02 fev 2021

Eu realmente preciso ter um propósito de vida?

 

Por Dani Maniá* para a Rede Natura.

Muitas pessoas já me procuraram nas sessões de coaching ou até me escreveram com a seguinte pergunta: “Dani, eu realmente preciso ter um propósito de vida”?

Isso porque muita gente, quando ouve a palavra propósito, imagina-se viajando o mundo, sem destino, sem nenhuma conta para pagar e com dinheiro infinito… E a coisa não é bem por aí. Associar essas imagens a ter um propósito de vida pode te causar frustação.

Porque é importante ter um propósito de vida?

Está difícil levantar da cama para trabalhar?

Sente que os dias estão longos e todos iguais?

Segunda-feira e você já está contando os minutos para chegar a próxima folga?

Se você respondeu sim para ao menos uma das três perguntas acima, esse artigo é para você.

Eu acredito que todo mundo tenha um propósito de vida… A diferença é que alguns já sabem qual é o seu; outros, tem ele guardado num lugar bem escondido.

Sabe quando você recebe uma ligação com uma proposta de trabalho, de investimento ou de qualquer outra atividade que exija uma decisão sua?

Muitas pessoas ficam em dúvida, agem por impulso ou sentem que algo dentro delas pede que não aceite aquela oferta, mas não sabem dizer o motivo.

Se você tem um propósito definido fica mais fácil dizer sim ou não. Isso porque o propósito é uma direção… ele te dá um norte, mas quem faz o caminho é você. Ou seja, ter um propósito definido não significa que todos os seus problemas estarão resolvidos, mas ele certamente te ajudará a saber qual direção seguir.

Por exemplo, parte do meu propósito de vida é ajudar a conectar cada indivíduo com o seu melhor.

Eu consigo fazer isso em uma sessão de coaching? Sim!

E escrevendo um artigo sobre marketing para ajudar empreendedores a se desenvolverem? Opa, também!

Trabalhando em parceria com uma empresa que fomenta o empreendedorismo e alavanca a economia do país, consigo? Claro, porque não?

Talvez, com esse propósito, eu tenha dificuldade em atuar com determinadas atividades, mas ele me mostra muitas portas e, assim, eu consigo encontrar as que mais me realizam, pessoal e profissionalmente.

Ficou mais claro como ter um propósito de vida bem definido pode te ajudar?

Definindo seu propósito

Como eu mencionei acima, o propósito está aí, dentro de você! Não está no mundo externo. E, para isso, você precisa se conhecer bem.

Quando você sabe quem realmente você é, fica mais fácil perceber as possibilidades e voar mais longe.

Responda as sete perguntas abaixo para te ajudar nessa:

1) Quem eu realmente sou?

2) O que eu estaria fazendo da vida se dinheiro não fosse um problema?

3) Em quais momentos da vida eu estive mais feliz? E em quais atividades?

4) O que eu amo fazer?

5) O que eu sei fazer bem?

6) Pelo que as pessoas me elogiam?

7) O que me impede hoje de fazer o que eu amo?

Lembre-se: o propósito não precisa ser algo grandioso, como gerar a paz mundial. Mas, se a paz é um ponto fundamental para você, como você começa a inserindo em seu dia a dia? Você pode ser um bom gestor e ter um time que trabalhe em harmonia, ter uma família que se ama e se respeita.

A realização do propósito começa assim: primeiro com você e, depois, movimentando quem está ao seu redor. Só aí a transformação do mundo começa a acontecer, a partir de cada um.

O que fazer se, ainda assim, eu não encontrar meu propósito de vida?

A primeira coisa é ter calma – tudo tem seu tempo!

Comece identificando o que você não gosta e não quer fazer e já risque isso da sua lista.

Converse com algumas pessoas e pergunte o que elas acreditam ser o seu talento – peça feedbacks para colegas e amigos próximos.

Leia mais e se mantenha curioso para a vida!

E, lembre-se: você não ouvirá fogos de artifício quando descobrir o seu propósito, mas verá que começará a acordar muito melhor.

E essa busca não para aqui! A gente evolui… E o nosso propósito também pode evoluir, não é mesmo? Essa é a beleza da vida, sempre buscarmos o nosso melhor e estarmos abertos para aprender.

Prezado leitor, aproveite e confira, no espaço virtual Natura Saúde do Meio, os produtos que ajudam o meio ambiente, além de promover a beleza natural de homens e mulheres.  

