04 set 2016

Xamanismo: prática espiritual mais antiga da humanidade

velho chico 2

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No capítulo 136 da novela Velho Chico da TV Globo, exibido no dia 19/08,  Santo ( personagem de Domingos Montagner) é tratado e curado por índios em ritual. Em uma oca, um pajé usa ervas e faz um ritual para que Santo melhore. Mas no meio do tratamento, um índio avisa que o filho de Piedade (Zezita Matos) é procurado e precisa sair da aldeia. O pajé se recusa a deixar Santo ir embora por causa da gravidade dos ferimentos: “Corpo bom, alma doente. Se sair assim, alma morre e corpo morre também”.

O ritual indígena representado na novela é conhecido como Xamanismo. Conversei com Wagner Frota, o “Jaguar Dourado“. No livro “Xamanismo Visceral” ele relata uma parte de uma jornada pelo Caminho Xamânico, realizando uma série de viagens pela África, Amazônia e Montanhas Andinas, onde teve contato com tradições nativas. Wagner narra também a busca incessante do encontro com a própria Sombra, despertando assim o Guerreiro Interior.

wagner

Adriana Santos: Aloha! O que é Xamanismo?

Wagner Frota: Acredita-se que Xamanismo é a prática espiritual mais antiga da humanidade, porém este Caminho Sagrado é muito mais que isso. Xamanismo é uma abordagem da realidade alternativa a esta que temos hoje, uma forma de se relacionar com outras realidades dentro de paradigmas completamente diferentes. Podemos dizer que o Xamanismo vem da origem dos tempos, daquele período misterioso quando o ser humano ainda está surgindo e sabíamos conversar com os animais, com as plantas, com as montanhas e serras, com os rios e lagos, com os ventos, quando contávamos nossos segredos a eles e eles contavam seus segredos para nós, quando vivíamos em harmonia com a Vida e a Vida nos fortalecia. Ele foi mantido e desenvolvido pelos povos nativos mas não vem deles, passou por eles, vem da aurora dos tempos.

Adriana Santos: Qual a função espiritual do Xamã em uma tribo indígena?

Wagner Frota: Basicamente é a de manter a harmonia entre os indivíduos e de toda a comunidade, utilizando-se para isso uma série de cerimônias e ritos xamânicos que visam a cura espiritual, emocional, física e mental. A função do xamã é a de controlar o incontrolável, transformar o sagrado aterrador em uma força terapêutica, buscar almas perdidas dos enfermos subindo até as estrelas por meio de cordas mágicas, cavalgando o arco-íris, ou viajando até a terra dos mortos. Se quisermos uma definição sintética da função do xamã nas culturas mundiais, devemos dizer que este é a ponte entre o aspecto visível e a contraparte invisível da realidade, ou seja, entre “corpo” e “alma” de todas as coisas. Entre o microcosmo e o macrocosmo, entre o humano e o sagrado.

Adriana Santos: Como é o despertar de um Xamã?

Wagner Frota: O xamã é escolhido a partir de um “chamado divino”, geralmente durante uma doença grave ou um acidente, podendo também trilhar esse caminho através de uma herança, ou por aprendizado. Em qualquer um desses casos, logo após a sua eleição, o xamã entra num estado alternativo de consciência, num coma profundo, no qual é levado para a caverna dos antepassados. Sua cabeça é então retirada do corpo, seus olhos lavados para que possa “ver”, seus membros arrancados, e o resto do corpo cortado em muitos pedaços que são jogados nos quatro cantos do mundo. Esses pedaços são comidos pelos demônios de todas as doenças, e isso, posteriormente, vai outorgar-lhe o direito de cura de todas as doenças. Ao final, seu corpo é refeito; porém, sempre faltará um ossinho, perdido e jamais encontrado, para dar a ele a dimensão da sua imperfeição e, portanto, da sua humanidade.

Adriana Santos: Como o Xamanismo pode nos orientar na busca espiritual

Wagner Frota: Oferecendo as técnicas necessárias para que possamos trilhar um caminho que nos leve a respeitar toda a Vida e viver em Harmonia com a Natureza.

Adriana Santos: Os índios acreditam em Deus?

Wagner Frota: Se for a figura do Deus das religiões patriarcais, a resposta é negativa. Os povos nativos que ainda praticam o Xamanismo celebram a vida, os ciclos da natureza, mas o celebrar não é adorar, não é prestar culto ou submissão a um ente superior, para o Xamanismo tudo está interligado, assim tudo é igualmente sagrado, um xamã se ajoelhando na terra não estará demonstrando “temor” a um ente superior, está se aninhando no seio da Mãe, se aconchegando na fonte de onde tudo provém, a Mãe Terra.

