06 fev 2019

O maquiador oficial da Natura ensina a técnica e conta como deixar a pele com ar mais natural

Arquivado em Comportamento

contorno

“O contorno é sobre valorizar as áreas de luz e sombra do rosto”, explica Marcos Costa, maquiador oficial da Natura. Essa técnica existe há muito tempo na maquiagem, mas ganhou fama nas mãos das irmãs Kardashian, com um contorno bem delineado e marcante.

A técnica do contorno é ótima para realçar as características do rosto de que você mais gosta. Para quem não é expert em maquiagem, o contorno pode parecer algo de outro mundo. E até conseguir acertar, a sensação é realmente essa. Por outro lado, uma versão mais leve dá o ar natural para a maquiagem e pode ser incorporada em sua rotina de beleza. Confira as dicas do Marcos Costa para conquistar uma make natural e, ainda assim, brincar com o jogo de luz e sombra no rosto.

Áreas de sombra

Para encontrar as áreas de sombra do rosto, preste atenção nos próprios contornos: têmporas, topo da testa, parte inferior da face, as maçãs, as laterais do nariz e região mais baixa do queixo.

Áreas de luz

Já os locais que devem ser iluminados – ou seja, atrair a atenção para esses pontos – são o triângulo abaixo dos olhos, o arco superior, o meio da testa, o “gordinho” do queixo e a ponta do nariz.

Quais produtos escolher

Não precisa se preocupar com uma lista infindável de cosméticos para fazer um bom contorno. Tudo o que você precisa são apenas dois produtos com tons diferentes: pode ser a base, um corretivo, pó compacto ou até mesmo blush bronze (principalmente quem tem pele clara ou médio-claro). A Base 3 em 1 FPS 12, de Aquarela, é ótima para o contorno.

Tom certo

A técnica funciona melhor com produtos que têm um tom acima e um tom abaixo do da sua pele.

O certo é achar as nuances: você vai subir uma cor para fazer o contorno”, conta Marcos.

Esfume sempre

O truque certeiro do contorno é sempre esfumar bem para misturar os diferentes tons e não deixar o rosto marcado, criando uma maquiagem mais artificial. Marcos afirma que você pode usar tanto as mãos quanto um pincel: o melhor é se sentir confortável e conseguir distribuir o produto uniformemente.

Finalização

O pó compacto pode ajudar a finalizar a pele. Porém, cuidado com o excesso. Às vezes, somente a base ou o corretivo já corrigem os tons e também cuidam da aparência natural da pele. Se quiser, finalize com um toque de blush.

Os produtos acima podem ser encontrados na Rede Natura.

01 fev 2019

Vamos conversar sobre relação médico-paciente?

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Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns profissionais mais antigos e resistentes aos modismos de cada época ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço da tecnologia dura, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Será? São hipóteses. Inclusive, estou pesquisando sobre o assunto, por meio de uma pesquisa online. Se puder me ajudar, acesse AQUI.

livroEntrevistei o coloproctologista e curador do Centro de Memória da Faculdade Ciências Médicas, Geraldo Magela Gomes da Cruz.  Ele também é autor do livro “Câncer no reto: meu paciente e eu”.  “O livro relata a história de dez pacientes (todos já faleceram) que me marcaram muito e foram exaustivamente discutidos no Ciclo Psicanalítico de Minas Gerais”, esclarece.

Sobretudo nas décadas de 60 e 70 os cânceres retais baixos e mesmo de reto médio (alcançados pelo toque retal) eram operados sem muita tecnologia. Diagnosticado o câncer retal baixo ou médio o paciente era submetido a uma cirurgia altamente mutiladora, levando o paciente, com frequência, a impotência sexual e bexiga neurogênica (ora retenção ora incontinência urinária).

Em seu desespero, o paciente procurava respostas e ajuda do médico, que quase sempre se resumiam a palavras rápidas de consolo e encaminhamento ao oncologista (na década de 60 e 70 estava iniciando a especialidade). E, em seu desespero, o médico se sentia impotente para lidar e ajudar o paciente. Tratava de “se livrar dele”, encaminhando-o ao psiquiatra, ao clínico, que também não tinham a menor ideia de como ajudar. O médico já entrava em pânico quando via o paciente amputado na sala de espera do consultório. Como tudo era empírico, as mentiras ficavam soltas: “a colostomia vai ser revertida quando seus eosinófilos atingissem 50% no sangue circulante”, dentre outras tantas. Hoje, com o Google, isto não seria possível, porque o paciente veria que o normal no sangue circulante é 3%, e, excepcionalmente atinge 10 ou 15% em estados alérgicos e imunológicos especiais.

“Esta situação passou a me incomodar de forma cada vez mais marcante. Primeiro porque, na verdade, trocava uma doença (câncer) por outras insuportáveis (colostomia, ausência de ânus, etc); e em segundo lugar porque não tinha condições de dar ao paciente algo em troca da mutilação que nele fizera. Sentia-me devedor”, conclui o curador.

