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Mulheres diagnosticadas com câncer podem engravidar. Saiba mais:

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O diagnóstico de um câncer é encarado como um momento difícil na vida da mulher. Felizmente, os avanços na medicina têm contribuído para a cura ou controle da doença, no entanto as intervenções terapêuticas ainda continuam agressivas, podendo ocorrer a falência ovariana precoce.

Como o câncer alcança cada vez mais os jovens, em idades férteis, a preservação da fertilidade também deve ser levada em conta durante o tratamento da doença. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer – INCA – é que no biênio 2016 e 2017, ocorram 600 mil novos casos de câncer, sendo que 10% dos tumores estejam entre as mulheres mais novas.  A medicina reprodutiva aliada à oncologia tem avançado e oferecido técnicas que permitem que as pacientes, em tratamento do câncer, consigam futuramente se tornarem mães.

Conversei por e-mail com o Dr. Marco Melo, ginecologista e diretor da Vilara – Clínica de Reprodução Assistida. Saiba mais como uma mulher diagnosticada com câncer pode engravidar.

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Adriana Santos: Qual o período aconselhado, após tratamento, para que a mulher possa engravidar com segurança?

Dr. Marco Melo: Dependendo do tipo do câncer, recomenda-se um período de 2 a 5 anos para que se possa buscar uma gestação. Este período é considerado como um período médio onde ocorre a maioria das recidivas do tumor.

2- Os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia podem trazer prejuízos para o desenvolvimento do bebê?

Sim, por isto não se deve engravidar durante o tratamento de câncer. Os efeitos podem variar desde alterações moleculares das células dos bebês, passando por geração de defeitos de formação (efeito teratogênico), até mesmo, o óbito.

3- Mulheres que fizeram tratamento do câncer de mama também podem engravidar?

Sim, com certeza! Claro que devem fazê-lo após comprovada a remissão da doença e vencido o período de “controle de cura”, cerca de 5 anos após o término do tratamento do tumor.

4- Qual a restrição, ou seja, qual grupo de mulheres que tiveram algum tipo de câncer não pode engravidar?

Em geral, todas as mulheres que tiveram câncer e foram tratadas adequadamente e chegaram a curam, podem engravidar. A restrição, é claro, será quando o tratamento provocar sequelas no útero que o impossibilitem de o seu desenvolvimento normal durante a gravidez.

5- Como a medicina moderna por ajudar mulheres que tiveram câncer a engravidar?

Primeiramente, com a preservação de óvulos ou embriões, antes delas serem submetidas ao tratamento quimioterápico e/ou radioterápico. Para as mulheres solteiras, sem parceiro definido, o recomendado é que congelem óvulos; já as casadas, o mais adequado seria o congelamento de embriões. Desta forma, poderemos preservar a possibilidade de uma gravidez caso haja um possível dano ao funcionamento dos ovários.

Para as mulheres que, por algum motivo, tiveram um comprometimento do útero pelo tratamento ou que tiveram que retirar seu útero acometido pelo câncer, podemos recorrer ao “útero de substituição”, método pelo qual uma familiar da paciente gestará os embriões da mesma. Por fim, para aqueles casos em que não foi possível criopreservar óvulos nem embriões da paciente, podemos recorrer à doação de óvulos ou adoção de embriões, a fim de se obter a gestação desejada.

Além destes tipos de tratamento, o maior conhecimento sobre o funcionamento ovariano e métodos de se avaliar a reserva ovariana (quantidade de óvulos existente nos ovários) permitem com que os especialistas em reprodução humana possam aconselhar melhor as mulheres sobre o seu planejamento familiar.

6- A idade pode ser um complicador, mesmo com os avanços da medicina?

Sim, em se tratando de reprodução humana, a idade da mulher é o melhor fator de prognóstico de gestação, exceto quando se recorre ao congelamento de óvulos e embriões e se decide obter a gestação numa idade mais avançada. Neste caso, não percebemos uma alteração nas taxas de gestação, mas podemos observar uma maior taxa de complicações obstétricas devido à maior idade da gestante, como por exemplo, diabetes gestacional e doença hipertensiva específica da gravidez.

Explicando um pouco melhor, ao congelarmos óvulos ou embriões de mulheres com idade inferior aos 35 anos, mantemos suas altas taxas de gestação. Entretanto, se estas mulheres desejarem uma gestação após os 40 anos, por exemplo, apesar de apresentarem boas taxas de gravidez, elas apresentam maior risco de complicações obstétricas.

Sabemos também que os danos aos ovários são maiores quando a quimioterapia é realizada em mulheres com idade mais avançada. Isto é, o risco de uma falência ovariana (perda da função ovariana) é mais frequente nas mulheres mais velhas submetidas ao tratamento do câncer.

