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01 set 2015

Precisamos conversar sobre drogas

Arquivado em Saúde & Literatura

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O Saúde & Literatura apresenta o livro Redes de Atenção aos Usuários de Drogas; Políticas e práticas – dos organizadores Telmo M. Ronzani, Pedro Henrique A. da Costa, Daniela Cristina B. Mota e Tamires Jordão Laport, lançado pela Cortez Editora. A apresentação foi feita por Julio Calzada,  ex-secretário geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai.

“Durante décadas nos fizeram acreditar que a questão das drogas estava determinada por uma oferta que indicava uma demanda passiva, quase ingênua e inofensiva, sendo “seduzida” por uma oferta diabólica e perversa. Pretendiam nos convencer de que a forma de resolver esta relação maquiavélica era mediante as normas, a lei penal e a fiscalização” (Julio Calzada).

O assunto drogas nunca é “ingênuo e inofensivo”, mas ainda cercado de sombras e de informações contraditórias. Encarar o assunto tão polêmico de forma ética, transparente, despido de moralidades religiosas e políticas não é fácil, mas necessário para que possamos avançar enquanto sociedade.

Os autores deste livro nos apontam um caminho não instrumental nem mecanicista, mas levando em conta o bom senso que complexidade exige.

Conversei com o professor, Dr. Telmo M. Ronzani, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Drogas-CREPEIA
Departamento de  Psicologia Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF .

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Arquivo pessoal

Adriana Santos: Qual a proposta central do livro?

Telmo Ronzani: O livro é uma coletânea de capítulos de autores nacionais e internacionais, especialistas na área. Estamos já há algum tempo trabalhando e planejando o livro. Escolhemos com bastante critério e cuidado quem seriam os colaboradores, bem como a temática escolhida. Temos um número considerável de livros sobre drogas e não gostaríamos que fosse apenas mais um livro, mas sim que trouxesse uma temática importante e atual. Por isso, pensamos focar no tema da rede de cuidado dos usuários e nas políticas sobre drogas, que são temas muito discutidos, mas com necessidade de uma literatura condensada e sistematizada.

Adriana Santos: O Brasil avançou com relação ás políticas de proteção contra o abuso de drogas no cenário mundial?

Telmo Ronzani: Acho que temos avançado, mas ainda temos muito ainda para conquistar. Essa é uma temática polêmica, com várias visões, interesses e pontos de vista. Por isso, é uma área que algumas vezes observamos avanços e ampliação da discussão e outras vezes, retrocessos. De qualquer maneira, apesar dos imensos desafios e lacunas ainda existentes, poderíamos dizer que temos mais mobilização e discussão sobre a temática. No Brasil, até o final dos anos 90, o tema se restringia à esfera policial e à filantropia e não havia um interesse muito grande de opinião pública. Agora já podemos observar uma rede se formando, o interesse de outros setores da sociedade e o fortalecimento de ações mais amplas e com maior qualidade e cuidado com os usuários. Mas, como disse, ainda há um longo caminho a percorrer.

Adriana Santos: Como promover o acesso de pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção?

Telmo Ronzani: O caminho é a ampliação e o fortalecimento dessa rede de atenção. Rede esta que deve ser pública, gratuita, acessível, aberta, de base comunitária e que respeite minimamente os direitos dos cidadãos. E que tenha uma qualidade técnica aceitável. Devemos compreender que o uso de substâncias apresenta um componente social e cultural muito forte e que os problemas decorrentes do consumo não se limitam a somente um tipo de usuário. Por isso, além de uma rede amplamente disponível, ela precisa ter também uma organização e oferta de serviços variados, de acordo com a gravidade ou caracterização do problema. Por isso, como não existe somente um tipo de usuário, não devemos oferecer somente um tipo de tratamento.

Adriana Santos: Na sua avaliação os profissionais de saúde do SUS de Minas Gerais estão qualificados para receber na atenção primária pessoas em situação de crise provocada pelo abuso de drogas?

Telmo Ronzani: O que defendemos quando falamos da rede de atenção ao usuário de drogas é que “qualquer porta é a porta certa de entrada no sistema”. Portanto, qualquer profissional, de qualquer nível de atenção à saúde, ou mesmo de outros setores como assistência social por exemplo, deveria minimamente acolher de forma adequada a todos que procuram o serviço, que saiba avaliar a demanda apresentada, que faça uma intervenção inicial e que insira esta demanda na rede de acordo com essa necessidade. Sabemos que a atenção primária é um nível importante pela base comunitária de ação, mas as situações de crise devem ser atendidas em outros níveis de atenção como Prontos Socorros ou os CAPS AD III, que tem uma infraestrutura mais adequada para esses casos. De qualquer maneira, os profissionais de APS podem acompanhar aquele usuário, pois sabemos que os casos de crise são resultados de comportamentos de consumo diário que acontece na comunidade.

