25 jan 2021

Em busca do meteorito e de objetos não identificados, em Pirapora

Arquivado em Cidade, Comportamento, Ufologia

Imagem ilustrativa. Revista Ovni Pesquisa

No dia 1º de agosto de 2002, os moradores de Pirapora e cidades vizinhas, no norte de Minas, puderam observar um fenômeno raro e de grande beleza: a passagem de um meteoro que riscou o céu no sentido nordeste-sudoeste, por volta das 19h40, seguida da sua provável queda em uma região pouco habitada, distante mais de 120 km de Pirapora.

O cerrado agreste e as altas temperaturas nesta época, juntamente com estradas precárias, foram obstáculos enfrentados nas primeiras buscas por evidências de uma possível queda. Paulo Baraky Werner, representando o CIPFANI (Centro de Investigações e Pesquisas de Fenômenos Aéreos Não Identificados) e Márcio Vicente Teixeira, representando o GRUMPU (Grupo Mineiro de Pesquisas Ufológicas), saíram de Belo Horizonte no dia 15 de agosto de 2002, na primeira expedição até o local.

Assessorados pela equipe da TV RIO de Pirapora, em parceria com a sucursal norte da TV Alterosa (SBT), as equipes do CIPFANI e do GRUMPU percorreram uma grande área, coletando informações, depoimentos em vídeo e um rico registro fotográfico da região. A magnitude do fenômeno, que em alguns pontos provocou abalos sísmicos e ondas de calor, assustou e ao mesmo tempo maravilhou o humilde e religioso homem do campo.

“Achei que Jesus estava chegando”, comentou o vaqueiro Domingos Barbosa Silva, de 54 anos, morador de Cachoeira da Manteiga, local em que o fenômeno foi observado com muita intensidade. Os moradores chegaram a acreditar que o mundo estava acabando, e houve quem afirmasse se tratar da mãe-do-ouro, tentando dar uma explicação sobre a estranha bola de fogo.

Ao chegar a Belo Horizonte, as equipes buscaram apoio financeiro e logístico para efetuar uma segunda expedição até a região. O objetivo principal era coletar mais informações para traçar a trajetória do bólido e identificar o local da possível queda. O relatório resumido desta viagem mostra as dificuldades e o empenho dos grupos CIPFANI e GRUMPU para trazer até a comunidade científica uma descrição fiel do fenômeno.

No dia 31 de agosto de 2002, os pesquisadores Márcio Vicente Teixeira e Paulo Baraky Werner retornaram até o norte de Minas Gerais, mais precisamente ao município de Buritizeiro, onde percorreram mais de 300 km de estrada de terra. Patrocinada pelo pesquisador mineiro Ubirajara Franco Rodrigues, a segunda expedição contou com a colaboração do motorista da prefeitura local, o Sr. Eulálio Lopes e do cinegrafista da TV RIO, Cláudio Vieira.

Mais coisas nos céus do que meteoros

Na porção semiárida do território mineiro, onde a paisagem fica menos acidentada, a caatinga domina os vales dos rios São Francisco, Paracatu e Rio do Sono. A região norte do estado, que é conhecida como “sertão mineiro”, no passado serviu de abrigo e esconderijo para escravos. Também foi usada como rota natural para o gado proveniente da Bahia e pelos tropeiros que viajavam para Goiás.

A pouca disponibilidade de recursos hídricos condiciona a economia às atividades primárias, como a pecuária extensiva e a agricultura de subsistência. Os moradores da região sobrevivem como heróis, pois é imensa a falta de recursos. Os vilarejos se instalam próximos aos córregos e rios, que são fontes de água e sustento da família. E foi em um destes vilarejos, Paredão de Minas, que iniciamos a nossa busca por informações e evidências sobre a passagem e provável queda do meteorito.

Às margens do Rio do Sono, os moradores do pequeno vilarejo também presenciaram o fenômeno. Eles forneceram pistas importantes para a nossa equipe. O tratorista Edison P. França (foto ao lado), de 47 anos, relata a observação do meteoro, que foi descrito como uma imensa bola de fogo que cruzou o céu no sentido nordeste-sudoeste, iluminou o chão e depois de cerca de seis segundos provocou um forte estrondo.