7- E se o câncer voltar no período de gestação ou amamentação? Qual a orientação?

Este é um quadro muito complicado e grave. Infelizmente, acontecendo este tipo de problema, a paciente deverá ser acompanhada e orientada por uma junta médica composta por obstetra de alto risco, oncologista e neonatologista, a fim de se tomar a melhor conduta, que sempre será, em primeiro lugar, a preservação da vida da gestante. Claro, que como é um caso muito delicado, toda a discussão sobre o que se fazer deverá ser discutido com o casal.

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Médico alerta sobre o uso indiscriminado do WhatsApp nas consultas

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Reprodução/Google

O uso do WhatsApp para facilitar o fluxo de comunicação hospitalar e para a interação entre consultas médicas é uma realidade, embora esse não seja o aplicativo mais seguro e preparado para esse tipo de comunicação.

Com a suspensão temporária do serviço, alguns médicos questionam alguns prejuízos com relação a comunicação interna dentro do hospital para avisar, por exemplo, sobre a alteração de resultado em um laudo crítico de exame. E o acompanhamento de um paciente crônico que está em contato com o médico pelo WhatsApp? Tudo terá que ser feito manualmente? Afinal, em saúde, 48 horas pode decidir uma vida.

Conversei com o neurologista e fundador do Medicinia, Daniel Branco, que alerta sobre o uso excessivo do aplicativo nas consultas médicas.

O Medicinia é uma plataforma de comunicação em saúde que pode ser utilizada por médicos, instituições de saúde e demais profissionais da área médica. Atualmente, o Medicinia conta com mais de seis mil médicos cadastrados e está presente em dez importantes hospitais do país, além de instituições de saúde nos EUA e Alemanha. Nos hospitais, o aplicativo atua de forma a otimizar os gargalos de comunicação presentes nessas instituições, com o propósito de melhorar o desempenho operacional, reduzir custos e aumentar a receita. Mais informações www.medicinia.com.br

Adriana Santos: Qual a importância do WhatsApp para a comunicação entre médicos e pacientes da atualidade?

Daniel Branco: A comunicação online entre médicos e pacientes se tornou fundamental nos dias de hoje. Antigamente, quando os médicos visitavam seus pacientes em casa, os vínculos das famílias com os médicos era muito mais forte. Com o tempo, a tecnologia e a evolução da medicina foram distanciando os pacientes de seus médicos. A medicina se tornou uma prática exclusiva de consultórios e interações médico-pacientes pontuais. Com a comunicação online, médicos estão voltando a conseguir fazer um acompanhamento continuado de seus pacientes, o que é maravilhoso.

Adriana Santos: Podemos comparar o WhatsApp com o antigo bina?

Daniel Branco: O bina permitia saber quem estava ligando. O Whatsapp de certa forma também. Mas o Whatsapp e outras ferramentas de mensagens de texto revolucionaram a forma de comunicação na nossa sociedade. O problema é que nem tudo pode ou deve ser resolvido através do Whatsapp. Para a relação médico-paciente, por exemplo, o Medicinia é uma ferramenta muito mais apropriada, que garante a privacidade do médico e do paciente, além de oferecer uma série de funcionalidades que permitem um melhor acompanhamento dos pacientes.

Adriana Santos: Qual a maior preocupação dos médicos com relação à decisão judicial de bloquear o WhatsApp?

Daniel Branco: Os médicos jamais deveriam estar utilizando o Whatsapp, que é uma rede social, para interagir com seus pacientes. A maior preocupação do médico deve ser não utilizar o Whatsapp e buscar soluções profissionais para esse tipo de comunicação.

Adriana Santos: Como os médicos pretendem contornar a situação?

Daniel Branco: É provável que o Whatsapp retorne e tudo volte à normalidade. Mas o alerta permanece: o Whatsapp não é um meio adequado para comunicação entre médicos e pacientes. Acho que esse episódio só serviu para deixar isso ainda mais claro.

Adriana Santos: Considerações finais

Daniel Branco: Até então, os médicos estavam utilizando o WhatsApp para se comunicarem com os pacientes ou mesmo trocarem ideias com os colegas sobre casos específicos. O uso desse tipo de aplicativo de mensagem não é seguro e os termos de privacidade não foram feitos para uso com pacientes. No próprio termo de uso do aplicativo, o usuário concorda que as informações poderão ser usadas pelo Facebook, dono do Whatsapp. Além disso, em função do seu caráter social, um paciente pode facilmente encaminhar as mensagens dos médicos para outras pessoas, quebrando o sigilo que existe na relação médico-paciente. Isso acaba aumentando o risco de expor as informações clínicas dos pacientes, que devem ser sigilosas.