Os profissionais do SUS de Minas Gerais, assim como outros estados, geralmente não tem formação adequada para lidar com tal problema. Além disso, ainda temos o problema da articulação da rede e de cobertura necessária para tratamento. Por isso, defendemos não só a formação adequada, mas também maior articulação da rede e maior investimento no SUS para lidar com os problemas do uso de droga no sistema público.

Adriana Santos: Muitos leitos psiquiátricos foram desativados por conta de políticas de favoreciam a não institucionalização. Como ficam as pessoas que enfrentam problemas relacionados ao abuso de drogas lícitas e ilícitas?

Telmo Ronzani: A literatura na área já demonstra que tratamentos com longos períodos de internação não demonstram maior eficiência em comparação aos demais. Além disso, já é muito conhecido os maus tratos e total desassistência ocorridos nos tempos dos grandes hospitais psiquiátricos no Brasil. Sabemos também que muitos leitos foram ocupados por usuários de álcool e outras drogas inadequadamente. Isso não quer dizer que a internação não traz benefício algum. O mais adequado é que tenhamos uma rede de cuidado aberta, que tenha capacidade técnica e organizacional para avaliar as necessidades do usuário para saber qual a modalidade de tratamento indicada. Algumas vezes a internação pode ser a melhor opção, desde que haja um plano terapêutico bem estabelecido, tempo limitado e com um acompanhamento pós-alta definido.

Na população geral, ainda há a ideia de que dependência de drogas é uma “doença” de evento único e que se resolve com internação longa e com o isolamento social, mas a literatura na área já demonstra que é uma condição que necessita de um cuidado contínuo, interdisciplinar, de base comunitária e que algumas vezes se beneficiará da internação. Portanto, é preciso que os chamados serviços substitutivos aos hospitais de fato cumpram seu papel dentro da rede e que tenha condições mínimas de funcionamento.

Adriana Santos: Sabemos que a promoção à saúde é o caminho mais ético e seguro para garantir mais qualidade de vida. No entanto sabemos também que a mudança de comportamento é um processo demorado e requer vigilância constante. Como fazer promoção á saúde para evitar o abuso de drogas no Brasil?

Telmo Ronzani:  Primeiramente é preciso mudar nossa percepção sobre o uso e usuário. Um dos grandes problemas em relação ao consumo de drogas é o preconceito e estigma associados. Isso acaba excluindo uma parcela importante da população de seus direitos, de cuidados e abordagens adequadas, de uma informação realista e verdadeira. Esses são pontos que muitas vezes pioram a qualidade de vida de usuários e seus familiares. Principalmente quando falamos da população mais pobre.

Além disso, precisamos começar a trabalhar com o tema de forma mais verdadeira e honesta. As informações sobre drogas que chegam para a maioria da população geralmente são de péssima qualidade e muitas vezes inverídicas. Essa má informação serve a muitos interesses de grupos que exploram o tema para diversos fins e gera um pânico e consequente controle sobre as pessoas. Uma boa rede de cuidados no tema se inicia com uma prevenção e promoção bem feitas.

Do ponto de vista da promoção, é preciso entender que o tema de drogas faz parte de um sistema social excludente e que esse consumo e tudo mais em sua volta são sinais dessa desigualdade social em nosso país. Do ponto de vista da prevenção, precisamos de ações amplas e sistematizadas, de qualidade sobre os riscos do consumo de drogas. Já vimos que a doutrinação amedrontadora não funciona. O que precisamos é de uma informação que leve à real conscientização dos jovens, que seja crítica, construtiva e libertadora.

Adriana Santos: Na sua avaliação os grupos religiosos que abrigam pessoas com históricos de abuso de drogas realizam um trabalho que favorece a saúde pública no Brasil?

