22 out 2019

Unicef: 1 a cada 3 crianças menores de 5 anos não cresce adequadamente

Imagem ilustrativa

Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil Montevidéu. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou um novo relatório dedicado à saúde alimentar e à nutrição das crianças em todo o mundo. O documento Situação Mundial da Infância 2019: Crianças, alimentação e nutrição traz dados preocupantes, como por exemplo, que há 250 milhões de crianças sofrendo de desnutrição ou sobrepeso no mundo.

Dados de 2018 do Unicef mostram que 149 milhões de crianças menores de 5 anos sofrem de déficit de crescimento ou estão muito baixas para a idade. E 50 milhões delas estão com baixo peso para a sua altura.

Além disso, metade das crianças com menos de 5 anos (340 milhões) sofrem de fome oculta, caracterizada pela falta de nutrientes essenciais, como vitamina A e ferro, o que prejudica a capacidade de crescerem e desenvolverem todo o seu potencial. O levantamento também aponta que 40 milhões delas estão obesas ou com sobrepeso.

Atualmente, a má alimentação é o principal fator de risco para doenças. Uma dieta pobre em nutrientes mas alta em calorias é a realidade de milhões de pessoas em todo o mundo e afeta, principalmente, as populações mais pobres. De acordo com as Nações Unidas, é preciso que as crianças tenham acesso a alimentos nutritivos, seguros, acessíveis e sustentáveis.

Dados Mundiais

Entre 2000 e 2016, a proporção de crianças de 5 a 19 anos com excesso de peso aumentou de 10% para quase 20%. O sobrepeso pode levar ao aparecimento precoce de diabetes tipo 2 e depressão.

O número de crianças com crescimento atrofiado diminuiu em todas as regiões, exceto na África, enquanto o número de crianças com excesso de peso aumentou em todas as regiões, incluindo a África.

Nas áreas rurais e entre as famílias mais pobres, apenas uma em cada 5 crianças de até 2 anos de idade recebe o mínimo de nutrientes para um desenvolvimento cerebral adequado. Cerca de 45% das crianças entre 6 meses e 2 anos não consomem frutas ou legumes e 60% não consomem ovos, leite, peixe ou carne.

Apenas 40% das crianças com menos de 6 meses são alimentadas exclusivamente com leite materno. A amamentação pode salvar a vida de 820 mil crianças por ano ao redor do planeta.

Um número crescente de bebês é alimentado com fórmulas infantis. As vendas de fórmula à base de leite cresceram 72% entre 2008 e 2013 em países de renda média-alta, como Brasil, China e Turquia, em grande parte devido a propagandas inadequadas e políticas ineficientes para estimular e apoiar a amamentação.

Muitos adolescentes consomem regularmente alimentos processados: 42% bebem refrigerante pelo menos uma vez por dia e 46% consomem fast food pelo menos uma vez por semana. Essas taxas sobem para 62% e 49%, respectivamente, para adolescentes em países de renda alta.

Brasil

De acordo com o Unicef, o Brasil reduziu a taxa de desnutrição crônica entre menores de 5 anos de 19%, em 1990, para 7%, em 2006. No entanto, ainda é um sério problema para indígenas, quilombolas e ribeirinhos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, a prevalência de desnutrição crônica entre crianças indígenas menores de 5 anos era de 28,6%. Os números variam entre etnias, alcançando 79,3% das crianças ianomâmis.

No Brasil, o consumo de alimentos ultraprocessados (com baixo valor nutricional e ricos em gorduras, sódio e açúcares) vem crescendo, assim como as taxas de sobrepeso e obesidade. Uma em cada três crianças de 5 a 9 anos possui excesso de peso. Entre os adolescentes, 17% estão com sobrepeso e 8,4% são obesos.

Na América Latina e no Caribe, 4,8 milhões de crianças menores de 5 anos têm desnutrição crônica (baixo crescimento para a idade), 0,7 milhão têm desnutrição aguda (baixo peso para a altura) e 4 milhões têm excesso de peso, incluindo obesidade.

14 jan 2019

Hospital Felício Rocho e Faculdade de Ciências Médicas realizam procedimento inédito na América Latina

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Divulgação

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A vida do jovem Iago Lopes dos Santos, 23 anos, mudou após dar entrada no bloco cirúrgico do Hospital Felício Rocho (HFR), no último dia 07 de dezembro de 2018. O paciente foi submetido à um transplante inédito na América Latina, no qual recebeu um rim através de uma cirurgia robótica.

Antes do procedimento, Iago vivia em constantes sessões de hemodiálise por conta de complicações de doença renal em estágio terminal. Ele vive em Governador Valadares (MG), região do Vale do Rio Doce, e se deslocava semanalmente à Belo Horizonte para realizar o procedimento exaustivo que o mantinha vivo. Até que sua irmã, Viviane Lopes dos Santos, de 36 anos, foi diagnosticada como apta para a doação de um rim.

Após avaliações do corpo clínico do Hospital Felício Rocho, onde Iago fazia seu tratamento, a decisão foi realizar o primeiro transplante de receptor renal por via robótica da América Latina. Trata-se de um procedimento inovador, pouco invasivo, no qual o órgão é inserido no corpo do paciente e a cirurgia é feita pelo cirurgião através de uma plataforma robótica. Tanta inovação é resultado de uma parceria entre o Hospital Felício Rocho e a Faculdade Ciências Médicas De Minas Gerais (Feluma).

A cirurgia foi realizada com a equipe de transplantes e de cirurgia robótica do Hospital Felício Rocho, assistida pelo médico Cirurgião Geral, Dr. Enrico Benedete, Chefe de Departamento da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Antes disso, em outubro deste ano, e também de forma pioneira, a equipe do HFR já havia feito a cirurgia de retirada do rim do doador para transplante, também por via robótica.

O transplante renal é a melhor terapia de substituição renal em portadores de insuficiência renal crônica. Ele melhora a qualidade de vida e o tempo de vida desses pacientes. Implantar o robô nesse tipo procedimento colabora para essa cirurgia tornar-se ainda mais segura, eficaz e para que a recuperação seja mais rápida e menos dolorosa.

Todo o procedimento durou cerca de três horas.

O rim transplantado funcionou imediatamente. Iago evoluiu muito bem no pós-operatório e já tinha condições de alta antes de uma semana após a realização do procedimento robótico. Os benefícios da cirurgia robótica incluem visão magnificada em três dimensões, maior amplitude dos movimentos, resultando em uma maior precisão cirúrgica, menor agressão ao organismo e uma recuperação pós-operatória mais rápida, menos dolorosa e com retorno mais precoce do paciente às suas atividades habituais. Sem dúvida, esse procedimento realizado pela parceria do Hospital Felício Rocho com a Feluma é um avanço e tanto para a medicina brasileira.

A plataforma robótica é de uma precisão gigantesca. Bastante usada em cirurgias renais, prostáticas, mas também em muitos outros tipos de procedimentos, de várias especialidades médicas e, com resultados muito satisfatórios. Tudo isso porque o robô atua com uma visão tridimensional, magnificada, que capta detalhes anatômicos de uma forma ampliada e com ótima qualidade de imagem, além de uma maior amplitude de movimentos.