Facebook Twitter Youtube Google+ Image Map
01 abr 2019

Simplificando a vida por meio do consumo consciente?

Arquivado em Comportamento

consumo

Conforme intensifico minhas meditações diárias, descubro a necessidade de simplificar a vida. Então estabeleci algumas metas, entre elas: consumir com consciência. Confesso aos meus leitores um certo fetiche por livros novos. Todo mês, compro pelo menos um. Já são tantas publicações que já me falta um local adequado para guardá-las. Por isso, resolvi doar algumas e vender outras. Foi aí que eu percebi a minha coleção de livros repetidos.  Fiquei um pouco envergonhada com a minha atitude tão irracional!

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Mas afinal, o que é consumo consciente? Conversei com Nusa Maria, fundadora  da marca Old Chic Brechó e influenciadora digital no Canal Universo Brechós. Ela me explicou que o termo se  resume em uma única palavra: essencial. ” O essencial para minha sobrevivência, evitando ao máximo o desperdício. Adoro o termo “na medida certa.” Reaproveito tudo o que percebo como obsoleto”, esclarece Nusa.

Adriana Santos: Qual a diferença entre consumo consciente e consumo sustentável?

Nusa: Ambos estão pautados na minimização dos impactos ambientais… caminham de mãos dadas. Porém, observo, a partir do comportamento humano, que muitas pessoas que praticam o consumo sustentável não conseguem ainda desenvolver uma mente de consumidor consciente. Grande parte da humanidade está muito presa às práticas de consumo excessivo. Por exemplo: o consumidor que se diz sustentável não utiliza o canudo de plástico, mas adquire quatro unidades de canudos de aço. Um de cada cor ou formato. O consumo consciente  é mais abrangente.

Quais as dicas para que as pessoas possam consumir de forma consciente?

Nusa: Muitos ainda desconhecem o poder terapêutico do consumo consciente, porque ainda são reféns das práticas de consumo impostos pela sociedade. Temos o poder de transformação – literalmente em nossas mãos. A pergunta inteligente do consumo consciente é: “O que já tenho em mãos”? E não a pergunta “O que preciso”? Quando mudamos essa forma de questionar, automaticamente alteramos nossa forma de consumo. Descobrimos que já temos ao nosso alcance praticamente tudo o que necessitamos para executar praticamente todas as tarefas do dia a dia. E isso engloba praticamente todas as formas de consumo.

Entrevista com a neuropsicóloga Janusa Silvério. Consumo X Consumismo

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Adriana Santos: Qual a diferença entre consumo e consumismo

Janusa Silvério: O consumo é um ato saudável e necessário. Precisamos consumir diariamente (alimentação, vestuário, higiene etc). Logo, todos somos consumidores. Já o consumismo está relacionado aos excessos, podendo, inclusive, ser patológico. O olhar para o consumismo merece uma atenção especial e cuidadosa.

Consumir compulsivamente é uma doença?

Sim, porém, devemos observar que cada caso tem sua singularidade e merece ser estudado de forma individualizada. O consumo compulsivo ou acumulação compulsiva é um comportamento descontrolado, onde o acúmulo de produtos supérfluos torna-se um ato vicioso. Resguardadas as proporções, podemos pensar que o movimento do consumista compulsivo é parecido com o adicto. Em regra, o adicto não usa a droga para obter prazer, mas sim para afastar o desprazer. No caso dos consumistas compulsivos, a ordem é semelhante. A compulsão sempre está associada a uma angústia, ansiedade, depressão, ou algum outro distúrbio psicológico. Assim, a pessoa vai às compras e, consequentemente, obtém um prazer nessa conduta. O problema é que esse prazer é volátil, não tem longa duração temporal. Em razão disso, em breve essa conduta se repete, o desejo novamente se faz presente e recomeça todo o ciclo vicioso.

Quais são os motivos que levam as pessoas a este tipo de comportamento?

Difícil pontuar de forma assertiva os motivos. Mas temos que entender que sempre um comprador compulsivo busca aliviar um “buraco afetivo”, um vazio sentimental. Costumam ser pessoas impulsivas e obviamente apresentam algum desequilíbrio emocional. O grau desse desequilíbrio vai variar de pessoa para pessoa. De forma geral, podemos citar em algumas características, como por exemplo, necessidade de preencher um vazio, baixa autoestima, necessidade de status e de pertencimento, depressão, transtorno de ansiedade e de humor. Temos que pensar também que a sociedade contemporânea promove este estímulo. Veja, pesquisas mostram que o consumismo infantil tem crescido, e muito. Essa pseudo ideia que frustração e tristeza têm que ser evitados a qualquer custo causa um consumo desenfreado. As pessoas precisam aprender a lidar com a angústia existencial Da mesma forma que experimentamos a alegria, também experimentamos a tristeza. Mas precisamos entender que tudo passa e tais sentimentos não são eternos e a compulsão é só um paliativo cheio de consequências negativas. A meu ver, este é o grande mal deste século: não poder ser frustrado. Temos que ser felizes o tempo todo, não podemos ser frustrados. Tristeza…nem pensar! Nessa roda de conceitos fakes, sempre as pessoas querem buscar, a qualquer preço, algo para evitar este desprazer, em que pese ser inerente à condição humana .Uma dessas busca pode ser o consumismo. Não estou aqui falando que depressão é normal, que transtorno de ansiedade também o é. O que estou dizendo é que esta cultura da felicidade a qualquer preço tem adoecido muito as pessoas e tem “pregado” que TER é a saída para ser feliz. Isso é uma grande mentira. A necessidade de pertencimento também é outra questão séria. Eu passo a ser aquilo que o outro deseja de mim. Freud já havia nos sinalizado isso há tempos atrás.

A mídia tem uma influência neste tipo de transtorno? 

Influência sim. Porém não é a única responsável. A mídia trabalha para que acreditemos que aquele determinado produto é imprescindível para nós. Existe um apelo midiático que visa estimular. Porém, se a pessoa tem senso crítico, vai consumir de forma equilibrada e pautada na racionalidade, o que reduz a influência da mídia. Essa pessoa, ao comprar, não agirá puramente com a emoção. Ela irá pensar, ponderar vários fatores, como necessidade e possibilidade e, somente após esse planejamento, a fará.

Mas de fato comprar não é prazeroso?

Para alguns mais do que para outros. Não podemos deixar de mencionar que prazer é volátil, efêmero. Aquele prazer desencadeado pela compra, logo passa e volta novamente a necessidade de repetir aquela ação. E mais, após a compra, mal chegou em casa e abriu as sacolas, a culpa, o arrependimento, a “ressaca” com aquela atitude compulsiva passa a atormentar a pessoa. Os prejuízos com esse comportamento são inúmeros. Além de prejuízos financeiros (muitas vezes as dívidas se tornam vultosas), existem os prejuízos emocionais. Todos que estão em torno daquela pessoa costumam sair prejudicados. As relações afetivas são desgastadas. A mentira e a desconfiança assumem um papel preponderante na vida dessas pessoas.

Quais são os tratamentos

Psicoterapia em todos os casos e, em outros, essa psicoterapia deve ser conciliada com a psiquiatria.

Você deve estar logado para comentar.