09 out 2019

Conheça o perfume vegano com ingredientes da Amazônia e álcool orgânico

Cada vez mais, os consumidores  procuram produtos que repeitem a biodiversidade brasileira e não considerem os animais como meros objetos da nossa vaidade. Por isso algumas empresas apostam em valores como: sustentabilidade, veganismo e diversidade. A indústria da beleza é uma delas e está de olho em um mercado em expansão.

A Casa de Perfumaria do Brasil aposta em um produto que tem tudo a ver com o novo comportamento dos consumidores: Ekos Alma. A fragrância é composta por óleos essenciais que carregam a energia misteriosa do ciclo de vida da floresta.  “A inspiração veio da energia que a gente sente quando está em contato com a natureza e, principalmente, que a Amazônia traz”, explica Raquel Maimoni dos Santos, gerente de marketing de perfumaria.

O perfume tem como ingrediente o  óleo essencial de cumaru, que, na cultura da floresta, representa a conexão com a vida. Há o óleo de copaíba, usado pelos indígenas por causa de sua propriedade curativa. O breu branco é utilizado como incenso em alguns rituais da floresta. Por fim, tem o óleo da flor de Vitória Régia, que simboliza a feminilidade.  O resultado é uma fragrância amadeirada, autoral e de vanguarda.

O perfume tem na sua formulação álcool orgânico, e sua embalagem é produzida com vidro reciclado, trazendo o conceito de “fóssil vivo”, uma metáfora sobre a vida fossilizada em resina, representando o ciclo de vida dos ingredientes e da floresta eternizados em forma de joia. Assim como os demais produtos da marca Ekos, a fragrância é vegana.

Ekos Alma foi criado pela perfumista Verônica Kato em parceria com o francês Yves Cassar, conhecido por ter desenvolvido fragrâncias para as marcas Giorgio Armani, Calvin Klein e Tom Ford. O produto está à venda apenas online 

27 mar 2019

Ucuuba: semente amazônica promove reparação profunda na pele

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Divulgação

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A Ucuuba é uma árvore da Amazônia ameaçada de extinção, muito procurada por sua madeira leve e clara. Quem a derruba, no entanto, não vê que o seu verdadeiro valor está nas sementes. Elas são fonte de uma manteiga natural, que promove uma reparação profunda na pele.

O potencial da Ucuuba foi identificado pela Natura em 2004, durante o mapeamento de várias espécies para o desenvolvimento de óleos e manteigas a partir de matérias-primas encontradas na Amazônia. Mas foi só em abril de 2015 que a empresa lançou a linha Ekos Ucuuba, depois de um longo processo de pesquisa.

O grande diferencial dos produtos é o toque seco que a manteiga proporciona, acompanhado de uma hidratação de até 48 horas, consequência da alta concentração de compostos que promovem esse efeito prolongado. A manteiga de Ucuuba ainda estimula a produção de colágeno e elastina.

Estímulo à preservação ambiental

Ao transformar a semente em um produto inovador, a Natura gerou renda para comunidades na Amazônia e estimulou a preservação ambiental. Só em 2016, uma área equivalente a 150 campos de futebol foi conservada na região com o aproveitamento da Ucuuba na indústria cosmética.

Entre os produtos da linha Ucuuba estão sabonetes que proporcionam até oito horas de hidratação, o que, segundo pesquisadores envolvidos no seu desenvolvimento, representa muito mais do que outros produtos disponíveis no mercado.

Cintia Ferrari, gerente científica da área de tecnologia de ingrediente e especialista em óleos e gorduras, explica que um projeto como esse traz consigo uma série de desafios, sendo um deles relativo à variabilidade de características da matéria-prima de origem natural. “Você pode ser o maior especialista no assunto, mas, quando vai para a natureza, quem dita as regras é ela. Se o tempo está seco, mudam as características, se chove mais, mudam as características. O trabalho é longo porque temos de tentar pegar o máximo de safra e variáveis dessas safras para termos uma especificação mais robusta”.

