01 out 2019

Jornalistas lançam o livro-reportagem sobre o crime ambiental em Brumadinho

REUTERS/Washington Alves

Não foi acidente. A frase pintada em cartazes de protesto logo após a maior tragédia socioambiental da história do Brasil país não estava errada. A Vale sabia dos riscos elevados de ruptura da barragem da mina de Córrego do Feijão pelo menos desde o segundo semestre de 2017 e podia ter evitado a morte de 270 pessoas e danos à bacia do rio Paraopeba.

O desastre de Brumadinho deixa um rastro documentado de negligência com a vida humana e com o meio ambiente. Agora, a história da tragédia toma as páginas de um livro-reportagem disponível no site da Editora Letramento, “Brumadinho: a engenharia de um crime”, o primeiro sobre o desastre ocorrido em 25 de janeiro de 2019.

Baseado nas investigações da Polícia Federal, a obra traz informações inéditas sobre os bastidores da investigação e o cotidiano no complexo minerário. Os jornalistas Lucas Ragazzi (Globo Minas) e Murilo Rocha (O TEMPO) foram responsáveis pela costura dessa narrativa que está documentada em relatórios internos da mineradora, trocas de e-mails de auditores externos e depoimentos de funcionários.

O jornalista André Trigueiro (GloboNews), premiado por seu trabalho na área do desenvolvimento sustentável, é quem assina a orelha da publicação. “Em se tratando da Vale, aescandalosa reincidência pós-Mariana torna o assunto indigesto para a empresa, para o lobby da mineração, e para os políticos que banalizaram os riscos em troca de favores”, escreve.

*Divulgação

23 jul 2019

Jornalistas e líderes religiosos são mais confiáveis que cientistas, segundo pesquisa

Arquivado em Comportamento

Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil  Brasília. Edição: Narjara Carvalho

Quais os impactos que a pesquisa científica traz para a sua vida e para a do restante dos brasileiros? A partir desta pergunta, uma pesquisa nacional visou verificar a percepção sobre ciência e tecnologia (C&T) e a contribuição (ou não) que estas têm na sociedade e no dia-a-dia das pessoas. O estudo foi uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e foi elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social que presta serviços à pasta.O levantamento apontou um maior ceticismo dos brasileiros em relação à ciência em relação a anos anteriores. Dos entrevistados, 31% disseram ver só benefícios nesta modalidade de conhecimento, contra 54% em 2015. O levantamento deste ano mostrou uma reversão do movimento de crescimento de uma avaliação positiva nas últimas edições, como mostra o gráfico.No geral, as demais categorias, em que a percepção considera também os malefícios, tiveram aumento na sondagem deste ano. O percentual de pessoas ouvidas que passaram a ver também malefícios na ciência, embora em menor grau do que os benefícios, saiu de 19% em 2015 para 42% em 2019. Os que visualizam tanto benefícios quanto malefícios cresceram de 12% para 19% no mesmo período. 
Pesquisa mostra a avaliação da sociedade sobre o impacto da ciência – MCTIC

Contudo, na avaliação dos autores o índice de pessoas com um olhar mais positivo (com percepção maior dos benefícios) ainda possui um patamar alto, acima dos 70%. Isso indicaria, acrescentam os responsáveis pelo estudo, que a produção científica mantém uma referência positiva junto aos brasileiros.

“Você pode observar uma variação, mas 73% em nível geral mantêm o seu interesse e consideram que ela traz mais benefícios do que malefício. Achamos que isso é resultado positivo independentemente do contexto. Se temos recurso ou não, a importância da C&T continua em níveis bastante altos”, avalia Márcio Miranda, presidente do CGEE, entidade responsável pelo estudo.

Imagem do cientista

Entretanto, as variações também se manifestaram na visão sobre os cientistas. A percepção destes como “pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade” caiu de 55% na edição de 2015 para 41% em 2019. A categoria “pessoas comuns com treinamento especial” aumentou de 13% para 23% no mesmo período. E a ideia dos cientistas como quem “serve a interesses econômicos e produzem conhecimento em áreas nem sempre desejáveis” foi de 7% para 11% nas duas edições da sondagem.

Os cientistas não aparecem entre as fontes mais confiáveis de informação. Apenas 12% das pessoas consultadas listaram os acadêmicos desta maneira, enquanto 15% indicaram líderes religiosos, 26% médicos e outros 26% jornalistas. Mas na avaliação dos autores, os dados indicam prestígio dos cientistas, uma vez que estes não aparecem entre as fontes não confiáveis, onde aparecem políticos (72%), jornalistas (6%) e religiosos, artistas e militares (4% cada categoria).

Os autores elaboraram o que chamaram de um “índice de confiança”, combinando diferentes análises acerca das respostas sobre a referência que os entrevistados possuíam tanto positiva quanto negativamente de diferentes instituições. Nesse ranking, os cientistas de universidades e centros públicos de pesquisa ficaram na segunda colocação (0,84), atrás apenas dos médicos (0,85). Tal desempenho se deve ao fato dos cientistas não serem vistos como fontes não confiáveis.

Temas e museus

A pesquisa também questiona os entrevistados sobre temas de interesse. Ciência & Tecnologia fica em quarto lugar (62%), abaixo de medicina saúde (79%), meio ambiente (76%) e religião (69%). O documento indica uma variação conforme a escolaridade. Quanto menor o tempo de estudo, menor a atenção para a produção científica.

Já entre os com maior instrução formal, o interesse cresce. Essa relação se reproduz também no recorte geracional, com o tema ganhando maior preferência entre os mais velhos do que entre os mais jovens.

O levantamento também identificou as práticas de visita a equipamentos relacionados ao conhecimento científico. O índice dos entrevistados que visitaram bibliotecas caiu de 30% para menos de 20% entre 2015 e 2019. A ida a zoológicos, parques ambientais ou jardins botânicos também diminuiu, de 40% para 24% no mesmo período. O passeio em museus de artes caiu de 16% para 9% nos últimos quatro anos.

Método

O levantamento entrevistou 2.200 pessoas em todas as regiões do país, com recortes específicos por gênero, idade, escolaridade, renda e residência. De acordo com os autores, a pesquisa manteve categorias e perguntas de edições anteriores e compatíveis com outros estudos internacionais sobre o mesmo tema.

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