01 nov 2019

Black Friday: uma oportunidade de mover o mercado de forma ética e criativa

 

Novembro é o mês das promoções em todo mundo. Muitos consumidores aproveitam as ofertas da Black Friday para garantir os presentes de Natal; do tão esperado “Amigo Oculto”; e das lembrancinhas de final de ano que não podem faltar. Pelo menos é assim que muitos pensam.  Para tanto, as lojas, físicas e virtuais, procuram reforçar as equipes de vendas para oferecer inúmeras vantagens de parcelamentos no crediário. São muitas oportunidades de compras, mas também de alguns arrependimentos quando o mês acaba e a conta não fecha. Por isso, é sempre bom recorrer as velhas dicas do Procon e também tentar aproveitar a data para exercitar o consumo consciente.

O que é consumo consciente? Resumindo: é a capacidade de escolher de forma racional e ética os produtos e serviços oferecidos pelo mercado. Muitas vezes consumimos movidos por emoções desequilibradas, ansiedade, depressão, preguiça, medo e pressa. É justamente por falta de planejamento que as dívidas aparecem e provocam tantos transtornos, principalmente na época da Black Fridy.

No entanto, podemos fazer diferente, exercitando a nossa cidadania e movendo o mercado de forma racional e criativa.  A Black Friday pode ser uma ótima oportunidade de exercitar o consumo consciente. Já faz um tempo que tento modificar os meus hábitos de consumo, principalmente depois que deixei de consumir carne de seres vivos e evitar outras proteínas de origem animal. Hoje, presto atenção naqueles mínimos detalhes, como por exemplo: as empresas têm posturas éticas com relação aos animais? Realizam testes em animais? São sustentáveis? Oferecem produtos de qualidade?  Respeitam a biodiversidade? Respeitam a diversidade humana?  Apoiam projetos sociais? Estão em dia com as obrigações previstas pela lei? Oferecem canais de comunicação éticos? É assim que exercito a minha cidadania, procurando me tornar uma consumidora ética e responsável.

Conheça os 12 princípios do consumo consciente, segundo o Instituto Akatu, uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente.

1. Planeje suas compras
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.

2. Avalie os impactos de seu consumo
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

3. Consuma apenas o necessário
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

4.Reutilize produtos e embalagens
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

5.Separe seu lixo
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

6.Use crédito conscientemente
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.

7.Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

10. Divulgue o consumo consciente
Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.

11. Cobre dos políticos
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.

12. Reflita sobre seus valores
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.1. Planeje suas compras.

01 abr 2019

Simplificando a vida por meio do consumo consciente?

Arquivado em Comportamento

consumo

Conforme intensifico minhas meditações diárias, descubro a necessidade de simplificar a vida. Então estabeleci algumas metas, entre elas: consumir com consciência. Confesso aos meus leitores um certo fetiche por livros novos. Todo mês, compro pelo menos um. Já são tantas publicações que já me falta um local adequado para guardá-las. Por isso, resolvi doar algumas e vender outras. Foi aí que eu percebi a minha coleção de livros repetidos.  Fiquei um pouco envergonhada com a minha atitude tão irracional!

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Mas afinal, o que é consumo consciente? Conversei com Nusa Maria, fundadora  da marca Old Chic Brechó e influenciadora digital no Canal Universo Brechós. Ela me explicou que o termo se  resume em uma única palavra: essencial. ” O essencial para minha sobrevivência, evitando ao máximo o desperdício. Adoro o termo “na medida certa.” Reaproveito tudo o que percebo como obsoleto”, esclarece Nusa.

Adriana Santos: Qual a diferença entre consumo consciente e consumo sustentável?

Nusa: Ambos estão pautados na minimização dos impactos ambientais… caminham de mãos dadas. Porém, observo, a partir do comportamento humano, que muitas pessoas que praticam o consumo sustentável não conseguem ainda desenvolver uma mente de consumidor consciente. Grande parte da humanidade está muito presa às práticas de consumo excessivo. Por exemplo: o consumidor que se diz sustentável não utiliza o canudo de plástico, mas adquire quatro unidades de canudos de aço. Um de cada cor ou formato. O consumo consciente  é mais abrangente.

