19 mar 2021

Mitos e fatos: É necessário fazer reposição hormonal?

Arquivado em Comportamento, saúde

Muitas mulheres, principalmente aquelas acima de 50 anos, têm dúvidas com relação aos benefícios da reposição hormonal. É necessário recorrer aos medicamentos para controlar os sintomas da menopausa, como: ausência da menstruação; ondas de calor  e suores noturnos; ressecamento vaginal (secura); diminuição no desejo sexual; osteoporose; aumento do risco cardiovascular; alterações na distribuição da gordura corporal; depressão?

Entrevistei a médica ginecologista, Márcia Mendonça Carneiro. Ela é também professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina – UFMG.  Confira:

 

O que é reposição hormonal?

É a utilização de medicamentos hormonais para repor o estrogênio, hormônio feminino produzido pelos ovários cuja produção cessa após a ocorrência da menopausa (última menstruação). As mulheres nascem com um estoque fixo e não-renovável de óvulos, cuja quantidade e qualidade reduz com o passar dos anos até a ocorrência da última menstruação (menopausa) que ocorre em média em torno dos 51 anos, mas as modificações que levam à menopausa podem começar até 8 anos antes e se manifestam principalmente por irregularidade menstrual.

Como os hormônios agem no organismo feminino?

O estrogênio exerce funções importantes não só nos órgãos reprodutivos, mas também é importante para o aparelho cardiovascular, saúde óssea e funcionamento do sistema nervoso central entre outras funções. Após a menopausa, a redução dos níveis do estrogênio surgem sintomas como as ondas de calor, aumento do risco cardiovascular e osteoporose e ressecamento vaginal.

Quem deve recorrer aos hormônios?

A indicação de terapia hormonal é individualizada e requer avaliação médica especializada que leve em consideração a presença de sintomas, risco cardiovascular, história pessoal e familiar de câncer entre outros fatores. Atualmente considera-se que o grupo que mais poderia se beneficiar da terapia hormonal são as mulheres antes dos 60 anos idade (ou até 10 anos de menopausa) com fogachos (ondas de calor) respeitando-se as contraindicações (câncer de mama ou qualquer câncer hormônio dependente, história pessoal de trombose, sangramento vaginal não avaliado, doença coronariana, doença cerebrovascular, lúpus). É preciso ressaltar que há opções não-hormonais para combater alguns destes sintomas indesejáveis da menopausa e que a prescrição da TH exige a presença clara indicação (alívio de sintomas associados a menopausa) e a ausência de contraindicações.

Quais os benefícios da reposição hormonal?

As principais indicações da TH para os quais há benefícios são para o tratamento dos sintomas vasomotores (fogachos e ondas de calor) e da atrofia vulvovaginal e a prevenção da osteoporose e fraturas osteoporóticas. Observa-se ainda melhora da qualidade de vida em mulheres na peri e pós-menopausa sintomáticas em resposta à melhora obtida com tratamento sobre os sintomas vasomotores e as alterações da função sexual, do sono, e do humor. Estudo comprovam o benefício da TH em diversas situações.

Há evidências de benefícios da TH sobre:

• sintomas vasomotores
• efeito positivo no humor e sono
•controle da irregularidade menstrual durante o período de transição menopausal
• prevenção de fraturas osteoporóticas
• prevenção e tratamento da atrofia vulvovaginal
• melhora da função sexual
• redução do risco de diabete melitus
• diminuição de câncer de intestino
• redução do risco cardiovascular e de doença Alzheimer quando iniciada na transição
menopausal ou na pós-menopausa recente
• melhora da qualidade de vida das mulheres sintomáticas

Quais os riscos da reposição hormonal?

Os dois riscos principais e temidos são o aumento do risco de câncer e trombose.
O aumento do risco de câncer de mama associado ao TH é pequeno e estimado em menos de 0,1% ao ano, ou seja, uma incidência absoluta de menos de um caso por 1.000 mulheres por ano de uso.