17 nov 2020

A obesidade é um fator de risco para câncer da próstata

Imagem Google

Por: Daniel Xavier Lima, médico Urologista e coordenador da urologia do corpo clínico do Biocor Instituto

O câncer da próstata é o segundo mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. A a importância do diagnóstico precoce já está bem estabelecida na sociedade, tanto pela frequência com a qual a doença ocorre, quanto pelas campanhas de conscientização. O Novembro Azul, que tem lugar de destaque dentre essas campanhas em todo o mundo, objetiva renovar essa consciência e eliminar o preconceito contra a realização dos exames de rastreamento, especialmente o exame de toque retal.

Estima-se que de todos os homens vivos hoje, em torno de 1 em cada 7 (15%) apresentarão a doença em algum momento e aproximadamente 1 em cada 38 (2,6%) irão falecer em decorrência dela. Em todo o mundo, a partir da década de 1990, momento em que o exame de sangue com a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) passou a ser feito de forma rotineira, ocorreu uma queda significativa na mortalidade. Embora existam algumas controvérsias a respeito da necessidade de se rastrear todos os homens, devido à possibilidade de serem diagnosticados tumores indolentes, que não causariam a morte do paciente, a seleção dos pacientes que precisam ser tratados a partir dos dados do diagnóstico inegavelmente traz benefícios para o controle da doença e reduz a mortalidade.

Sabe-se que o rastreamento do câncer da próstata encontrou uma resistência a partir de resultados conflitantes da literatura na década passada, havendo uma redução da sua realização em vários locais do mundo, especialmente nos EUA. Lamentavelmente, observou-se um aumento do número dos casos de câncer da próstata metastático (quando já há disseminação para outras partes do corpo e não há possibilidades de cura) nesses últimos anos, especialmente nos pacientes de cor negra, que apresentam maior incidência da doença.

Embora o rastreamento do câncer da próstata permita um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz, ele não impede que a doença venha a se estabelecer. Essa é uma questão crucial quando é discutido o termo “prevenção” contra o tumor prostático. Sabemos que os fatores de risco envolvem questões genéticas, para as quais ainda não podemos agir, além de fatores relacionados aos hábitos, que podem ser modulados.

Dentre esses fatores de risco, a obesidade é uma situação que tem trazido discussões. Sendo uma ocorrência comum em homens de meia-idade, quando o câncer da próstata também é bastante frequente, a gordura corporal em excesso é comprovadamente relacionada ao maior risco de câncer colorretal e de mama, dentre outros. Acredita-se que dos tipos de câncer associados à obesidade, cerca de ¼ deles poderiam ter sido evitados se a prevalência de pessoas obesas no mundo não tivesse dobrado desde 1980.

Grandes estudos prospectivos correlacionaram a obesidade com maior risco de câncer de próstata mais agressivo. Também foi encontrada maior mortalidade nos pacientes obesos tratados com radioterapia e cirurgia. Fatores hormonais podem estar implicados, além de dificuldades técnicas para o tratamento. Em estudos experimentais com modelos de câncer da próstata em camundongos, também se observa crescimento acelerado do tumor nas situações em que a obesidade está presente.

Curisosamente, a obesidade reduz os valores séricos do PSA, provavelmente por efeito dilucional, reduzindo então a possibilidade do exame se mostrar alterado nas fases iniciais do câncer da próstata. Pelas mudanças das dimensões corporais, o exame do toque retal também pode se mostrar prejudicado. Esses podem ser outros fatores que resultam nos piores resultados do tratamento desse tumor nos pacientes obesos.

Somando-se a essas evidências, há também correlação entre a ingestão elevada de gordura animal e o risco do câncer de próstata. Esses fatos corroboram a recomendação universal de que a adoção de hábitos de vida saudáveis, a prática de atividade físicas e a alimentação saudável são armas fundamentais para a verdadeira prevenção dos tumores malignos. No caso do câncer da próstata, recomenda-se também a visita periódica ao urologista, que da mesma forma é uma medida de manutenção da saúde.

11 ago 2020

Os efeitos de uma educação abusiva

Arquivado em adolescente, criança, opinião

Por: Telma Abrahão, Educadora Parental, com formação em biomedicina

Num mundo em constante transformação, onde queremos tudo cada vez mais rápido, muito se fala a respeito da “falta de limites” que vemos nas crianças, porém a maioria dos pais se sentem perdidos quando o assunto é a educação dos filhos. Uma das dúvidas mais frequentes é: “Como educar crianças para se tornarem adultos responsáveis, capazes, bem resolvidos e com boa autoestima, sem bater, punir ou castigar?” Seria possível?

