02 ago 2021

Foi meu amor que me disse assim: que a flor do campo é o alecrim

 

O alecrim (Salvia Rosmarinus) é originário da Costa do Mar Mediterrâneo. É um arbusto aromático de pequeno porte. As folhas são lineares e aromáticas, medindo de 1,4 a 4 centímetros de comprimento. Dá flores pequenas, de cor azul-clara, com aroma forte e agradável.  O alecrim também é  conhecido pelo nome de “Rosmarinus” que lembra a denominação latina “ros marinus” – “rosa do mar”.

Para os romanos esta planta simbolizava o amor e a morte e por isto era plantada próximo à soleira das portas das casas. Pela reputação de estimular a memória, conta-se que estudantes gregos usavam ramos de Alecrim nos cabelos, quando submetidos a exames.

A igreja católica também usava o arbusto nos rituais religiosos, queimando-o como incenso. Até hoje diz-se que o alecrim é um excelente amuleto contra o “mal olhado”.  O alecrim também é símbolo de fidelidade entre namorados, além de um excelente purificador, muito usado nos quartos dos doentes durante a Era Medieval.

Já lá em casa, em 2001, início do século XXI, quando o meu filhote ainda estava dentro da minha barriga, o meu ex-marido cantava uma antiga canção, enquanto acariciava a minha barriguinha de grávida. A canção faz parte da tradição familiar dos avós do meu filho.  Alguém conhece?

Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo sem ser semeado
Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo sem ser semeado

Foi meu amor que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim

Foi meu amor que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim.

Além de uma bela história de muito amor, a utilização do alecrim na nossa vida é vasta. São vários benefícios em prol da saúde.

Ação: diurético, estimulante geral do corpo e do couro cabeludo, anti-reumático, tônico da circulação e do sistema nervoso, redutor da formação de gases e  anti-inflamatório.

No aroma, o alecrim é quase inconfundível. O óleo do alecrim é bom para o cabelo; ou pode-se utilizar o chá da planta como banho capilar (não todos os dias – alterne com outros tipos de chás). Estimula a circulação do couro cabeludo e o crescimento de cabelos, sendo usado contra caspa e para prevenir contra a queda excessiva dos fios. Fortifica o couro cabeludo.

O alecrim também é muito utilizado como tempero,  geralmente no preparo de pratos com tempo de cozimento mais longo. Seus talos também são ótimos para agregar sabor a sopas e guisados, batatas e carnes assadas (como frango, porco e salmão), pães como focaccia, tortas e cozidos. Você também pode usar os talos de alecrim para grelhar vegetais.

Para aqueles que amam cozinhar, combinando aromas e sabores, alguns ingredientes são perfeitos e combinam  muito bem com o alecrim, como: alho, tomilho, orégano, louro e hortelã.

30 jul 2021

Como aliviar o estresse: 5 maneiras simples que irão te ajudar

Arquivado em Cidade, Comportamento, saúde

Imagem:
Yan Krukov

Com a correria do dia a dia, muitas pessoas não têm tempo para descansar da rotina e acabam ficando estressadas, mas você sabia que tem como aliviar o estresse com algumas mudanças de hábitos? Exercícios de relaxamento, aromaterapia, ter momentos de lazer são algumas das práticas importantes para ter mais qualidade de vida e menos estresse.

O Brasil é considerado um dos países com maior número de pessoas estressadas, cerca de 70% da população brasileira lida com esses sintomas, os dados foram divulgados pela Isma-BR (Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse Brasil).

A pandemia causada pelo novo coronavírus também contribui para o aumento da ansiedade e do estresse, por exemplo, essas condições e sintomas causam grandes impactos negativos para a vida de quem lida com isso diariamente.

Se você também tem algum sintoma de estresse, ansiedade ou qualquer outra condição de saúde, primeiramente, procure um médico para avaliar seu estado geral de saúde. E se você quiser algumas dicas para como aliviar o estresse diário, confira nossas dicas!

Como aliviar o estresse para dormir: evite utilizar celular a noite

Com a tecnologia cada vez mais presente em nossas vida, o uso do celular é comum durante o dia inteiro, apesar dos benefícios e facilidades que esse dispositivo oferece, ele também possui alguns malefícios.

A luz azul emitida pelos celulares e outros dispositivos eletrônicos já é conhecida por causar alguns problemas à saúde dos olhos, mas não é somente isso, ela também interfere no sono e na sua qualidade.

A melatonina é o hormônio produzido pelo corpo humano e responsável pelo sono. A luz azul prejudica a produção desse hormônio e, consequentemente, no sono, afetando diretamente os níveis de estresse, que podem aumentar.

Como aliviar o estresse para dormir: 

Diminuir ou evitar o uso desses dispositivos algumas horas antes de dormir pode aliviar os casos de insônia, facilitar o relaxamento e diminuir o estresse no dia a dia devido a uma noite de sono mais reparadora.

Utilize a aromaterapia para diminuir o estresse

A aromaterapia é uma terapia milenar utilizada para diversas condições, inclusive é conhecida pelos seus benéficos para como aliviar o estresse.

