09 nov 2015

“A Caminhada”: livro ajuda crianças na hora de dormir

Arquivado em Saúde & Literatura

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A cena se repete cotidianamente na casa de grande parte das famílias com crianças pequenas. À noite, mesmo depois de colocar o pijama, escovar os dentes e ir para cama, elas continuam com a “corda toda”, cheias de energia para brincar e conversar. O sono não vem e a paciência dos pais se vai.

Com o norte-americano Grant Maxwell, Ph.D. em Língua Inglesa e pai de um menino muito ativo, não era diferente. Noite após noite ele se sentava ao lado da cama do pequeno Mason, procurando maneiras de ajudá-lo a se acalmar e adormecer. A partir dessa experiência pessoal e estudos sobre desenvolvimento infantil e psicologia, Maxwell escreveu o livro “A Caminhada”, que desde o lançamento em 2013, foi bem acolhido por pais e filhos e recentemente ganhou enorme popularidade nos Estados Unidos. A edição brasileira, está sendo lançada pela Coquetel e chega às bancas, livrarias e lojas virtuais em outubro, por R$ 14,90.

O livro conta a aventura do garotinho Mason, seus dois cachorrinhos, Rex e Totó, e um novo amigo (a criança que escuta a história) em meio a uma longa jornada por florestas, cavernas, lagos, montanhas, pedras preciosas, que o faz relaxar e embarcar em um mundo de sonhos.

Além da narrativa envolvente, o autor dá dicas aos pais de como fazer a leitura para embalar o sono das crianças, como deitá-las para relaxar o corpo e como pronunciar as palavras de maneira segura e suave, inclusive bocejando de vez em quando. Ao longo do texto, se encontram indicações sobre qual é o melhor momento para se usar diferentes técnicas: quando aparece a indicação “nome” entre parênteses, quem lê deve pronunciar o nome da criança que está ouvindo a história; nos pontos grafados em itálico, a leitura deve ser em um tom de voz baixo e relaxante, e naqueles em que há a indicação “bocejo”, deve-se emitir um leve bocejo para induzir a criança ao sono.

O autor conta que durante seus estudos leu muito sobre a análise de sonhos junguiana, e lhe pareceu natural aplicar suas pesquisas para tornar o adormecer uma tarefa mais tranquila. “Eu descobri que induzir um estado de sonho engana o cérebro, fazendo-o pensar que está adormecido e levando o corpo a relaxar. Com base nessa teoria, criei a história de um menino que sai para uma caminhada, que o faz percorrer um mundo de sonhos, tornando, dessa forma, mais fácil para a criança chegar ao inconsciente”, explica Maxwell.

Conversei, por e-mail, com o autor Grant Maxwell. Confira:

Grant Maxwell com o filho

Adriana Santos: Como a leitura direcionada por ajudar a acalmar as crianças mais agitadas?

Grant Maxwell: “A Caminhada” ajuda crianças a adormecer porque as leva para um estado de sonho, que provoca o sono. A história conduz suavemente as crianças ao sonho porque a repetição de palavras as acalma.   O caminho é similar ao de algumas medicações para dormir: o cérebro pensa que está sonhando e faz com que a pessoa adormeça mais facilmente. Mas, ao invés de usar medicamentos, no livro nós usamos palavras e imagens.

Adriana Santos: A criança é convidada a interagir com o livro?

Grant Maxwell: Na narrativa há indicações onde a pessoa que está lendo insere o nome da criança que está ouvindo a história. Usando o nome da criança, convida-a a imaginar que eles estão caminhado com Mason (personagem principal) e seus dois cachorros. A técnica ajuda as crianças a se identificarem  com a narrativa e  faz com que elas se sintam dentro da história. Elas são puxadas para a história pelas aventuras e pela qualidade exploratória do conto. Quando Mason e seus cachorros estão cansados e vão dormir, as crianças naturalmente experimentam a mesma sonolência física e mental dos personagens. Como as crianças querem fazer parte da história, então eles se sentem sonolentas também.

Adriana Santos: Como seu filho se relaciona com os livros

Grant Maxwell: Meu filho ama os meus livros. Ele está extremamente orgulhoso que há um livro sobre ele. Ele chama A Caminhada “do livro dele”. Nós ainda lemos o livro frequentemente (o livro foi lançado em 2013 nos Estados Unidos com o título The Walk). O divertido é que agora ele mesmo me conta a história. Nós também lemos juntos diversas outras histórias. Ele tem seis anos e, diariamente, traz livros da biblioteca da escola. Especialmente, os que envolvem Star Wars e outros super-heróis. Como a maioria dos pequenos garotos, ele passa boa parte do tempo imaginando que é Luke Skywalker (personagem do Star Wars) ou Spider-Man. Mas, sempre que ele está inquieto para dormir, nós lemos A Caminhada para acalmá-lo.

