28 mar 2019

Quem você deve procurar ao se decidir pela “harmonização facial”

Arquivado em Beleza, Comportamento

face

A harmonização facial ganhou os holofotes e aumenta a procura por profissionais que realizem o procedimento. Com o intuito de garantir a segurança dos pacientes, a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Minas Gerais (SBDM MG) está esclarecendo pontos importantes sobre o tema.

A presidente da SBD MG, Rachel Guerra de Castro, esclarece que a harmonização facial compreende diversos procedimentos estéticos combinados, que visam melhorar a aparência do rosto, envolvendo pele, tecidos, músculos, gordura, nervos e vasos. “O médico está preparado para uma adversidade, como um possível quadro alérgico ou uma oclusão vascular. Infelizmente, o que vemos é uma corrida no mercado onde não médicos querem atuar apenas com vistas ao lucro, além da abertura de diversos cursos de curta duração que estão multiplicando e não são capazes de formar adequadamente essas pessoas”, afirma.

A dermatologista alerta: “Estamos preocupados com esta questão. O médico, ao se tornar um especialista, seja na dermatologia ou na cirurgia plástica, se prepara para atuar frente a possíveis complicações clínicas. Para que não ocorra danos ao paciente e até mesmo risco à sua vida, é necessário um treinamento abrangente, que o dermatologista e o cirurgião plástico só adquirem durante a Residência Médica”, alerta a presidente da SBD MG.

A formação consiste de dois a quatro anos, em período integral (full time), no Hospital Escola, com uma carga horária de 60 horas semanais. Ao final, soma-se mais de 20 mil horas de treinamento. Por outro lado, profissionais não médicos estão ‘aprendendo’ essas técnicas, de acordo com Castro, no que eles chamam de pós-graduação, um ou dois dias por semana, com uma carga horária de 300 ou 400 horas, quando muito. “O que de forma alguma qualifica esse profissional para realizar um procedimento invasivo.”

Segundo a diretora de mídia eletrônica da SBD MG, Gisele Viana de Oliveira, há casos na mídia em que a paciente divulga ter sido submetida a um preenchimento com ácido hialurônico, realizado por um não médico, sobre procedimento anterior com material definitivo. “Nenhum médico faria tal barbaridade, uma vez que a associação é absolutamente contraindicada por implicar no risco de rejeição do material.” Ela acrescenta, que o desejo de melhorar a aparência, aliado às manobras de marketing, acabam iludindo os pacientes. “É comum ouvirmos que os procedimentos estéticos são fáceis, banalizando o ato médico, sua complexidade e riscos.”

Em fevereiro, a Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) protocolaram uma ação civil pública contra a medida do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que autorizava os dentistas a realizarem a harmonização orofacial, o uso da toxina botulínica e de preenchedores faciais.

ORIENTAÇÃO À COMUNIDADE

Para maior segurança dos pacientes, a SBD-MG lista alguns pontos importantes que devem ser considerados por quem deseja se submeter à procedimentos estéticos:

·Não siga o modismo. Apenas o médico será capaz de realizar uma rigorosa avaliação para indicar corretamente os procedimentos adequados, solicitar exames se necessários e identificar outras questões que possam resultar em problemas como manchas, assimetrias faciais temporárias e lesões neutrais e/ou vasculares irreversíveis;

·O dermatologista e o cirurgião plástico almejam o melhor resultado estético, priorizando a promoção de saúde e o bem-estar para o seu o paciente;

·Na área da odontologia, é importante frisar que nem todos são cirurgiões, e que não podem fazer intervenções na face do paciente, conforme a própria legislação;

·No caso das propagandas no Instagram e Facebook verifique se o profissional é médico, especialista em dermatologia ou cirurgia plástica. Algumas vezes, os profissionais que não são médicos não deixam claro a sua formação.

· Cuidado com as promessas milagrosas e os antes e depois. Fotos podem ser facilmente alteradas e milagres não existem. Busque segurança e qualidade. De acordo com o Código de Ética Médica os médicos estão proibidos de publicar antes e depois. Portanto, desconfie!

·Os profissionais médicos sempre se apresentarão com o número do seu CRM e, no caso dos especialistas em dermatologia e cirurgia plástica, com o número do seu RQE (Registro de Qualificação do Especialista). Você pode consultar junto às entidades das especialidades e verificar se este médico é mesmo um especialista.

·A ética médica é muito importante e os Conselhos Regionais de Medicina podem ser acionados. Tire todas as suas dúvidas com o médico antes de realizar qualquer procedimento. Avalie todas as possibilidades e os recursos disponíveis no local do atendimento.

·Em caso de dúvida procure a Sociedade Brasileira de Dermatologia: http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/procedimentos/