A observação, segundo ele, ocorreu entre as 19h e 20h. “Parecia luz de solda!”, finaliza. Preenchemos vários questionários de pesquisa em Paredão de Minas e, por motivos de força maior, tivemos que sair do vilarejo às pressas durante a noite, rumo à Fazenda do Grupo Sendas, situada às margens do Rio Paracatu.

Durante a espera pela balsa para realizar a travessia do Rio Paracatu, obtivemos o relato do pescador Gilberto Nunes, de 42 anos, morador local que também presenciou o fenômeno. O tempo estava bom, sem nuvens e céu estrelado, quando o Sr. Gilberto notou a estranha luminosidade. Um objeto de magnitude superior ao planeta Vênus cortou o céu e desapareceu por detrás da copa das árvores. Logo depois, pôde-se ouvir um forte estrondo. A cor do bólido variava entre o vermelho e o amarelo. Segundo ele, o objeto teria caído nas propriedades da Fazenda Porto Alegre.

O pesquisador Márcio Vicente, encarregado de interrogar e preencher os questionários técnicos destacou a dificuldade de se obter dados precisos nestas circunstâncias, uma vez que as testemunhas são pessoas humildes, que buscam em suas crenças respostas para aquilo que não compreendem. Foi difícil coletar os dados necessários, pois nem sempre as pessoas estavam no mesmo local da observação, dificultando o registro em bússola da trajetória real do meteoro.

Filmadoras e câmeras fotográficas são necessárias, mas nem sempre é possível filmar um depoimento ou obter um registro fotográfico. Acostumados em lidar com este tipo de situação, em nossas investigações de campo driblamos estas dificuldades e conseguimos registrar bons depoimentos e várias fotos das testemunhas locais. A expedição não teve êxito em sua proposta. Na época, não havia estradas suficientes na região nem drones disponíveis para auxiliar na busca por sinais que pudessem indicar o local da queda.

A região é isolada, “fim do mundo”, como os mineiros gostam de falar. E nas entrevistas com o povo que habita a região, surgiram vários relatos interessantes de OVNIs. Dentre dezenas deles, destacamos um que nos chamou a atenção, por ser similar ao que ocorreu no filme “Contatos Imediatos do 3º grau”, em que a caminhonete dirigida por Roy Neary (Richard Dreyfuss) é seguida por um “disco voador”.

O Sr. Sidraque Alves, de 59 anos, é dono da única pousada no pequeno vilarejo de Paredão de Minas, distante 90 km de Pirapora. Ele nos contou que seu filho vinha dirigindo o carro pela estrada de acesso ao vilarejo, quando notou que havia outro veículo atrás. A estrada é estreita e muito ruim. Como a região é muito seca, “grande sertão veredas”, qualquer veículo levanta muita poeira ao transitar. Quando ele parou o carro e desceu para abrir uma porteira, notou que o automóvel que o seguia simplesmente tinha evaporado. Achou estranho, pois naquela região não tem nada. O que faria um carro seguir até determinado ponto e retornar sem qualquer motivo? Outra coisa que chamou a sua atenção: como o “carro” que estava atrás dele iria manobrar tão rápido sem ser notado?

Durante os dois dias em que percorremos quase 900 km, coletamos vários registros de luzes estranhas. Por ser uma área agreste e distante, acreditamos que nunca foi estudada por grupos ufológicos. Minas Gerais é um estado gigantesco, e as regiões do norte e Jequitinhonha são férteis em observações de OVNIs. O que falta são expedições constantes, assim como a que realizamos em 2002. Em 2005, planejamos uma expedição para a região do Mucuri, em Novo Oriente de Minas, distante 446 km de Belo Horizonte. À época, tivemos informações de vários casos de observações e até mesmo de contatos imediatos de 2º e 3º graus. Porém, não conseguimos a verba necessária.

