15 out 2015

Comércio de animais no Mercado Central está cada vez mais próximo do fim

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mercado central

Foto: Adriana Santos

Mais uma etapa do movimento que exige o fim do comércio de aninais no Mercado Central de Belo Horizonte. O presidente da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Noraldino Junior, esteve reunido (14/10) com o Promotor de Defesa do Consumidor, Rodrigo Filgueira de Oliveira com o objetivo de entregar o laudo técnico pericial sobre as condições sanitárias e de tratos dos animais mantidos e comercializados no Mercado Central de Belo Horizonte, além de informação técnica do IBAMA sobre o local.

O laudo tem assinatura do médico-veterinário Gilson Dias Rodrigues que mostrou várias irregularidades que podem comprometer a saúde de todos: animais e seres humanos. Ele lembrou que o comércio de alimentos para consumo humano ao lado da venda de animais são atividades sanitariamente incompatíveis. “Há produção de fezes no mesmo ambiente que precisa da mais forte condição de limpeza possível”, afirmou, referindo-se a alimentos que também são vendidos no local.

O parlamentar denunciou à promotoria o desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor com o comércio de animais no local que, segundo ele, lesa tanto quem compra os animais quanto os consumidores de alimentos. De acordo com o laudo, o Mercado Central não cumpre as condições sanitárias e é um ambiente insalubre para os trabalhadores, os consumidores e para os animais que lá são mantidos. Noraldino também entrou com denúncia contra o responsável Técnico do Mercado Central pelo descumprimento da Resolução 1.069, do Conselho Federal de Medicina Veterinária, que trata sobre as diretrizes gerais de responsabilidade técnica em estabelecimentos comerciais de exposição, manutenção, higiene estética e venda ou doação de animais. “A proibição da venda de animais no Mercado Central é inevitável, uma vez que, entre outros fatores, o local não cumpre as exigências da Resolução 1.069”, explicou o parlamentar.

Segundo o laudo solicitado pelo deputado, os animais mantidos e comercializados no Mercado Central de Belo Horizonte são acondicionados de maneira precária em um ambiente insalubre, em lugares inadequados ao seu porte e espécie, o que torna o ambiente propício para a proliferação de doenças. Além disso, o laudo técnico apontou que a qualidade dos produtos alimentícios lá comercializados estão em risco, razão da exposição às bactérias proliferadas pelos animais no local.

“É necessária uma ação definitiva, que coloque fim ao comércio de animais no Mercado Central”, enfatizou o deputado, apontando o comércio de animais no Mercado Central como ícone do desrespeito aos animais e aos consumidores de Minas Gerais. Para ele, colocar fim a essa prática será uma vitória dos ativistas, protetores e das pessoas que frequentam o local. “Não entendo como o Mercado Central ainda não acabou com o comércio de animais. Essa seria uma forma de divulgar melhor o local para turistas, mostrando que o estabelecimento respeita a vida e os consumidores”, disse.

Segundo o deputado, o Estado tem sido omisso em formular diretrizes técnico-normativas que enquadrem o Mercado Central de Belo Horizonte nas mesmas normas obedecidas por outros estabelecimentos como os “shopping’s”, supermercados e hipermercados espalhados pela cidade toda. “Não se encontra animais à venda nestes estabelecimentos e sua entrada mesmo que sob a posse de seus tutores é vetada”, conclui Noraldino.

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Foto: Assessoria de Comunicação

08 out 2015

Outubro Rosa para os peludos também, alerta Conselho Federal de Medicina Veterinária

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Imagem: Blog Mãe de Cachorro

No mês da campanha do Outubro Rosa, as atenções estão voltadas para o câncer de mama em humanos. Mas o que muitos não sabem é que a incidência da doença pode ser igualmente alta em cães e gatos, principalmente nas fêmeas. Pesquisas acompanhadas pela UNESP, Câmpus de Jaboticabal, mostram que, no Brasil, a cada 100 cães com algum tipo de neoplasia, aproximadamente 45 são cadelas com tumores de mama. Em gatas a estimativa é que seja em torno de 30%.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) ressalta que o acompanhamento regular da saúde dos animais por um médico veterinário é fundamental para o diagnóstico precoce da doença, aumentando as chances de sucesso no tratamento. Segundo o CFMV, a castração precoce é a forma mais indicada de prevenir a proliferação de tumores mamários, e deve ser feita preferencialmente antes do primeiro cio das fêmeas. Deixar o animal cruzar ou ter uma ou mais gestações, ao contrário do que muitos pensam, não previne o câncer de mama. A importância dos exames também é fundamental.

O recomendado é que o proprietário procure o médico veterinário assim que perceber a ocorrência de anormalidades com o seu cão ou gato. Uma dica é sempre apalpar a barriga do animal e observar as mamas. Caso note qualquer alteração ou nódulo, é preciso procurar imediatamente um médico veterinário. Quanto mais cedo for detectado o problema, maiores serão as chances de cura. “A prevenção e o controle do câncer de mama são fundamentais, pois muitas vezes só vemos o paciente quando ele já está doente”, afirma o secretário-geral do CFMV e médico veterinário, Marcello Roza.

