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Balão intragástrico ajuda na redução do peso e só é eficiente com mudança de hábitos

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Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde revela que o índice de brasileiros acima do peso segue em crescimento no país. Mais da metade de população está nesta categoria (52,5%) e destes, 17,9% são obesos, fatia que se manteve estável nos últimos anos. Os números são da pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que coletou informações nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

O balão intragástrico (BIG) é um recurso clínico de tratamento da obesidade que consiste na colocação de um balão de silicone no estômago por endoscopia, promovendo diminuição do apetite e aumento da saciedade. Quando bem indicado, proporciona uma valiosa oportunidade de reeducação dos hábitos alimentares e melhora da relação do indivíduo com a comida e seus impulsos de fome. É um método de tratamento usado há vários anos que se aprimorou nos últimos anos.

Dois tipos de balão intragástrico para reduzir a ingestão de alimentos ganharam aprovação do FDA, a agência de vigilância sanitária dos EUA. Os novos produtos, remodelados, podem ser usados por períodos mais longos que os já liberados.

Usados tipicamente por períodos de até seis meses, os balões podem agora ficar por mais de um ano no sistema digestivo dos pacientes, forçando um período maior de restrição calórica. Os modelos de longo prazo, que têm a finalidade de reduzir a obesidade, já haviam sido aprovados na Austrália, no Canadá, no México e na Índia. Desde julho, os americanos já aprovaram duas marcas do dispositivo médico.

Conversei com o Dr. Bruno Queiroz Sander sobre vantagens e desvantagens do método. Ele atua na área médica desde 2004 e é capacitado em tratamento, colocação e retirada de Balão intragástrico pela SOBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia). Além de médico, também foi usuário de balão de Novembro de 2011 a Maio de 2012

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Adriana Santos: Como é colocado o Balão Intragástrico?

Bruno Sander: O Balão intragástrico é feito de silicone e é introduzido dentro do estômago por via endoscópica, associado a uma leve sedação. Logo após a sua introdução, o balão é inflado com cerca de 400 a 700ml de soro fisiológico, corado com tintura de azul de metileno. A finalidade é reduzir a ingestão de alimentos pela diminuição da capacidade de reserva do estômago. Trata-se de um procedimento simples (endoscópico) e realizado ambulatorialmente. Não é necessário internação.

Adriana Santos: Quem pode colocar o balão?

Bruno Sander: O Balão intragástrico é indicado para pacientes com IMC maior que 27kg/m², ou seja, desde pacientes com sobrepeso até pacientes com obesidade.

Adriana Santos: Há limites de idade?

Bruno Sander: A idade mínima recomendada é de 14 anos. Não há limite máximo de idade.

Adriana Santos: Quais as vantagens do balão?

Bruno Sander: Uma vez inflado dentro do estômago, o Balão Intragástrico, além de ocupar parte do órgão, também estimula receptores do fundo gástrico que sinalizam para o sistema nervoso central (cérebro) dando a sensação de saciedade precoce. O espaço ocupado pelo Balão Gástrico, também age na diminuição da capacidade do reservatório gástrico. Estes dois mecanismos de ação levam a diminuição da quantidade de alimentos ingeridos e com uma alimentação saudável, induzem a redução do aporte calórico, ocasionando perda de peso e tratamento da obesidade.

Adriana Santos: Há riscos ao colocar o balão?

Bruno Sander: O risco do procedimento de balão intragástrico é semelhante ao risco de uma endoscopia diagnóstica convencional, ou seja, um risco muito baixo.

Adriana Santos: Quais as restrições para o uso do balão?

Bruno Sander: Pacientes que já fizeram qualquer tipo de cirurgia no esôfago ou no estômago não podem fazer uso do balão intragástrico. Ele também é contra indicado em gestantes.

Adriana Santos: Há acompanhamento médico e nutricional?

Bruno Sander: Para que o tratamento tenha um resultado mais favorável o acompanhamento com nutricionista e psicólogo é imprescindível, além da prática regular de exercício físico.

Adriana Santos: Quais as desvantagens?

Bruno Sander: Nos primeiros dias os sintomas de adaptação (vômitos e náuseas) são incômodos, mas toleráveis. Mas é necessário manter uma dieta líquida nos primeiros 07 dias para que estes sintomas sejam mais brandos e para que o paciente mantenha-se sempre hidratado.

Adriana Santos: Uma pessoa pode perder até quantos quilos com o uso do balão?

Bruno Sander: Os estudos têm demonstrado uma perda média de 20% do peso total ou de até 80% do excesso de peso, principalmente em pacientes com sobrepeso e obesidade Grau I.

Adriana Santos: Qual a duração do balão?

Bruno Sander: No Brasil são aprovados dois tipos de balão intragástrico, o de 06 meses e o de 12 meses. Portanto, no fim deste período o balão precisa ser removido (também por endoscopia) e o paciente precisa manter a reeducação alimentar e o exercício físico para não ganhar peso novamente. Caso seja necessário, pode-se fazer o uso do balão intragástrico por mais de uma vez.