07 abr 2021

CPI dos “Fura-Filas” recebe superintendente regional de saúde de BH

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A vacinação de 247 servidores da Superintendência Regional de Saúde de Belo Horizonte contra a Covid-19 foi realizada em cumprimento de decisão superior da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e seguiu os critérios do grau de exposição e de continuidade dos serviços essenciais. A informação é da superintendente regional de BH, Débora Marques Tavares, ouvida na condição de testemunha, nesta quarta-feira (7/4/20), pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fura-Filas da Vacinação.

A comissão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) investiga a imunização de servidores da secretaria, inclusive do ex-secretário Carlos Eduardo Amaral, antes de grupos prioritários.

Em visita realizada pela CPI, foi informado pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde que, ao contrário das regionais do interior em que a vacinação dos servidores foi feita após tratativa com os municípios, em BH as doses das vacinas teriam sido repassadas diretamente pelo Governo do Estado à superintendência regional.

Questionada pelo relator da CPI, deputado Cássio Soares (PSD), sobre a questão, Débora Tavares afirmou que a decisão foi da SES, motivada pelo fato de terem os servidores da superintendência a mesma sede dos servidores do nível central da secretaria, ou seja, a Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Segundo ela, foi estabelecido pela SES que a própria secretaria seria responsável por definir a vacinação dos servidores do nível central e também da Superintendência de BH.

Débora Tavares disse que, após essa definição, foi elaborado memorando pela secretaria com as prioridades de vacinação dos servidores, com a divisão dos trabalhadores em 8 grupos, de acordo com o grau de exposição e a continuidade dos serviços de saúde essenciais. Ela informou que foram então encaminhadas 250 doses para a superintendência, tendo sido vacinadas 247 pessoas (54% do total de servidores) que estavam nos três primeiros grupos prioritários (trabalhadores da Rede de Frio, da central de regulação assistencial e da Farmácia de Minas).

Superintende não foi vacinada

Em resposta a questionamentos dos parlamentares, Débora Tavares disse que não foi vacinada, por não estar nos três grupos prioritários imunizados na superintendência. Segundo ela, os critérios foram seguidos rigorosamente.

O presidente da CPI, deputado João Vítor Xavier (Cidadania), manifestou estranheza diante do fato de que, ao contrário da superintendente, o então secretário Carlos Eduardo Amaral foi vacinado, antes mesmo (19 de fevereiro) da equipe da superintendência (22 e 23 de fevereiro).

Para João Vítor Xavier, enquanto no caso da Superintendência de BH a vacinação parou no terceiro grupo prioritário, sendo que servidores do quarto grupo que exercem atividades em campo, por exemplo, não foram contemplados, no nível central da SES, outros grupos menos expostos foram vacinados.

Nesse aspecto, os deputados Cássio Soares, Repórter Rafael Martins (PSD) e Ulysses Gomes (PT), vice-presidente da CPI, apontaram que essa diferença de tratamento indica que há “os fura-filas dos fura-filas”. Pressionada pelos parlamentares a se posicionar tecnicamente sobre essa diferença nos grupos vacinados entre o nível central e a regional, Débora Tavares afirmou que só poderia falar sobre a superintendência pela qual é responsável.

Paralisação – O deputado Roberto Andrade (Avante) perguntou ainda sobre o motivo de a vacinação na regional ter sido paralisada no terceiro grupo.

A superintendente explicou que, após as denúncias e abertura de processos investigativos, a decisão foi suspender a imunização. Débora Tavares ainda explicou que a expectativa da superintendência era de que todos os servidores fossem vacinados gradativamente, de acordo com as doses recebidas e os grupos definidos.

Parlamentares manifestaram preocupação com a suspensão da vacinação na superintendência, já que ela inclui profissionais de saúde que prestam serviços importantes, e defenderam a retomada do processo dentro dos critérios do Plano Nacional de Imunização (PNI). Já os deputados Guilherme da Cunha (Novo) e Zé Guilherme (PP) falaram sobre a importância da vacinação de trabalhadores da Rede de Frio, setor responsável por receber e distribuir as vacinas.

Cadastro – O deputado Sargento Rodrigues (PTB) fez questionamentos sobre a forma como a vacinação dos servidores da superintendência foi possibilitada, em especial se foi pedida alguma senha à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Débora Tavares disse que não foi solicitada senha e que a vacinação ocorreu com preenchimento de um cadastro técnico validado pelo município. Segundo a superintendente, esse procedimento é corriqueiro, sendo o mesmo de outras campanhas de vacinação.

Débora Tavares também informou aos parlamentares que a vacinação dos servidores da regional e dos servidores do nível central foram processos separados. Segundo ela, no caso da superintendência, a vacinação foi feita na sede da Farmácia de Minas, em BH, e apenas os servidores que atuam diretamente na Rede de Frio foram vacinados no local em que trabalham.

Responsabilização – Perguntada sobre uma possível responsabilização dos servidores vacinados, Débora Tavares afirmou que a definição sobre quem seria vacinado se deu por critérios técnicos, seguindo as prioridades estabelecidas, sendo que dessa decisão participaram apenas os servidores da área técnica.

