05 ago 2019

Inverno pode aumentar risco de infarto e AVC

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No inverno, diversas pessoas se preocupam com a prevenção de gripes e resfriados. Afinal, essas são as doenças mais famosas desse período. Mas o que pouca gente sabe é que durante a estação mais fria do ano algumas doenças relacionadas ao coração também podem ocorrer com mais frequência. De acordo com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o risco de infarto pode aumentar em 30% nesta época do ano. Já os casos de AVC, podem aumentar 20%.

O cardiologista e pesquisador, Gilmar Reis, esclarece que isso acontece porque o frio contribui para a contração dos vasos sanguíneos. Portanto, pessoas com tendência a doenças cardíacas podem desenvolver esses e outros problemas. “Em pessoas com o organismo normal e saudável, essa contração não causa problemas. Porém, quando há predisposição, seja genética ou por hábitos ruins, os riscos podem ser maiores”, ressalta o médico.

Por isso, preservar a saúde durante todo o ano e intensificar os cuidados no inverno é tão necessário, segundo o especialista. “O ideal é manter uma vida saudável todos os dias. Mas, principalmente no inverno, manter a alimentação adequada e continuar se exercitando é importante”, completou.

Dicas

Assim como em outros períodos, o especialista indica que a melhor forma de evitar doenças relacionadas ao coração é através de disciplina e bons hábitos alimentares. “Nada de consumir alimentos pesados, gordurosos e com muito sal, principalmente durante a noite. Ingerir muito líquido e manter uma rotina de exercícios, mesmo que o frio incomode um pouco, é essencial”, acrescentou.

Por fim, Reis destaca que a vacina contra gripe também é um forte aliado na prevenção de doenças cardíacas. “Esta vacina auxilia na prevenção contra infecções pulmonares, problema que também está relacionado aos ataques cardíacos. Portanto, estar com todas as vacinas em dia reduz, além das gripes e resfriados, as chances de obter alguma complicação no coração durante esta época”, recomendou.

22 abr 2016

Doenças cardíacas provocam 30% de mortes no Brasil

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coração

Imagem Google

Por: Heberth Miotto,é especialista em cardiologia e medicina intensiva e coordenador do Centro de Terapia Intensiva do Biocor Instituto.

A procura por consulta cardiológica aumenta quando uma figura popular ou um político morre de problemas cardíacos. Exemplos de personalidades que morreram vítimas de arritmias cardíacas, o cantor Jair Rodrigues e o ator José Wilker. A estimativa da incidência de morte súbita cardíaca é de um caso para cada 100 mil habitantes por ano. Em uma cidade como Belo Horizonte e região metropolitana, ocorrem cerca de 50 a 100 casos. O coração é alvo de atenção especial da mídia e da população em geral.

As doenças cardiovasculares são líderes em morte no mundo, sendo responsáveis por quase 30% dos óbitos no Brasil. Entre essas, o infarto é uma das principais causas. Entre todas as doenças cardíacas, a doença vascular coronariana é a mais importante, pois atinge a faixa populacional em fase mais produtiva da vida, causando um impacto social e econômico significativo. A manifestação mais conhecida da doença coronariana é o infarto agudo do miocárdio, quando ocorre uma oclusão completa de um vaso que nutre o músculo cardíaco (miocárdio), chamada coronária.

Outra manifestação grave é a ocorrência de arritmias, quando o coração perde o ritmo normal e pode chegar até a parar. Nesse caso, ocorre uma arritmia muito grave chamada fibrilação ventricular. Quando o quadro surge e o paciente não está em ambiente hospitalar, ocorre a síndrome da morte súbita. O único tratamento efetivo para morte súbita ou fibrilação ventricular é a desfibrilação imediata, por meio de um aparelho chamado desfibrilador, que emite uma descarga elétrica por corrente contínua que atravessa o coração interrompendo a arritmia. Muitas vezes, o quadro não ocorre devido a um infarto cardíaco, mas à presença de múltiplas cicatrizes de infartos anteriores. Por isso mesmo, muitas pessoas confundem a síndrome da morte súbita com infarto cardíaco.

Desfibrilação

A Associação Americana do Coração (American Heart Association) criou, na década de 1990, o programa de acesso público à desfibrilação, em que o leigo teria acesso a desfibriladores automáticos que converteria toda arritmia letal ou potencialmente letal. Para esse fim, a indústria de equipamentos desenvolveu os chamados DEA ou desfibrilador externo automático, que é capaz de reconhecer a fibrilação ventricular e solicitar ao profissional de saúde ou qualquer pessoa para apertar o botão e deflagrar o choque que irá salvar a vida da vítima.

Mas não basta aplicar o choque. Também é necessário fazer a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) ou massagem cardíaca que, com o DEA, pode salvar vidas. Desde 2000, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, com alguns hospitais, tem administrado cursos de ressuscitação para a população leiga, com o intuito de capacitá-los a realizar RCP e manusear o DEA. Esses últimos já estão disponíveis em vários clubes e associações e locais com grande concentração de pessoas.

Tão importante quanto o atendimento das urgências são os cuidados hospitalares na fase de recuperação. É fundamental que o cardiologista geral ou o cardiologista intensivista comece, precocemente, os cuidados pós-ressuscitação com a indicação de cineangiocoronariografia (“cateterismo”) para tratar os pacientes vítimas de infarto, que levaram à parada cardíaca.