Telmo Ronzani: Esse é um outro tema bastante polêmico. Gostaria de falar especificamente sobre a modalidade de Comunidades Terapêuticas, que tem um histórico e base teórica e filosófica muito específica. Algumas delas de base religiosa, outras não. Esse grande crescimento de grupos que se intitulam comunidades terapêuticas tem gerado grande confusão e é importante fazermos tal distinção. Como já havia dito, podemos ter diferentes modalidades de tratamento que podem beneficiar algumas pessoas e outras não. As Comunidades Terapêuticas sérias e que asseguram os princípios dos direitos humanos, a livre escolha dos usuários, a não imposição religiosa, com infraestrutura adequada e profissionais capacitados, podem ser importantes na rede de atenção aos usuários, assim como outras modalidades. Sei que a defesa da qualidade dessas CTs vem inclusive por algumas associações da área, que lutam por uma regulamentação e maior qualidade. O que criticamos abertamente é o uso que alguns grupos fazem de algumas denominadas CTs que usam do desespero de famílias e pessoas para a exploração econômica e como capital eleitoral, sem o respeito mínimo dos direitos humanos. Portanto, as CTs podem ser modalidades complementares à saúde pública importantes, mas devemos criar mecanismos para separar aquelas que de fato objetivam cuidar dos usuários dos demais grupos.

Adriana Santos: A descriminalização das drogas é o caminho?

Telmo Ronzani: A descriminalização é apenas um aspecto da questão. É um aspecto muito importante pois traz para a esfera da saúde pública e não mais para a esfera criminal o tema do uso de drogas. Principalmente quando falamos da população marginalizada e das classes mais pobres de nosso país. Mas, por si só, acho insuficiente. Mesmo que o porte e consumo de drogas seja descriminalizado, se não trabalharmos numa ampla mudança de concepção sobre o uso e usuário; se não houver uma ampla rede de promoção, prevenção e tratamento disponível; que seja gratuita e de qualidade para todos os cidadãos, continuaremos com o processo de exclusão e dificuldade de acesso da população no cuidado sobre o problema.

Para conhecer melhor a publicação . AQUI

31 ago 2015

60% dos pacientes com psoríase podem ter depressão

Arquivado em Animais, saúde
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Luciana Aquino. Arquivo pessoal

“É como a flor, Luciana
Olhos que vivem sorrindo
Riso tão lindo
Canção de paz” (Tom Jobim)

Luciana Aquino é jornalista, escritora, mãe de um filho adolescente e de uma peludinha (Yorkshire) e ama contemplar poemas e sorrisos. Lu, como é conhecida pelos colegas da imprensa, desde pequena já notava algumas lesões no couro cabeludo que se pareciam com dermatite seborreica. “Quando entrei na adolescência apareceram algumas pequenas lesões nos cotovelos e atrás das orelhas. Descobri que meu problema era psoríase e que também era hereditário”, diz.

Na adolescência, segundo ela, as lesões eram pequenas e não as incomodavam tanto. Mas a crise veio após os 40 anos. Ela ficou com 97% do corpo tomado pela psoríase eritrodérmica. “Fiquei muito mal. Foram 15 dias na cama, com lesões no rosto, tronco, braços e pernas. Foi uma miscelânea de dor e revolta. Tipo: Por que eu? O que houve ?” desabafa.

Ela relata alguns momentos tristes, quando se sentiu descriminada em um clube. “Já fui convidada a retira-me da piscina de um clube, porque alguém reclamou com a diretoria que tinha uma moça com uma pequena lesão nas costas. Detalhe: era eu que estava com meu filho pequeno, na época, com dois anos na piscina”, relembra com pesar.

Luciana sempre foi uma mulher bela, com a pele que parecia um pêssego. A doença não poupou e atingiu o rosto. “Nossa chorei muito. Principalmente quando as lesões chegaram ao rosto. Nunca tive no rosto. Fiquei deformada. Mas passou, graças a Deus. Ainda sofro com os efeitos colaterais do remédio, como ressecamento das mucosas. Os lábios estão extremamente ressecados”, explica.

A jornalista diz que o abalo emocional não foi maior porque contou com o apoio incondicional do amor de sua vida. “Quando me vi com o corpo todo cheio de lesões e chorei para o meu marido e disse para ele: Não me olha!. E ele me respondeu que não amava meu exterior, mas a Luciana que está dentro de mim, superei todos os traumas que a doença poderia ter me causado”, relata apaixonada.

Par entender mais sobre o drama pessoal de Luciana, conversei com Dr.  Rafael de A. Moraes, dermatologista 

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Adriana Santos: O que é psoríase?

Rafael Moraes: Psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele e articulações, imunomediada, de base genética, com várias formas clínicas e apresentações distintas. A psoríase acomete igualmente homens e mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, com picos de incidência na segunda e quinta décadas de vida. Estima-se que a psoríase ocorra em 1% da população.

Adriana Santos: A doença tem fundamento psicológico?