Para o deputado Noraldino Júnior (PSC), a resposta da superintendente indica que os servidores que não participaram da decisão sobre a vacinação não podem ser responsabilizados por terem sido imunizados.

Crédito: Assembleia Legislativa de Minas Gerais 

19 mar 2021

Mitos e fatos: É necessário fazer reposição hormonal?

Arquivado em Comportamento, saúde

Muitas mulheres, principalmente aquelas acima de 50 anos, têm dúvidas com relação aos benefícios da reposição hormonal. É necessário recorrer aos medicamentos para controlar os sintomas da menopausa, como: ausência da menstruação; ondas de calor  e suores noturnos; ressecamento vaginal (secura); diminuição no desejo sexual; osteoporose; aumento do risco cardiovascular; alterações na distribuição da gordura corporal; depressão?

Entrevistei a médica ginecologista, Márcia Mendonça Carneiro. Ela é também professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina – UFMG.  Confira:

 

O que é reposição hormonal?

É a utilização de medicamentos hormonais para repor o estrogênio, hormônio feminino produzido pelos ovários cuja produção cessa após a ocorrência da menopausa (última menstruação). As mulheres nascem com um estoque fixo e não-renovável de óvulos, cuja quantidade e qualidade reduz com o passar dos anos até a ocorrência da última menstruação (menopausa) que ocorre em média em torno dos 51 anos, mas as modificações que levam à menopausa podem começar até 8 anos antes e se manifestam principalmente por irregularidade menstrual.

Como os hormônios agem no organismo feminino?

O estrogênio exerce funções importantes não só nos órgãos reprodutivos, mas também é importante para o aparelho cardiovascular, saúde óssea e funcionamento do sistema nervoso central entre outras funções. Após a menopausa, a redução dos níveis do estrogênio surgem sintomas como as ondas de calor, aumento do risco cardiovascular e osteoporose e ressecamento vaginal.

Quem deve recorrer aos hormônios?

A indicação de terapia hormonal é individualizada e requer avaliação médica especializada que leve em consideração a presença de sintomas, risco cardiovascular, história pessoal e familiar de câncer entre outros fatores. Atualmente considera-se que o grupo que mais poderia se beneficiar da terapia hormonal são as mulheres antes dos 60 anos idade (ou até 10 anos de menopausa) com fogachos (ondas de calor) respeitando-se as contraindicações (câncer de mama ou qualquer câncer hormônio dependente, história pessoal de trombose, sangramento vaginal não avaliado, doença coronariana, doença cerebrovascular, lúpus). É preciso ressaltar que há opções não-hormonais para combater alguns destes sintomas indesejáveis da menopausa e que a prescrição da TH exige a presença clara indicação (alívio de sintomas associados a menopausa) e a ausência de contraindicações.

Quais os benefícios da reposição hormonal?

As principais indicações da TH para os quais há benefícios são para o tratamento dos sintomas vasomotores (fogachos e ondas de calor) e da atrofia vulvovaginal e a prevenção da osteoporose e fraturas osteoporóticas. Observa-se ainda melhora da qualidade de vida em mulheres na peri e pós-menopausa sintomáticas em resposta à melhora obtida com tratamento sobre os sintomas vasomotores e as alterações da função sexual, do sono, e do humor. Estudo comprovam o benefício da TH em diversas situações.

Há evidências de benefícios da TH sobre:

• sintomas vasomotores
• efeito positivo no humor e sono
•controle da irregularidade menstrual durante o período de transição menopausal
• prevenção de fraturas osteoporóticas
• prevenção e tratamento da atrofia vulvovaginal
• melhora da função sexual
• redução do risco de diabete melitus
• diminuição de câncer de intestino
• redução do risco cardiovascular e de doença Alzheimer quando iniciada na transição
menopausal ou na pós-menopausa recente
• melhora da qualidade de vida das mulheres sintomáticas

Quais os riscos da reposição hormonal?

Os dois riscos principais e temidos são o aumento do risco de câncer e trombose.
O aumento do risco de câncer de mama associado ao TH é pequeno e estimado em menos de 0,1% ao ano, ou seja, uma incidência absoluta de menos de um caso por 1.000 mulheres por ano de uso.

A incidência estimada de trombose venosa profunda e embolia pulmonar (TEV) é de um a dois casos por 1.000 mulheres/ano, mas estudos sugerem que o suo de TH pode resultar em sete a 18 casos adicionais por 10 mil mulheres com maior risco nos primeiros 2 anos de tratamento. Dessa forma, a avaliação médica especializada é fundamental na prescrição de TH e acompanhamento dessas mulheres.

Reposição hormonal engorda?

