10 jan 2019

Maquiagens e cosméticos vencidos podem provocar irritação na pele e acne

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Adoro maquiagens e cosméticos, mas sem exageros! Sou do tipo que defende a máxima: “menos é mais”. Com o tempo, aprendemos valorizar a beleza natural e disfarçar as imperfeições acumuladas com o avanço da idade. Não sou uma consumista compulsiva. Aprendi a comprar menos, mas produtos com melhor qualidade.  No entanto, algumas promoções são irresistíveis para a maioria das mulheres. Não sou diferente. Gosto de aproveitar oportunidades e renovar o estoque de batons. Foi o que fiz. Comprei algumas novidades. Foi aí que percebi que tinha na gaveta algumas maquiagens com a datas de validade já vencidas. O que fazer?

Procurei dermatologista Renata Suzano. Confira a entrevista:

Adriana Santos:  Maquiagens e cosméticos vencidos podem prejudicar a saúde da pele? Quais os problemas mais comuns?

Renata Suazano:  Sim, os dermocosméticos vencidos podem acarretar um processo alérgico na pele, incluindo vermelhidão, ardência. Alguns produtos podem ter o óleo separado dos demais componentes, e causar a obstrução dos poros e dando início a um quadro de acne.

Como identificar que cosméticos e maquiagens estão impróprios para o uso, mesmo ainda no prazo de validade?

De forma geral os produtos mudam a cor, apresentam odor ou alteram a consistência.

Quais as dicas para preservar por mais tempo cosméticos e maquiagens?

O ideal é lavar os pinceis regularmente, e deixar a maquiagem guardada em um ambiente fresco e escuro. Lugar úmido, ou muito quente pode estragar de forma mais rápida os produtos.

No caso de irritação da pele pelo uso de maquiagens e cosméticos, o que devemos fazer para aliviar os sintomas?

O primeiro passo é suspender o uso dos produtos, fazer uma higienização adequada da pele, e se de forma muito intensa for a irritação, procurar um médico dermatologista para avaliar, e indicar o melhor tratamento.

Qual é o melhor local para guardar a maquiagem, garantindo mais durabilidade?

O lugar ideal é guardar os produtos em um ambiente bem arejado, sem umidade, e com pouca iluminação, levando somente para um cômodo mais claro no momento do uso dos produtos.

03 jan 2019

Idosos devem ficar atentos aos cuidados da pele

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Por: Teresa Noviello, dermatologista membro da SBD e diretora da Clínica Teresa Noviello

O processo de envelhecimento humano provoca um grande número de mudanças fisiológicas, e um dos órgãos que mais sofre com o avanço dos anos é a pele. Os principais problemas que podem atingir a pele na terceira idade incluem a queda na capacidade de formação de colágeno, elastina e ácido hialurônico; a diminuição das glândulas sudoríparas; e a baixa na produção de secreções por parte das glândulas sebáceas. A junção destes fatores aliados a condições externas, como a exposição solar, negligência a hidratação, tabagismo, estresse, poluição, sedentarismo, consumo exagerado de gordura e açúcares, contribuem para que a pele apresente alterações na fase idosa, como ressecamento, marcas e sinais.

Os problemas de pele que mais atingem a pessoa idosa podem abranger desde condições de menor gravidade, como as dermatites e manchas, até doenças mais graves, como o câncer de pele. A dermatite, apesar de não ser uma condição específica desta faixa etária, aparece exatamente quando a pele vai perdendo sua hidratação e oleosidade natural. Quando muito desidratada, repercute em coceiras intensas. Em alguns casos, essa situação pode levar a um processo de escoriações e infecções secundárias, pois a unha é uma região de grande contaminação bacteriana.

Oriento que o hábito da hidratação deve ser adotado desde cedo e intensificado durante o envelhecimento. Pessoas que ingerem bastante líquido no transcorrer do dia e fazem o uso constante de um bom creme hidratante terão maior facilidade em manter o aspecto saudável da pele em idades mais avançadas.

Com o passar dos anos, é muito comum nos depararmos com um outro problema, as manchas. Sejam elas escuras, brancas ou acastanhadas, todas devem ser observadas e tratadas de maneira adequada. Manchas escuras ou amarronzadas podem caracterizar casos de melanoses solares, que normalmente surgem em decorrência da exposição excessiva ao sol no decorrer dos anos. Estes tipos de manchas podem ser amenizados pelo uso diário de clareadores e protetor solar, específicos para cada tipo de pele. Elas ainda podem ser tratadas em sessões de laser e peeling.

