16 fev 2021

“Arapongagem”: e se confirmar a fala do governador de Minas?

Arquivado em Cidade, Comportamento

No último dia 12/02, o jornalista Orion Teixeira do blog “Além do Fato”  publicou o seguinte texto: Zema cobra fim de arapongagem no governo ao novo chefe de polícia”.  A manchete aguçou a minha curiosidade. Li a publicação imediatamente. A denúncia é grave. A investigação por parte das autoridades competentes deve ser rigorosa. Se confirmado o “desabafo” do governador, os brasileiros devem redobrar as atenções como relação à segurança de informações sensíveis.

No dia posse do novo chefe da Polícia Civil (9/2), o governador de Minas Gerais foi direto ao ponto.

“Diferente da Polícia Militar e dos Bombeiros, a Polícia Civil sempre foi vítima de certas interferências externas que nada contribuem e só prejudicam. Sabemos também que a Polícia Civil tem incidência maior do que as outras forças de segurança por pessoas da corporação que não procedem de acordo com os princípios que nós julgamos corretos. Vai caber ao senhor fazer essas reformas para que esse tipo de fato seja definitivamente eliminado ou reduzido em 99%…” Veja o vídeo publicado pelo jornalista AQUI.

Conversei com o Dr. Thiago da Silva Pacheco, autor de várias publicações sobre espionagem, operações encobertas, serviços secretos, crime político e terrorismo. Ele também realiza cursos na área de segurança no Ateliê de Humanidades. Confira: Inscrições abertas AQUI

Adriana Santos: O que são “arapongas”?

Thiago Pacheco: O termo araponga é pejorativo e nada técnico no campo da Inteligência. Se refere a um espião ou investigador que bisbilhota, que invade privacidades.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em entrevista coletiva, cobra o fim da arapongagem no governo ao novo chefe de Polícia. A fala do governador causou insatisfação na Assembleia, junto à bancada ligada à Polícia Civil. Entidades de policiais civis e delegados, como a Sindepominas e Adepol-MG, divulgaram nota conjunta em protesto às declarações de Zema e cobraram retratação. E na sua opinião: qual a gravidade da declaração do governador?

Isto é grave em duas direções possíveis. Caso o governador esteja equivocado, dizer que os investigadores de Polícia praticam “arapongagem” é usar um termo jocoso e pejorativo para dizer que os policiais estão invadindo privacidades: neste caso, a indignação dos sindicatos é totalmente justificável. Caso o governador esteja com razão, é muito grave que a PCMG esteja extrapolando suas atribuições, afetando a administração do estado por meio de invasões de privacidade.

A espionagem dentro dos gabinetes governamentais é uma prática tolerada no Brasil?

Esta é uma questão espinhosa. A se confirmar a fala do governador de Minas, isto lamentavelmente não seria inédito na história do Brasil, apesar da gravidade. Só para citar alguns exemplo, Vargas, JK, Carlos Lacerda e, recentemente, Dilma Roussef (não entrando na questão do impeachment) passaram por isso. Por outro lado, é totalmente ilegal e antiético: daí que dizer que “é tolerado” é complicado.

Qual foi o caso de espionagem no Brasil que mais marcou a nossa história?

Durante a Segunda Guerra Mundial, São Paulo, Recife, Porto Alegre e, principalmente Rio de Janeiro eram focos de espionagem internacional. Considero esta uma questão a ser melhor difundida (na medida em que temos razoável bibliografia sobre o assunto). Mas, recentemente, sem dúvida foi o caso Snowden e a descoberta de que a empresa Crypto AG, que fornecia as máquinas de criptografia usadas no Brasil, era controlada pela CIA. Ou seja, o Brasil era literalmente um livro aberto para os americanos.

Segundo o Livro Arte da Guerra de Sun Tzu, há cinco classes de espiões: espiões locais, espiões internos, espiões convertidos, espiões condenados e espiões sobreviventes. As classificações ainda são as mesmas? Qual a espionagem mais praticada no Brasil?