Quais as dicas para que as pessoas possam consumir de forma consciente?

Nusa: Muitos ainda desconhecem o poder terapêutico do consumo consciente, porque ainda são reféns das práticas de consumo impostos pela sociedade. Temos o poder de transformação – literalmente em nossas mãos. A pergunta inteligente do consumo consciente é: “O que já tenho em mãos”? E não a pergunta “O que preciso”? Quando mudamos essa forma de questionar, automaticamente alteramos nossa forma de consumo. Descobrimos que já temos ao nosso alcance praticamente tudo o que necessitamos para executar praticamente todas as tarefas do dia a dia. E isso engloba praticamente todas as formas de consumo.

Entrevista com a neuropsicóloga Janusa Silvério. Consumo X Consumismo

Arquivo pessoal

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Adriana Santos: Qual a diferença entre consumo e consumismo

Janusa Silvério: O consumo é um ato saudável e necessário. Precisamos consumir diariamente (alimentação, vestuário, higiene etc). Logo, todos somos consumidores. Já o consumismo está relacionado aos excessos, podendo, inclusive, ser patológico. O olhar para o consumismo merece uma atenção especial e cuidadosa.

Consumir compulsivamente é uma doença?

Sim, porém, devemos observar que cada caso tem sua singularidade e merece ser estudado de forma individualizada. O consumo compulsivo ou acumulação compulsiva é um comportamento descontrolado, onde o acúmulo de produtos supérfluos torna-se um ato vicioso. Resguardadas as proporções, podemos pensar que o movimento do consumista compulsivo é parecido com o adicto. Em regra, o adicto não usa a droga para obter prazer, mas sim para afastar o desprazer. No caso dos consumistas compulsivos, a ordem é semelhante. A compulsão sempre está associada a uma angústia, ansiedade, depressão, ou algum outro distúrbio psicológico. Assim, a pessoa vai às compras e, consequentemente, obtém um prazer nessa conduta. O problema é que esse prazer é volátil, não tem longa duração temporal. Em razão disso, em breve essa conduta se repete, o desejo novamente se faz presente e recomeça todo o ciclo vicioso.

Quais são os motivos que levam as pessoas a este tipo de comportamento?

Difícil pontuar de forma assertiva os motivos. Mas temos que entender que sempre um comprador compulsivo busca aliviar um “buraco afetivo”, um vazio sentimental. Costumam ser pessoas impulsivas e obviamente apresentam algum desequilíbrio emocional. O grau desse desequilíbrio vai variar de pessoa para pessoa. De forma geral, podemos citar em algumas características, como por exemplo, necessidade de preencher um vazio, baixa autoestima, necessidade de status e de pertencimento, depressão, transtorno de ansiedade e de humor. Temos que pensar também que a sociedade contemporânea promove este estímulo. Veja, pesquisas mostram que o consumismo infantil tem crescido, e muito. Essa pseudo ideia que frustração e tristeza têm que ser evitados a qualquer custo causa um consumo desenfreado. As pessoas precisam aprender a lidar com a angústia existencial Da mesma forma que experimentamos a alegria, também experimentamos a tristeza. Mas precisamos entender que tudo passa e tais sentimentos não são eternos e a compulsão é só um paliativo cheio de consequências negativas. A meu ver, este é o grande mal deste século: não poder ser frustrado. Temos que ser felizes o tempo todo, não podemos ser frustrados. Tristeza…nem pensar! Nessa roda de conceitos fakes, sempre as pessoas querem buscar, a qualquer preço, algo para evitar este desprazer, em que pese ser inerente à condição humana .Uma dessas busca pode ser o consumismo. Não estou aqui falando que depressão é normal, que transtorno de ansiedade também o é. O que estou dizendo é que esta cultura da felicidade a qualquer preço tem adoecido muito as pessoas e tem “pregado” que TER é a saída para ser feliz. Isso é uma grande mentira. A necessidade de pertencimento também é outra questão séria. Eu passo a ser aquilo que o outro deseja de mim. Freud já havia nos sinalizado isso há tempos atrás.

A mídia tem uma influência neste tipo de transtorno? 

