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17 nov 2015

Para os Krenak, o rio Doce é considerado um avó sábio

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Reprodução/Facebook

Para os Krenak, o rio Doce é considerado um avó sábio, chamado por eles de Uatu. Se para os brasileiros a tragédia provocada pelo rompimento das barragens na região de Mariana doí, não podemos imaginar a ferida aberta desse povo cuja história e vida se embrenha com a do rio.

O projeto Comunidade Espelho D´água  (Lei Murilo Mendes/Juiz de Fora/MG) publicou no Facebbok um fragmento de uma conversa, em agosto de 2014, com Aílton Krenak, principal líder do movimento indígena dos anos 70, sobre a relação dos Krenak com o rio Doce.

“Enquanto meu pai, meu avô, meus primos, olham aquela montanha e veem o humor da montanha e veem se ela está triste, feliz ou ameaçadora, e fazem cerimônia para a montanha, cantam para ela, cantam para o rio (…) o cientista olha o rio e calcula quantos megawatts ele vai produzir construindo uma hidrelétrica, uma barragem (…) Ali não tem música, a montanha não tem humor, e o rio não tem nome. É tudo coisa”, (Aílton Krenak)

Ailton Krenak nasceu no Vale do Rio Doce, Minas Gerais, em 1954. Com 17 anos Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná. Alfabetizou-se aos 18 anos, tornando-se a seguir produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980, passou a se dedicar exclusivamente à articulação do movimento indígena. Em 1987, no contexto das discussões da Assembleia Constituinte, Ailton Krenak foi autor de um gesto marcante, logo captado pela imprensa e que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Em 1988, participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI), fórum intertribal interessado em estabelecer uma representação do movimento indígena em nível nacional, participando, em 1989, do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reunia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta da criação das reservas extrativistas, visando a proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, Ailton se recolheu de volta à Minas Gerais e mais perto do seu povo. Atualmente, está no Núcleo de Cultura Indígena, ONG que realiza desde 1998 o Festival de Dança e Cultura Indígena, idealizado e mantido por Ailton Krenak, na Serra do Cipó (MG), evento que visa promover o intercâmbio entre as diferentes etnias indígenas e delas com os não-índios.

Rio Doce para os KrenakToda nossa solidariedade aos Krenak, para quem o Uatu, que chamamos rio Doce, é seu avô, seu ancestral. Se para nós essa tragédia dói e entristece, não podemos imaginar a dor desse povo cuja história e vida se embrenha com a do rio.Nessa fragmento de uma linda conversa que tivemos com Aílton Krenak, em agosto de 2014, ele nos conta um pouco sobre a relação dos Krenak com esse rio.

Posted by Espelho D’água on Sexta, 13 de novembro de 2015

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