Pequenos Produtores

Por esse motivo, é essencial garantir a qualidade da semente e para tanto é necessário conscientizar os pequenos produtores, de cooperativas parceiras de fornecimento, da importância deles na cadeia produtiva. “Precisamos mostrar como a qualidade da semente impacta no produto. Não existe óleo ruim, existe semente ruim. Temos de engajar e capacitar essas comunidades para mostrar a importância de padronizar a qualidade da matéria-prima para manter a qualidade do produto final”, diz Cintia.

01 dez 2015

Humanos habitam a Amazônia há mais de mais de 14 mil anos

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Amazônia

No mapa, os sítios arqueológicos avaliados na pesquisa. Destacadas em azul, as áreas contempladas pelas pesquisas do Instituto Mamirauá. (Adaptação ao mapa publicado originalmente no artigo)

A história da ocupação humana na Amazônia é datada de mais de 14 mil anos. Ao contrário do estereótipo de região intocada e com grande vazio demográfico, esse ambiente era diversamente ocupado antes da chegada dos europeus ao continente. O artigo “The domestication of Amazonia before European conquest”, publicado recentemente na revista “Proceedings of the Royal Society B”, traz algumas percepções sobre o assunto.

Uma parte dos dados divulgados foi coletada em parceria pelas equipes de arqueologia do Instituto Mamirauá e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). Entre os autores do artigo, está o arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor da USP e parceiro do Instituto.

Por meio da parceria, as pesquisas são desenvolvidas desde 2006 em sítios arqueológicos nas Reservas Mamirauá e Amanã e nos municípios de Tefé e Alvarães, ambos no Amazonas. A equipe do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca compreender os modos de vida dos povos que ocuparam essas áreas, a partir da análise de vestígios encontrados na região.

“É interessante pensarmos no quanto essas ocupações interagiram e modificaram o meio ambiente, tornando-o propício para suas necessidades. O que a gente já conhece é quem veio antes e quem veio depois. O próximo passo é entender como eles interagindo-se relacionavam com o ambiente”, afirmou Eduardo Kazuo Tamanaha, pesquisador de arqueologia do Instituto Mamirauá.

Nas regiões do baixo e médio Solimões, os pesquisadores encontraram diferentes culturas cerâmicas. As primeiras evidências de grupos ceramistas datam entre 1.610 a 930 aC. Eduardo Kazuo ressalta que, sobre as primeiras ocupações, ainda há pouco conhecimento, com vestígios pontuais, que não oferecem informações sobre o manejo do ambiente. “Mas esses grupos estão produzindo cerâmica. E, pelo modo que o grupo ocupa e pelo tipo de cerâmica, a gente consegue associar a outras áreas da Amazônia, e com outras pesquisas”, reforça o pesquisador.

Reserva Amanã

Em outubro, a equipe de arqueólogos, formada por pesquisadores do Instituto Mamirauá e da USP, esteve em expedição para os sítios arqueológicos da Reserva Amanã. O trabalho faz parte de pesquisa realizada entre 2008 e 2009 na região, que foi retomada recentemente.

Para Silva Cunha Lima, pesquisadora da USP, um dos objetivos é criar uma metodologia de monitoramento de sítios arqueológicos, para acompanhar a conservação dos vestígios e possível estado de degeneração, de acordo com cada ambiente. “A ideia é criar uma metodologia para monitorar os sítios arqueológicos em outras comunidades. Para ter um controle de quanto está se perdendo e em que velocidade, por isso a gente vai testar trabalhar com o GPS para ter mais precisão das localizações” afirma.

No campo, foram visitados sítios localizados nas comunidades Boa Esperança e Bom Jesus do Baré, e a metodologia utilizada foi a identificação de urnas e outros vestígios cerâmicos, e em seguida realizadas medidas da espessura e diâmetro, com o intuito de comparar com os dados registrados em 2014. Também serão comparadas a quantidade e localização dos vestígios, com os dados das pesquisas de 2008 e 2009. A equipe também fotografa os vestígios e marca a localização com o GPS.

“Percebemos que os mesmos tipos de urnas encontrados na comunidade Boa Esperança são encontrados em outros sítios também, possivelmente podem ser do mesmo período de ocupação”, comentou Eduardo.

Texto: Amanda Lelis e Aline Fidelix