30 out 2019

Resenha: Comunicação médico-paciente no tratamento oncológico

A comunicação entre médico e paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. Quando o assunto é o câncer, ela é ainda mais vital. Partindo da experiência de mais de 30 anos em oncologia, o médico Ricardo Caponero criou um guia de orientação sobre como estabelecer, de forma respeitosa e franca, uma comunicação efetiva e terapêutica com os pacientes que enfrentam o câncer.

No livro “A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico – Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares”, publicado pela MG Editores, o médico  explica como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca e, ao mesmo tempo, efetiva e terapêutica.

Confira o meu vlog

 

06 nov 2015

Pediatria moderna receita amor, disciplina e altruísmo para o desenvolvimento da criança

Arquivado em Saúde & Literatura

pediatria

O Saúde&Literatura apresenta:  Pediatria hoje. Orientações fundamentais para mães, pais e cuidadores. Nesta obra, o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros selecionou os principais textos publicados em seu site, o Blog do Pediatra, e no portal Minha Vida. Seu olhar cuidadoso e sensato, permeado pelos ensinamentos de D. W. Winnicott e também pelas mais recentes atualizações da medicina, constitui um farol no caminho de pais, mães, cuidadores, educadores e profissionais de saúde.

A pediatria é a medicina do ser em crescimento. Mas, afinal, até que idade os pais devem levar os filhos ao pediatra? Para o dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros, o especialista deve acompanhar o paciente e cuidar dele desde seu nascimento até que se transforme em um adulto.

O objetivo do livro é facilitar a compreensão dos leitores da necessidade de zelar pelo crescimento e desenvolvimento dos filhos por meio do amor, da proteção, do altruísmo e da disciplina.

Dividido em seis seções, o livro aborda questões como o mundo dos bebês, mitos e verdades sobre a imunização, saúde, bem-estar e alimentação infantil. O pediatra mostra ainda que a criança que brinca e aprende vive feliz e faz considerações sobre os dilemas da modernidade. Ao longo da obra, os temas se misturam, e a leitura cruzada dos artigos favorece a construção de uma estrutura fundamental para o bem-estar de bebês, crianças e adolescentes.

Temas polêmicos, como a escolha do parto normal ou cesáreo, também são avaliados pelo autor. A obra inclui ainda argumentações sobre a importância da amamentação para a saúde das crianças. Na avaliação do autor, enquanto o bebê se alimenta apenas com leite materno, a introdução de outros alimentos deve ser adiada, pelo menos, até o sexto mês de vida. Afinal, diz ele, o leite materno tem todos os nutrientes de que ele precisa. Pesquisas realizadas em vários países indicam que a mortalidade infantil está altamente relacionada com a passagem precoce do aleitamento materno para a introdução dos chamados alimentos complementares.

O livro traz também uma seção dedicada à obesidade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 35% das crianças entre 5 e 9 anos estão obesas.  A seleção de textos contemplados na obra inclui também orientações do pediatra sobre a importância das brincadeiras saudáveis para as crianças, da leitura desde a barriga e da organização para o desenvolvimento dos pequenos. Nos artigos sobre os dilemas da modernidade, o autor alerta para questões delicadas, como a ditadura da beleza, os cuidados exagerados e o consumismo desnecessário na hora de presentear.

Conversei com o autor Sylvio Renan Monteiro de Barros, médico e especialista em Pediatria. Atua em consultório na cidade de São Paulo desde 1976. Confira:

Adriana Santos: Qual é o papel do pediatra no desenvolvimento físico e mental da criança?

Sylvio Renan: O papel do pediatra, além de tratar das doenças da crianças, é fornecer todas as orientações sobre alimentação, vacinações, medicações e orientações para que a criança venha a ser um adulto saudável, digno e socialmente integrado.

Adriana Santos: Falta pediatra no Brasil?