Atualmente já existem vários tipos de tratamento contra a doença. Caso o animal seja identificado com o câncer, o mais indicado é a cirurgia para extração dos tumores ou das mamas. Em casos mais extremos, além da cirurgia, pode ser feita a quimioterapia antineoplásica.

Oncologia Veterinária

Nos últimos 20 anos a Medicina Veterinária avançou muito no diagnóstico e tratamento de câncer em animais. Antigamente a doença era sinônimo de eutanásia e hoje é possível utilizar diversos meios para diagnosticar as neoplasias que ocorrem em cães e gatos e propor o tratamento ideal. Os cursos de especialização proporcionam excelente nível de formação aos profissionais da Medicina Veterinária que desejam trabalhar na área de oncologia. A Associação Brasileira de Oncologia Veterinária foi habilitada pela Resolução CFMV nº 1031/2013 para conceder o título de especialistas aos profissionais.

O que é o Outubro Rosa

O movimento surgiu nos Estados Unidos, na década de 90,com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença e divulgar informações. No Brasil, várias órgãos e instituições aderiram ao movimento e realizam ações anuais ligadas ao Outubro Rosa. Diversos monumentos em cidades de todo o mundo também são iluminados com a cor rosa para lembrar a data.

06 ago 2015

CFMV incentiva métodos alternativos ao uso de animais no ensino

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Atualmente há uma demanda crescente da sociedade em relação a minimizar o sofrimento causado aos animais. Em sintonia com esses anseios, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) apoia o debate e a produção de métodos alternativos ao uso de animais no ensino.

Também chamados de métodos substitutivos, eles permitem o repasse de conhecimentos aos estudantes sem prejuízo à aprendizagem e sem comprometer o bem-estar e a saúde animal.

“A sociedade mundial se preocupa com o bem-estar animal, não só enquanto vida animal, como também sua utilização nas instituições de ensino. O estudante de Medicina Veterinária, utilizando de métodos alternativos, pode perfeitamente adquirir e desenvolver habilidades para futuras atividades profissionais”, afirma o presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Benedito Fortes de Arruda.

Um exemplo é a formação cirúrgica, que envolve complexos conceitos teóricos e práticos. Para garantir a aquisição das habilidades pelos alunos, diversos métodos alternativos têm sido desenvolvidos buscando cumprir a função educacional. Entre eles, a utilização de cadáveres preservados, o emprego de artefatos confeccionados a partir de espuma, látex e outros materiais sintéticos, manequins de resinas e peças de matadouros para o treino de suturas.

Além de reduzir o estresse, o uso desses materiais permite a maior quantidade de repetições de cada aula prática até que os alunos se sintam seguros para dar o próximo passo que é atender os animais que realmente necessitam do tratamento.

Segundo a presidente da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (CEBEA) do CFMV, Carla Molento, antigamente, o ensino de técnica cirúrgica era feito em animais que nem sempre tinham necessidade de cirurgia. “Hoje tais práticas são inaceitáveis, uma vez que há possibilidades de ensino com métodos alternativos, como uso de modelos, de cadáveres eticamente obtidos e preservados”, explica Molento.

A médica veterinária lembra que a passagem pela vida universitária deve colaborar para a formação de cidadãos completos e profissionalmente competentes. “Além do efeito direto e severo aos animais utilizados, também havia um efeito indireto, que transmitia aos alunos a ideia de que os animais podem ser utilizados sem nenhuma consideração de seu sofrimento. Isto levava a uma perda na capacidade de sensibilização do futuro profissional”, afirma Molento.

Para o presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (CNEMV) do CFMV, Felipe Wouk, estimular a adoção de métodos alternativos é um desafio que precisa ser encarado pelas Universidades. “O retrato atual das instituições de ensino brasileiras é que a minoria possui formas e métodos alternativos bem estabelecidos para substituir o uso de animais no ensino. Todos os esforços feitos para mudar essa realidade terão uma repercussão enorme, melhorando a qualidade do profissional que sai da faculdade”, afirma Wouk.

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, coordena os procedimentos de uso científico de animais para ensino e pesquisa.

O tema faz parte das discussões da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal e da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV.

“Junto com o CONCEA, Universidades e Conselhos Regionais, temos que passar da linha das reflexões para a ação”, afirma Wouk.

A adoção de métodos alternativos ao uso de animais no ensino difere da discussão ao uso de animais para pesquisa, definida pela busca de um conhecimento ainda em construção. No Brasil, a Lei Federal de Crimes Ambientais nº 9605/1998 proíbe a utilização de animais quando há métodos alternativos.

Atualmente existem 17 métodos alternativos ao uso de animais para pesquisa reconhecidos pelo CONCEA. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma norma que deve reduzir a necessidade do uso de animais em testes para pedidos de registro de medicamentos, cosméticos, produtos para a saúde, entre outros. As empresas serão obrigadas a abandonar o uso de animais para comprovação de eficácia e segurança dos seus produtos nos casos em que há métodos alternativos reconhecidos pelo CONCEA.

Crédito: Conselho Federal de Medicina Veterinária