Influência sim. Porém não é a única responsável. A mídia trabalha para que acreditemos que aquele determinado produto é imprescindível para nós. Existe um apelo midiático que visa estimular. Porém, se a pessoa tem senso crítico, vai consumir de forma equilibrada e pautada na racionalidade, o que reduz a influência da mídia. Essa pessoa, ao comprar, não agirá puramente com a emoção. Ela irá pensar, ponderar vários fatores, como necessidade e possibilidade e, somente após esse planejamento, a fará.

Mas de fato comprar não é prazeroso?

Para alguns mais do que para outros. Não podemos deixar de mencionar que prazer é volátil, efêmero. Aquele prazer desencadeado pela compra, logo passa e volta novamente a necessidade de repetir aquela ação. E mais, após a compra, mal chegou em casa e abriu as sacolas, a culpa, o arrependimento, a “ressaca” com aquela atitude compulsiva passa a atormentar a pessoa. Os prejuízos com esse comportamento são inúmeros. Além de prejuízos financeiros (muitas vezes as dívidas se tornam vultosas), existem os prejuízos emocionais. Todos que estão em torno daquela pessoa costumam sair prejudicados. As relações afetivas são desgastadas. A mentira e a desconfiança assumem um papel preponderante na vida dessas pessoas.

Quais são os tratamentos

Psicoterapia em todos os casos e, em outros, essa psicoterapia deve ser conciliada com a psiquiatria.

14 set 2015

Com energia mais cara, empresas apostam na educação

lampada verde

O Brasil é o décimo maior consumidor de energia do mundo e o maior da América do Sul e o preço da energia é um dos mais altos do mundo. Devido à imensa quantidade de rios existentes no território nacional, 73,63% da energia produzida no país tem como fonte geradora as hidrelétricas.

Para algumas empresas, a energia é uma ferramenta de produção, e isso dificulta qualquer tentativa não planejada de redução de custos.

Consumir a energia elétrica de forma eficiente é vital para um bom desempenho e até mesmo para aumentar a competitividade das empresas.

Com um cenário de crise no abastecimento e alta dos preços de energia elétrica, algumas empresas estão capacitando seus gestores para compreender o consumo de energia das instalações de sua empresa e explorar alternativas para reduzir ou tornar o consumo mais eficiente.

Conversei com  Marcos Aires é diretor-presidente da Datte Educação & Treinamento e um dos responsáveis pelo “Programa Educacional de Eficiência Energética” – PEEE, um projeto que faz parte do Programa de Eficiência Energética da CEMIG.

Aprovado pela ANEEL, este projeto capacita profissionais das indústrias de sua área de concessão, visando disseminar conhecimentos que gerem projetos e obras de Eficiência Energética. Os principais objetivos são reduzir consumo, demanda e custos de clientes, prioritariamente industrial, através de capacitação em Gestão Eficiente de Energia e formar uma cultura de uso inteligente de energia nas empresas e instituições dos diversos setores da economia.

Foto: Daniel Coelho Teobaldo

Adriana Santos: Como o programa pode contribuir para a redução de gastos com energia das empresas?

Marcos Aires: No treinamento, eles aprendem duas formas de reduzir seus gastos com energia: a primeira por meio da correta contratação, chamamos de adequação tarifária, o participante aprende como contratar adequadamente a demanda e o consumo, considerando as diversas opções que possui; a segunda é pela redução efetiva do consumo específico de energia da instalação onde trabalha por meio do conhecimento de atitudes e novas tecnologias que reduzem o tempo de funcionamento ou a potência dos equipamentos, o que permite o estabelecimento de ações ou práticas de redução do consumo de energia e, consequentemente, dos gastos. O curso além de indicar essas atitudes e tecnologias, estimula os participantes a praticarem e confirmarem esse benefício. Ele, por usar a técnica de ensino a distância, torna-se um treinamento no trabalho (” training in job “) com resultados imediatos. Algumas empresas participantes já percebem a redução de seus custos com energia e água durante o treinamento.

Adriana Santos: Qual a metodologia do curso e carga horária?

