07 maio 2019

O amor incondicional de uma mãe é a bússola de todas as relações

Arquivado em Comportamento

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A maternidade não é uma etapa na vida de uma mulher, mas um processo desafiador do desenvolvimento humano. Somos co-responsáveis por uma vida. Ninguém nasce sabendo todos os códigos de um bom relacionamento entre mães e filhos. Somos aprendizes de um mundo muitas vezes caótico. No entanto, o amor incondicional de uma mãe é a bússola de todas as relações. E as mães amam demais.

Sou mãe de um adolescente lindo de 17 anos. Confesso que a maternidade é um exercício diário de sabedoria. E quanto mais sabedoria, mais humildade e menos conflitos. O problema é domar o coração aflito de uma mãe. É difícil não cair na tentação da superproteção materna. Somos latinas de sangue quente. Quanto o assunto é a felicidade dos nossos filhos, nos transformamos em onças-pintadas prontas para atacar qualquer um que diga o contrário.

As mães são adoráveis, mas nem tanto… Somos mulheres comuns e cheias de sonhos, muitas vezes incompatíveis com a maternidade “ideal”. Mas o que é ser uma verdadeira mãe? Existe a mãe perfeita?

Conversei com a psicóloga Paula Ramos Pimenta, professora do curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, sobre os desafios da maternidade. Confira:

Adriana Santos: A maternidade perfeita é um mito?

Paula Pimenta: Sim, é um mito. É impossível dizer de perfeição no que se refere às relações humanas. Mesmo que a mulher já tenha passado pela experiência de ser mãe (e imperfeita, claro), o novo filho que chega é sempre “inédito”, com temperamento e personalidades próprios, e que vai interpretar de um modo bem singular o que vem da mãe ( ou do pai ou dos demais à sua volta). Ou seja, não há previsibilidade, mas sim descobertas no momento mesmo do exercício da maternidade.

Houve uma autora em psicologia, Melanie Klein, que dizia da “mãe boa”; na mesma época, um pediatra que se interessou pelo assunto, Winnicott, afirmou não existirem mães boas, apenas as “suficientemente boas”, demarcando a incompletude do exercício da maternidade, ao lado das boas intenções e dos acertos das ações e das interpretações do que se passa com o filho.

Ultimamente, varias mães aproveitam as redes sociais para desabafar com relação às angústias da maternidade. O que a sociedade atual espera das mães?

Um certo nicho da sociedade, esse que trata do sucesso em qualquer área de atuação do sujeito, sob a concepção neoliberal que dá ênfase às ações individuais e suas consequências, pode vir a causar uma pressão nas mulheres que se tornam mães, que acreditariam na maternidade perfeita ou quase.

Mas garanto que todas as mulheres que são mães sabem, no fundo, que isso não existe.

Quais as vantagens e desvantagens emocionais de uma maternidade “tardia”?

As vantagens seriam um desejo grande de ter filhos, que supostamente a levou a tê-los em idade não tão comum, o que propicia um investimento afetivo genuíno nessa relação.

As desvantagens podem ser pensadas como consequência da vantagem: o risco de uma postura de superproteção, avançando sobre e tolhendo a individualidade e a autonomia do filho. Outra desvantagem é a indisponibilidade física que a idade mais adiantada comporta.

Na sua avaliação, é mais fácil ser mãe nos tempos atuais?

Nunca é fácil ser mãe, em nenhum tempo. Mas os tempos atuais trazem situações desestabilizadoras ao exercício da maternidade, porque novas. Gerenciar o uso dos tablets por parte dos filhos tem sido uma questão para as mães; elas se perguntam até que ponto ele pode ser nocivo e não um auxílio ao desenvolvimento.

Ainda no campo dos eletrônicos, os grupos de mães do WatsApp também se mostram com aspectos bons e ruins. Enquanto permitem a troca de experiências com as soluções que cada uma foi encontrando para as diversas situações que surgem, e que podem servir à outra, são positivos. Mas a diversidade de experiências e de conselhos do tipo “faça assim”, leva às mães à exasperação e ao sentimento de incapacidade, ao perceber que não está conseguindo solucionar seu problema (qualquer que seja ele) e as demais conseguem.

Sob essa via, os grupos de WatsApp de mães devem ser usados com parcimônia e com senso crítico. Porque uma mãe deve, sempre, acreditar na sua intuição (que é um saber que não se sabia que tinha) para se guiar no trato com os filhos, e não ficar perdida dentre o saber das outras (que serviu a elas, mas pode não ser o melhor para a primeira mãe).

Quais as principais angústias de mães, conforme a faixa etária do filho: bebê, criança, adolescente e adulto?

Este é o assunto de um curso inteiro que dou, portanto serei bem sucinta:

Com o bebê, a sua sobrevivência. Ler os sinais que demonstra, saber cuidar das doenças sem se desesperar.

Com a criança, a pergunta sobre o que fazer, quais escolhas ter para lhe dar um desenvolvimento pleno e feliz.

Com o adolescente, conseguir estar a seu lado para acompanhá-lo nos caminhos que vai descobrindo por meio de sua autonomia, sem, no entanto, atravancá-lo nessa descoberta, permitindo-lhe “ir”.

Com o adulto, o olhar de respeito e de preocupação sobre as responsabilidades que o filho passa a ter e que deve conseguir manter e encaminhá-las bem.

Mãe é padecer no paraíso?