Adriana Santos: Qual a linguagem utilizada no livro?

Grant Maxwell: Eu tentei usar uma linguagem simples, mas evocativa com muitas repetições e similar a um poema ou uma música, incluindo nomes de várias árvores, pedras e animais. Dessa forma, a obra, além de ajudar a relaxar, ensina as crianças. Eu vejo o livro como uma jornada interna dentro da profunda inconsciência. Este é o lugar onde nós vamos nos nossos sonhos todas as noites, onde nos transformamos em animais e somos livres dos regras da vida diária. Nós passamos muito tempo ensinando as crianças a agirem como adultos: como andar, pensar, se comportar. Mas, me parece que eles têm muito para nos ensinar sobre valores profundos e imaginação e é importante para nós embarcarmos com eles e mostrarmos que há histórias onde as regras do dia a dia não se aplicam. O uso da imaginação permite que não apenas crianças, mas também seus pais sejam mais felizes e mais saudáveis. Não apenas comprometidos com o lado racional e prático da vida, mas também para experimentar o admirável e profundo mundo da infância. Minha esperança com “A Caminhada” é ajudar as pessoas a encontrarem esse espaço imaginativo com seus filhos. Não apenas na hora de colocá-los para dormir, mas para ajudá-los a fazer os sonhos e a vida dos filhos um pouco mais doce.

Adriana Santos: Qual o seu conselho para os pais que gostaria de vivenciar experiências na arte de contar histórias?

Grant Maxwell: O livro A Caminhada foi criado como uma ferramenta para ajudar pais, avós e aqueles que cuidam das crianças. A obra funciona melhor se a pessoa é calma e presente na vida da criança. Se o pai está distraído ou fica pensando no trabalho ou no que ele vai assistir na TV depois que colocar a criança para dormir, não vai estar tão envolvido como um pai que está dando total atenção ao filho e prestando atenção em seu tom de voz e respiração enquanto lê a história. A tia da minha mulher disse uma vez “A criança faz o que você faz e não o que você diz”. Esse foi o melhor conselho que eu já recebi. No caso da história, se o leitor está agitado, a criança ficará igualmente agitada. Pedir para ela se acalmar e relaxar enquanto você adulto está inquieto não vai funcionar. Mas se o leitor está confortável, deitado no travesseiro, lendo com uma voz calma, então a criança terá a mesma atitude. O livro é para ajudar não apenas as crianças a relaxar, mas também seus pais.

06 set 2015

Resenha do livro Libertação Animal de Piter Singer

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Desde a primeira edição, em 1975, esta obra inovadora vem conscientizando milhões de pessoas sobre o “especismo” – nosso sistemático descaso em relação aos interesses dos animais não humanos – e inspirado, em todo o mundo, movimentos pela mudança de nossas atitudes em relação aos animais e pelo fim da crueldade que lhes infligimos.

Em Libertação Animal, Peter Singer expõe a terrível realidade da indústria pecuária e dos testes de novos produtos – destruindo as falsas justificativas que embasam essas práticas e propondo alternativas para algo que, além de uma questão moral, assumiu contornos de um sério problema social e ambiental. Este livro, um importante e persuasivo apelo à consciência, à justiça e à decência, é leitura obrigatória não só para aqueles que reconhecem os direitos dos animais, mas também para os que ainda ignoram essa realidade.

Veja o vlog sobre o livro Libertação Animal de Piter Singer.

01 set 2015

Precisamos conversar sobre drogas

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O Saúde & Literatura apresenta o livro Redes de Atenção aos Usuários de Drogas; Políticas e práticas – dos organizadores Telmo M. Ronzani, Pedro Henrique A. da Costa, Daniela Cristina B. Mota e Tamires Jordão Laport, lançado pela Cortez Editora. A apresentação foi feita por Julio Calzada,  ex-secretário geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai.

“Durante décadas nos fizeram acreditar que a questão das drogas estava determinada por uma oferta que indicava uma demanda passiva, quase ingênua e inofensiva, sendo “seduzida” por uma oferta diabólica e perversa. Pretendiam nos convencer de que a forma de resolver esta relação maquiavélica era mediante as normas, a lei penal e a fiscalização” (Julio Calzada).

O assunto drogas nunca é “ingênuo e inofensivo”, mas ainda cercado de sombras e de informações contraditórias. Encarar o assunto tão polêmico de forma ética, transparente, despido de moralidades religiosas e políticas não é fácil, mas necessário para que possamos avançar enquanto sociedade.

Os autores deste livro nos apontam um caminho não instrumental nem mecanicista, mas levando em conta o bom senso que complexidade exige.

