03 jan 2019

Idosos devem ficar atentos aos cuidados da pele

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Por: Teresa Noviello, dermatologista membro da SBD e diretora da Clínica Teresa Noviello

O processo de envelhecimento humano provoca um grande número de mudanças fisiológicas, e um dos órgãos que mais sofre com o avanço dos anos é a pele. Os principais problemas que podem atingir a pele na terceira idade incluem a queda na capacidade de formação de colágeno, elastina e ácido hialurônico; a diminuição das glândulas sudoríparas; e a baixa na produção de secreções por parte das glândulas sebáceas. A junção destes fatores aliados a condições externas, como a exposição solar, negligência a hidratação, tabagismo, estresse, poluição, sedentarismo, consumo exagerado de gordura e açúcares, contribuem para que a pele apresente alterações na fase idosa, como ressecamento, marcas e sinais.

Os problemas de pele que mais atingem a pessoa idosa podem abranger desde condições de menor gravidade, como as dermatites e manchas, até doenças mais graves, como o câncer de pele. A dermatite, apesar de não ser uma condição específica desta faixa etária, aparece exatamente quando a pele vai perdendo sua hidratação e oleosidade natural. Quando muito desidratada, repercute em coceiras intensas. Em alguns casos, essa situação pode levar a um processo de escoriações e infecções secundárias, pois a unha é uma região de grande contaminação bacteriana.

Oriento que o hábito da hidratação deve ser adotado desde cedo e intensificado durante o envelhecimento. Pessoas que ingerem bastante líquido no transcorrer do dia e fazem o uso constante de um bom creme hidratante terão maior facilidade em manter o aspecto saudável da pele em idades mais avançadas.

Com o passar dos anos, é muito comum nos depararmos com um outro problema, as manchas. Sejam elas escuras, brancas ou acastanhadas, todas devem ser observadas e tratadas de maneira adequada. Manchas escuras ou amarronzadas podem caracterizar casos de melanoses solares, que normalmente surgem em decorrência da exposição excessiva ao sol no decorrer dos anos. Estes tipos de manchas podem ser amenizados pelo uso diário de clareadores e protetor solar, específicos para cada tipo de pele. Elas ainda podem ser tratadas em sessões de laser e peeling.

Outro problema comum e que surge com a progressão da idade são os angiomas. Sem uma causa específica, eles se apresentam em forma de bolinhas vermelhas ou pápulas de sangue. Os sinais do angioma podem ser removidos de maneira eficaz e sem a formação de cicatrizes por meio do uso da eletrocauterização ou mesmo pela realização do shaving, que é um cortezinho cirúrgico.

As ceratoses também são manchas senis bastante recorrentes em pessoas idosas. As lesões dessa condição surgem com o passar do tempo e se dividem em duas categorias, seborreica e actínica. A primeira é caracterizada por manchas acastanhadas com casquinhas que podem atingir diversas áreas, até mesmo as que recebem pouca luz solar. Já a ceratose actínica é constituída por lesões brancas com casquinhas e possui grande relação com a exposição solar. O tratamento pode ser feito através da eletrocauterização ou por meio de outros procedimentos específicos.

Dividido entre o carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma, o câncer de pele pode ser descoberto através de manchas e pintas na pele. Nos dois primeiros casos, os pacientes devem ficar atentos a lesões com feridas que não cicatrizam após um longo período de tempo. Dentre os três tipos, o melanoma se apresenta como o mais perigoso, pois pode causar metástase. Ele é normalmente apresentado por pintas escuras e assimétricas, com bordas irregulares ou entalhadas. Essas pintas começam pequenas e pretas, e com o tempo mudam de tamanho, forma e cor. Em algumas situações, as lesões podem coçar e sangrar. O tratamento é a retirada cirúrgica dessa lesão e uma avaliação anatomopatológico, para ver se não teve nenhum grau de comprometimento ou invasão de tecidos.

Ressalto que a avaliação geral da pele deve ser feita ao menos uma vez ao ano com o dermatologista. Avaliar suas pintas junto a um bom profissional é de suma importância para os casos de melanoma, pois o diagnóstico precoce pode significar um aumento das chances de cura.

06 fev 2018

Cerca de 40% dos idosos já perderam todos os dentes

saude-bucal-idosos-750x354De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 41,5% das pessoas acima dos 60 já perderam todos os dentes. “Estes dados são alarmantes. É preciso compreender que, se há os devidos cuidados orais, é possível diminuir a perda dental e chegar à terceira idade com grande parte dos dentes naturais. Em casos de perda de dentes, o ideal é substituí-los por implantes, evitando o uso de próteses removíveis”, afirma Dr. Paulo Coelho Andrade, mestre e especialista em implatodontia e odontologia estética.