A equipe do CIPFANI, em conjunto com a AMPEU (Associação Mineira de Pesquisa Ufológica), pretende reativar este projeto. Os interessados em participar desta viagem de pesquisa podem entrar em contato com nossa redação. No canal oficial da OVNI Pesquisa no YouTube, o leitor poderá ver os vídeos da expedição meteorítica realizada em Pirapora, em 2002. Também estão disponíveis as reportagens exibidas pelo SBT e pela Rede Globo.

A OVNI Pesquisa tem em seu site uma sessão para que os leitores possam enviar relatos. Caso você tenha conhecimento de eventos ocorridos nestas regiões, entre em contato conosco no e-mail abaixo.

contato@ovnipesquisa.com.br

CRÉDITO: Bento Viana/WWF-Brasil

26 jun 2020

OVNI: Luz misteriosa em São João del-Rei intriga moradores há oito décadas

Arquivado em Cidade, Comportamento, Ufologia

Ovni Pesquisa

Por Edison Boaventura Júnior, ufólogo e coeditor da Revista Ovni PesquisaDuas mil pessoas testemunharam, impressionadas, um estranho fenômeno luminoso, que evoluiu sobre o Morro do Carmo, na cidade de São João del-Rei, MG

No dia 2 de maio de 1986, o ufólogo Edison Boaventura Júnior entrevistou o senhor Antônio Borges Silva, de 70 anos na época, que contou seu avistamento de OVNI, ocorrido em dezembro de 1939, por volta das 22h, no morro do Carmo, em São João del-Rei, no estado de Minas Gerais.

Na Planilha de Informação Técnica do GUG (Grupo Ufológico de Guarujá), ficou registrado este interessante relato, ocorrido antes da Era Moderna dos Discos Voadores, ou seja, antes do ano de 1947.

Antônio disse: “Na época eu tinha 24 anos de idade e muitas pessoas tinha visto a luz. Ninguém sabia o que era uai. Era uma luz branquinha forte e às vezes, fica amarela e, depois avermelhada uai e, também verde azulado. Andava o trem pra cima e pra baixo, zigue-zague e sumiu no mato. Outras pessoas também observaram a luz”.

A cidade de São João del-Rei é famosa pelos variados casos folclóricos de observações de “bolas de fogo”, “mães-de-ouro” e, até mesmo, de objetos voadores não identificados, que aparecem frequentemente nos arredores da cidade e da zona rural, principalmente onde existem morros e mata abundante.

O escritor Alair Coêlho de Resende chegou a escrever que: “São João del-Rei é rica em casos de assombrações… Não são raros os relatos de pessoas sérias que tiveram a feliz, ou amedrontadora oportunidade, de serem contempladas com visões noturnas sobrenaturais. E estes relatos eram mais frequentes quando nossa iluminação pública era mais precária, ou até inexistente, fato que ocorria com mais intensidade até a década de cinquenta, quando quase não tínhamos veículos automotores percorrendo nossas estradas e ruas”.

JORNAIS DA ÉPOCA REGISTRARAM O FATO

Ovni Pesquisa

Passados alguns anos da coleta do primeiro depoimento da ocorrência, tivemos acesso ao jornal Diário da Noite, número 3839, de 29 de dezembro de 1939, que na página número 5 trouxe um artigo esclarecedor intitulado “UMA LUZ MYSTERIOSA MOVE-SE PELO MORRO”.

O periódico informava que a população local continuava impressionada com o fenômeno, que foi observado nas imediações da cidade e sobre o morro do Carmo, em vários dias do mês de dezembro de 1939. Na ocasião, pessoas de respeito na cidade foram ouvidas sobre as estranhas aparições da luz.

Um dos entrevistados pelo jornal foi o senhor Garcia de Lima, professor e diretor da Escola de Menores Padre Sacramento. Ele confirmou a existência do fenômeno dizendo: “Não acredito em fenômenos sobrenaturais, mas não posso negar um fato evidente constatado por centenas de pessoas”.

Outra testemunha, o fazendeiro Emygdio Apolinário de Moraes afirmou: “Essa luz é velha, errante. Aparece aqui e acolá. É minha conhecida há muitos anos. Já a vi até sobre o Rio das Mortes e na Serra de Tiradentes. É um fato incontestável, porque é a expressão da verdade”.