Conversei com o professor, Dr. Telmo M. Ronzani, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Drogas-CREPEIA
Departamento de  Psicologia Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF .

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Arquivo pessoal

Adriana Santos: Qual a proposta central do livro?

Telmo Ronzani: O livro é uma coletânea de capítulos de autores nacionais e internacionais, especialistas na área. Estamos já há algum tempo trabalhando e planejando o livro. Escolhemos com bastante critério e cuidado quem seriam os colaboradores, bem como a temática escolhida. Temos um número considerável de livros sobre drogas e não gostaríamos que fosse apenas mais um livro, mas sim que trouxesse uma temática importante e atual. Por isso, pensamos focar no tema da rede de cuidado dos usuários e nas políticas sobre drogas, que são temas muito discutidos, mas com necessidade de uma literatura condensada e sistematizada.

Adriana Santos: O Brasil avançou com relação ás políticas de proteção contra o abuso de drogas no cenário mundial?

Telmo Ronzani: Acho que temos avançado, mas ainda temos muito ainda para conquistar. Essa é uma temática polêmica, com várias visões, interesses e pontos de vista. Por isso, é uma área que algumas vezes observamos avanços e ampliação da discussão e outras vezes, retrocessos. De qualquer maneira, apesar dos imensos desafios e lacunas ainda existentes, poderíamos dizer que temos mais mobilização e discussão sobre a temática. No Brasil, até o final dos anos 90, o tema se restringia à esfera policial e à filantropia e não havia um interesse muito grande de opinião pública. Agora já podemos observar uma rede se formando, o interesse de outros setores da sociedade e o fortalecimento de ações mais amplas e com maior qualidade e cuidado com os usuários. Mas, como disse, ainda há um longo caminho a percorrer.

Adriana Santos: Como promover o acesso de pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção?

Telmo Ronzani: O caminho é a ampliação e o fortalecimento dessa rede de atenção. Rede esta que deve ser pública, gratuita, acessível, aberta, de base comunitária e que respeite minimamente os direitos dos cidadãos. E que tenha uma qualidade técnica aceitável. Devemos compreender que o uso de substâncias apresenta um componente social e cultural muito forte e que os problemas decorrentes do consumo não se limitam a somente um tipo de usuário. Por isso, além de uma rede amplamente disponível, ela precisa ter também uma organização e oferta de serviços variados, de acordo com a gravidade ou caracterização do problema. Por isso, como não existe somente um tipo de usuário, não devemos oferecer somente um tipo de tratamento.

Adriana Santos: Na sua avaliação os profissionais de saúde do SUS de Minas Gerais estão qualificados para receber na atenção primária pessoas em situação de crise provocada pelo abuso de drogas?

Telmo Ronzani: O que defendemos quando falamos da rede de atenção ao usuário de drogas é que “qualquer porta é a porta certa de entrada no sistema”. Portanto, qualquer profissional, de qualquer nível de atenção à saúde, ou mesmo de outros setores como assistência social por exemplo, deveria minimamente acolher de forma adequada a todos que procuram o serviço, que saiba avaliar a demanda apresentada, que faça uma intervenção inicial e que insira esta demanda na rede de acordo com essa necessidade. Sabemos que a atenção primária é um nível importante pela base comunitária de ação, mas as situações de crise devem ser atendidas em outros níveis de atenção como Prontos Socorros ou os CAPS AD III, que tem uma infraestrutura mais adequada para esses casos. De qualquer maneira, os profissionais de APS podem acompanhar aquele usuário, pois sabemos que os casos de crise são resultados de comportamentos de consumo diário que acontece na comunidade.

Os profissionais do SUS de Minas Gerais, assim como outros estados, geralmente não tem formação adequada para lidar com tal problema. Além disso, ainda temos o problema da articulação da rede e de cobertura necessária para tratamento. Por isso, defendemos não só a formação adequada, mas também maior articulação da rede e maior investimento no SUS para lidar com os problemas do uso de droga no sistema público.

Adriana Santos: Muitos leitos psiquiátricos foram desativados por conta de políticas de favoreciam a não institucionalização. Como ficam as pessoas que enfrentam problemas relacionados ao abuso de drogas lícitas e ilícitas?

Telmo Ronzani: A literatura na área já demonstra que tratamentos com longos períodos de internação não demonstram maior eficiência em comparação aos demais. Além disso, já é muito conhecido os maus tratos e total desassistência ocorridos nos tempos dos grandes hospitais psiquiátricos no Brasil. Sabemos também que muitos leitos foram ocupados por usuários de álcool e outras drogas inadequadamente. Isso não quer dizer que a internação não traz benefício algum. O mais adequado é que tenhamos uma rede de cuidado aberta, que tenha capacidade técnica e organizacional para avaliar as necessidades do usuário para saber qual a modalidade de tratamento indicada. Algumas vezes a internação pode ser a melhor opção, desde que haja um plano terapêutico bem estabelecido, tempo limitado e com um acompanhamento pós-alta definido.