A resposta é sim! Certamente não é o caminho mais fácil, pois exige tempo e dedicação, porém possível se os pais se dedicarem a estudar e a aprender mais sobre o que motiva determinados comportamentos indesejados nos filhos.

Sabemos que gerar um filho, amamentar e proteger são instintivos, mas educar não. Se você educar no modo automático ou por instinto, vai errar e muito. Precisamos aprender novas formas de reagir aos desafios comportamentais das crianças e compreender de uma vez por todas, a responsabilidade que o papel de pais nos impõe. Não é a escola, nem as babás ou os familiares que possuem o dever de educar uma criança. Esse dever é dos pais e a construção de um ser humano responsável e emocionalmente saudável precisa começar dentro de casa, no dia a dia, na transmissão de importantes valores, através de um modelo que inspire respeito, de um ambiente que proporcione afeto, segurança e limites claros.

Reforço que compreender as bases de uma educação respeitosa é fundamental para os pais mudarem a forma de agir com seus filhos. Crianças não são pequenos adultos, elas possuem o cérebro imaturo, são dominadas pelas emoções e ainda não aprenderam a lidar com o que sentem. Elas vão aprendendo conforme se desenvolvem e também de acordo com o ambiente onde vivem.

O problema é que quando os pais não compreendem isso, acabam esperando um comportamento que elas não possuem condições de ter. A maioria das “birras”, por exemplo, não é um ataque contra os pais, elas são a manifestação dessa imaturidade cerebral para lidarem com o que sentem. Podem ser ainda, necessidades físicas não atendidas como cansaço, fome, sono ou necessidades emocionais não atendidas como falta de afeto ou acolhimento emocional.

Pais rígidos e autoritários criam filhos ansiosos, desconectados e nervosos. Tudo isso porque o medo e o estresse constante liberam grandes quantidades de cortisol no corpo dessa criança em desenvolvimento e podem trazer problemas como, dificuldade de concentração, de aprendizado e até mesmo de socialização. O estresse é uma resposta fisiológica a uma situação adversa e que desencadeia mudanças químicas, que afetam os mais diversos sistemas do nosso corpo e quando constantes, podem trazer problemas para a criança, como dificuldade no aprendizado ou de concentração.

O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, cita três tipos diferentes de respostas ao estresse: positiva, tolerável e tóxica, dependendo da intensidade desse estresse. O que mais preocupa é a terceira opção, que é chamado de estresse tóxico.

Ele pode ocorrer quando uma criança vivencia dificuldades, que são constantes e prolongadas, sem o apoio emocional adequado dos pais ou cuidadores. Entre os exemplos mais comuns, estão: violência doméstica, abusos físico ou emocional, negligência, falta de cuidados, pais viciados em álcool ou drogas, pais depressivos ou ainda casos de pobreza extrema.

Pais que não conseguem cuidar do filho, que brigam o tempo todo, que não se dedicam a amar e se conectar com os filhos, podem fazer com que a criança entre em um estado permanente de estresse, considerado tóxico. Isso pode gerar consequências por toda a vida. Esse fator aumenta a probabilidade da criança apresentar atrasos no desenvolvimento e problemas de saúde mais tarde, como abusos de drogas e depressão, além de dificuldade de socialização e aprendizado.

Diante do estresse, o corpo e o cérebro entram em estado de alerta, aumentam a frequência cardíaca e liberam mais hormônios, como adrenalina e cortisol. Depois de certo tempo, é esperado que e o corpo voltasse ao estado natural, mas se o apoio emocional e o acolhimento dos pais não ocorrerem, essa resposta se mantem ativa, inclusive quando já não existe mais um perigo evidente.

As pesquisas feitas até agora demonstram que estabelecer uma relação emocional estável, com adultos que se preocupam com o bem-estar da criança, pode prevenir e até mesmo reverter os danos do estresse tóxico.

Como esperar que uma criança aprenda a se autocontrolar, se muitos pais até hoje não aprenderam a fazer isso? Como desejar ter filhos seguros se tantos pais têm dúvidas sobre seu próprio valor e se sentem perdidos na vida porque são fruto de uma infância cheia de punição e pouca conexão emocional?

Realmente precisamos nos reeducar para estarmos aptos a educar com o amor e o respeito que toda criança merece.

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