O profissional conta que o envelhecimento aumenta o risco de vários problemas orais como a gengivite, doença periodontal, cárie de raiz, diminuição da saliva, entre outros. “Com a idade, os dentes costumam ficar mais sensíveis, pois é comum ocorrer a retração gengival ao longo da vida, deixando a raiz exposta. Higiene bucal inadequada, fumo, estresse, doenças sistêmicas também podem contribuir para problemas gengivais”, explica. Para prevenir estes problemas e conseguir manter a saúde bucal em dia, Dr. Paulo dá algumas dicas:

. Uma alimentação saudável faz bem para o organismo como um todo, incluindo a boca e os dentes. Consumir alimentos in natura e evitar açúcar e industrializados ajuda a manter a boa saúde oral;

. A hidratação é essencial, principalmente na terceira idade, onde os níveis de água no corpo são drasticamente inferiores. Beber muita água ajuda na produção de saliva, diminuindo a proliferação de bactérias na boca;

. A utilização de escovas de cerdas macias minimiza a retração natural da gengiva que costuma ocorrer ao longo da vida. Suavidade na hora da escovação também ajuda a diminuir o problema;

. Dar preferência a pastas de dente com flúor e que amenizam a sensibilidade. Evitar cremes que clareiam os dentes, pois são abrasivos. Utilizar o fio dental depois das principais refeições;

. Praticamente todas as doenças bucais, se descobertas e tratadas no primeiro estágio, são reversíveis. As visitas periódicas ao dentista – de 6 em 6 meses – asseguram a boa saúde oral;

. As coroas e pontes são utilizadas para reforçar dentes danificados e substituir os extraídos. No caso de dentes desgastados pelas erosões dentárias ou até bruxismo, as facetas são uma excelente alternativa para harmonizar a estética oral. Os cuidados diários devem ser os mesmos tomados com os dentes naturais: escovar e usar fio dental após as refeições;

. No caso do uso de próteses removíveis – dentaduras – a pessoa também deve escova-las após as refeições com uma escova macia e um creme dental específico. Há diversos produtos no mercado que auxiliam na higienização das mesmas. Entretanto, para manter uma verdadeira saúde oral e do organismo de forma geral, o ideal é substituí-las por implantes com próteses fixas, que garantem uma boa mastigação e não provocam perda óssea.

07 abr 2016

Morremos quase todos os dias e nem percebemos

Arquivado em Espiritualidade, Idoso, opinião
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Pensar a velhice não é muito confortável, principalmente em tempos modernos de sentimentos líquidos e, muitas vezes, cambiáveis. Valemos menos quando temos mais rugas no rosto e mais calos na mão. Também lamento imaginar, por exemplo, meu filho adolescente de 14 anos desfrutando, no futuro, o convívio com os meus bisnetos, seria a mesma coisa que plasmar minha ausência. Confesso que não tenho a pretensão de viver tanto tempo assim, já que engravidei bem pertinho dos 30 anos e meu filhote não pensa em encarar choro de criança antes dos 40 anos, mas fica um lamento no ar. Os jovens de hoje tendem a adiar cada vez mais a maternidade e a paternidade.

Nas sociedades ocidentais, a velhice é o “fim do caminho”, é indesejável, é impróprio para os negócios. Talvez porque temos a sensação exata que estamos perto da morte física. Para a maioria dos jovens, a morte não existe ou é improvável. No entanto, envelhecer é o processo natural da vida. A morte não é o contrário da vida, mas a oportunidade de uma nova forma de consciência. Além disso, convivemos com a morte desde sempre. Morremos quase todos os dias e nem percebemos. Você duvida?

A cada cinco dias, temos um revestimento interno do estômago. Ganhamos um novo fígado a cada dois meses. Nossa pele se repõe a cada seis semanas. A cada ano, 98 por cento dos átomos de nosso corpo são substituídos. Essa substituição química ininterrupta, o metabolismo, é um sinal seguro de vida.

É a nossa poesia interna (autopoese) nos ensinando que quanto mais morremos, mais estamos vivos. Estas informações preciosas estão em um dos livros mais lindo que a vida me possibilitou ler sobre a morte: (O QUE É VIDA? de Lynn Margulis e Dorion Sagan.

Além da morte física de cada dia, morremos também emocionalmente, por meio de mudanças de consciência. Às vezes ficamos altruístas, generosos, sábios, pacientes, evoluídos, mas acontece também o contrário. Muitos não conseguem renovar os sonhos, ideais, virtudes e ficam no sofá esperando a morte chegar.

Não somos mais sábios porque estamos mais velhos, não somos mais éticos porque estamos mais velhos, não somos mais generosos porque estamos mais velhos. Envelhecer não é uma questão moral ou meramente materialista, mas, talvez uma grande oportunidade de superar os desafios da vida por meio da mudança de consciência. A renovação no planeta Terra não é pela morte, mas pela transformação. O envelhecimento é uma chama divina, um convite para novas formas de “estar” no mundo. No entanto, devemos enterrar o que é realmente velho; como a corrupção, a falta de ética, a humilhação, o medo, o desespero, a inveja, o racismo, a pobreza.

Envelhecer é um ponto de vista diante de várias possibilidades. Que saibamos envelhecer com os olhos dos sábios, com a alegria dos apaixonados, com a experiência de vida e com grandeza do Universo.

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