Rafael Moraes: Como fator agravante sim, mas não como causa isolada. A psoríase está relacionada a uma autoestima baixa, com prevalência aumentada de distúrbios do humor, incluindo a depressão. Até 60% dos pacientes com psoríase podem ter depressão. Há estudos evidenciando que transtornos psicológicos podem determinar o agravamento da doença mas, isoladamente, dificilmente são a causa da psoríase. Até 10% dos pacientes com psoríase possuem ideações suicidas.

Adriana Santos: Psoríase é consequência ou causa de depressão?

Rafael Moraes: A psoríase pode causar ou agravar uma depressão já estabelecida. A doença pode determinar um prejuízo psicológico e emocional em um indivíduo, nem sempre relacionado à extensão da doença cutânea. Sob o ponto de vista do paciente, a psoríase grave pode ser aquela que causa constrangimento, ansiedade ou interfere no relacionamento físico, social, como a prática de lazer ou esportes. No sentido de auxiliar o dermatologista a iniciar um tratamento sistêmico para casos de psoríase com repercussão psicossocial, foram criados índices para estimar objetivamente essa questão. Um deles é o DLQI (dermatology life quality índex), desenvolvido por Finlay & Khan (1994), que contém 10 questões relacionadas às experiências vivenciadas pelo paciente, na semana precedente. O questionário é autoaplicável, podendo ser utilizado para diversas enfermidades dermatológicas, antes e pós-tratamento.

Adriana Santos: Quais os sintomas da psoríase?

Rafael Moraes: A psoríase é marcada tipicamente por lesões avermelhadas e descamativas, eventualmente úmidas ou pustulosas, que podem acometer unhas, couro cabeludo, mucosas e articulações, além da pele. Coceira é sintoma eventual da doença.

Adriana Santos: Psoríase tem cura?

Rafael Moraes: Não há um medicamento que determine a cura definitiva da Psoríase. Os objetivos do tratamento são melhorar as lesões e controlar o quadro cutâneo pelo maior tempo possível, além de aumentar a qualidade de vida do paciente. Até 5% dos pacientes podem apresentar melhora definitiva das lesões espontaneamente ou após algum tratamento.

Adriana Santos: Qual o melhor tratamento contra psoríase?

Rafael Moraes: Há muitas drogas envolvidas no tratamento da psoríase e a eficácia de cada uma delas é variável, dependendo de cada paciente. Geralmente segue-se um protocolo que se inicia pelo uso de medicamentos tópicos e hidratantes, seguido de fototerapia e, em seguida, medicamentos sistêmicos. Sempre avaliam-se a gravidade das lesões, a repercussão psicossocial da psoríase, o risco e os benefícios das medicações envolvidas no tratamento. Orientações gerais também são muito importantes. A hidratação da pele é medida fundamental para evitar novas lesões e controlar o quadro em portadores da psoríase. Preconizam-se cuidados especial em relação ao banho: devem ter de 5 a 10 minutos, frio/morno, com uso de sabonetes brancos e neutros e sem o uso de buchas. Vale lembrar que a psoríase pode, eventualmente, ser desencadeada na pele atritada ou machucada. Tal fenômeno é conhecido como “fenômeno de Koeber” ou “fenômeno isomórfico”, daí a preferência da psoríase por locais como cotovelos e joelhos. Evitar fatores desencadeantes ou agravantes das lesões é de suma importância, entre eles: infecções bacterianas; distúrbios dos íons no sangue; determinados medicamentos; uso de bebidas alcoólicas e fumo; estresse.

28 ago 2015

Caminhada ou corrida: você decide!

Arquivado em Comportamento
Kylia Zé e Rberta

Roberta, Zé Pio e Kylia: amigos para sempre

Dizem que a vida começa aos 40. Não muito tempo atrás, era mais ou menos por aí que a vida terminava. Hoje os quarentões e as quarentonas estão cada vez mais jovens, belos, ativos e preocupados com qualidade de vida.

Vejam só a foto acima. São meus amigos de infância. Lindos, né? O Zé é um pouco mais novo, mas as meninas foram minhas coleguinhas do antigo primário. Que saudades!

Toda vez que acesso o meu Facebook vejo meus amigos esbanjando saúde, vitalidade e muitas fotos. Eles estão sempre juntos em caminhadas, corridas e maratonas. Segundo eles, a boa forma física é graças a prática regular de atividades físicas.

Kylia é coordenadora de marketing e levava uma vida sedentária. Ela começou a caminhar em 2012. Antes fazia Pilates para ajudar no tratamento de dores lombares. “Comecei a caminhar e, com o passar do tempo, iniciei a corrida e não parei mais, muito influenciada pelas amigas Gislaine e Roberta”, diz entusiasmada. Desde que começou já percorreu aproximadamente 500 km.