Marcos Aires: PEEE é um programa de capacitação e pesquisa, administrado na forma de Ensino a Distância e treinamento prático no trabalho e seu conteúdo equivale a um treinamento presencial de cerca de 290 horas aula, podendo ser realizado num período de 8 a 12 meses. São mais de 14 disciplinas que abrangem diversas áreas do conhecimento como: legislação, meio ambiente, comunicação, engenharia (usos finais de energia, medição e verificação), gestão energética e economia (viabilidade econômica).

O programa é dividido em diversas etapas, intercalando atividades práticas, teóricas e eventos presenciais para motivação e esclarecimentos. As etapas geram produtos (readequações tarifarias, levantamento de consumos, projetos de eficiência, entre outros) ao final de suas execuções e esses são avaliados e pontuados por engenheiros tutores e consultores.

O programa conta ainda com fóruns de discussão e plataforma de comunicação entre alunos e tutores que possibilitam uma maior interatividade entre estes.

O ensino a distância apresenta vantagens como: treinamento de profissionais de diferentes locais dispensa os custos de deslocamento, hospedagem e alimentação, pode ser realizado em horário mais conveniente para empresa e profissionais, não afetando significativamente a rotina do participante.

Adriana Santos: Quais as medidas preventivas para reduzir o consumo de energia nas empresas sem prejudicar a produtividade, em especial das pequenas empresas?

Marcos Aires: Não é interessante reduzir o consumo reduzindo a produtividade, é melhor explorar maneiras de não afetá-la negativamente. O treinamento desenvolvido pela DATTE que está sendo promovido pelas distribuidoras Cemig e CPFL para seus grandes consumidores, visa, principalmente, a redução do consumo específico das empresas para torná-las mais competitivas.

O primeiro passo é conhecer o consumo, depois conhecer alternativas técnicas ou gerenciais que promovam economia sem reduzir a produtividade. As reduções podem ser obtidas por troca de equipamentos por outros mais eficientes, distribuição do consumo ao longo do dia a fim de diminuir sobrecargas, políticas internas de conscientização que promovam bons hábitos de conservação de energia, e muitas outras. O programa leva o participante a promover soluções criativas e mais adequadas para a realidade de suas instalações.

Dentre as medidas que os próprios participantes têm indicado, apontamos os desligamentos de cargas (lâmpadas, motores e equipamentos) que ficam ligados sem necessidade ou que podem ser usados em outros horários quando o custo da energia é mais barata. No caso de a iluminação usar mais a luz solar durante o dia, usar sensores de presença e uso de lâmpadas mais eficientes, como as com tecnologia de LED. No caso da força motriz, utilizam equipamentos com eficiência maior e acionados com conversores de frequência que possibilitam os motores a trabalharem de acordo com a carga que é necessária naquele momento.

Adriana Santos: Como os colaboradores de uma empresa podem contribuir para a redução de gastos com energia elétrica?

Marcos Aires: A conscientização é o melhor caminho, através dela é possível que os indivíduos promovam ações em prol da conservação de energia. No PEEE os alunos são orientados a organizar uma comissão multiprofissional, composta por membros de vários setores, para que juntos mantenham a cultura do uso racional de energia. No treinamento ela é chamada de CICE, Comissão Interna de Conservação de Energia.

O programa dissemina a filosofia de que a tarefa de reduzir os gastos com energia é de todo o grupo, por isso todos devem ser envolvidos, conhecerem as oportunidades e participarem de sua implantação. Dessa forma, além de se sentir prestigiado, o empregado ou colaborador da empresa passa a ser um protagonista da eficiência energética na empresa. Mesmo aqueles que não tomam uma atitude proativa, sendo comunicados e envolvidos nos programas das empresas, passam a serem colaboradores (desligam lâmpadas ou outras cargas), indicam oportunidades para os colegas, etc.

Somente com o envolvimento de todos, a começar pela alta direção da empresa, o programa pode alcançar sucesso e ser um programa contínuo e sustentável ao longo do tempo. Ele deve ser independente de crises e conjunturas adversas e não pode ter apenas um ou uns atores principais, todos têm que ser envolvidos.

Adriana Santos: Qual a principal medida para reduzir o consumo de energia?

