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Fórum sobre Artrite Reumatoide em BH debate melhores condições de distribuição de medicamentos

Reprodução/Google

No próximo sábado (24), Belo Horizonte sediará o Fórum Mineiro de Artrite Reumatoide. O encontro pretende reunir médicos especialistas, pacientes com doenças reumáticas, familiares, além de representantes do Estado com o objetivo de debater as políticas públicas de distribuição de medicamentos.

O Fórum é um evento gratuito e conta com o apoio do Grupar-RP e do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), além da Sociedade Mineira de Reumatologia.

Minas Gerais é um dos estados brasileiros com maior burocracia para distribuição de medicamentos de alto custo pelo Sistema Único de Saúde, segundo a presidente do Grupo EncontrAR, Priscila Torres . “Os pacientes com artrite reumatoide só têm acesso aos medicamentos iniciais em média  90 dias após solicitação”, diz.

Na tentativa de mudar essa realidade, a Secretaria Estadual de Saúde apresentou um plano estratégico para a gestão de medicamentos de alto custo, reduzindo o prazo de 90 dias para 10 dias, revendo processo de aprovação e liberação dos medicamentos no programa Rede Farmácia de Minas.

Conversei com Priscila Torres, blogueira no blog Artrite Reumatoide, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP sobre as dificuldades da doença e o papel das redes sociais no compartilhamento de informações. Confira:

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Arquivo pessoal

Adriana Santos: Quando você descobriu a Artrite Reumatoide e qual foi a sua reação ao descobrir o diagnóstico?

Priscila Torres: Aos 26 anos e com a vida profissional estabelecida, o diagnóstico da artrite reumatoide chegou como uma ameaça, apesar da minha formação como auxiliar de enfermagem. Não estava pronta para conviver para sempre com uma doença crônica, incurável e com alto poder de incapacidade. Foi difícil enxergar uma luz no fim do túnel, o diagnóstico é o momento mais conflituoso da convivência com uma doença crônica, eu chorava todas as noites, durante 6 meses era o que me consolava.

Adriana Santos: Quais os sintomas que levaram você a procurar um especialista?

Priscila Torres: Meus primeiros sintomas foram: dores insidiosas nas articulações das mãos, ombros, joelhos e tornozelos. As dores nas mãos eram acompanhadas de dificuldade para a realização de movimentos leves. As dores começaram com uma intensidade fraca, mas com o passar dos meses foram aumentando. O primeiro diagnóstico foi de Síndrome do Túnel do Carpo em graú elevado, com indicação de cirurgia. Depois, veio um diagnóstico de tendinite nos dois ombros. Um dia ao acordar percebi que os movimentos das minhas mãos e dos pés estavam rígidos. Não conseguia pisar e nem fechar as mãos, além do inchaço em várias articulações. Foi quando procurei um pronto socorro e recebi o diagnóstico de artrite reumatoide. Fui encaminhada para um reumatologista.

Adriana Santos: Quais os motivos que a levaram a criar um blog sobre o assunto?

Priscila Torres: O blog foi criado para compartilhar as minhas experiências, além da proposta de divulgar informações com fácil compreensão do público leigo. Até então, não havia na internet um espaço de paciente para paciente. A partir do blog Artrite Reumatoide, eu pude conhecer várias pessoas da minha idade com artrite. A aprendi com elas sobre como conviver em harmonia com a doença, além de compartilhar as dificuldades da doença e os efeitos colaterais dos medicamentos.

Adriana Santos: Você se sentiu descriminada em algum momento por ter a doença?

Priscila Torres: Sim. A artrite reumatoide é uma doença que não tem “cara”. Pessoas jovens e até crianças convivem com artrite. Ainda temos que ouvir o mundo falar que artrite é doença de velho. O preconceito, às vezes, começa nos consultórios médicos com as dificuldades de compreensão por parte dos próprios profissionais da saúde. Mas o maior preconceito social  é o desemprego. Um chefe de um serviço médico chegou a se recusar a me receber como funcionária reabilitada, já ele considerava que tinha uma doença que poderia atrapalhar a rotina da unidade. Ele queria “um funcionário normal”. Naquele momento eu entendi que a vida com artrite poderia ser bem mais complicada do que parecia. As pessoas com artrite reumatoide não são pessoas “anormais”. Uma pessoa pode viver com plena capacidade cognitiva, mesmo assim alguns nos julgam pela nossa doença.

SERVIÇO

Fórum Mineiro de Artrite Reumatoide

Data: 24 de outubro (sábado)

Horário: 9h30 às 17h

Local: Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais – Coren/MG (Rua da Bahia, 916/ 2º andar – Centro- Belo Horizonte)

Entrada gratuita