A incidência estimada de trombose venosa profunda e embolia pulmonar (TEV) é de um a dois casos por 1.000 mulheres/ano, mas estudos sugerem que o suo de TH pode resultar em sete a 18 casos adicionais por 10 mil mulheres com maior risco nos primeiros 2 anos de tratamento. Dessa forma, a avaliação médica especializada é fundamental na prescrição de TH e acompanhamento dessas mulheres.

Reposição hormonal engorda?

Não. Na verdade, o ganho de peso acompanhado de uma maior tendência para a distribuição da gordura central (região do abdome) é comum entre as mulheres que estão aproximando da menopausa. Essas mudanças são resultado do envelhecimento, diminuição dos níveis de estrogênio após a menopausa e outras influências que interferem na adoção de medidas de estilo de vida saudável. (dieta inadequada e sedentarismo), que aliados à redução do estrogênio resultam em risco aumentado de doença cardiovascular na pós-menopausa. A obesidade está associada ao aumento de várias doenças como diabetes e câncer assim como piora das ondas de calor. A boa noticia é que a obesidade tem tratamento eficaz e o resultado é a melhora global da saúde.
8. Reposição hormonal aumenta a chance da mulher ter câncer? (vide resposta 5)

Considerações finais

Com o aumento da expectativa de vida, espera-se que as mulheres passem cerca de 1/3 da vida no período pós-menopausa. A TH é considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa, sendo que os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres sintomáticas com menos de 60 anos de idade ou dentro do período de 10 anos da pós-menopausa. O uso de TH é uma decisão individualizada, que deve levar em consideração a qualidade de vida e os fatores de risco, como idade, tempo de pós-menopausa e risco individual de tromboembolismo, de doença cardiovascular e de câncer de mama, devem ser avaliados.

05 mar 2021

Mulher: uma conquista a cada dia

Arquivado em Cidade, Comportamento, opinião

Por: Emília de Castro Belo, administradora de empresa, sócia- Fundadora da Aspen Investimentos

Entrada no mercado de trabalho, independência financeira, direito político, liberdade sexual. Essas são algumas conquistas da mulher moderna. Mas será que isso basta? Acho que não, pois essas vitórias e os obstáculos do dia a dia parecem andar juntinhos, como por exemplo, conciliar a vida profissional com a familiar e ainda priorizar as atividades profissionais; desempenhar plenamente os papéis, como o de mãe, profissional, dona de casa e ainda ser uma esposa exemplar; e etc.

Vale dizer que tudo começou no dia 28 de fevereiro de 1909, nos Estados Unidos, quando mulheres foram para as ruas para reivindicar por seus direitos. Já naquela época, havia muitas denúncias de más condições de trabalho em fábricas formadas essencialmente pelo sexo feminino. Era nítido, que os privilegiados que tinham melhores condições, eram os homens, com cargo de chefia.

Com as reivindicações do Movimento Feminista, especialmente a partir da década de sessenta do século XX, as mulheres conseguiram inúmeras conquistas, ou seja, mesmo não evitando a desigualdade entre os sexos, diminuíram consideravelmente as diferenças.

As profissões importantes e de prestígio, à época, eram muito menos associadas a nomes femininos do que são atualmente. Com acesso negado aos estudos e ambientes intelectuais durante séculos, a primeira mulher a alcançar um diploma de ensino superior o conquistou estudando sozinha, e não dentro das salas de aula. A heroína foi a filósofa italiana Elena Lucrezia Piscopia Cornaro, que reclamou este direito acredite, apenas em 1678.

Foi apenas no início do Século XX que as mulheres de classe média começaram a atuar nas empresas, preenchendo funções de auxiliar, como secretárias. Aos poucos, elas foram ganhando espaço no mercado de trabalho, bem como sua inserção na política. Além disso, as mudanças na economia, a globalização e o capitalismo, trouxeram como consequência a busca pelo aumento da renda familiar, favorecendo o crescimento das mulheres dentro das empresas.

Diante do atual cenário, mediante o surgimento da pandemia em decorrência do novo coronavírus, a vida de muitas mulheres virou pelo avesso. De acordo com a pesquisa Mulheres na pandemia, realizada pela Gênero e Número, 50% das mulheres no Brasil passaram a ser cuidadoras de alguma pessoa, sendo que 16% delas foram prejudicadas em suas finanças por conta desse fato.

