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24 abr 2019

Por que temos pesadelos e quando procurar ajuda profissional?

Arquivado em Comportamento, saúde

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Quem sofre com os pesadelos constantes, geralmente, acordam em um estado de extrema angústia, além de sintomas físicos nada agradáveis, como: batimento cardíaco acelerado, transpiração profusa, náuseas e pavor.  As causas dos pesadelos são variadas. As crianças são propensas a pesadelos, alguns tão graves que acordam gritando e chorando. Comer certos alimentos muito perto da hora de dormir pode desencadear pesadelos, assim como ver filmes de terror ou noticiários sangrentos pela televisão. Ir para a cama preocupado ou depois de uma briga pode causar pesadelos. Algumas doenças também podem provocar pesadelos terríveis, como: depressão; apneia do sono (a queda de oxigênio no cérebro durante os engasgos está ligada a pesadelos); ansiedade; estresse pós-traumático;  hipoglicemia noturna e Parkinson, entre outras.

Entrevistei a professora de Psiquiatria da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Christiane Carvalho Ribeiro, sobre causas, consequências e tratamentos. Confira:

Adriana Santos: Qual a definição de um pesadelo?
Os pesadelos são sonhos vívidos que geralmente envolvem emoções negativas, em que há sensação de perigo e ameaças, com o próprio indivíduo ou pessoas próximas. Tais sonhos apresentam sequências longas e elaboradas, nos moldes de uma história, em que o indivíduo se recorda de detalhes e de outras sensações vivenciadas. Pode ocorrer concomitantemente a presença de sintomas somáticos, como palpitações, sudorese e leve aumento das frequências cardíaca e respiratória. É muito comum a relação com transtornos de ansiedade, trauma e stress.

Quando os pesadelos constantes podem ser considerados um distúrbio do sono?
Quando há aumento do tempo de duração dos pesadelos, que pode perdurar por vários meses, e além disso ocorre mais de um episódio por semana. Em alguns casos mais graves, podem ocorrer todas as noites. Além disso, essa perturbação deve ser suficiente para causar sofrimento significativo e prejuízos sociais, ocupacionais e de saúde na vida do indivíduo.

Os pesadelos são sempre provocados por traumas psicológicos?
Há grande relação com traumas, porém existem outras situações em que os pesadelos podem estar presentes como por exemplo o uso de medicações, como alguns antidepressivos e antihipertensivos, o luto, a privação do sono, ausência de rotina nos horários para dormir, fatores genéticos; uso de drogas; fatores genéticos.

Quando é a hora de procurar um profissional?
Nas situações em que os pesadelos podem causar sofrimento subjetivo significativo, e também grandes prejuízos sociais e profissionais. Além disso, quando estão associados a sintomas como aumento da sonolência diurna, irritabilidade, humor deprimido. Indivíduos com pesadelos freqüentes apresentam mais risco de ideações suicidas e de tentativas de auto-extermínio, o que também é um sinal de alerta.

Como é feito o tratamento?
É necessário investigar as causas dos pesadelos constantes, e se têm associação com traumas, ansiedade, humor deprimido, alterações na rotina familiar e escolar, no caso da criança e adolescente. Estudos demonstram maior associação de pesadelos em crianças que sofrem bullying ou que presenciam conflitos familiares constantes. O tratamento deve ser realizado visando controlar as causas que têm levado aos pesadelos contantes, e melhora do controle do humor e do sono. Em alguns casos, será indicado o tratamento farmacológico. A psicoterapia é essencial para que o indivíduo consiga lidar com os seus medos e ansiedades.

Por que as crianças têm tantos pesadelos?
A partir da primeira infância a criança já possui grande parte da maturação do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central, o que faz com que consiga interpretar o conteúdo dos sonhos. Além disso, a introdução de novas experiências na fase escolar/pré-escolar e familiar torna a criança mais susceptível a ocorrência de pesadelos. Quando estes pesadelos passam a ocorrer de forma constante e incapacitante, impactando as atividades escolares e prejudicando o sono, é importante realizar um atendimento especializado e se atentar para outras alterações na rotina.

Dicas
Criar uma rotina de higiene do sono, evitar uso excessivo de smartphones, televisão e tablets até tarde, estimular atividades físicas. No caso de ocorrência eventual de pesadelos nas crianças, é importante tranquiliza-la e acolhê-la, e não valorizar o conteúdo do pesadelo, sem exigir que ela fale detalhes sobre o sonho. Evitar álcool e drogas que piorem os sintomas.

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