Outro problema comum e que surge com a progressão da idade são os angiomas. Sem uma causa específica, eles se apresentam em forma de bolinhas vermelhas ou pápulas de sangue. Os sinais do angioma podem ser removidos de maneira eficaz e sem a formação de cicatrizes por meio do uso da eletrocauterização ou mesmo pela realização do shaving, que é um cortezinho cirúrgico.

As ceratoses também são manchas senis bastante recorrentes em pessoas idosas. As lesões dessa condição surgem com o passar do tempo e se dividem em duas categorias, seborreica e actínica. A primeira é caracterizada por manchas acastanhadas com casquinhas que podem atingir diversas áreas, até mesmo as que recebem pouca luz solar. Já a ceratose actínica é constituída por lesões brancas com casquinhas e possui grande relação com a exposição solar. O tratamento pode ser feito através da eletrocauterização ou por meio de outros procedimentos específicos.

Dividido entre o carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma, o câncer de pele pode ser descoberto através de manchas e pintas na pele. Nos dois primeiros casos, os pacientes devem ficar atentos a lesões com feridas que não cicatrizam após um longo período de tempo. Dentre os três tipos, o melanoma se apresenta como o mais perigoso, pois pode causar metástase. Ele é normalmente apresentado por pintas escuras e assimétricas, com bordas irregulares ou entalhadas. Essas pintas começam pequenas e pretas, e com o tempo mudam de tamanho, forma e cor. Em algumas situações, as lesões podem coçar e sangrar. O tratamento é a retirada cirúrgica dessa lesão e uma avaliação anatomopatológico, para ver se não teve nenhum grau de comprometimento ou invasão de tecidos.

Ressalto que a avaliação geral da pele deve ser feita ao menos uma vez ao ano com o dermatologista. Avaliar suas pintas junto a um bom profissional é de suma importância para os casos de melanoma, pois o diagnóstico precoce pode significar um aumento das chances de cura.

31 ago 2015

60% dos pacientes com psoríase podem ter depressão

Arquivado em Animais, saúde
luciana

Luciana Aquino. Arquivo pessoal

“É como a flor, Luciana
Olhos que vivem sorrindo
Riso tão lindo
Canção de paz” (Tom Jobim)

Luciana Aquino é jornalista, escritora, mãe de um filho adolescente e de uma peludinha (Yorkshire) e ama contemplar poemas e sorrisos. Lu, como é conhecida pelos colegas da imprensa, desde pequena já notava algumas lesões no couro cabeludo que se pareciam com dermatite seborreica. “Quando entrei na adolescência apareceram algumas pequenas lesões nos cotovelos e atrás das orelhas. Descobri que meu problema era psoríase e que também era hereditário”, diz.

Na adolescência, segundo ela, as lesões eram pequenas e não as incomodavam tanto. Mas a crise veio após os 40 anos. Ela ficou com 97% do corpo tomado pela psoríase eritrodérmica. “Fiquei muito mal. Foram 15 dias na cama, com lesões no rosto, tronco, braços e pernas. Foi uma miscelânea de dor e revolta. Tipo: Por que eu? O que houve ?” desabafa.

Ela relata alguns momentos tristes, quando se sentiu descriminada em um clube. “Já fui convidada a retira-me da piscina de um clube, porque alguém reclamou com a diretoria que tinha uma moça com uma pequena lesão nas costas. Detalhe: era eu que estava com meu filho pequeno, na época, com dois anos na piscina”, relembra com pesar.

Luciana sempre foi uma mulher bela, com a pele que parecia um pêssego. A doença não poupou e atingiu o rosto. “Nossa chorei muito. Principalmente quando as lesões chegaram ao rosto. Nunca tive no rosto. Fiquei deformada. Mas passou, graças a Deus. Ainda sofro com os efeitos colaterais do remédio, como ressecamento das mucosas. Os lábios estão extremamente ressecados”, explica.