Para o século IV a.C., as classificações de Sun Tzu são sofisticadas. Contudo, além do fato do termo “espionagem” ser evitado, hoje temos classificações mais complexas, estruturadas por 1) grau de importância e 2) tipo de atuação. O grau de importância é medido numa pirâmide cujo ápice é ocupado por agentes de inteligência infiltrados e a base é formada por refugiados e viajantes casuais. Quanto ao tipo de atuação, temos agentes treinados, agentes duplos (trabalham para duas Agências), especialistas em sedução (o clichê do cinema tem elevado grau de veracidade), delatores ocasionais, etc.

No caso do Brasil, o termo espionagem não é utilizado pela carga negativa e por ser condenada legalmente. De qualquer forma, os métodos de coleta de dados por meio de fontes humanas não se distanciam do esquema piramidal descrito acima.

Como são feitas as operações contra espionagens governamentais?

A contraespionagem é, em resumo, identificar espiões, investigando, cruzando dados a fim de identificar o vazamento ou, no caso da tecnologia, operando contramedidas eletrônicas para lidar com hackers.

No Brasil, alguém já foi preso por espionar autoridades governamentais?

Sim. Um caso emblemático, porém pouco conhecido, foram os espiões do Êxodo presos durante a Segunda Guerra Mundial. Um capitão brasileiro chamado Túlio Régis Nascimento trabalhava para o embaixador alemão no Brasil e foi preso por operações de espionagem e mesmo de sabotagem.

Como são feitas as investigações contra espionagens governamentais no Brasil?

No campo tecnológico adota-se contramedidas de proteção de nossos dados sigilosos, a fim de evitar a invasão de hackers. Quanto a espionagem em si, é mantida vigilância reservada a funcionários de embaixadas estrangeiras, que podem usar a “cobertura diplomática” para circular no país e fazer contatos. Mas é importante dizer que este é um caso geral, não uma especificidade no Brasil. O jogo “secreto” funciona desta forma desde pelo menos o século XVII.

Como a espionagem governamental pode prejudicar a democracia brasileira?

Sempre que os cidadãos ou as instituições são vigiadas ilegalmente pela polícia ou pelo Serviço de Inteligência, temos grave violação dos Direitos Fundamentais e uma erosão da estrutura republicana. Numa democracia, as decisões e direcionamentos políticos são sujeitos à transparência, e se o segredo se torna campo de disputa interna, temos uma inversão do sistema pretendido.

Considerações finais

Os limites da Atividade de Inteligência são complexos e, por vezes, nebulosos. Exatamente por esta razão, devem ser debatidos e esclarecidos.

25 jan 2021

Em busca do meteorito e de objetos não identificados, em Pirapora

Arquivado em Cidade, Comportamento, Ufologia

Imagem ilustrativa. Revista Ovni Pesquisa

No dia 1º de agosto de 2002, os moradores de Pirapora e cidades vizinhas, no norte de Minas, puderam observar um fenômeno raro e de grande beleza: a passagem de um meteoro que riscou o céu no sentido nordeste-sudoeste, por volta das 19h40, seguida da sua provável queda em uma região pouco habitada, distante mais de 120 km de Pirapora.

O cerrado agreste e as altas temperaturas nesta época, juntamente com estradas precárias, foram obstáculos enfrentados nas primeiras buscas por evidências de uma possível queda. Paulo Baraky Werner, representando o CIPFANI (Centro de Investigações e Pesquisas de Fenômenos Aéreos Não Identificados) e Márcio Vicente Teixeira, representando o GRUMPU (Grupo Mineiro de Pesquisas Ufológicas), saíram de Belo Horizonte no dia 15 de agosto de 2002, na primeira expedição até o local.

Assessorados pela equipe da TV RIO de Pirapora, em parceria com a sucursal norte da TV Alterosa (SBT), as equipes do CIPFANI e do GRUMPU percorreram uma grande área, coletando informações, depoimentos em vídeo e um rico registro fotográfico da região. A magnitude do fenômeno, que em alguns pontos provocou abalos sísmicos e ondas de calor, assustou e ao mesmo tempo maravilhou o humilde e religioso homem do campo.

