06 jan 2020

Sintomas psicossomáticos: quando o corpo chora as dores da alma

O termo psicossomático foi utilizado pela primeira vez em meados do século XIX, do grego psico (mente) e soma (alma/corpo), criado pelo físico alemão Heinroth. Nesse sentido, a “doença psicossomática” tem origem na “alma”, mas com manifestação no corpo. São várias causas, entre elas:

Ansiedade e depressão;
Traumas de infância;
Situações de violência (física ou psicológica);
Trabalho em excesso;
Autocobrança exagerada;
Estresse pós-traumático.

Na verdade, toda doença humana é psicossomática, já que incide num ser que tem corpo e mente inseparáveis anatômica e funcionalmente. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que foi realizado em 15 cidades, apontou que cerca de 20% dos pacientes apresentavam no mínimo seis sintomas que não podiam ser explicados de forma clínica. Os sintomas aparecem, especialmente, em indivíduos com altos níveis de estresse e ansiedade. Funciona como um alerta do próprio organismo para avisar que algo está errado.

Conversei com o médico psiquiatra Bruno Brandão sobre o assunto. Confira:

Quais as doenças consideradas psicossomáticas pela ciência?

Não podemos falar em doenças consideradas psicossomáticas. Devemos falar em sintomas psicossomáticos que podem ser os mais variados: dores, desconforto abdominal, falta de ar, prurido na pele, queimação no estômago, etc.

Antigamente, a doença psicossomática só podia ser diagnosticada na ausência de alguma condição física que explicasse os sintomas. Por exemplo: se uma pessoa apresentasse uma dor em alguma articulação e fosse diagnosticada uma condição ortopédica, o diagnóstico de doença psicossomática não poderia ser considerado. Entretanto, no conceito atual, essa queixa deve ser considerada pelo médico. A pessoa tem uma doença identificável, mas não explica o “tamanho” da dor, por exemplo.

O tratamento de uma origem psicossomática necessita de um acompanhamento diferenciado?

Certamente sim! Esses pacientes de uma forma geral são mais sensíveis aos medicamentos. A base para o tratamento é a psicoterapia. Entretanto, esses pacientes relutam em acreditar que os sintomas apresentados tenham origem emocional. Nesse contexto, os clínicos e outros especialistas, com avaliações regulares, ganham importância transmitindo ao paciente a segurança necessária para seguir o tratamento.

Como identificar uma doença com características emocionais?

O diagnóstico é feito quando o paciente tem sintomas físicos na ausência de uma doença física que explique esses sintomas ou a intensidade desses sintomas.

Como explicar para o paciente que a doença tem origem emocional, já que muitos procuram a cura imediata?

Esse é um grande problema. Esses pacientes não costumam aceitar facilmente que seus sintomas são de origem emocional. Na grande maioria das vezes, buscam clínicos e outros especialistas. Exames físicos regulares, sempre tranquilizando os pacientes de que eles estão em dia com as avaliações. Nesses casos, uma boa relação médico-paciente é fundamental.

Considerações finais

Embora seja difícil entender e compreender esses sintomas que são vistos por muitos como “frescura”, de uma forma lógica, é importante ter em mente que o sofrimento é real. Respeitar a dor do sujeito e não subestimá-la é fundamental para um sucesso no Tratamento.