07 jan 2019

“D. Pedro: administrador responsável, pai presente, amigo fiel e corajoso” afirma escritor

d. pedro

O personagem da Independência do Brasil D. Pedro I sempre chamou muito a minha atenção, desde criança. Confesso que acho ele bonito e sedutor, talvez motivada pelos artistas que já interpretaram o nosso imperador na telinha da TV e no telão do cinema. Muito se fala do grito às margens do Ipiranga, do apetite sexual e do jeito impaciente, mas a história tem nos revelado muitas boas surpresas em torno do “Demonão“.

Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim é o nome completo de Dom Pedro I, nascido em 1798 no Palácio Real de Queluz, em Portugal, mesmo lugar onde faleceu em 1834 após abdicar o trono no Brasil. Mas quase duzentos anos depois de sua morte, pouco ainda se sabe do homem de personalidade complexa que se dispunha a morrer por um ideal; do pai que queria para os filhos a educação que reconhecia falhar em si próprio; do governante que foi protagonista na transição do absolutismo ao liberalismo e ao regime constitucional no Brasil.

Mais do que um homem de temperamento difícil, “D. Pedro zelava pela administração pública, conferia se os funcionários estavam trabalhando nas repartições, se os exercícios do exército estavam sendo bem executados”. As informações foram dadas pelo arquiteto, historiador e membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Paulo Rezzutti – que pesquisou durante anos as cartas e documentos inéditos. O resultado de tanta dedicação foi a publicação do livro “D. Pedro – A história não contada: O homem revelado por cartas e documentos inéditos”, da LeYa Brasil, em 2015.

A biografia escrita por Paulo Rezzutti é mais focada na vida pessoal de D. Pedro do que na sua vida política. O texto é objetivo, claro, cheio de citações de documentos, cartas e depoimentos. Percebemos claramente a admiração do autor por D. Pedro e também os anos de dedicação e estudo sobre o imperador e as pessoas ligadas a ele. Ele, inclusive, trabalhou como consultor técnico na exumação dos corpos dos primeiros imperadores do Brasil.

Conversa com Paulo Rezzutti

Adriana Santos: Como surgiu o seu interesse por pesquisas biográficas, em especial de personalidades do Império Brasileiro?
paulo4Paulo Rezzutti: Tudo começou com a pesquisa sobre a Marquesa de Santos. Conforme eu pesquisava sobre ela eu comecei a ver que determinadas coisas a respeito das demais figuras ao redor dela, como d. Pedro I e d. Leopoldina, não eram faladas. Isso me instigou a procurar saber mais sobre esses personagens.

Na sua avaliação, quais os pontos fortes e fracos de D.Pedro?

Pontos fracos: impaciente, indisciplinado, mulherengo, imaturo

Pontos fortes: administrador responsável, pai presente e responsável, amigo fiel, corajoso

D. Pedro tinha um temperamento gentil e explosivo ao mesmo tempo e sofria os males da epilepsia, além de uma sexualidade exacerbada. Ele tinha algum transtorno do ponto de vista psiquiátrico, como por exemplo, traços de bipolaridade ou depressão?

Ele era extremamente hiperativo, mas bipolar ou depressivo não consegui identificar nele. Ao contrário de d. Leopoldina que era depressiva ele não sofria desse mal.

O que a política atual deveria aprender com D. Pedro?

A ser mais responsável com a administração pública. Ele era um grande “fiscal”, como o filho, d. Pedro II. Ia ver e conferir tudo, se os funcionários estavam trabalhando nas repartições, se os exercícios do exército estavam sendo bem executados. Você notava a sua presença em diversos segmentos da sociedade. Até mesmo na conferência se o sistema métrico usado no comércio estava exato. Ele tinha, como governante, muita preocupação com o estado financeiro do Brasil. Procurava não fazer dívidas até mesmo usando o paço da cidade, atual Paço Imperial, na Praça XV, que pertencia a coroa, para abrigar repartições públicas e ficar livre de alugar imóveis para elas.

d. pedro livroAs pesquisas em torno de D. Pedro foram de alguma forma surpreendente? Se a resposta for positiva, em qual aspecto?

Todo mundo fala do homem mulherengo e a história dele parecia, para mim, acabar depois que ele saia do Brasil. Eu encontrei um homem completamente responsável com as questões pública e um pai maravilhoso, super preocupado com os filhos. Um homem muito ligado à família, mesmo com a distância das irmãs que foram para a Europa, ele nunca descuidou de manter contato ou mesmo de protegê-las quando foi possível.

Qual o mito difícil de derrubar com relação à vida de D. Pedro?

Devido ao fato de ele ter sido muito mulherengo, é absurda a quantidade de gente que diz que ele morreu de sífilis ou de outras doenças venéreas. Ele morreu de tuberculose, existe até o laudo da autópsia para comprovar. Mesmo assim o povo insiste em propagar inverdades. Outra questão foi o tal chute que ele teria dado em d. Leopoldina. Outra questão difícil de entrar na cabeça do povo que é outro mito criado.

Ainda podemos esperar mais revelações sobre D. Pedro?

Ah, sempre, acredito que a história não é estagnada, sempre podem aparecer mais documentos que revelem algum outro lado ainda desconhecido dele.

Conclusões finais

Queria agradecer o seu contato, e se possível fazer propaganda do meu canal no youtube  Toda semana eu solto um vídeo novo falando sobre pessoas e acontecimentos da história brasileira. Dou dicas de livros e filmes e quando faço alguma viagem mostro algo sobre o nosso patrimônio histórico.