Alguns óleos essenciais indicados para como aliviar o estresse:

Laranja doce: um óleo bem agradável e que muitas pessoas gostam, seu uso indicado para estresse, pois promove a tranquilidade, diminui a raiva, nervosismo e outros sentimentos que, em excesso, podem prejudicar a saúde e o dia a dia.

Lavanda: um dos óleos mais utilizados, o de lavanda também ajuda a como aliviar o estresse. Uma substância presente nesse óleo chamada de  linalol é a causa para a diminuição dos sintomas dos períodos mais estressantes.

Melissa: a planta já é muito utilizada para chás, pois promovem a calma e aumento da tranquilidade. Na aromaterapia, o óleo essencial de melissa é indicado para estresse, ansiedade e insônia.

Camomila: com propriedades calmantes, o óleo essencial de camomila é benéfico para sintomas de ansiedade e estresse.

Alecrim: outra planta utilizada na aromaterapia e indicada para estresse, o alecrim possui propriedades e dores de cabeça.

Sálvia: conhecida pelas suas propriedades relaxantes e calmantes, a Sálvia pode ser utilizada para massagens, o óleo também pode ser usado por inalação, conforme a recomendação do profissional.

Segundo especialistas, os óleos essenciais são indicados para diversas condições, mas seu uso deve ser feito sempre com orientação de um profissional, para evitar uso em excesso ou algum prejuízo à saúde.

Lembre-se: o mais indicado é procurar um profissional ou loja especializada em aromaterapia para ter uma indicação correta quanto ao uso, tipo de óleo e quantidade de aplicação para o seu caso.

Faça atividades físicas

As atividades físicas promovem diversos benefícios para corpo e mente, e um deles é para como aliviar o estresse. Outras vantagens da prática regular de exercícios é pelas pessoas que lidam com ansiedade, depressão e insônia.

Se você é uma pessoa sedentária, comece a se exercitar aos poucos, mas com constância, assim o corpo se acostuma e, aos poucos, é possível aumentar o tempo dedicado às atividades físicas.

A caminhada, por exemplo, é uma das atividades mais democráticas, sendo indicada para todas as idades e pessoas. Você pode começar com passos mais lentos e ir aumentando aos poucos, sendo possível começar com 30 minutos por dia, 3 vezes na semana, ou conforme recomendação de um professor de educação física.

Contudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz uma recomendação de, no mínimo,  150 minutos por semana de exercícios físicos.

Antes de iniciar qualquer atividade física, é necessário ir ao médico e avaliar sua saúde geral e saber os exercícios mais indicados para sua idade e condição física.

Outras atividades físicas indicadas para como aliviar o estresse:

  • Andar de bicicleta
  • Natação
  • Yoga
  • Dança
  • Tai chi chuan
  • Alongamento

Busque terapia para lidar com o estresse

A terapia é uma das formas mais indicadas para ajudar a lidar com o estresse e períodos, pois com o autoconhecimento que essa prática possibilita, é possível identificar os principais estressantes do seu dia.

Ao conhecer os principais estressantes do seu dia, você consegue administrar melhor essa situação e buscar formas menos danosas para lidar com elas, ao invés de ficar com níveis de estresse muito altos, prejudicando seu dia a dia e sono.

Mude hábitos e tenha uma rotina saudável

O estresse é presente na vida de todas as pessoas na atualidade, mas o estilo de vida impacta diretamente no nível que isso te afeta. Assim, o conjunto de hábitos conta bastante.

Manter hábitos saudáveis, além de proporcionar mais saúde física, também ajuda na saúde mental, uma delas é a diminuição do estresse.

Tenha uma rotina mais saudável com os seguintes hábitos:

  • Durma bem
  • Vá ao médico e faça exames regularmente
  • Pratique atividades físicas
  • Inclua na sua agenda semanal momentos para lazer e relaxamento
  • Evite alimentos gordurosos, estimulantes e com açúcar em excesso
  • Tenha uma alimentação saudável e balanceada, de acordo com as suas necessidades nutricionais e indicadas por um profissional

Agora que você já sabe como aliviar o estresse, não deixe de seguir nossas dicas para um dia a dia com mais saúde e qualidade de vida. 

 

15 jul 2021

Da dificuldade de diagnóstico à negligência do Estado: pessoas com doenças raras recorrem à Justiça

Foto: Gilson de Souza

Muito usados nos tratamentos de doenças raras, os medicamentos de alto custo são desafios que envolvem direta ou indiretamente toda a sociedade. Essa dificuldade é uma das principais causas da judicialização da saúde no país.  Ou seja, o paciente aciona a Justiça para ter direito ao tratamento no sistema público ou privado. Há pouco mais de um ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) criou regras para reduzir disputas na Justiça para fornecimento de remédios de alto custo, mas ainda há incertezas.

A OMS – Organização Mundial de Saúde, conceitua as Doenças Raras como sendo aquelas que afetam até 65 em cada 100 mil indivíduos. Aparentemente, poucas pessoas. Contudo, estima-se que no Brasil existam pelo menos 13 milhões de pessoas – destas mais de 8 mil doenças.