Sylvio Renan: Nos últimos anos houve uma diminuição expressiva do número de médicos que optavam pela pediatria, levando à falta destes profissionais em nosso país. Tal diminuição teve como consequência um aumento do valor pago aos profissionais. Tal compensação estimulou um maior número de médicos recém formados optando pela pediatria. Acredita-se que nos próximos anos tal deficiência não seja mais considerável.

Adriana Santos:  Até quando os pais, mães e responsáveis devem levar as crianças ao pediatra:

Sylvio Renan: Muito embora tenha-se no Brasil o hábito de levar as crianças ao pediatra em seu início de vida (principalmente no primeiro ano), as associações de pediatria, tanto no Brasil quanto em outros países, recomendam que o paciente pediátrico seja seguido regularmente até completar 21 anos de idade.Cabe aqui reforçar que a pediatria é a medicina do ser em crescimento

Adriana Santos: Cesária ou parto normal?

Sylvio Renan: Na visão do pediatra, sem dúvida alguma: PARTO NORMAL. No parto normal usualmente o bebê nasce no pico de maturidade fetal, pronto para evitar as agressões do meio externo ao qual ele não está habituado. Durante a passagem pelo canal vaginal o bebê sofre expressão total de seu tórax, eliminando praticamente todo o líquido (amniótico) que ele mantinha em seus pulmões, estimulando e facilitando ao início da respiração. Praticamente todos seus órgão já estão em condições de suportar o meio externo, evitando-se assim icterícias, intolerâncias, além de apresentar uma maior imunidade recebida da mãe.

Adriana Santos: Por que muitas mães ainda temem as vacinas?

Sylvio Renan: Eu considero as vacinas como a maior contribuição que a medicina já trouxe ao ser humano. Graças a elas, muitas doenças já diminuiram importantemente sua morbidade e letalidade. Como exemplo cito a varíola, doença comum no passado que foi plenamente eliminada, não havendo há vários anos qualquer caso de varíola em nosso planeta. O mesmo se projeta para a poliomielite, já bem controlada, presente atualmente só em alguns países da  Africa. Minha visão é: toda vacina que não apresentar risco importante à saúde humana e que tenha um risco/benefício positivo deve ser tomada por todos para os quais ela é indicada.

Adriana Santos:  Há alguma contra indicação?

Sylvio Renan: Existem atualmente 2 contraindicações formais à vacinação:

1. alergia a um de seus componentes.

2. qualquer deficiência de imunidade, seja ela congênita, adquirida ou terapêutica (transplantes, oncoterapias, etc.)

Adriana Santos: A obesidade infantil é responsabilidade dos pais?

Sylvio Renan: A obesidade infantil é responsabilidade de todos:

* pais, que devem educá-los para uma boa e equilibrada alimentação, e utilizar tal alimentação com forma de receber nutrientes, e não como prêmio por algum feito realizado ou respondendo aos apelos publicitários.

* pediatras, dando aos pais e cuidadores as orientações das melhores formas de nutrição, com relação ao alimento em si, aos horários de alimentação e aos excessos que deverão ser sempre evitados.

Estado, fiscalizando a produção de alimentos, monitorizando publicidades exageradas, que mostram o alimento não como fonte de nutrição, e sim como o melhor atalho para a felicidade.

Todos somos responsáveis pelo aumento da obesidade infantil, que tem conexão direta com o aumento da hipertensão arterial no adulto, com aumento dos casos de doenças cardio-vasculares (AVCsa, infartos), bem como o diabetes.

Adriana Santos: Qual o seu conselho para os pais e mães de primeira viagem?

Sylvio Renan: Alimentem-se com equilíbrio, moderação. Escolham sempre pratos saudáveis, com balanço de proteínas, carboidratos e gordura. Se os pais se alimentarem bem (não no sentido de quantidade, e sim da qualidade), seus filhos automaticamente se tornarão também moderados ao comer. Bem sabemos que a criança não aprende com o que lhe dissemos, e sim como o fazemos.