VIRAM A LUZ

O senhor Alfredo Mauro e seu irmão Ricardo Mauro, de um estabelecimento tradicional na cidade, o conhecido Café Rio de Janeiro, declararam ser autênticas as aparições e que até presenciaram a “luz misteriosa”.

“Meu irmão Ricardo sempre falou em tal luz. Não acreditava nela. Mas certa noite resolvi ir até lá. Foram em minha companhia o meu filho Ricardinho, o senhor Roberto Pequeno, o motorista Ricardo e o senhor Geraldo Guimarães, filho do senhor Hermógenes Guimarães, gerente da Agência Chevrolet e do Banco Hipotecário. Fui como desejaria ir, sem alarde, num dia de pouca gente.

Estivemos lá das 9:00 até as 10:00 horas da noite, sob uma coberta, próxima da Escola Padre Sacramento, sem nada observar. Por volta das 10:30 horas surgiu a luz, próxima a um vargedo. Um foco forte e brilhante. Corremos todos para ela, que desapareceu subitamente, para surgir em ponto diferente. Reapareceu seis vezes mais e, quando regressamos, do vidro traseiro do automóvel ainda observamos, nitidamente, um foco lindo, forte a iluminar a noite escura. Não sou nervoso, nem supersticioso. Asseguro-lhe ser um fato real, fenômeno que deve ser explicado pela Ciência. Um fato natural dos mais curiosos que tenho observado em toda a minha vida”, relatou o comerciante.

DUAS MIL PESSOAS TESTEMUNHARAM O FENÔMENO

Na época, o jornal também entrevistou o bibliotecário municipal, senhor Vicente de Azevedo. “Pode citar o meu nome. Vi a luz do Patronato, várias vezes, com outros amigos. Fenômeno interessantíssimo. Merece ser estudado pelos homens de Ciência”, disse o funcionário público. O senhor Alcides Barbosa, funcionário do Centro de Saúde, também viu o mesmo fenômeno, acompanhado de outros amigos. Todavia, no dia 12 de dezembro de 1939, duas mil pessoas foram ao morro do Carmo e atestaram a existência da “luz misteriosa”.

O artigo do jornal encerrou dizendo que o fenômeno ainda não estava explicado. Entretanto, não restava nenhuma dúvida quanto à sua veracidade. Muitos jornais divulgaram o fato, sendo que cada um tentava explicar de uma maneira diferente. Uns diziam que era inverdade e o motivo da invenção seria para trazer notoriedade para a cidade e região.

Jornais como “O Globo”, do dia 7 de dezembro, “O Imparcial”, do dia 8 de dezembro, “A Gazeta”, do dia 9 de dezembro e o “Diário do Comércio”, dos dias 3 e 10 de dezembro, dentre outros, mencionaram o fenômeno.
Conversei com a filha do Geraldo Guimarães, a senhora Maria Lúcia Monteiro Guimarães que, gentilmente, pesquisou vários jornais da região no intuito de auxiliar na nossa investigação sobre o intrigante episódio.

OUTRAS TESTEMUNHAS

Há alguns anos, conversamos também com o senhor Pedro de Figueiredo Rodrigues, que foi testemunha do fato. Ele declarou que, durante o mês de dezembro, ele avistou várias vezes uma bola de luz que variava de cor e voava muito rápido por cima do morro. Segundo ele, ela voava cerca de 800 metros em poucos segundos.

Recentemente, o pesquisador Paulo Baraky Werner esteve na cidade, onde fez vários contatos e tirou fotos para a pesquisa. Ele também tentou localizar alguma testemunha viva, com o auxílio da Rádio local. A partir de então, conversei por telefone com duas destas testemunhas. O senhor Paulo Resende, que na época tinha 17 anos de idade, informou que viu por três vezes. “Era uma luz avermelhada que voava no morro. Ninguém sabia o que era. Mas, depois falaram que era armação de taxistas com lanternas que estavam faturando pouco e, inventaram esta estória para conseguir mais clientes e aumentar os seus ganhos”, disse Paulo.

