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A obesidade é um fator de risco para câncer da próstata

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Por: Daniel Xavier Lima, médico Urologista e coordenador da urologia do corpo clínico do Biocor Instituto

O câncer da próstata é o segundo mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. A a importância do diagnóstico precoce já está bem estabelecida na sociedade, tanto pela frequência com a qual a doença ocorre, quanto pelas campanhas de conscientização. O Novembro Azul, que tem lugar de destaque dentre essas campanhas em todo o mundo, objetiva renovar essa consciência e eliminar o preconceito contra a realização dos exames de rastreamento, especialmente o exame de toque retal.

Estima-se que de todos os homens vivos hoje, em torno de 1 em cada 7 (15%) apresentarão a doença em algum momento e aproximadamente 1 em cada 38 (2,6%) irão falecer em decorrência dela. Em todo o mundo, a partir da década de 1990, momento em que o exame de sangue com a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) passou a ser feito de forma rotineira, ocorreu uma queda significativa na mortalidade. Embora existam algumas controvérsias a respeito da necessidade de se rastrear todos os homens, devido à possibilidade de serem diagnosticados tumores indolentes, que não causariam a morte do paciente, a seleção dos pacientes que precisam ser tratados a partir dos dados do diagnóstico inegavelmente traz benefícios para o controle da doença e reduz a mortalidade.

Sabe-se que o rastreamento do câncer da próstata encontrou uma resistência a partir de resultados conflitantes da literatura na década passada, havendo uma redução da sua realização em vários locais do mundo, especialmente nos EUA. Lamentavelmente, observou-se um aumento do número dos casos de câncer da próstata metastático (quando já há disseminação para outras partes do corpo e não há possibilidades de cura) nesses últimos anos, especialmente nos pacientes de cor negra, que apresentam maior incidência da doença.

Embora o rastreamento do câncer da próstata permita um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz, ele não impede que a doença venha a se estabelecer. Essa é uma questão crucial quando é discutido o termo “prevenção” contra o tumor prostático. Sabemos que os fatores de risco envolvem questões genéticas, para as quais ainda não podemos agir, além de fatores relacionados aos hábitos, que podem ser modulados.

Dentre esses fatores de risco, a obesidade é uma situação que tem trazido discussões. Sendo uma ocorrência comum em homens de meia-idade, quando o câncer da próstata também é bastante frequente, a gordura corporal em excesso é comprovadamente relacionada ao maior risco de câncer colorretal e de mama, dentre outros. Acredita-se que dos tipos de câncer associados à obesidade, cerca de ¼ deles poderiam ter sido evitados se a prevalência de pessoas obesas no mundo não tivesse dobrado desde 1980.

Grandes estudos prospectivos correlacionaram a obesidade com maior risco de câncer de próstata mais agressivo. Também foi encontrada maior mortalidade nos pacientes obesos tratados com radioterapia e cirurgia. Fatores hormonais podem estar implicados, além de dificuldades técnicas para o tratamento. Em estudos experimentais com modelos de câncer da próstata em camundongos, também se observa crescimento acelerado do tumor nas situações em que a obesidade está presente.

Curisosamente, a obesidade reduz os valores séricos do PSA, provavelmente por efeito dilucional, reduzindo então a possibilidade do exame se mostrar alterado nas fases iniciais do câncer da próstata. Pelas mudanças das dimensões corporais, o exame do toque retal também pode se mostrar prejudicado. Esses podem ser outros fatores que resultam nos piores resultados do tratamento desse tumor nos pacientes obesos.

Somando-se a essas evidências, há também correlação entre a ingestão elevada de gordura animal e o risco do câncer de próstata. Esses fatos corroboram a recomendação universal de que a adoção de hábitos de vida saudáveis, a prática de atividade físicas e a alimentação saudável são armas fundamentais para a verdadeira prevenção dos tumores malignos. No caso do câncer da próstata, recomenda-se também a visita periódica ao urologista, que da mesma forma é uma medida de manutenção da saúde.

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Inscrições gratuitas para VIII Simpósio Arritmias Cardíacas

Divulgação
O VIII Simpósio Arritmias Cardíacas será no dia 05 de agosto e integra o Programa de Educação Continuada, aberto à comunidade e promovido pelo Instituto Biocor, em Belo Horizonte. A iniciativa, com inscrições gratuitas, pretende abordar importantes temas, dentre eles: DNS: diagnóstico, tratamento e indicações de marcapasso; Bloqueios Atrivoventriculares: diagnóstico, tratamento e indicações de marcapasso; Arritmias ventriculares incessantes, da extra-sístoles à tempestade arrítmica. Diagnóstico e tratamento; Indicações de CDI.

A edição 2016 do Programa de Educação Continuada promovido pelo Instituto tem por objetivo reunir profissionais da Saúde para avaliar e discutir os principais temas e tendências da área por meio de simpósios especializados.

Confira a programação do VIII Simpósio Arritmias Cardíacas:

13:15 – Abertura

Módulo I – Bradiarritmias
13:30 – DNS: diagnóstico, tratamento e indicações de marcapasso – Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka
14:00 – Bloqueios Atrivoventriculares: diagnóstico, tratamento e indicações de marcapasso – Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka
14:30 – Discussão de casos clínicos – Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka/ Dr. Luiz Mário Gerken (Cardiologia /Eletrofisiologia), Dr. Frederico Soares Corrêa Lima e Silva (Cardiologia/Eletrofisiologia), Dr. Ricardo Augusto Baeta Scapelli (Cardilogia/Eletrofisiologia)
Módulo II – Taquiarritmias
15:30 – De QRS estreito – diagnóstico e tratamento – Dr. Ricardo Augusto Baeta Scapelli (Cardiologia / Eletrofisiologia)
16:00 – De QRS largo – critérios ECG para o diagnóstico: tratamento com drogas antiarrítmicas – Dr. Frederico Soares Corrêa Lima e Silva (Cardiologia/Eletrofisiologia)
16:30 – Arritmias ventriculares incessantes, da extra-sístoles à tempestade arrítmica. Diagnóstico e tratamento – Dr. Luiz Gerken
17:00 – Indicações de CDI – Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka
17:30 – Discussão de caos clínicos – Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka/ Dr. Luiz Mário Gerken (Cardiologia /Eletrofisiologia), Dr. Frederico Soares Corrêa Lima e Silva (Cardiologia/Eletrofisiologia), Dr. Ricardo Augusto Baeta Scapelli (Cardilogia/Eletrofisiologia)
18:00 – Encerramento

O simpósio está sob a coordenação da Dra. Silvana Angelina D`Orio Nishioka (doutora em Cardiologia pela Universidade de São Paulo/ Médica Assistente da Unidade Clínica de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto do Coração (INCOR) – FMUSP – Especialidade – Clínica Médica. As inscrições para o evento e outras informações pelo telefone (31) 3289-5080 ou pelo site www.biocor.com.br

Agenda e Informações

VIII Simpósio Arritmias Cardíacas
Data: 05/08 (sexta-feira)
Horário: 13h15 às 18h00
Local: Auditório Dr. Mario Vrandecic
Endereço: Rua da Paisagem, 310 – Vila da Serra – Nova Lima – MG
Informações: (31) 3289-5080 / www.biocor.com.br
Inscrições gratuitas
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Comportamento saúde

Uso excessivo de celular pode causar problemas de coluna

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Imagem: Agência Brasil

Por: Fernando Dantas – Neurocirurgião do corpo clínico do Biocor Instituto

Vivemos constantemente conectados ao mundo virtual. Temos acesso à comunicação instantânea, músicas, fotos, internet e redes sociais na palma das mãos com os tão populares smartphones. Com isso, fala-se cada vez mais a respeito das complicações que o uso frequente dos aparelhos pode trazer para a coluna vertebral.

Descritas como tech neck, tais complicações são dores cervicais relacionadas ao mau posicionamento da cabeça ao usar o celular. O número de consultas médicas aumentou cerca de 40% nos últimos anos, principalmente entre pacientes jovens, com queixa de dor cervical. Tipicamente, a incidência dessa queixa aumenta com a idade, mas cada vez mais jovens têm relatado esse desconforto nos consultórios.

A postura correta é fundamental para evitar o problema. A nossa coluna vertebral apresenta curvaturas fisiológicas em cada nível. Temos a lordose cervical, a cifose torácica e a lordose lombar, dando à coluna o aspecto da letra ‘S’. Essa anatomia é muito importante para suportar e distribuir as cargas de forças que são aplicadas à coluna diariamente. Os músculos do pescoço são designados para suportar o peso da cabeça, que, no ser humano, pesa em média 4,5 a 5,5 quilos. Nem o pescoço nem os ombros estão adaptados para sustentar esse peso durante longos períodos com a cabeça inclinada para frente.

As forças exercidas sobre a coluna cervical são variáveis de acordo com a posição da cabeça. Na posição neutra, ou seja, com zero grau de angulação (como uma pessoa olhando na linha do horizonte), temos uma carga na coluna de cerca de 26 quilos e, à medida que essa angulação aumenta, a força aumenta. Na angulação de cerca de 60 graus – posição em que as pessoas usam o smartphone – a força pode chegar a 132 quilos, alterando a curvatura natural do pescoço. Levando em conta que uma pessoa usa o smartphone por cerca de duas a quatro horas por dia com a cabeça baixa, a somatória de um ano corresponde de 700 horas a 1.400 horas de excesso de estresse sobre a coluna cervical.

Com o tempo, esse mau alinhamento da coluna pode causar problemas às estruturas do pescoço, favorecendo o aparecimento de dor cervical e lombalgia, em virtude da mudança do alinhamento da coluna, ficando a região cervical inclinada para a frente. Ao realizar exames radiológicos da coluna podemos verificar a perda da lordose cervical com a presença de uma coluna reta ou mesmo com a inversão dessa curvatura. Ainda não há estudos comprovando essa relação, mas, provavelmente aparecerão com o tempo. Além da coluna, também colocamos nossa visão em tensão. Os músculos da face e dos olhos são ligados ao crânio e à região cervical, motivo pelo qual as contrações do olhar repetidas vezes durante o dia podem desencadear dor de cabeça, distúrbios do sono e tonteiras.

As mãos também podem sofrer com o uso constante dos celulares. Em 2011, muito se falou a respeito da síndrome do ‘Blackberry thumb’, também conhecida como síndrome de Quervain, da qual o paciente relatava dor na mão e dormência ou dificuldade para escrever devido a uma inflamação do tendão, conhecida como tenossinovite radial estiloide.

Entre as formas de prevenção das dores cervicais, correções da postura são essenciais: ao usar o smartphone, a tela deve ficar na altura dos olhos e deve-se evitar atender o telefone usando apenas os ombros, com a cabeça inclinada para um lado. Alguns movimentos de rotação do pescoço para relaxar a musculatura podem ser feitos após o uso do aparelho.

Se houver alguma dor mais insistente, um médico deve ser consultado. Se você faz o uso constante do smartphone e está sofrendo com dores cervicais persistentes, procure um médico, que ele vai orientar, medicar, solicitar exames se necessário e avaliar o seu encaminhamento a um fisiatra ou um fisioterapeuta para exercícios de correção da postura. O mais importante de tudo é usar o celular moderadamente e na postura correta, para evitar problemas futuros.