19 set 2018

Desconforto auditivo durante o voo: saiba os motivos e como aliviar os sintomas

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Imagem: Google

 

Por: Sérgio Santana*

Quem de nós, durante uma viagem de avião, nunca sentiu algum desconforto nos ouvidos? Diminuição na capacidade auditiva e até mesmo dor são queixas comuns da maioria dos passageiros (eu mesmo já passei por várias dessas situações…), ainda mais aqueles que vivem em pontes “aéreas”.

Ocorre que o corpo humano foi concebido para viver em altitude e pressão atmosférica ao nível do mar, com alguma tolerância para continuar funcionando regularmente se este limite é excedido para mais (como quando se sobe uma serra, por exemplo) ou para menos (no caso de um mergulho em profundidade rasa).

Entretanto, quando tais limites são ultrapassados, ocorre o disbarismo, distúrbio causado pela alteração repentina no nível de pressão atmosférica ou barométrica.

A explicação para este fato provém da “Lei de Compressibilidade dos Gases”, desenvolvida por dois cientistas que viveram no século 17: o britânico Robert Boyle (1627-1691) e o francês Edme Mariotte (1620-1684), que embora vivessem em países diferentes estavam estudando o mesmo tema e publicaram trabalhos científicos em sequência, com resultados idênticos, o que resultou em que a “Lei de Compressibilidade dos Gases” ficasse conhecida também como “Lei de Boyle-Mariotte”.

O seu enunciado diz que “o volume ocupado por um gás é inversamente proporcional à pressão desse gás, para uma temperatura constante”.

Como já dito acima o corpo humano está envolvido por gases (o ar que respiramos) que penetram em todas as cavidades do organismo (incluindo ouvidos e vísceras).

Como os aviões comerciais precisam voar em grandes altitudes (onde o ar é rarefeito, ou seja, suas moléculas estão mais espaçadas umas das outras, o que facilita o avanço da aeronave), por questões de velocidade, economia de combustível e preservação da sua estrutura, é necessária que seja efetuada uma subida até aquela altitude, provocando aumento nos níveis de pressão atmosférico-barométrica.

Nos ouvidos, o efeito dessa subida é percebido por dor de intensidade variável, sensação de que estão “cheios” e diminuição da audição. É a barotite, uma inflamação do sistema auditivo provocada pela mudança brusca no nível de pressão barométrica. Em casos mais severos, os seus sintomas podem evoluir para queixas de tonturas e vertigens, rupturas, sangramentos e mesmo, nos casos muito graves, desarticulação da cadeia ossicular e lesão da membrana da cóclea.

A barotite é melhor visualizada com o auxílio da imagem abaixo: 

 

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Considerando inicialmente o ar existente no ouvido médio durante uma subida, tem-se que o seu volume aumenta e o excesso normalmente sai para o exterior do corpo através da tuba auditiva que se comunica com a nasofaringe.

O aumento do volume de ar força a uma abertura da tuba, levando a que a pressão torne-se normal, ainda que de modo parcial, o que ao menos promove alívio do incômodo.

Na descida, com a diminuição da altitude, o volume de ar será reduzido e o incômodo passará. Entretanto, devemos lembrar que uma descida de modo abrupto também provocará o mesmo incômodo.

Contudo, caso a tuba auditiva se encontre obstruída de alguma forma, o volume de ar sofrerá expansão, forçando o tímpano e a mucosa para o interior da cavidade em algum ponto anterior ao local exato da obstrução. Ao contrário do que acontece na subida o incômodo não será resolvido naturalmente e mesmo a redução do volume de ar forçará a que a tuba continue fechada, o que resulta em dor.

Diante de uma situação assim, deve-se recorrer a artifícios para equalizar a pressão, tais mascar chicletes ou mastigar balas, engolir saliva e simular bocejos.

Se estas atitudes não forem bem-sucedidas é recomendável empregar manobras do tipo “Valsalva” (em homenagem ao médico italiano Antonio Maria Valsava, 1666-1723).

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Tais manobras são feitas expirando-se o ar de modo gradualmente forçoso, tapando-se o nariz e fechando-se os lábios, o que provoca a abertura da tuba e promovem a equalização dos níveis de pressão no sistema auditivo.

Deste modo, encontra-se alivio para um problema comum a todos nós, que a cada dia utilizamos mais e mais o transporte aéreo para as nossas atividades.

*Sérgio Santana é Bacharel em Ciências Aeronáuticas (Universidade do Sul de Santa Catarina-UNISUL) e Pós-graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica (PUC-MG)

31 maio 2015

Aplicativo de celular ajuda pessoas que tem medo de voar

Arquivado em Aplicativo de saúde

aplicativo

O aplicativo de celular Medo de Voar é considerado um terapeuta a bordo virtual – seja semanas ou meses antes da viagem, imediatamente antes do voo, no aeroporto ou já dentro do avião. Os interessados podem usar o aplicativo durante todo percusso aéreo, em modo de voo. Uma vez descarregado, não necessita estar conectado à internet.

A iniciativa resulta da parceria entre diversas entidades aeronáuticas portuguesas: INAC, ANA, NAV, APTCA e APPLA com o objetivo de auxiliar pessoas que têm dificuldade em viajar de avião, com base em métodos científicos.

O menu principal inclui:

O Voo, Os Factos, Técnicas de Relaxamento, Botão do pânico e Outras Informações.

O Voo

Informações sobre: descolagem, turbulência e aterragem.

Os Factos

Mini-curso de aviação, estatísticas importantes, informação sobre os efeitos do medo no passageiro e dicas para se sentir confortável durante o voo.

Técnicas de Relaxamento

Esta parte oferece um exercício de relaxamento em versão escrita e em áudio.

Botão do Pânico

Quando o usuário sentir muito medo, o botão do pânico pode ajudar. Ao pressionar o botão, o passageiro recebe uma mensagem de áudio com o objetivo de baixar os níveis de tensão.