“Achei que Jesus estava chegando”, comentou o vaqueiro Domingos Barbosa Silva, de 54 anos, morador de Cachoeira da Manteiga, local em que o fenômeno foi observado com muita intensidade. Os moradores chegaram a acreditar que o mundo estava acabando, e houve quem afirmasse se tratar da mãe-do-ouro, tentando dar uma explicação sobre a estranha bola de fogo.

Ao chegar a Belo Horizonte, as equipes buscaram apoio financeiro e logístico para efetuar uma segunda expedição até a região. O objetivo principal era coletar mais informações para traçar a trajetória do bólido e identificar o local da possível queda. O relatório resumido desta viagem mostra as dificuldades e o empenho dos grupos CIPFANI e GRUMPU para trazer até a comunidade científica uma descrição fiel do fenômeno.

No dia 31 de agosto de 2002, os pesquisadores Márcio Vicente Teixeira e Paulo Baraky Werner retornaram até o norte de Minas Gerais, mais precisamente ao município de Buritizeiro, onde percorreram mais de 300 km de estrada de terra. Patrocinada pelo pesquisador mineiro Ubirajara Franco Rodrigues, a segunda expedição contou com a colaboração do motorista da prefeitura local, o Sr. Eulálio Lopes e do cinegrafista da TV RIO, Cláudio Vieira.

Mais coisas nos céus do que meteoros

Na porção semiárida do território mineiro, onde a paisagem fica menos acidentada, a caatinga domina os vales dos rios São Francisco, Paracatu e Rio do Sono. A região norte do estado, que é conhecida como “sertão mineiro”, no passado serviu de abrigo e esconderijo para escravos. Também foi usada como rota natural para o gado proveniente da Bahia e pelos tropeiros que viajavam para Goiás.

A pouca disponibilidade de recursos hídricos condiciona a economia às atividades primárias, como a pecuária extensiva e a agricultura de subsistência. Os moradores da região sobrevivem como heróis, pois é imensa a falta de recursos. Os vilarejos se instalam próximos aos córregos e rios, que são fontes de água e sustento da família. E foi em um destes vilarejos, Paredão de Minas, que iniciamos a nossa busca por informações e evidências sobre a passagem e provável queda do meteorito.

Às margens do Rio do Sono, os moradores do pequeno vilarejo também presenciaram o fenômeno. Eles forneceram pistas importantes para a nossa equipe. O tratorista Edison P. França (foto ao lado), de 47 anos, relata a observação do meteoro, que foi descrito como uma imensa bola de fogo que cruzou o céu no sentido nordeste-sudoeste, iluminou o chão e depois de cerca de seis segundos provocou um forte estrondo.

A observação, segundo ele, ocorreu entre as 19h e 20h. “Parecia luz de solda!”, finaliza. Preenchemos vários questionários de pesquisa em Paredão de Minas e, por motivos de força maior, tivemos que sair do vilarejo às pressas durante a noite, rumo à Fazenda do Grupo Sendas, situada às margens do Rio Paracatu.

Durante a espera pela balsa para realizar a travessia do Rio Paracatu, obtivemos o relato do pescador Gilberto Nunes, de 42 anos, morador local que também presenciou o fenômeno. O tempo estava bom, sem nuvens e céu estrelado, quando o Sr. Gilberto notou a estranha luminosidade. Um objeto de magnitude superior ao planeta Vênus cortou o céu e desapareceu por detrás da copa das árvores. Logo depois, pôde-se ouvir um forte estrondo. A cor do bólido variava entre o vermelho e o amarelo. Segundo ele, o objeto teria caído nas propriedades da Fazenda Porto Alegre.

O pesquisador Márcio Vicente, encarregado de interrogar e preencher os questionários técnicos destacou a dificuldade de se obter dados precisos nestas circunstâncias, uma vez que as testemunhas são pessoas humildes, que buscam em suas crenças respostas para aquilo que não compreendem. Foi difícil coletar os dados necessários, pois nem sempre as pessoas estavam no mesmo local da observação, dificultando o registro em bússola da trajetória real do meteoro.

