto, qualquer profissional, de qualquer nível de atenção à saúde, ou mesmo de outros setores como assistência social por exemplo, deveria minimamente acolher de forma adequada a todos que procuram o serviço, que saiba avaliar a demanda apresentada, que faça uma intervenção inicial e que insira esta demanda na rede de acordo com essa necessidade. Sabemos que a atenção primária é um nível importante pela base comunitária de ação, mas as situações de crise devem ser atendidas em outros níveis de atenção como Prontos Socorros ou os CAPS AD III, que tem uma infraestrutura mais adequada para esses casos. De qualquer maneira, os profissionais de APS podem acompanhar aquele usuário, pois sabemos que os casos de crise são resultados de comportamentos de consumo diário que acontece na comunidade.

Os profissionais do SUS de Minas Gerais, assim como outros estados, geralmente não tem formação adequada para lidar com tal problema. Além disso, ainda temos o problema da articulação da rede e de cobertura necessária para tratamento. Por isso, defendemos não só a formação adequada, mas também maior articulação da rede e maior investimento no SUS para lidar com os problemas do uso de droga no sistema público.

Adriana Santos: Muitos leitos psiquiátricos foram desativados por conta de políticas de favoreciam a não institucionalização. Como ficam as pessoas que enfrentam problemas relacionados ao abuso de drogas lícitas e ilícitas?

Telmo Ronzani: A literatura na área já demonstra que tratamentos com longos períodos de internação não demonstram maior eficiência em comparação aos demais. Além disso, já é muito conhecido os maus tratos e total desassistência ocorridos nos tempos dos grandes hospitais psiquiátricos no Brasil. Sabemos também que muitos leitos foram ocupados por usuários de álcool e outras drogas inadequadamente. Isso não quer dizer que a internação não traz benefício algum. O mais adequado é que tenhamos uma rede de cuidado aberta, que tenha capacidade técnica e organizacional para avaliar as necessidades do usuário para saber qual a modalidade de tratamento indicada. Algumas vezes a internação pode ser a melhor opção, desde que haja um plano terapêutico bem estabelecido, tempo limitado e com um acompanhamento pós-alta definido.

Na população geral, ainda há a ideia de que dependência de drogas é uma “doença” de evento único e que se resolve com internação longa e com o isolamento social, mas a literatura na área já demonstra que é uma condição que necessita de um cuidado contínuo, interdisciplinar, de base comunitária e que algumas vezes se beneficiará da internação. Portanto, é preciso que os chamados serviços substitutivos aos hospitais de fato cumpram seu papel dentro da rede e que tenha condições mínimas de funcionamento.

Adriana Santos: Sabemos que a promoção à saúde é o caminho mais ético e seguro para garantir mais qualidade de vida. No entanto sabemos também que a mudança de comportamento é um processo demorado e requer vigilância constante. Como fazer promoção á saúde para evitar o abuso de drogas no Brasil?

Telmo Ronzani:  Primeiramente é preciso mudar nossa percepção sobre o uso e usuário. Um dos grandes problemas em relação ao consumo de drogas é o preconceito e estigma associados. Isso acaba excluindo uma parcela importante da população de seus direitos, de cuidados e abordagens adequadas, de uma informação realista e verdadeira. Esses são pontos que muitas vezes pioram a qualidade de vida de usuários e seus familiares. Principalmente quando falamos da população mais pobre.

Além disso, precisamos começar a trabalhar com o tema de forma mais verdadeira e honesta. As informações sobre drogas que chegam para a maioria da população geralmente são de péssima qualidade e muitas vezes inverídicas. Essa má informação serve a muitos interesses de grupos que exploram o tema para diversos fins e gera um pânico e consequente controle sobre as pessoas. Uma boa rede de cuidados no tema se inicia com uma prevenção e promoção bem feitas.

Do ponto de vista da promoção, é preciso entender que o tema de drogas faz parte de um sistema social excludente e que esse consumo e tudo mais em sua volta são sinais dessa desigualdade social em nosso país. Do ponto de vista da prevenção, precisamos de ações amplas e sistematizadas, de qualidade sobre os riscos do consumo de drogas. Já vimos que a doutrinação amedrontadora não funciona. O que precisamos é de uma informação que leve à real conscientização dos jovens, que seja crítica, construtiva e libertadora.

Adriana Santos: Na sua avaliação os grupos religiosos que abrigam pessoas com históricos de abuso de drogas realizam um trabalho que favorece a saúde pública no Brasil?

Telmo Ronzani: Esse é um outro tema bastante polêmico. Gostaria de falar especificamente sobre a modalidade de Comunidades Terapêuticas, que tem um histórico e base teórica e filosófica muito específica. Algumas delas de base religiosa, outras não. Esse grande crescimento de grupos que se intitulam comunidades terapêuticas tem gerado grande confusão e é importante fazermos tal distinção. Como já havia dito, podemos ter diferentes modalidades de tratamento que podem beneficiar algumas pessoas e outras não. As Comunidades Terapêuticas sérias e que asseguram os princípios dos direitos humanos, a livre escolha dos usuários, a não imposição religiosa, com infraestrutura adequada e profissionais capacitados, podem ser importantes na rede de atenção aos usuários, assim como outras modalidades. Sei que a defesa da qualidade dessas CTs vem inclusive por algumas associações da área, que lutam por uma regulamentação e maior qualidade. O que criticamos abertamente é o uso que alguns grupos fazem de algumas denominadas CTs que usam do desespero de famílias e pessoas para a exploração econômica e como capital eleitoral, sem o respeito mínimo dos direitos humanos. Portanto, as CTs podem ser modalidades complementares à saúde pública importantes, mas devemos criar mecanismos para separar aquelas que de fato objetivam cuidar dos usuários dos demais grupos.

Adriana Santos: A descriminalização das drogas é o caminho?

Telmo Ronzani: A descriminalização é apenas um aspecto da questão. É um aspecto muito importante pois traz para a esfera da saúde pública e não mais para a esfera criminal o tema do uso de drogas. Principalmente quando falamos da população marginalizada e das classes mais pobres de nosso país. Mas, por si só, acho insuficiente. Mesmo que o porte e consumo de drogas seja descriminalizado, se não trabalharmos numa ampla mudança de concepção sobre o uso e usuário; se não houver uma ampla rede de promoção, prevenção e tratamento disponível; que seja gratuita e de qualidade para todos os cidadãos, continuaremos com o processo de exclusão e dificuldade de acesso da população no cuidado sobre o problema.

Para conhecer melhor a publicação . AQUI

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