Outra testemunha com a qual conversamos foi o conhecido major Ivan Esteves Alves, que é o último expedicionário são-joanense sobrevivente da 2ª Guerra Mundial. “No antigo Patronato sempre se via uma luz no morro. Lembro que a gente, meu pai e meu irmão, vimos uma luz colorida. Era grande e estava no morro. Isso no ano de 1926. Muitos falavam que aparecia ali. Ninguém sabia o que era aquele fenômeno. Apareceu depois muitas vezes e foi visto por moradores da cidade”, afirmou o major.

CONCLUSÕES

É fato que algo sobrenatural aconteceu naquele ano de 1939. Considero que pode ter sido um fenômeno ufológico real nos primeiros dias e, até ter tido um esquema fraudulento com os taxistas, posteriormente, conforme mencionou o senhor Paulo Resende.

Mesmo que um embuste tenha ocorrido no final do período, o caso inicial é autêntico, pois a quantidade de testemunhas e as características do fenômeno observado garantem esta linha de raciocínio. Além do mais, a cidade tem uma incidência grande de fenômenos ufológicos, aliada ao fato de que muitos populares nomeiam este fenômeno de “mãe-de-ouro”, “bola de fogo”, “luz do mundo” ou “assombração”.

Os jornais da região periodicamente noticiam fatos de natureza sobrenatural. Como exemplo, na edição número 4726, de 26 de julho de 1952, do jornal “Diário do Comércio” foi estampado a notícia com o seguinte título: “Disco Voador em São João del-Rei?”.

O artigo que transcrevo a seguir versava sobre um estranho objeto, que foi observado no céu pela manhã, no dia 25 de julho de 1952: “Fomos informados que várias pessoas, no bairro das Fábricas, cerca de 9:30 horas da manhã de ontem, observaram um estranho objeto no céu, supondo-se tratar do tão discutido “disco voador”. Procuramos ouvir algumas das pessoas indicadas, entre as quais os senhores Samuel Rocha, José Juvenal da Cruz, Carlos Batista da Silveira e Antônio Tomás, que confirmaram à nossa reportagem terem visto um objeto de aparência metálica, completamente parado no espaço, por alguns instantes e depois tomar o rumo do nascente, sem produzir o menor ruído”.

Assim, concluímos que um fenômeno ufológico autêntico ocorreu no final do ano de 1939, naquelas paragens mineiras, diante dos olhos espantados de milhares de são-joanenses!

No mês de abril de 1939, na cidade mineira de Uberaba, ocorreu a observação de uma luz misteriosa que foi noticiada por vários jornais.

14 abr 2020

“Operação Prato”: OVNIs que atacam a Torre de Controle

Arquivado em Comportamento, Ufologia

Membros do GUA – Grupo Ufológico de Amazônia realizaram muitas pesquisas sobre o Fenômeno Chupa-Chupa e tiveram a oportunidade de participar de uma projeção secreta de um dos filmes Super-8 obtidos na época. Esta raríssima exibição teve como palco a torre de controle do Aeroporto Internacional de Belém.

Por Jairo Costa,  Jornalista, editor, autor de “Amazônia Fantástica”, “Paranapiacaba lendas e Mitos” etc.* Publicado na Revista Ovni Pesquisa

Muito antes de Julian Assange, Edward Snowden, Chelsea Manning e Glenn Greenwald abalarem as estruturas mundiais de poder revelando para a opinião pública documentos confidenciais envolvendo vários governos do planeta, o GUA – Grupo Ufológico da Amazônia, sediado na cidade de Belém, no estado do Pará, nos idos dos anos 1980 já vazava relatórios e fotografias secretas de OVNIs produzidos pela FAB – Força Aérea Brasileira, durante a Operação Prato, entre os anos de 1977 e 1979.

Fundado dois anos após o fim da ditadura militar, em 7 de março de 1987, fruto da fusão de quatro distintos organismos de pesquisa: Grupo Ufológico do I.P.P. (Instituto Paraense de Parapsicologia), EAUP (Estudos Amadores de Ufologia do Pará), GREUFO (Grupo de Estudos Ufológicos) e BAVIC, o GUA entrou para a história mundial da Ufologia (mesmo estando longe dos grandes centros urbanos do País e em uma época pré-Internet) ao ser o primeiro grupo a realizar pesquisa minuciosa sobre as manifestações luminosas ocorridas entre o estado do Maranhão e a foz do rio Amazonas, no Pará.