A jornalista diz que o abalo emocional não foi maior porque contou com o apoio incondicional do amor de sua vida. “Quando me vi com o corpo todo cheio de lesões e chorei para o meu marido e disse para ele: Não me olha!. E ele me respondeu que não amava meu exterior, mas a Luciana que está dentro de mim, superei todos os traumas que a doença poderia ter me causado”, relata apaixonada.

Par entender mais sobre o drama pessoal de Luciana, conversei com Dr.  Rafael de A. Moraes, dermatologista 

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Adriana Santos: O que é psoríase?

Rafael Moraes: Psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele e articulações, imunomediada, de base genética, com várias formas clínicas e apresentações distintas. A psoríase acomete igualmente homens e mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, com picos de incidência na segunda e quinta décadas de vida. Estima-se que a psoríase ocorra em 1% da população.

Adriana Santos: A doença tem fundamento psicológico?

Rafael Moraes: Como fator agravante sim, mas não como causa isolada. A psoríase está relacionada a uma autoestima baixa, com prevalência aumentada de distúrbios do humor, incluindo a depressão. Até 60% dos pacientes com psoríase podem ter depressão. Há estudos evidenciando que transtornos psicológicos podem determinar o agravamento da doença mas, isoladamente, dificilmente são a causa da psoríase. Até 10% dos pacientes com psoríase possuem ideações suicidas.

Adriana Santos: Psoríase é consequência ou causa de depressão?

Rafael Moraes: A psoríase pode causar ou agravar uma depressão já estabelecida. A doença pode determinar um prejuízo psicológico e emocional em um indivíduo, nem sempre relacionado à extensão da doença cutânea. Sob o ponto de vista do paciente, a psoríase grave pode ser aquela que causa constrangimento, ansiedade ou interfere no relacionamento físico, social, como a prática de lazer ou esportes. No sentido de auxiliar o dermatologista a iniciar um tratamento sistêmico para casos de psoríase com repercussão psicossocial, foram criados índices para estimar objetivamente essa questão. Um deles é o DLQI (dermatology life quality índex), desenvolvido por Finlay & Khan (1994), que contém 10 questões relacionadas às experiências vivenciadas pelo paciente, na semana precedente. O questionário é autoaplicável, podendo ser utilizado para diversas enfermidades dermatológicas, antes e pós-tratamento.

Adriana Santos: Quais os sintomas da psoríase?

Rafael Moraes: A psoríase é marcada tipicamente por lesões avermelhadas e descamativas, eventualmente úmidas ou pustulosas, que podem acometer unhas, couro cabeludo, mucosas e articulações, além da pele. Coceira é sintoma eventual da doença.

Adriana Santos: Psoríase tem cura?

Rafael Moraes: Não há um medicamento que determine a cura definitiva da Psoríase. Os objetivos do tratamento são melhorar as lesões e controlar o quadro cutâneo pelo maior tempo possível, além de aumentar a qualidade de vida do paciente. Até 5% dos pacientes podem apresentar melhora definitiva das lesões espontaneamente ou após algum tratamento.

Adriana Santos: Qual o melhor tratamento contra psoríase?

Rafael Moraes: Há muitas drogas envolvidas no tratamento da psoríase e a eficácia de cada uma delas é variável, dependendo de cada paciente. Geralmente segue-se um protocolo que se inicia pelo uso de medicamentos tópicos e hidratantes, seguido de fototerapia e, em seguida, medicamentos sistêmicos. Sempre avaliam-se a gravidade das lesões, a repercussão psicossocial da psoríase, o risco e os benefícios das medicações envolvidas no tratamento. Orientações gerais também são muito importantes. A hidratação da pele é medida fundamental para evitar novas lesões e controlar o quadro em portadores da psoríase. Preconizam-se cuidados especial em relação ao banho: devem ter de 5 a 10 minutos, frio/morno, com uso de sabonetes brancos e neutros e sem o uso de buchas. Vale lembrar que a psoríase pode, eventualmente, ser desencadeada na pele atritada ou machucada. Tal fenômeno é conhecido como “fenômeno de Koeber” ou “fenômeno isomórfico”, daí a preferência da psoríase por locais como cotovelos e joelhos. Evitar fatores desencadeantes ou agravantes das lesões é de suma importância, entre eles: infecções bacterianas; distúrbios dos íons no sangue; determinados medicamentos; uso de bebidas alcoólicas e fumo; estresse.