23 jan 2019

Por que a relação médico-paciente parece tão distante?

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Olá amigo! Olá amiga! Preciso de uma forcinha amiga! É simples e rápido! É só você preencher um pequeno questionário digital. O objetivo é nortear a produção de um artigo jornalístico sobre a relação médico-paciente. AQUI

Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns profissionais mais antigos e resistentes aos modismos de cada época ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço da tecnologia dura, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Você concorda?

Gostaria de contar com a sua colaboração voluntária. Se puder compartilhar com os amigos, agradeço!

Gratidão,

Adriana Santos

Acesse o questionário RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

15 jul 2016

Política de valorização do SUS, onde o sonho se perdeu?

Arquivado em opinião, saúde, SUS
Paulo Sá
OPINIÃO
Por: Paulo K. de Sá

Médico e coordenador do curso de Medicina da FMP/Fase (RJ)

É difícil nesse momento crítico do país, onde o acúmulo de erros aconteceu e proporcionou a grande crise que testemunhamos agora, fazer uma reflexão isenta de emotividade e tendências ideológicas. Em plena turbulência política e passando por grave crise de condução estrutural e organizacional, frente aos escândalos acumulados em torno de todas as tendências políticas, assistimos a inúmeras medidas aprovadas pelo Congresso Nacional, a toque de caixa, que nos fazem refletir sobre a pertinência das mesmas.

Fato é que desde a Constituição Federal de 1988, a definição sobre a estrutura de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) sempre foi deficitária em relação às necessidades de saúde da população brasileira, tanto de governos de esquerda como de direita. Inúmeras regulações foram realizadas através de normas operacionais e portarias ministeriais, que nem de longe conseguiam patrocinar as propostas encaminhadas.

O resultado disso é que, embora o SUS tenha avançado significativamente do ponto de vista de sua organização e ampliação de cobertura, principalmente através da Estratégia de Saúde da Família, o processo de seu custeio ficou a desejar e proporcionou uma quebra nas contas dos governos municipais e estaduais. Na verdade, poucos foram os municípios no país que conseguiram realizar investimentos de maior envergadura atendendo ao que se prega no SUS, como cobertura universal efetiva, equidade, integralidade da atenção à saúde, dentre outros.

Muitos municípios morreram na praia ao tentarem realizar investimentos na atenção básica e se depararem com os elevados custos para cobrir a população que aspirava. A rede intermediária de suporte, os especialistas, foi esvaziada do sistema por força da competitividade do mercado privado e à baixíssima remuneração proposta pelo sistema público. A rede de alta complexidade obteve a remuneração ao nível do mercado privado e, por isso mesmo, foi para onde os recursos foram drenados com a adesão de muitas clínicas e hospitais privados, provocando uma contradição intrínseca no sistema.

Ora, a proposta maravilhosa inspirada pela Reforma Sanitária, está agonizante. Primeiro porque está mergulhada em uma inviabilidade financeira de se atender aos princípios e diretrizes estabelecidos. Usurpada na sua possibilidade de gestão pela interferência, pela judicialização da saúde. E agora sucateada por uma sequência de atos impróprios do atual governo sem a devida pactuação social para permanecer viável o maior plano de saúde no Brasil, sem o qual a grande maioria dos brasileiros estaria à mingua, entregues à própria sorte como nos velhos tempos de colônia.

Além da atual inviabilização do sistema, as instituições formadoras na área da saúde se veem sucateadas, como as públicas, e fortemente limitadas, como as privadas, em face a grave crise econômica do país. Como resposta a esse quadro, temos estudantes representantes de uma parcela elitizada de nossa população, ávidos em recuperar seus investimentos ao longo de seis anos de graduação através da sua inserção no setor privado, ou no seu precário compromisso junto ao setor público como degrau temporário para sua inserção no mercado, uma vez que o SUS não superou a incompetência de estabelecer uma carreira decente para o profissional de saúde a ponto de inverter esse quadro grotesco imposto por um capitalismo às avessas.

Educação e Saúde podem se dar as mãos, as duas áreas mais importantes de uma sociedade estão agonizantes e demonstram claramente os rumos da sociedade brasileira, esgarçada e indignada com tudo que está em curso. Uma grande entrega à deriva em um oceano de tempestades de denúncias e corrupção e uma grande interrogação se estabelecem. Porém a esperança está no acordar político da população brasileira que estava comodamente hibernada diante de um predomínio ideológico inexorável diante da expansão voraz do capitalismo no mundo inteiro. Hoje, pelos diferentes espaços sociais, redes de articulação estão se estruturando em meio aos ardores da grande confusão patrocinada, em prol de uma nova discussão e solução política para o Brasil em todas as áreas – saúde, educação, produção agropecuária, modelo político, sistema econômico, direitos humanos e direitos dos trabalhadores e proprietários dos meios de produção, etc.

Um novo Brasil está acordando, mas ainda teremos choros e ranger de dentes até que a calmaria venha a prevalecer mediante a formulação de uma nova proposta pela sociedade brasileira devidamente articulada e amadurecida e que não seja a reedição do velho estado colonial de sempre.