Durante os vários anos de atividade o GUA atraiu atenção da comunidade de pesquisadores do Brasil e do exterior, recebendo visitas ilustres como a do renomado cientista da NASA, Jacques Vallée, do Jornalista espanhol Pablo Villarrubia Mauso e do pioneiro Reginaldo de Athayde, importante ufólogo cearense, dentre muitos outros.
Composto por estudantes, professores universitários, biólogos, engenheiros, jornalistas e profissionais liberais, com intensa pesquisa de campo, estudo aprofundado e um lastro grande de contatos na sociedade paraense, o GUA produziu uma enormidade de materiais de pesquisa e apurou quase uma centena de casos de OVNIs nos estados do Pará, Maranhão, Amapá e Amazonas.

Dentre tantas ocorrências pesquisadas, o caso do ataque ufológico a um casal de ribeirinhos é um dos exemplos dos mais significativos na época do Fenômeno Chupa-Chupa, contendo todos os elementos de violência e mistério que marcaram aquelas aparições de OVNIS desde seu surgimento.

Sílvia Mara tinha 31 anos em 1990 quando recebeu a equipe do GUA em Tapiapanema, uma comunidade isolada de pescadores, sem luz elétrica, localizada no interior da Ilha de Mosqueiro, em plena selva. Sua casa de madeira, suspensa por palafitas, típica da Amazônia, ainda era a mesma que, no dia 29 de outubro de 1977, foi invadida por um aparelho luminoso.

DUAS CRIATURAS ATACAM EM TAPIAPANEMA

Sílvia Mara, com 17 anos de idade, estava grávida de dois meses e naquela tarde de sábado repousava em uma rede com seu marido Bendito Campos Trindade, de 24 anos, próximos a uma janela. Deveria ser aproximadamente 18 horas, já escurecia quando notaram um objeto oval, com uma cor que mudava de verde para prata, emitindo uma luz através da janela, como se fosse um foco em direção ao local onde eles estavam.

“Ficamos muito curiosos em saber do que se tratava aquilo, nos levantamos e passamos a observar atentamente o aparelho quando a luz atravessou uma fresta de nossa casa e me atingiu. Na hora eu senti o corpo todo entorpecido e minha mente ficou como se estivesse entrado em um transe. Imediatamente meu marido me amparou, me levando para longe da luz.

Quando tentamos fugir, do lado de fora da casa duas criaturas de aparência indefinida surgiram portando uma espécie de lanterna. Novamente através das frestas da casa, me atingiram, desta vez no pulso. Minhas veias pareciam saltar para fora, aquele raio havia deixado o meu corpo todo intumescido. Gritando por socorro, meu marido tentou me proteger mais uma vez, me carregando para a sala.

Nessa hora, meu vizinho, José do Nascimento Sobral, que mora a uns 500 metros de casa, ouviu meus gritos e partiu em nosso apoio, disparando vários tiros de espingarda em direção aos seres, fazendo-os fugir. Rápido, meu marido me levou para a casa do vizinho José, eles tentavam me acalmar e temiam que eu perdesse o bebê. Enquanto se ocupavam comigo, o aparelho novamente apareceu, flutuando bem baixo.

Meu marido correu para a janela, onde foi atingido pelo raio luminoso, ficando momentaneamente paralisado. A luz se afastou, foi embora. Passou-se um tempo, meus familiares que estavam na sede da ilha retornaram e ao saberem da história, nos colocaram em um barco a procura de atendimento médico. Durante o trajeto, feito já em avançada hora da noite, uma luz passou a nos perseguir até o porto escadinha, na vila de Mosqueiro, quando em dado momento, lançou um jato de luz no rio, fazendo um grande barulho, desaparecendo logo depois. Fiquei internada em um hospital por dois meses, em consequência do trauma daquele dia, perdi o bebê”, contou a vítima.