Não. Na verdade, o ganho de peso acompanhado de uma maior tendência para a distribuição da gordura central (região do abdome) é comum entre as mulheres que estão aproximando da menopausa. Essas mudanças são resultado do envelhecimento, diminuição dos níveis de estrogênio após a menopausa e outras influências que interferem na adoção de medidas de estilo de vida saudável.  Dieta inadequada e sedentarismo, que aliados à redução do estrogênio, resultam em risco aumentado de doença cardiovascular na pós-menopausa. A obesidade está associada ao aumento de várias doenças como diabetes e câncer assim como piora das ondas de calor. A boa noticia é que a obesidade tem tratamento eficaz e o resultado é a melhora global da saúde.

Considerações finais

Com o aumento da expectativa de vida, espera-se que as mulheres passem cerca de 1/3 da vida no período pós-menopausa. A TH é considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa, sendo que os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres sintomáticas com menos de 60 anos de idade ou dentro do período de 10 anos da pós-menopausa. O uso de TH é uma decisão individualizada, que deve levar em consideração a qualidade de vida e os fatores de risco, como idade, tempo de pós-menopausa e risco individual de tromboembolismo, de doença cardiovascular e de câncer de mama, devem ser avaliados.

17 mar 2021

Covid: Hidratação e treinamento ajudam na recuperação do olfato

Arquivado em Comportamento, saúde

Foto Shutterstock 

#covid19 De acordo com uma pesquisa publicada, (5/01/2021), no Journal of Internal Medicine, cerca de 86% dos pacientes que tiveram covid-19 leve apresentaram perda de olfato. O comprometimento na capacidade de sentir cheiros não é apenas um dos fatores para o diagnóstico precoce da covid-19, mas, também: sintoma de várias doenças, processo de envelhecimento e traumas na região da cabeça.

Entrevistei o Dr. Emerson Rodrigo Santos, otorrinolaringologista do Hospital Felício Rocho, sobre a importância da saúde do nosso olfato, em especial, em tempos de pandemia.

Adriana Santos: O que é o olfato?

É a capacidade de captar odores através do sistema olfatório, ou seja, capacidade de sentir cheiros do ambiente com o nariz. Sua ausência total chama-se anosmia e sua diminuição, hiposmia.

É verdade que a perda do olfato é um dos sintomas da covid-19?

Sim, é verdade. A alteração do olfato quando associado a um quadro sugestivo de processo inflamatório agudo das vias aéreas, com pouca ou nenhuma coriza e sem congestão nasal significativa, é altamente sugestivo de que seja Covid-19 nesse momento de pandemia. Entretanto, a alteração do olfato não foi observada em todos os pacientes com diagnóstico da covid-19.

Dr. Emerson Rodrigo Santos: Por que algumas pessoas perdem a capacidade de identificar cheiros com o envelhecimento?

A presbiosmia, alteração do olfato observado no envelhecimento, ocorre devido um processo degenerativo do epitélio olfatório, interferindo na sua capacidade de regeneração e consequente substituição das células especializadas na detecção das partículas odoríferas por células do epitélio respiratório.

Atrofia da área olfativa no sistema nervoso central também influenciam tal alteração. Soma-se a isso o uso de diversas medicações para controle de doenças crônicas que influenciarão de forma negativa na capacidade olfatória do idoso.

Quais as doenças podem prejudicar o olfato?

Várias. Dentre elas as mais comuns relacionam-se às doenças nasais crônicas como rinossinusites crônicas, polipose nasossinusal, rinite alérgica. Doenças infecciosas agudas das vias aéreas, como resfriados, ocupam importante causa também.

Observamos ainda em traumas envolvendo impacto na cabeça, Parkinson, Alzheimer, Esclerose múltipla, Diabetes, doenças hepáticas, doenças psiquiátricas, entre outras. Pode estar relacionado ainda ao uso de drogas, gestação ou desnutrição.

Qual o melhor tratamento?

Não há um consenso em relação ao tratamento clínico para a Covid-19. Aconselhamos que, para casos suspeitos, o isolamento e as medidas para se prevenir a dispersão do vírus e contaminação de outras pessoas devem ser adotadas a todo custo. Para pacientes pouco sintomáticos, que representam a maioria dos casos, o tratamento é direcionado para controle de sintomas como febre, mal-estar, diarreia, devendo-se manter a hidratação e irrigação nasal com soro fisiológico.

Os quadros com sintomatologia mais relevante, dando atenção especial à falta de ar, devem ser acompanhados por profissionais de saúde em centros estruturados como o pronto atendimento, para que se adotem as medidas clínicas recomendadas no intuito de ajudar o paciente em sua recuperação. A vacinação trás um grande potencial de controle dos casos da covid-19 mundialmente .

Dicas para manter o olfato saudável

A mucosa nasal saudável é essencial para o bom funcionamento do sentido olfatório. Cuidados como hidratação e uso de soro fisiológico são sempre recomendados. A inalação ou aplicação nasal de substâncias que irritam a mucosa nasal podem causar alterações significativas no funcionamento desse epitélio. A avaliação regular pelo otorrinolaringologista, no intuito de se diagnosticar e tratar doenças crônicas que possam prejudicar essa função nasal ou o fluxo respiratório, são aconselhadas nesse sentido.

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