Adriana Santos: Como as tradições xamânicas podem ajudar na cura física?

Wagner Frota: Xamãs são grandes conhecedores dos usos das ervas, e das forças elementais, além de ao entrarem num Estado Xamânico de Consciência Ampliada terem acessos a outros mundos, onde obtém a cura necessária para o seu paciente ou toda a tribo.

Adriana Santos: O que são animais de poder e como conseguir a conexão desejada?

Wagner Frota: Infelizmente hoje a moda do Xamanismo é “chamar o animal de poder”, tocando um tambor ou ouvir o som de um gravado para entrar em alfa e pronto, e depois de meia hora se imagina um animal, geralmente um animal fashion. Afirmo, como estudioso do Xamanismo, que isto é falso, que nada tem a ver com a profunda e transformadora experiência que é ir ao animal de poder, porque não “temos” um animal de poder, somos nosso animal como este animal é a gente, numa relação muito complexa onde descobrimos que somos seres que existimos em muitas facetas e dimensões diferentes simultaneamente.

Adriana Santos: Por que alguns animais são considerados sagrados?

Wagner Frota: Cada tradição xamânica consideram determinados animais como sagrados e os representam como um totem da tribo, para as direções e representantes de cada estação. Muitas das mitologias nativas narram que um determinado povo é descendente de um determinado animal e por essa razão o considera sagrado. Só para complementar a pergunta de número 7, gostaria de dizer que um animal de poder é evocado em um rito, num lugar ermo, com grande fogueira que não pode se apagar durante todo o rito, quem vai ritualizar jejuou, suou, já se harmonizou com sua árvore de poder, sua pedra de poder e só então vai percorrer a perigosa trilha até o animal de poder.

Adriana Santos: Qual a força espiritual do Jaguar e da Águia, por exemplo?

Wagner Frota: Cada animal tem sua medicina e a compartilha com o xamã. A águia nos ensina principalmente a ver as coisas de cima, de forma holística, já o jaguar nos ensina a vermos sem sermos vistos, a trilhar o caminho da espreita e do guerreiro.

Adriana Santos:  O ritual xamânico deve ser feito apenas por índios e iniciados?

Wagner Frota: Todo e qualquer ritual xamânico só deve ser realizado por um xamã, ser índio não significa poder fazer e manter um ritual. Já uma cerimônia, pode ser conduzida por um nativo, mas de qualquer maneira ele tem que ter dito um treinamento para tal. Vamos esclarecer o que vem a ser um ritual e uma cerimônia, para que faça mais sentido o que eu falei. O ritual é usado para alterar o status quo, perturbar a ordem das coisas, e para criar o caos, quando necessário. Já a cerimônia é utilizada para restaurar ou reforçar o status quo, aterrando as pessoas na ordem certa das coisas (leis naturais) e fortalecimento da comunidade. O ritual é o domínio do xamã, mágico e feiticeiro. A cerimônia pode ser usada por qualquer sacerdote ou líder espiritual que tem as habilidades para se conectar e envolver-se com as energias invisíveis.

06 ago 2016

Cerimônia de Abertura desperta a luz do brasileiro

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OPINIÃO Sou uma otimista por natureza. Tenho signo do fogo. Dizem que os sagitarianos são solares. Sempre acreditei que moro no melhor país do mundo, cercado pela natureza mais exuberante do planeta. Por isso,  a certeza que o Brasil tinha muito o que mostrar na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas Rio de Janeiro 2016. Só que fui surpreendida pelo tamanho da importância do momento simbólico – que reuniu milhares de pessoas no Maracanã e bilhões de telespectadores pelo mundo. Um evento planetário.

Foi uma explosão de amor e de  símbolos. Um banho de autoestima. Um afago na alma. Um sopro de esperança. Um exemplo de superação e cooperação. Não tenho dúvidas, foi o maior espetáculo da Terra.

A nossa história foi revisitada pelo melhor ângulo. A força da maloca trouxe o índio para dentro da nossa memória afetiva. O avião de Santos Dumont nos fez lembrar que podemos voar com as asas da criatividade. Paulinho da Viola cantou o hino nacional com a serenidade dos que acreditam que a paz é interna. Gisele nos revelou uma beleza para além das aparências.