Muitos vizinhos testemunharam o ataque a Sílvia. Maria Raimunda de Souza, na época com 18 anos, ouviu um som, um zumbido, como se madeira estivesse sendo cortada. Quando foi para fora de casa descobrir o que estava ocorrendo, viu sua cadela Vitória ser atingida por um feixe de luz na cabeça enquanto corria atrás de um vulto que se embrenhava na floresta.

Dias antes de terminar este artigo para OVNI Pesquisa, entrei em contato com parentes de Sílvia na Ilha do Mosqueiro, para saber notícias suas 29 anos depois de nosso contato. Sílvia Mara está viva mas, encontra-se muito debilitada, com um sério problema de saúde.

FILME SUPER-8 É EXIBIDO DENTRO DA TORRE DE CONTROLE

Além dos casos investigados, o GUA se notabilizou por ter acessado e vazado cópias (para pesquisadores e para a Imprensa) de inúmeros documentos da FAB. Porém, não conseguiu escoar um dos materiais mais polêmicos e preciosos captados durante a evolução daquele fenômeno: os famosos filmes Super-8, gravados pela equipe do 1º Comando Aéreo Regional (I COMAR) durante a Operação Prato.

Muitos duvidam de sua existência, outros apostam que são uma lenda, mas nós tivemos acesso a um destes filmes no final dos anos 1980 e, podemos afirmar que são incríveis e tão reais quanto o próprio fenômeno.

Nossa película chegou até o GUA por meio de um parente de um dos integrantes do grupo e, foi projetado para parte da nossa equipe dentro das instalações da torre de controle de tráfego aéreo do Aeroporto Internacional de Belém, sede na época do (hoje extinto) DPV – Departamento de Proteção ao Vôo, vinculado ao CINDACTA.

Civis e militares estavam na torre de controle, na sala de radar, naquela noite. O filme que não tinha indicação do local e data de onde fora gravado, mas que provavelmente tenha origem na Baía do Sol ou em Colares exibia um entardecer em praia amazônica, mostrando várias sondas ufológicas evoluindo de forma coordenada.

O que o filme exibia, apesar de um pouco trêmulo e baixa resolução, era uma frota grande de objetos se agrupando e se dispersando, interagindo, com luzes brancas constantes, às vezes oscilantes, com um indiscutível padrão inteligente de movimentação. Naquela noite eu pedi para que se projetasse o filme várias vezes.

Após cada exibição, nós analisávamos as imagens, levantávamos possibilidades, refutávamos teses e seguíamos projetando, projetando e projetando por horas até chegarmos a uma conclusão de que ali estava um assustador e autêntico registro do Fenômeno OVNI, captado pelos militares da Operação Prato.

A película em si tinha poucos segundos de duração, talvez um minuto, sendo que na época os filmes Super-8 tinham duração entre 2 e 3 minutos e meio, podendo ser gravados na versão profissional, utilizando 24 quadros por segundo e a versão amadora, de 16 frames por segundo, com perfuração em apenas um dos lados, sem banda magnética para a captação de som.

O tamanho original da película é ignorado, pois o Super-8 antes de chegar às nossas mãos foi cortado em duas ou três partes e distribuído para outras pessoas. Nosso filme também tinha um remendo com fita adesiva.
Quando ensaiamos um movimento de tentar realizar uma cópia do filme para poder divulgar ao grande público, as partes que detinham a posse do material o recolheram novamente.

Passada aquela exibição extraordinária no Aeroporto de Belém, outros materiais como relatórios e fotos chegaram até nossas mãos, sendo encaminhados para a divulgação pública. Novos filmes também chegaram até alguns integrantes do GUA, que conseguiram vazar se não o conteúdo todo, vários de seus fotogramas captados por militares e civis durante a Operação Prato. Hoje, mais de 40 anos depois do fim da onda ufológica que abalou a Amazônia, esforços constantes ainda tentam trazer ao conhecimento público os fantásticos filmes do Chupa-Chupa. Um dia eles serão revelados!

(Artigo elaborado em memória de Luís Pires, fotógrafo, membro fundador do GUA, falecido em novembro de 2018) 

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