Todo início de ano, ela faz um check-up e teste ergométrico, recomendados por um cardiologista de confiança. Outra preocupação é na escolha correta do tênis. Ela preza o conforto para evitar lesões.

tenisamiga

Foi difícil começar? “Sim , as vezes tinha preguiça.. mas até tomar gosto pela corrida. Hoje acordo cedo aos domingos e feriados. Até com chuva eu vou! A energia e a adrenalina são contagiantes! Sou muito mais bem disposta e a energia em alta. A frequencia de esforço cardíaco ta melhor, a musculatura também, as dores lombares acabaram enfim… só coisas boas”conclui.

roberta kylia

Minhas adoráveis amigas: Roberta, Kylia e um fofinho que não sei o nome.

As meninas sempre me convidam para caminhar. Sou sedentária, mas consciente que preciso mudar de padrão comportamental. Então conversei com a Dra. Carla Tavares, médica do Departamento de Medicina esportiva do Minas Tênis Clube e responsável pelo serviço de cardiologia do esporte da Rede Mater dei de Saúde. Confira:

Adriana Santos: Antes de começar qualquer atividade física, como a caminhada e a corrida, o que o interessado deve prestar atenção com relação à saúde?

Carla Tavares: O primeiro passo para quem deseja iniciar uma atividade física é a realização de uma consulta médica. Neste momento, o médico irá definir se há algum risco em se iniciar a prática da atividade desejada e orientar em relação ao treinamento.

Além da consulta clínica criteriosa e um bom exame físico pode ser necessária a solicitação de alguns exames baseado na idade, no histórico pessoal, familiar e no exame físico de cada pessoa.
Vencida essa etapa, é muito importante providencia roupas e calçados adequados, além de programar um plano de dieta e hidratação adequado.

Adriana Santos: Quais os benefícios da caminhada e da corrida à saúde do coração?

Carla Tavares: A caminhada e a corrida são exercícios excelentes para quem busca ampliar sua aptidão cardiorrespiratória, manter níveis de colesterol, glicose e pressão arterial controlados e melhorar a qualidade de vida.

Adriana Santos: Pessoas que apresentam algum problema cardíaco pode correr ou caminhar?

Carla Tavares: Em geral, a caminhada e até mesmo a corrida são exercícios muito seguros e até mesmo quem tem determinados problemas cardíacos podem se beneficiar desses exercícios. É o caso, por exemplo, do individuo hipertenso que pode otimizar o controle da pressão com esses exercícios, podendo inclusive diminuir a dependência de medicamentos. Ou no caso do paciente portador de insuficiência cardíaca que pode melhorar sua qualidade de vida e até mesmo a sua sobrevida . Mas para os portadores de doenças cardíacas é fundamental a orientação médica, principalmente em relação aos limites a serem respeitados.

Adriana Santos: Correr ou caminhar? Qual a melhor atividade física para o coração?

Carla Tavares: Tanto a caminhada quanto a corrida são excelentes exercícios para o coração. A definição da intensidade ideal do exercício tem sido muito estudada dentro da cardiologia e da medicina do esporte e sabemos hoje que o exercício moderado para o coração ainda é o mais seguro e mais indicado.

Adriana Santos: Qual o tempo ideal de corrida ou caminhada para fortalecer o coração?

Carla Tavares: Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia os exercícios devem ser realizados, no mínimo, cinco vezes por semana, com duração de pelo menos 30 minutos, de modo contínuo ou intervalado, com o objetivo de reduzir significativamente eventos cardiovasculares e contribuir para o controle dos fatores de risco cardíacos. Se a atividade for intensa esse volume de exercício citado pode ser reduzido mantendo os mesmos benefícios.

Adriana Santos: Beber água e antes das atividades podem ajudar no desempenho das atividades físicas?

Carla Tavares: A hidratação é fundamental durante os exercícios, inclusive para a melhora do desempenho. A falta de hidratação adequada dificulta a recuperação, aumenta o risco de lesões, pode comprometer a performance, a força musculatura, além de poder prejudicar a rapidez de raciocínio – importante em vários esportes.

Adriana Santos: Qual o seu conselho para quem deseja inciar uma atividade física?

Carla Tavares: Meu conselho para quem deseja iniciar a prática de exercícios é não perder tempo! Quanto mais longo o período de sedentarismo, maior o risco para a saúde. Então, marque logo sua avaliação e médica, escolha o exercício que te proporciona mais prazer e bem estar e boa sorte!

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