Sim. É a felicidade de gerar e cuidar de uma nova vida (o paraíso) que lhe encanta a cada dia, ao lado das dúvidas e dificuldades que o cotidiano desse cuidado apresenta (o padecimento).

Por que mãe não relaxa nunca?

Porque ela toma pra si a responsabilidade pelos cuidados dessa vida que ela pôs no mundo. Mas tem aquelas que relaxam mais que outras.

Como evitar a superproteção com relação aos filhos?

Saber que, apesar de você tê-los feito, de que existem por sua causa, eles são pessoas únicas e autônomas, independentes de você! Esse é o paradoxo de ser mãe e o mais difícil para as superprotetoras, que, na melhor das intenções, acreditam continuarem responsáveis por cada passo do filho, quando, na verdade, não é mais necessário.

Como ser uma mãe saudável emocionalmente?

Saber disso acima. Assim conseguirá lidar com a separação (necessária) do filho que ela mesma gerou.

31 dez 2018

Cenas urbanas: os adoráveis gatos do Parque Municipal de BH conquistaram meu coração

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O ano de 2018 não foi fácil para mim. Foram muitas inquietudes, provações e batalhas, além de presenciar momentos difíceis na política brasileira. No entanto, o “Ano Velho” deixou algo especial na minha vida: o hábito saudável de caminhar, praticamente todos os dias, em um dos locais mais exuberantes da capital mineira, o Parque Municipal de Belo Horizonte. É o patrimônio ambiental mais antigo de BH e foi projetado no final do século XIX pela comissão construtora encarregada de planejar a nova capital de Minas Gerais. Possui uma área de 182 mil metros quadrados de extensa vegetação. Abriga o Teatro Francisco Nunes, Orquidário, um pequeno parque de diversões e a parte dos fundos do Palácio das Artes. Foi lá que encontrei o principal motivo de sempre voltar: a amizade. Fiz vários amigos especiais, entre moradores de rua, gatos e cuidadores de felinos. É muito amor, minha gente!

Nunca imaginei sentir tanto afeto pelos gatinhos… Sempre fui mãe de cachorro. Acreditei até em possuir um temperamento canino. Com relação aos felinos, só tinha olhos voltados para a onça-pintada, o jaguar (onça-pintada), o maior das Américas.  Agora, me vejo rodeada de gatos. Dois, em especial, me adotaram! É incrível! Nem preciso levar petiscos para atraí-los. Para falar a verdade, hoje foi a primeira vez que comprei um pacotinho de biscoitos para gatos. Não vejo a hora de agradar meus amores!

É impossível ficar indiferente diante dos gatos do Parque Municipal de BH. Por isso, sempre há no local voluntários dispostos a contribuir com o bem estar dos adoráveis bichinhos. Os moradores de rua, que frequentam o parque, estão sempre atentos e sabem informar o paradeiro de cada um. A Prefeitura é responsável por castrá-los e vaciná-los. Só não consigo aceitar o corte nas orelhinhas para identificá-los, mas minha indignação é pauta para outra postagem. Preciso investigar melhor os motivos de tal decisão. Nada de julgamentos, sem argumentos, né?

Bastet,Os gatos fazem história. No antigo Egito, eles ajudaram os governantes a controlar os ratos que infestavam a região, destruindo as colheitas de grãos e cereais, além de espalharem doenças. Por isso, os egípcios dedicavam rituais de veneração aos gatos, como por exemplo, costumavam raspar as sobrancelhas em sinal de luto quando um bichinho de estimação morria. As mulheres acreditavam que os bichanos representavam a beleza. Elas pintavam os olhos na tentativa de conseguir imitar o olhar felino. Os gatos tinham direitos aos ritos fúnebres, sendo embalsamados e sepultados. No século XIX, arqueólogos descobriram mais de 300 mil múmias de gatos num cemitério em Tall Bastah, cidade no delta do rio Nilo onde ficava o principal templo da deusa Bastet, representante do amor materno e trazia proteção aos lares.

Maneki-Neko-JapaoOs japoneses também são conhecidos pelo amor aos gatos. Em 22 de fevereiro é comemorado o Neko no Hi, o Dia do Gato no Japão.

Já o Maneki Neko, que significa “gato acenando”, é o gato da sorte japonês. A figura feita de cerâmica também tem um dia comemorativo (29/09). Apesar de ser originalmente branco, ao longo do tempo, o gato japonês passou a ser comercializado nas mais variadas cores, sendo a cada uma delas atribuído um significado diferente.

Significado das Cores do Maneki Neko. Confira:

• Maneki Neko Branco: Traz sorte e felicidade
• Maneki Neko Preto: Afasta os maus espíritos e protege de doenças
• Maneki Neko Dourado: Traz Riqueza e Prosperidade
• Maneki Neko Prateado: Traz saúde e longevidade
• Maneki Neko Rosa: Sucesso no amor e nos negócios
• Maneki Neko Verde: Traz sucesso acadêmico e profissional
• Maneki Neko Amarelo: Traz boas amizades e relacionamentos
• Maneki Neko Vermelho: Protege contra os espíritos malignos e doenças
• Maneki Neko Azul: Ajuda a realizar os sonhos.

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Quando estava brincando com meu amiguinho, recebi das mãos de um morador de rua uma rosa artesanal feita por ele. Que emoção! São pequenos gestos que fazem toda diferença. Gratidão, amigo! Que 2019 seja de muito amor.

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