Adriana Santos:  Qual a importância do aprimoramento das técnicas de comunicação por parte dos médicos no atendimento clínico, principalmente com a proliferação das redes sociais?

Geraldo Magela: Independentemente de ser médico e de estar atendendo, é importante dominar a relação com a mídia e entender sobre as redes sociais, porque já é parte da nossa vida. Se você não integra no meio midiático, você está alijado do convívio social. No que se refere ao atendimento ao paciente, ele hoje em dia não suporta esperar por uma resposta do médico. Ele quer uma resposta para suas dúvidas ou alívio para sua dor agora! Perdemos a noção de tempo e de espaço: todos estamos ligados instantaneamente e independente de onde estejamos. Parece que o médico está presente e disponível o tempo todo! Por isso, é importante aprimorar e saber usar os métodos de comunicação, se não vai estar fadado a permanecer desatualizado e alheio às tendências.

Na sua opinião, por que que muitos médicos têm dificuldades em estabelecer vínculos com seus pacientes?

Esta dificuldade pode vir de dois lados, o primeiro lado é da própria formação dos médicos enquanto seres humanos que são: como seu sistema neuropsicogênico foi formado pelo desejo e condução de seus cuidadores. Os médicos não tiveram infâncias iguais e sabemos que esta fase do ser humano marca todo seu futuro em relação com o outro (no caso o paciente é o outro). Em segundo lugar, porque não encontra motivação: falta de reconhecimento pelo trabalho, baixa remuneração, condições de trabalho precárias, a insatisfação com honorários pagos pelo SUS e pelos convênios.

Como a comunicação pode ajudar os médicos a recuperar o vínculo perdido com seus pacientes?

Se a comunicação for midiática, eu acredito que nunca. Se o médico não consegue manter uma boa relação médico-paciente na presença dele, na ausência, por meio de um site de relacionamento, por áudios, vídeos e imagens, jamais conseguirá. Repito: relação médico-paciente é um caso de amor, de respeito, de compreensão. Tem que haver a presença. Há um mal necessário: a interposição de SUS e planos de saúde entre o médico e o paciente. Digo “mal necessário” porque a medicina está caríssima e acima do poder aquisitivo da grande maioria dos brasileiros.

O que é humanização no atendimento médico na sua opinião?

Para mim, humanização no atendimento médico é o médico agir de tal forma com o paciente, que mesmo no meio de 20 outros pacientes na sala de espera cada um tenha certeza de que ele é o mais importante. Para isto o médico tem que estar satisfeito com o retorno de sua profissão. Esta resposta é uma resposta singela de um médico! Esta mesma pergunta terá respostas diferentes se formuladas para o Ministério de Saúde, para o SUS e para os planos de saúde.

Você acredita que as redes sociais podem aproximar médicos e pacientes?

Pode, mas é uma aproximação muito superficial. Não é uma aproximação de contato. E pode acontecer o oposto: afastar, em decorrência da superficialidade do contato. Eu não acho que é a rede social que vai aproximar. A rede social vai facilitar a relação, em tempo (imediatamente) e espaço (seja lá onde o médico estiver). O paciente que está com dor não pode esperar um médico atender um telefone fixo 3 ou 4 horas depois, é preciso que ele atenda o Whatsapp ou SMS e na hora dê uma solução orientação.

Quais os cuidados que os médicos devem ter na hora de usar as redes sociais?

Muito cuidado. Todo cuidado é pouco! Como coloproctologista já recebi imagens de clientes mostrando-me hemorroidas edemaciadas ou trombosadas, perguntando-me o que fazer. Imagine se tais coisas vazem. Algumas especialidades são potencialmente mais vulneráveis, como a minha, a ginecologia, a urologia, a andrologia, a obstetrícia. São imagens enviadas por pacientes pela por mídia eletrônica. Mas, há o perigo também para o médico: ser vítima de divulgação de áudio e vídeo sem anuência dele! Então, é necessário muito cuidado porque você não sabe quem vai acessar e quem vai mostrar o que foi escrito, ou que foi fotografado.

As redes sociais podem ajudar na humanização do atendimento médico?

Nunca! As redes sociais podem é facilitar, tornar o atendimento não presencial mais rápido, substituir a relação direta médico-paciente. Mas, não melhorar e humanizar. Humanizar inclui estar presente, é o paciente sentir a mão do médico em seu ombro, sentir o apoio. Todos os sentidos têm que estar envolvidos na presença do paciente: o olhar, a escuta o contato físico. Até os jeitos e trejeitos do paciente podem ser úteis na relação médico-paciente. A relação médico-paciente é um ato de amor: não pode ser virtual. Tem que ser presencial. Um vídeo, um áudio ou mensagens do google não podem substituir a presença dos dois.