A diversidade revelada por meio da representação das manifestações culturais foi unificada pelos aplausos. Anita esteve ao lado das feras da música brasileira -Caetano e Gil, mas sua juventude esteve tão presente que nos encantou. É tão bom ver a simplicidade dos jovens, como Anita, que sonham e não têm medo de ser feliz. A veterana Fernanda Montenegro me fez arrepiar com o texto primoroso do mineiro Carlos Drummond Andrade. A apresentação da Delegação dos Refugiados foi uma demonstração de solidariedade sem fronteiras. Tirei o chapéu para a apresentação dos nossos atletas. Somos muitos. Somos mais.

construçãoO Brasil, país belo por natureza, deixou uma mensagem elegante sobre a importância da preservação do meio ambiente. O sonho da Floresta dos Atletas foi a semente plantada na consciência dos novos humanos. Estamos em obras… E os voluntários estão por toda parte. Que possamos ter tranquilidade na travessia dos momentos mais difíceis. Não devemos temer o velho homem, mas construir os alicerces para a chegada do novo.

A Chama Sagrada Olímpica foi acesa. O sol não desaparece quando a noite chega. Fomos agraciados pelo espírito esportivo.

02 ago 2016

Saiba mais sobre o símbolo das Olimpíadas no Brasil e outros mascotes

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A onça-pintada foi escolhida como mascote da delegação brasileira nas Olimpíadas  pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Ginga foi o nome escolhido para representar o maior felino das Américas, também conhecido como jaguar. É bom lembrar que os nossos atletas são feras e esperam a nossa torcida!

O símbolo da identidade do país sede é geralmente um animal representante da biodiversidade local. Quem não se lembra do urso Misha, mascote das Olimpíadas de Moscou (1980)? Um charme! (obs: pessoas com mais de 35 anos pelo menos). O tempo voa…

Misha foi usado extensivamente durante as cerimônias de abertura e encerramento, virou desenho animado e apareceu em diversos produtos. Atualmente, uma boa parte do merchandising dos Jogos é voltada para o uso dos mascotes, focando principalmente o público jovem.

Além da celebridade Misha, as Olimpíadas contou também com as presenças ilustres de cachorro (Munique 1972), Castor (Montreal 1976),  lobo (Sarajevo 1984), águia (Los Angeles 1984), dois ursos polares (Calgary 1988), tigre (Seul 1988), 4 corujas (Nagano 1998), Lebre americana, coiote e urso negro  (Salt Lake City 2002), peixe, panda gigante e andorinha (Pequim 2008), hibrido de urso, orca e urso-negro (Vancouver 2010).

A ONÇA

Símbolo da fauna brasileira, a onça-pintada está presente em quase todos os biomas do território nacional. Ameaçada de extinção, a espécie possui sua maior concentração na Amazônia, com cerca de 10 mil indivíduos.

No clima dos Jogos Olímpicos, o blog Saúde do Meio destaca algumas curiosidades do nosso felino, mas antes veja o vídeo da nossa fera.

A onça ou jaguar é o maior felino das Américas, animal ameaçado de extinção e presente praticamente no território brasileiro.

É o terceiro maior felino após o tigre e o leão, símbolo da fauna brasileira.

A onça é um indicador de qualidade ambiental pelo fato de estar no topo da cadeia alimentar e necessitar de grandes áreas preservadas para sobreviver.

Uma onça pintada pode saltar três metros em altura ou em distância sem precisar tomar impulso e pode cair de até quatro metros de altura sem se machucar. Trepa com facilidade em árvores, atravessa grandes rios a nado e é uma caçadora hábil e sagaz. Contra um caçador corajoso que tenha uma lança ou facão, a luta normalmente é equilibrada.

Caminha normalmente 2 a 5 km por dia, por vezes até 20 km. Perseguida, pode percorrer até 65 km numa só tarde. Costuma caçar no início da noite, dormir da meia-noite às 3 da madrugada e durante a manhã até o meio-dia.

A onça faz parte da mitologia de diversas culturas indígenas americanas, incluindo maias, astecas, guaranis etc. Na mitologia maia, balam como era chamado o jaguar, era considerado como um animal sagrado. Em alguns mitos indígenas, o jaguar aparece como herói civilizador que dá o fogo e a tecelagem do algodão aos homens.

Para os astecas, o jaguar é uma expressão das forças internas da terra, simétrico à águia, que representa o céu e ambos patrocinam as duas grandes ordens de guerreiros.

Para os índios brasileiros simboliza a coragem.

É um animal inteligente, ágil e esperto.

A onça está presente na moda da brasileira. As mulheres elegeram a estampa com motivos da onça-pintada para o look verão e inverno. A moda oncinha está presente dos pés a cabeça, inclusive das crianças.

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