09 maio 2019

Mortes por insuficiência cardíaca aumentam em adultos mais jovens

Arquivado em saúde

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Por Agência Brasil

As taxas de mortalidade devido à insuficiência cardíaca estão aumentando, e esse aumento é mais proeminente entre os adultos com menos de 65 anos, considerados como morte prematura, segundo um estudo da Northwestern Medicine.

O estudo utilizou dados da ampla gama de dados online dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças para Pesquisa Epidemiológica, que inclui a causa de morte subjacente e contribuinte de todas as certidões de óbito de 47.728 milhões de indivíduos nos Estados Unidos de 1999 a 2017. Pesquisadores analisaram a taxa de mortalidade ajustada por idade para adultos negros e brancos entre 35 e 84 anos que morreram de insuficiência cardíaca.

O estudo mostrou, pela primeira vez, que as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca vêm aumentando desde 2012. O aumento das mortes ocorre apesar dos avanços significativos nos tratamentos médicos e cirúrgicos para insuficiência cardíaca na última década.

O aumento no número de mortes prematuras por insuficiência cardíaca foi maior entre homens negros com menos de 65 anos de idade, e estima-se que 6 milhões de adultos nos Estados Unidos tenham insuficiência cardíaca. É a principal razão pela qual os adultos mais velhos são admitidos em hospitais.

“O sucesso das últimas três décadas em melhorar as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca está agora sendo revertido, e é provável que seja devido às epidemias de obesidade e diabetes”, disse Sadiya Khan, professora assistente de medicina na Escola de Medicina da Universidade Northwestern Feinberg e cardiologista da Northwestern Medicine.

“Dada a população em envelhecimento e as epidemias de obesidade e diabetes, que são os principais fatores de risco para a insuficiência cardíaca, é provável que esta tendência continue a piorar”, disse ela.

Dados recentes mostram que a expectativa média de vida nos Estados Unidos também está diminuindo, o que compõe a preocupação de Khan.

No próximo passo, os pesquisadores vão tentar entender melhor o que causa as disparidades na morte cardiovascular relacionada à insuficiência cardíaca.

O estudo foi publicado na segunda-feira no Diário do Colégio Americano de Cardiologia.

Northwestern Medicine é uma colaboração entre a Northwestern Memorial Healthcare e a Escola de Medicina Northwestern da Universidade Feinberg, que inclui pesquisa, ensino e assistência ao paciente.

12 jan 2016

Estudo analisa caça esportiva no Brasil, a partir de vídeos no Youtube

caçada

Reprodução/Youtube

Para avaliar a caça esportiva praticada no Brasil, identificar o perfil dos caçadores e analisar a opinião dos usuários da internet sobre o assunto, pesquisadores do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolveram um estudo científico, tendo como base conteúdo publicado no Youtube. A pesquisa, realizada desde 2014, teve os resultados publicados em artigo científico no volume 20 da revista Ecology Society.

Os autores do artigo argumentam que são necessárias ações do Governo para aumentar a vigilância ou legalizar programas de caça esportiva no Brasil. Segundo eles, essas ações poderiam contribuir para decisões políticas eficazes para a conservação da vida silvestre no país.

“Os vídeos representam uma fonte de dados importantes para suprir a demanda sobre o conhecimento da atividade de caça no Brasil. Percebemos que a maioria dos vídeos apresenta eventos de caça esportiva, aquela realizada pelo prazer da caçada e de consumir carne de caça, e não por necessidade de comida, por subsistência, a qual é garantida pela lei”, diz Hani Bizri, um dos autores do artigo

O pesquisador comenta que historicamente há exemplos bem-sucedidos de programas de caça esportiva, assim como programas com falhas que podem causar impacto às populações de animais silvestres. De acordo com Hani, essas experiências poderiam servir de base para traçar estratégias viáveis para a realidade brasileira.

Entre esses exemplos está a caça esportiva a fim de controlar populações de espécies nativas ou introduzidas, em crescimento populacional descontrolado. Como é o caso da autorização para caça do javali, espécie exótica no Brasil, concedida em instrução normativa do Ibama para controle da população e redução de danos ambientais e econômicos. A África também possui algumas iniciativas bem-sucedidas, em 23 países, que valorizam a caça esportiva, especialmente como atividade turística, contribuindo para geração de renda para as comunidades rurais envolvidas.

Em contraponto, muitas ações de governos geram polêmica e desequilíbrio ambiental. Como é o exemplo de programas de caça esportiva implantados no México, que em função de dificuldades de manutenção da infraestrutura, treinamento pessoal, entre outras, causam grandes impactos nas populações de animais caçados. No Brasil, já foi autorizado no passado um programa de caça esportiva para algumas espécies de ave no Rio Grande do Sul, que foi revogado cinco anos depois.

De acordo com Hani, a pesquisa levanta dados importantes para uma percepção sobre a atividade, e é possível inferir sobre alternativas para solucionar os impactos da caça esportiva no Brasil. “Para uma estratégia de conservação ser viável, ela precisa levar em conta as opiniões dos atores envolvidos. Seja qual for a estratégia adotada, ela tem que envolver uma melhoria substancial na fiscalização e monitoramento da caça no Brasil, especialmente em áreas protegidas, além de ações de conscientização ambiental”, afirma o pesquisador.

“Uma estratégia poderia ser a criação de programas de caça sustentável. A lei no Brasil prevê que espécies cinegéticas sejam estudadas e que, anualmente, sejam divulgadas listas das espécies que possam ser caçadas mediante autorização. Essa é uma estratégia polêmica e arriscada”, comenta Hani.

Na legislação brasileira, a caça esportiva já foi autorizada no passado, o que contribui para que a atividade se tornasse uma prática cultural no país. Mas, em 1967, a lei de proteção da vida silvestre criminalizou a caça de animais silvestres e a comercialização de produtos ou objetos que impliquem na caça, em todo o país.

Metodologia

Por meio de vídeos postados no site Youtube, a equipe pesquisou a veiculação da atividade de caça de mamíferos no Brasil, usando como chave para a busca a expressão “caça” + “nome do animal”. Entre os animais contemplados na pesquisa estavam anta, paca, tatu, queixada, catitu, veado e cutia.

Foram avaliados 383 vídeos, com mais de 15 milhões de visualizações no total. A maior parte dos vídeos foi publicada nos meses de julho e dezembro, coincidindo com os dois principais períodos de férias no país. A análise indica que os caçadores esportivos brasileiros são residentes urbanos, possivelmente de bom poder aquisitivo.

Para cada busca, foram analisadas as 10 primeiras páginas de resultados, e registradas informações como o local de postagem, a duração do vídeo, o número de visualizações, o método de caça utilizado, entre outras informações.

Categorias gerais foram definidas para os vídeos, que poderiam ser de propagandas de armas ou cães, de eventos de caça em si, com ou sem sucesso de abate, ou vídeos de instrução, relacionadas às técnicas de caça e uso de instrumentos. Os 20 primeiros comentários foram considerados e classificados como contra ou a favor da atividade de caça. A partir daí outras categorias foram delimitadas, como comentários que citam a ilegalidade, a imoralidade, ou se criticam a atividade em si.

Além de Hani, também assinam o artigo científico Thaís Morcatty, Jéssica Lima e João Valsecchi, que integram a equipe do Instituto Mamirauá.

Com informações da Assessoria de Comunicação / Instituto Mamirauá