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Livro digital gratuito ajuda crianças no enfrentamento da COVID-19

Por Opas/Brasil Já está disponível para download a versão em português do livro infantil “My Hero is You” (“Meu herói é você”), concebido pela roteirista e ilustradora Helen Patuck em 2020 para ajudar crianças de todo o mundo a lidarem com a pandemia de COVID-19. A obra é voltada principalmente para crianças de 6 a 11 anos de idade. O lançamento para o público brasileiro é resultado de uma parceria entre a Rede Internacional de Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Emergência Humanitárias (MHPSS.net) e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

A história, cheia de aventuras e conhecimento, tem como principais personagens Ário e Sara – uma criatura fantástica e uma menina que viajam juntos pelo mundo em busca de respostas sobre a COVID-19. A narrativa mostra às crianças como podem se proteger e proteger quem amam do coronavírus e como é possível lidar com emoções difíceis quando se enfrenta uma nova realidade que muda rapidamente.

Traduzida para mais de 135 idiomas, a publicação é fruto de um projeto do Comitê Permanente Interagências (IASC) para a Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Emergências Humanitárias, uma colaboração de mais de 50 organizações internacionais que trabalham em crises humanitárias, incluindo agências da ONU como OMS, UNICEF e ACNUR, e outras agências humanitárias internacionais, como a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Médicos Sem Fronteiras e Save the Children.

Durante os estágios iniciais da construção do livro, mais de 1.700 crianças, pais, cuidadores e professores de todo o mundo compartilharam informações sobre como estavam lidando com a pandemia. A contribuição garantiu que a história e suas mensagens pudessem alcançar crianças de diferentes origens e continentes.

Em junho de 2020, a Rede MHPSS.net e a OPAS/OMS disponibilizaram um videobook no qual a atriz brasileira Carol Castro, que já atuou em mais de 20 novelas/programas de televisão e em 11 filmes, interpreta “Meu herói é você” direto de casa.

Guia – O guia Ações para Heróis foi desenvolvido pelo Grupo de Referência sobre Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Emergências Humanitárias do IASC para acompanhamento da leitura de “Meu herói é você” junto às crianças.

A publicação orienta como ter conversas de “coração para coração” com crianças, ensinando-as a lidar com os estressores e as mudanças relacionadas com a COVID-19. Explica aos adultos como podem criar espaços seguros para que as crianças partilhem abertamente os sentimentos sobre o coronavírus, incluindo medos, preocupações e frustrações inerentes às mudanças do dia a dia. Também orienta adultos sobre como podem promover ações positivas que as crianças possam adotar para se protegerem e protegerem outras pessoas.

Para baixar o livro “Meu herói é você”, clique aqui.

Para baixar o guia Ações para Heróis, clique aqui.

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Como a Covid-19 impactou a população carcerária pelo mundo

Unicef/Josh Estey

Especialista em reforma prisional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, Philipp Meissner, revela que o grupo de mais de 11 milhões de presos é afetado, de forma desproporcional, pela pandemia; agência apoia treinamentos online sobre prevenção da pandemia, no Brasil, e outros países.

Mais de 527 mil presos em todo o mundo foram contaminados pelo vírus da Covid-19 em 47 países. Deste total, 3,8 mil perderam a vida para a doença.

Os dados são do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, que realiza o 14º Congresso sobre Prevenção do Crime e Justiça Pena, em Quioto, no Japão.

Nesta entrevista à ONU News, ele explica o porquê.

Qual é a situação dos presidiários acometidos pela pandemia ao redor do mundo?

Os sistemas carcerários com mais de 11 milhões de detidos estão sendo mais afetados que outros setores. Estima-se que mais de 527 mil presos foram infectados em 11 países. Deste total, 3,8 mil morreram em 47 nações. Com testes escassos em várias localidades e um vírus que se movimenta muito rapidamente, o número real pode ser ainda mais alto. Também é preciso pensar que por causa da interação muito próxima com os prisioneiros, os agentes de prisão, trabalhadores de saúde e outros profissionais nos presídios estão sob maior risco de contaminação. Não resta dúvida de que as prisões são ambientes de alto risco de transmissão da Covid-19 para todos que vivem e trabalham lá.

Onde os prisioneiros sofrem mais esses riscos?

O impacto é fortemente sentido pelos detidos na maioria dos países e em todos os continentes. Até mesmo os sistemas penais relativamente bem ressarcidos estão enfrentando sérios desafios na mitigação dos efeitos da pandemia nas cadeias. E essas consequências são principalmente severas em sistemas carcerários que foram sendo pressionados, superlotados, por negligência ou falta de pessoal e outros recursos. Tudo isso levou a condições precárias nas prisões, por exemplo, com saneamento e limpeza insuficientes, poucos serviços de saúde e condições de higiene.

Quais dificuldades as autoridades nacionais enfrentam no combate à Covid-19 em presídios pelo mundo?

Mesmo antes da pandemia, muitas prisões lutavam até mesmo para cobrir suas necessidades básicas e assegurar a saúde dos detidos. Estamos falando de espaço suficiente, nutrição, água potável, acesso a itens de limpeza e higiene e até mesmo de ventilação apropriada. Em muitas prisões do mundo, as pessoas não têm áreas de trabalho ou outros espaços. E o acesso a equipamento de proteção pessoal, termômetros e material de testagem de Covid-19 tornou-se um desafio.

O ambiente na prisão tornou-se tenso em muitos países o que é alimentado por ansiedade, medos e incertezas entre prisioneiros e os empregados do sistema prisional. Os motins em cadeias e outros incidentes de segurança em 50 países demonstraram a importância da comunicação, de forma transparente, sobre a Covid-19, e sempre que possível com a participação ativa dos detentos.

As medidas adotadas em muitos países resultaram, tipicamente, em mais endurecimento como a suspensão de visitas assim como a restrição ao acesso a programas de reabilitação e outras atividades construtivas fora das celas.
O fato de o detento não poder ver os familiares, os filhos, por um período longo de tempo, tem um impacto sério na saúde mental e no bem-estar dos presos incluindo mães e pais. Isto também agrava o sofrimento inerente à situação da detenção em si.

As autoridades nacionais estão dedicando atenção suficiente à situação dos prisioneiros durante esta pandemia?

O gerenciamento da prisão e os serviços são um ponto fraco na justiça penal em vários países. Os presos são um segmento da sociedade que é geralmente esquecido na hora de se formular políticas públicas e entre a opinião pública.

Mesmo que muitas jurisdições estejam chamando a atenção para o tema e feito esforços, muito precisa ser alcançado ainda para responder à situação dos prisioneiros na pandemia e mitigar os riscos da doença nas prisões. E isto deveria, claro, incluir programas de imunização.

O apoio global do Unodc no Brasil

O Unodc segue conduzindo treinamentos online sobre a prevenção da pandemia e resposta em presídios em países como Brasil, Egito, Paquistão, Peru, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e nações do sul da África, do leste da Europa e das regiões centro-asiáticas.

A entrevista completa: AQUI

Crédito: news.un.org