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13 jun 2019

Saiba mais sobre os benefícios da biblioterapia no enfrentamento da depressão

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Por:  Marília Paiva, presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região

Os livros têm o poder de provocar emoções, ampliar os horizontes e disseminar ideais e conhecimentos. A leitura também pode ser usada como função terapêutica, a chamada biblioterapia. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 350 milhões de pessoas sofrendo com depressão no mundo e as terapias alternativas são uma grande aliada na reversão dessa situação.

A biblioterapia é a junção de duas palavras de origem gregas: biblion (βιβλίο), referente a toda espécie de artefato bibliográfico ou a qualquer material que possibilita o ato da leitura e therapeia (θεραπεία) que significa terapia, ou seja, a prescrição da literatura como terapia alternativa.

O processo estimula a leitura como auxiliar para Processo de autoconhecimento das pessoas de indivíduos, propondo a interpretação das mensagens transmitidas pelo enredo e adequação no cotidiano, estimulando o autoconhecimento.

O livro apresenta outras formas de se ver o mundo, destacando culturas e realidades diferentes. O entretenimento ajuda na redução do estresse e estimula o cérebro, propiciando que o leitor se identifique com personagens da história, principalmente, quando ocorre o processo de empatia, auxiliando na comparação das soluções do enredo à aplicação na vida.

A terapia literária começa com a adequação dos livros ao público alvo. O processo requer uma escolha cuidadosa do material que será utilizado, assim como a supervisão para garantir que a obra apresentada se encaixe na capacidade de leitura, limitações físicas, estilo de leitor e o nível do desafio psicológico a ser ultrapassado. Após a leitura realiza-se o momento do diálogo entre o biblioterapeuta e o grupo de leitores. Este é um momento valioso de interação e troca de sensações e sentimentos que emergiram durante a leitura.

Alguns estudos indicam que a biblioterapia já era praticada desde a Idade Antiga, entre as civilizações egípcia, grega e romana. Durante a Idade Média, a cura em hospitais era auxiliada pela leitura da Bíblia e, no Cairo, ocorriam como método terapêutico suplementar às leituras do Corão. Outros relatos revelam que na primeira guerra mundial foram criadas bibliotecas em hospitais de campanha, situação que se repetiu durante a segunda guerra mundial, quando os médicos que acompanhavam as tropas americanas, perceberam que os soldados tratados com a biblioterapia se recuperavam mais rápidos dos traumas.

A biblioterapia deve ser realizada por um biblioterapeuta, ou seja, os profissionais, como bibliotecários, psicólogos, psiquiatras, profissionais da área de educação e assistentes sociais com formação e habilidades terapêuticas e um vasto conhecimento sobre literatura para buscar e recuperar livros verdadeiramente transformadores.

A leitura é libertadora e auxilia a psique a encontrar o equilíbrio necessário para dosar as situações cotidianas com o real peso que realmente representam. Se espelhar em personagens que sofrem das mesmas dificuldades e conseguem romper os obstáculos é uma forma eficaz de estimular as pessoas a encontrarem soluções para os seus problemas, melhorando a qualidade de vida e a gestão da emoção.

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