Marcos Aires: Ter uma compreensão do consumo, do custo e de alternativas para redução de ambos. Existe muito senso-comum em se tratando de promover economias, mas na realidade cada instalação tem suas peculiaridades e as soluções são personalizadas, podendo ou não se assemelhar a outras. Trocas de lâmpadas podem promover grande economia em uma empresa, mas pode ser uma economia irrisória em outra, na qual a troca de equipamentos com resistências teria mais impacto na redução, por exemplo. O PEEE promove essa consciência crítica nos participantes, proporcionando medidas customizadas e realistas para a empresa.

A primeira medida é conhecer como se dá o consumo, medindo. Somente podemos gerenciar o que se mede. Depois conhecendo-se técnicas e tecnologias adequadas, aplicá-las para reduzir o consumo.
Não se deve falar em redução do consumo e muito menos em metas de redução deste. Falar em eficiência energética é falar em diminuir o consumo específico, a quantidade de energia para se produzir uma unidade de produto. Ao se produzir mais com menos energia, as empresas ficam mais competitivas e podem, inclusive, aumentar o consumo, desde que acompanhado pelo aumento da produção. Outra alternativa é identificar produtos com maior valor de venda usando processos que podem ser mais até mais intensivos em energia, mas promovem receitas e lucros maiores. Enfim, eficiência energética não deve ser pensada como uma forma de reduzir custos e sim de aumentar a competitividade.

Adriana Santos: Qual seria o principal setor de uma empresa para gerenciar os programas de redução de gastos com energia elétrica?

Marcos Aires: A melhor forma é organizar uma comissão multidisciplinar, pois a questão energética é uma realidade de todos nas empresas. No PEEE, os participantes recebem instruções de como formar estas comissões e promover ações de conscientização, como comunicações internas e promoções de metas e eventos.

O PEEE é indicado para administradores, engenheiros, gerentes de energia, gerentes de manutenção, técnicos, coordenadores, supervisores, trainees, profissionais de manutenção entre outros profissionais.

Como abordado, anteriormente, a alta direção da empresa deve ter a preocupação de produzir usando o mais racionalmente a energia, não necessariamente através da redução dos gastos, mas com o uso eficiente e produtivo da energia. Utilizando o momento atual como exemplo, veja que se uma empresa tivesse a meta de reduzir seu consumo em 10%, ela pode alcançá-lo facilmente com a queda da produção. Não é isso que queremos.

Assim o principal setor a promover a eficiência energética deve ser a alta direção, que deve estipular metas de consumo ou custos específicos com energia. Cabem às demais áreas da empresa, cada qual em sua especialidade, identificar oportunidades para colaborar no alcance dessas metas. Isto será possível com os conhecimentos adquiridos no PEEE.

Adriana Santos: Qual a porcentagem de redução de custos de energia com a aplicação da metodologia do curso?

Marcos Aires: Depende dos usos finais da empresa, do tempo de vida dos equipamentos, das práticas de manutenção, do controle que é realizado, do valor da fatura de energia e da importância ou participação dos custos da energia no custo total do produto. Ė muito arriscado citar um número, mas é certo que economias ocorrerão muito superiores ao investimento com o treinamento.

Somente com adequação tarifária pode-se alcançar de 1 a 10%, mas temos casos de reduções maiores, depende de quão mal as empresas estejam em termos de gerenciamento energético.
Em termos de eficiência energética, ressaltando, novamente, que o objetivo não é a redução de gastos e sim do consumo específico, pode-se alcançar até 100% de redução, como é o caso de soluções que envolvam a cogeração de energia, quando as empresas produzem sua própria energia a partir de resíduos ou combustíveis que já consomem usualmente.

A tecnologia LED permite reduções superiores a 30% do consumo da energia gasta em iluminação, em alguns casos. No entanto, em grandes indústrias, a iluminação representa menos do que 5% de seu consumo, logo se as medidas se concentrarem apenas na iluminação a LED, os resultados serão inferiores a 2%.

Enfim, a porcentagem dependerá do esforço e conhecimento de toda a equipe envolvida e da situação energética em que se encontra a empresa.