Filmadoras e câmeras fotográficas são necessárias, mas nem sempre é possível filmar um depoimento ou obter um registro fotográfico. Acostumados em lidar com este tipo de situação, em nossas investigações de campo driblamos estas dificuldades e conseguimos registrar bons depoimentos e várias fotos das testemunhas locais. A expedição não teve êxito em sua proposta. Na época, não havia estradas suficientes na região nem drones disponíveis para auxiliar na busca por sinais que pudessem indicar o local da queda.

A região é isolada, “fim do mundo”, como os mineiros gostam de falar. E nas entrevistas com o povo que habita a região, surgiram vários relatos interessantes de OVNIs. Dentre dezenas deles, destacamos um que nos chamou a atenção, por ser similar ao que ocorreu no filme “Contatos Imediatos do 3º grau”, em que a caminhonete dirigida por Roy Neary (Richard Dreyfuss) é seguida por um “disco voador”.

O Sr. Sidraque Alves, de 59 anos, é dono da única pousada no pequeno vilarejo de Paredão de Minas, distante 90 km de Pirapora. Ele nos contou que seu filho vinha dirigindo o carro pela estrada de acesso ao vilarejo, quando notou que havia outro veículo atrás. A estrada é estreita e muito ruim. Como a região é muito seca, “grande sertão veredas”, qualquer veículo levanta muita poeira ao transitar. Quando ele parou o carro e desceu para abrir uma porteira, notou que o automóvel que o seguia simplesmente tinha evaporado. Achou estranho, pois naquela região não tem nada. O que faria um carro seguir até determinado ponto e retornar sem qualquer motivo? Outra coisa que chamou a sua atenção: como o “carro” que estava atrás dele iria manobrar tão rápido sem ser notado?

Durante os dois dias em que percorremos quase 900 km, coletamos vários registros de luzes estranhas. Por ser uma área agreste e distante, acreditamos que nunca foi estudada por grupos ufológicos. Minas Gerais é um estado gigantesco, e as regiões do norte e Jequitinhonha são férteis em observações de OVNIs. O que falta são expedições constantes, assim como a que realizamos em 2002. Em 2005, planejamos uma expedição para a região do Mucuri, em Novo Oriente de Minas, distante 446 km de Belo Horizonte. À época, tivemos informações de vários casos de observações e até mesmo de contatos imediatos de 2º e 3º graus. Porém, não conseguimos a verba necessária.

A equipe do CIPFANI, em conjunto com a AMPEU (Associação Mineira de Pesquisa Ufológica), pretende reativar este projeto. Os interessados em participar desta viagem de pesquisa podem entrar em contato com nossa redação. No canal oficial da OVNI Pesquisa no YouTube, o leitor poderá ver os vídeos da expedição meteorítica realizada em Pirapora, em 2002. Também estão disponíveis as reportagens exibidas pelo SBT e pela Rede Globo.

A OVNI Pesquisa tem em seu site uma sessão para que os leitores possam enviar relatos. Caso você tenha conhecimento de eventos ocorridos nestas regiões, entre em contato conosco no e-mail abaixo.

contato@ovnipesquisa.com.br

CRÉDITO: Bento Viana/WWF-Brasil

13 jan 2021

Papo Assemp: Cancelamento, relacionamentos virtuais e conversas digitais

Arquivado em Cidade, Comportamento, opinião, Vlog

Amigos e amigas, tive a satisfação de participar de um papo bem gostoso com o jornalista Patrick Ribeiro da Comunicação da Associação dos Servidores da Prefeitura de Belo Horizonte (ASSEMP) sobre os relacionamentos virtuais, durante a pandemia coronavírus; cancelamentos virtuais; privacidade nas redes e muito mais. Foram momentos de interação virtual e muito aprendizado para todos que participaram da live promovida pela Comunicação ASSEMP/BH.

Confira

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