Geralmente as Doenças Raras são crônicas, progressivas e degenerativas. Em regra, não possuem uma cura eficaz. Em 95% dos casos, existem somente cuidados paliativos sobre os graves sintomas, através de tratamentos medicamentosos e cirúrgicos de altíssimo custo. Pelo menos 30% de todos estes pacientes morrem antes dos cinco anos de idade, sendo que a maior parte destas doenças (mais de 75%) têm origem genética, e afetam o indivíduo já na infância, de forma grave.

Entrevistei o advogado Renato Assis, que é também conselheiro jurídico e científico da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), sobre judicialização na área da saúde para garantir tratamento de qualidade para os pacientes de doenças raras.

Adriana Santos: A judicialização da saúde é o melhor caminho para garantir o acesso aos medicamentos de alto custo e ao tratamento de doenças raras?

Renato Assis: Absolutamente, não. A judicialização sem dúvidas é o pior caminho, tanto para as pessoas com doenças raras, quanto para o Estado. Quase todos os envolvidos perdem (exceto os fabricantes de medicamentos). O caminho da judicialização, sem dúvidas, é o pior, considerando o interesse público.

Na visão da Administração Pública, a extrema judicialização da saúde prejudica o orçamento da saúde, pois a previsão orçamentária não cobre os gastos com demandas judiciais, ainda mais quando envolvem medicamentos ou tratamentos de alto custo. Assim, decisões judiciais favoráveis a poucas pessoas, por mais importantes que sejam, comprometem o orçamento total destinado a milhões de pessoas que dependem do SUS.

Fomentando o fornecimento de medicamentos através de decisões judiciais, os laboratórios podem cobrar “o preço da urgência e oportunidade”. Ou seja, quem mais lucra com a atual situação são as empresas que fabricam os medicamentos.

Assim, temos que o melhor caminho é o desenvolvimento de políticas públicas de atenção às pessoas com doenças raras, evitando-se o caminha judicial. 

Na sua avaliação, as regras criadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para reduzir disputas na Justiça com relação ao fornecimento de remédios de alto custo, são suficientes para garantir o melhor tratamento aos pacientes com doenças raras?

No referido julgado, ocorrido em 05/2019, o STF decidiu que o SUS não pode ser obrigado a fornecer medicamento experimental ou sem registro na ANVISA, salvo em caso de mora irrazoável da ANVISA em apreciar o pedido quando preenchidos três requisitos:

1. a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras);
2. a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e

3. a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil.

A decisão pode ser observada por dois ângulos diversos. Se por um lado, pela primeira vez a corte suprema se manifestou acerca dos medicamentos órfãos e das doenças raras, por outro fechou as portas ao acesso judicial a medicamentos experimentais (que poderiam se mostrar futuramente eficazes e seguros). O que torna ainda mais necessário o desenvolvimento de políticas sobre o tema, evitando a judicialização.

O que são “medicamentos órfãos”?

São considerados órfãos os medicamentos que a indústria farmacêutica demonstra pouco interesse em os desenvolver e comercializar, por serem destinados a um pequeno número de doentes. O que representa para a indústria farmacêutica um custo extremamente elevado, para poucas vendas. Em linhas gerais, considera-se que do processo de pesquisa e desenvolvimento até à introdução no mercado e as efetivas vendas, o valor investido não seria recuperado, o que torna inviável todo o processo.

O que falta no Brasil para que o SUS ofereça um tratamento de qualidade aos pacientes de doenças raras?

Em suma, podemos afirmar categoricamente que o principal fomentador do volume atual de ações judiciais que tratam do tema é deficiência das políticas públicas de atenção aos portadores de doenças raras, sendo que a maior parte das demandas surge por conta da ausência e desatualização dos protocolos. Havendo um imenso abismo entre o conteúdo da prescrição medica e os serviços ofertados pelo SUS, a judicialização torna-se o caminho da sobrevivência.

Desta forma, faltam políticas públicas de atenção a este pequeno e carente público. Em linhas gerais, mesmo considerando toda a evolução do tema nos últimos anos, as pessoas com doenças raras dependem da judicialização, o que demonstra o fracasso das políticas atuais.

É possível reduzir os valores dos medicamentos e negociar com os laboratórios o menor preço, garantindo acesso rápido ao tratamento contra doenças raras?

Sim. Mas para isso, é necessário que o poder público dê a devida atenção à situação das pessoas com doenças raras, implementando políticas no sentido de agir preventivamente, evitando os efeitos da judicialização e garantindo uma melhor negociação para compra dos referidos medicamentos.

Como os outros países enfrentam as doenças raras e como podemos aprender com os outros governos?

Os países que se encontram atualmente mais desenvolvidos sobre o tema, o tratam preventivamente, evitando a judicialização. Com isso, além de uma melhor prestação de serviços de saúde à população, estes são fornecidos mediante o menor custo possível.

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