Mas no Dia Internacional da Mulher, que se comemora no dia 8 de março, temos também que destacar as coisas boas: direito de expressão, direito ao voto, direito de escolher ter ou não filho, direito de tomar as próprias decisões. O resultado desse mix positivo foram as transformações ideológicas e psicológicas nas novas gerações.

A mulher tem a capacidade de sempre encontrar equilíbrio entre a sua carreira e a vida familiar. Ela sabe dividir e diferenciar o que é trabalho e o que é lazer encontrando uma nova forma de viver bem na sociedade. Que assim seja!

07 fev 2018

PREVENÇÃO: Mamografia é um exame seguro, indolor e com baixa irradiação

Arquivado em saúde, Saúde da Mulher

exameO diagnóstico precoce é um dos maiores benefícios da mamografia. O exame é feito pelo mamógrafo, usando um aparelho de Raios-X, onde a mulher é posicionada e, posteriormente, radiografada – o que vai resultar em imagens que servirão de base para o estudo dos tecidos da mama. Assim, é possível ver em detalhes e saber se há ou não algum nódulo ou cisto.

A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame a partir dos 40 anos, mesmo para as mulheres consideradas com risco habitual para desenvolvimento da doença. Alguns estudos científicos já comprovaram que o uso da mamografia em programas de rastreamento do câncer de mama diminui em até 36% a taxa de mortalidade. O exame é capaz de detectar nódulos a partir de 2 a 3 mm, um grande avanço da medicina, fundamental para detecção, diagnóstico e tratamento bem-sucedido.

Segundo a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – regional Minas Gerais, Annamaria Massahud, apesar de não prevenir o câncer de mama, a mamografia confere à mulher maior chance de um diagnóstico precoce. “Um tratamento efetivo desde o início, com a lesão ainda pequena, aumenta para 90% as chances de cura e diminui a necessidade de cirurgias mutilantes”, afirma a especialista.

São dois, os tipos de exames de mamografia que podem ser realizados: mamografia digital e mamografia convencional. O mais comum é realizado com o auxílio de um filme que faz a exposição da mama ao raio-X. Em seguida, a imagem é armazenada nesse filme. Na mamografia digital, por meio de sinal elétrico, as imagens realizadas no raio-X são armazenas e enviadas ao computador. Os resultados de ambos são confiáveis da mesma maneira, o que muda é que no resultado digital os riscos de perder a imagem por danos externos são menores.

A radiação do exame não é perigosa, pois é obtida com o uso de feixe de raios – X de baixa energia. Em relação à dor, é comum que as pacientes reclamem de algum desconforto, mas a mamografia é rápida e o incômodo é suportável. O medo de descobrir o câncer também impede que muitas mulheres façam a mamografia, mas, cerca de 80% dos nódulos encontrados tendem a ser benignos. “As mulheres devem procurar um mastologista assim que perceberem qualquer alteração nas mamas. O diagnóstico é feito por meio de avaliação física das mamas e axilas, dos exames complementares e de uma biópsia da lesão”, explica Massahud.

ESTATÍSTICAS

Dados recentes divulgados Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostraram que o câncer de mama será, novamente, o tipo mais comum da doença entre as mulheres brasileiras. A expectativa é que sejam diagnosticados 59.700 novos casos de câncer de mama em 2018.

SUS

O Senado Federal aprovou, recentemente, o decreto legislativo que garante às mulheres entre 40 e 49 anos, o acesso ao exame da mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS). O decreto tornou sem efeito a portaria do Ministério da Saúde, de 2014, que mudava a fonte de recursos e obrigava os municípios a arcarem com os custos do procedimento para mulheres mais novas, garantindo a mamografia totalmente gratuita apenas àquelas com idade entre 50 e 69 anos. A decisão do Ministério da Saúde foi contestada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), uma vez que 30% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com menos de 50 anos e a mudança dificultava o acesso ao exame para quem está nessa faixa etária.

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