Na população geral, ainda há a ideia de que dependência de drogas é uma “doença” de evento único e que se resolve com internação longa e com o isolamento social, mas a literatura na área já demonstra que é uma condição que necessita de um cuidado contínuo, interdisciplinar, de base comunitária e que algumas vezes se beneficiará da internação. Portanto, é preciso que os chamados serviços substitutivos aos hospitais de fato cumpram seu papel dentro da rede e que tenha condições mínimas de funcionamento.

Adriana Santos: Sabemos que a promoção à saúde é o caminho mais ético e seguro para garantir mais qualidade de vida. No entanto sabemos também que a mudança de comportamento é um processo demorado e requer vigilância constante. Como fazer promoção á saúde para evitar o abuso de drogas no Brasil?

Telmo Ronzani:  Primeiramente é preciso mudar nossa percepção sobre o uso e usuário. Um dos grandes problemas em relação ao consumo de drogas é o preconceito e estigma associados. Isso acaba excluindo uma parcela importante da população de seus direitos, de cuidados e abordagens adequadas, de uma informação realista e verdadeira. Esses são pontos que muitas vezes pioram a qualidade de vida de usuários e seus familiares. Principalmente quando falamos da população mais pobre.

Além disso, precisamos começar a trabalhar com o tema de forma mais verdadeira e honesta. As informações sobre drogas que chegam para a maioria da população geralmente são de péssima qualidade e muitas vezes inverídicas. Essa má informação serve a muitos interesses de grupos que exploram o tema para diversos fins e gera um pânico e consequente controle sobre as pessoas. Uma boa rede de cuidados no tema se inicia com uma prevenção e promoção bem feitas.

Do ponto de vista da promoção, é preciso entender que o tema de drogas faz parte de um sistema social excludente e que esse consumo e tudo mais em sua volta são sinais dessa desigualdade social em nosso país. Do ponto de vista da prevenção, precisamos de ações amplas e sistematizadas, de qualidade sobre os riscos do consumo de drogas. Já vimos que a doutrinação amedrontadora não funciona. O que precisamos é de uma informação que leve à real conscientização dos jovens, que seja crítica, construtiva e libertadora.

Adriana Santos: Na sua avaliação os grupos religiosos que abrigam pessoas com históricos de abuso de drogas realizam um trabalho que favorece a saúde pública no Brasil?

Telmo Ronzani: Esse é um outro tema bastante polêmico. Gostaria de falar especificamente sobre a modalidade de Comunidades Terapêuticas, que tem um histórico e base teórica e filosófica muito específica. Algumas delas de base religiosa, outras não. Esse grande crescimento de grupos que se intitulam comunidades terapêuticas tem gerado grande confusão e é importante fazermos tal distinção. Como já havia dito, podemos ter diferentes modalidades de tratamento que podem beneficiar algumas pessoas e outras não. As Comunidades Terapêuticas sérias e que asseguram os princípios dos direitos humanos, a livre escolha dos usuários, a não imposição religiosa, com infraestrutura adequada e profissionais capacitados, podem ser importantes na rede de atenção aos usuários, assim como outras modalidades. Sei que a defesa da qualidade dessas CTs vem inclusive por algumas associações da área, que lutam por uma regulamentação e maior qualidade. O que criticamos abertamente é o uso que alguns grupos fazem de algumas denominadas CTs que usam do desespero de famílias e pessoas para a exploração econômica e como capital eleitoral, sem o respeito mínimo dos direitos humanos. Portanto, as CTs podem ser modalidades complementares à saúde pública importantes, mas devemos criar mecanismos para separar aquelas que de fato objetivam cuidar dos usuários dos demais grupos.

Adriana Santos: A descriminalização das drogas é o caminho?

Telmo Ronzani: A descriminalização é apenas um aspecto da questão. É um aspecto muito importante pois traz para a esfera da saúde pública e não mais para a esfera criminal o tema do uso de drogas. Principalmente quando falamos da população marginalizada e das classes mais pobres de nosso país. Mas, por si só, acho insuficiente. Mesmo que o porte e consumo de drogas seja descriminalizado, se não trabalharmos numa ampla mudança de concepção sobre o uso e usuário; se não houver uma ampla rede de promoção, prevenção e tratamento disponível; que seja gratuita e de qualidade para todos os cidadãos, continuaremos com o processo de exclusão e dificuldade de acesso da população no cuidado sobre o problema.

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