06 abr 2020

Coronavírus: Fragmentos de uma quarentena

Apensas fragmentos de uma quarentena…

Apesar do meu lado “pessoa de poucos amigos”, o “isolamento social” está me deixando pirada. Ver o sofrimento dos outros por conta das restrições íntimas deixa meu coração bastante ferido. Os brasileiros gostam de beijinhos, abraços e afagos… Faz parte da nossa identidade latina. Acredito que todos passaremos pelo período pós-traumático provocado pelo coronavírus;

Os pobres continuam sendo as pessoas mais solidárias do Planeta Terra. Elas sentem na pele a dor das restrições diárias, por isso são generosas sempre que podem. Celebridades fazendo “vaquinhas virtuais” em prol dos menos favorecidos são lunáticas e ridículas. É a minha opinião sincera;

As estratégias de “Comunicação e Saúde” preconizadas pelas Instituições de Saúde continuam pautadas pelo medo generalizado e pelos argumentos de guerra. A mídia segue o mesmo roteiro sanitário há décadas;

Jornalistas Políticos deveriam analisar assuntos relacionados aos bastidores políticos em tempos de pandemia. Tal estratégia editorial evitaria tantos erros em termos de comunicação e saúde;

Somos carentes de Jornalistas com foco na saúde pública ou seja SUS. Os poucos que existem no Brasil são covardemente calados…;

Nunca senti tanta saudade das minhas caminhadas no entorno da Praça da Liberdade;

Nunca vi tantas borboletas na Praça da Bandeira de BH;

A natureza respira melhor, enquanto os humanos disputam por um respirador artificial;

31 mar 2020

Psicóloga de BH faz atendimento on line para ajudar pessoas no enfrentamento da solidão social

Imagem: Borya

A quarentena adotada pelo Brasil para tentar controlar os casos do Coronavírus (COVID-19) impacta a nossa saúde mental, desencadeando, muitas vezes, comportamentos como: ansiedade, depressão e abuso de substâncias.

Diante de um momento tão desafiador, alguns psicólogos voluntários estão oferecendo atendimentos virtuais, com base na prerrogativa do Código de Ética Profissional que defende o dever do psicólogo em prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. Uma dessas ações está sendo desenvolvida pela psicoterapeuta Letícia Faleiro, preocupada com a repercussão do isolamento na saúde mental da população.

Em suas redes sociais, a profissional lançou uma campanha social na qual oferece apoio psicológico voluntário com o objetivo de ajudar as pessoas a lidarem de forma mais saudável com esse momento.

 

Entrevistei a psicóloga Letícia Faleiro, por e-mail @leticiafaleiropsicologa

Confira:

Adriana Santos: Quais os possíveis impactos na saúde mental por conta do isolamento social, medida exigida pelos governos no controle do coronavírus?

Psicóloga Letícia Faleiro: Por sermos seres sociais, o isolamento vivido pela pandemia nos expõe à restrição da convivência com outras pessoas e, consequentemente, temos reflexos disso na nossa saúde. Precisamos de outras pessoas para viver, assim como elas precisam de nós. A restrição social pode agravar sintomas que já existiam bem como ser um estímulo para o desenvolvimento de novos sintomas. Na minha prática clínica, tenho identificado uma intensificação dos sintomas relativos aos transtornos de ansiedade e depressão.

As fobias podem ser agravadas?

O medo é uma sensação comum a todos nós, contudo, entre o medo e o pânico, temos uma distância importante a ser considerada. O medo aciona os nossos mecanismos de proteção, defesa e fuga diante de situações ameaçadoras. O pânico nos paralisa e nos expõe de forma limitante às situações perigosas.

Vivemos um momento diferente, ainda que não seja o primeiro. Em outros momentos na história da humanidade foram necessários cuidados coletivos para melhor compreender os acontecimentos e tomar medidas preventivas e corretivas adequadas para a preservação da saúde. É tempo de resgatar o senso de coletividade essencial para nossa sobrevivência.

O que podemos fazer para amenizar a ansiedade nos momentos de Coronavírus?

A forma que reagirmos ao que está acontecendo pode ser decisiva para a nossa sanidade mental e corporal. Por isso, compartilho com vocês algumas dicas que considero importantes para vivermos esse momento da forma mais protetiva e equilibrada possível.

a) Busque informações em FONTES CONFIÁVEIS e não compartilhe notícias falsas. Escolher um momento do dia para se informar pode ser uma boa maneira de se blindar do excesso de informações.

b) Se você não faz parte do grupo de risco e está sem sintomas da doença, OFEREÇA AJUDA para as pessoas ao seu entorno.

c) DIVIDA AS ATIVIDADES DOMÉSTICAS entre as pessoas do seu convívio. Com o ambiente externo organizado temos mais facilidade para acalmar o nosso interior. Além disso, dividindo as tarefas não haverá sobrecarrega e, assim, também cuidamos das pessoas que amamos.

d) Se vai trabalhar em HOME OFFICE, estabeleça horários e escolha um espaço privado para executar o trabalho com seriedade.

e) Sabe aquele CURSO ONLINE GRATUITO que vai enriquecer o seu currículo ou aquela videoaula de culinária que você tanto gosta? Tá aí um bom momento!

f) Se você é um PROFISSIONAL AUTÔNOMO, talvez possa oferecer soluções virtuais criativas para que as pessoas se ocupem e conheçam o seu trabalho.

g) Convide seus amigos para participarem de GRUPOS ONLINE de livros ou filmes, assim terá companhia para sorrir ou chorar ao final do capítulo. A solidão experimentada nesse momento pode ser um gatilho para sintomas depressivos, portanto, use a tecnologia a favor da saúde mental!

h) Tente EXERCITAR o seu corpo. Há vários educadores físicos disponibilizando aulas gratuitas nas redes sociais durante esse período.

i) Faça um TOUR VIRTUAL naquele museu internacional que você tanto admira.

j) Promova ATIVIDADES DIVERTIDAS com as crianças utilizando materiais recicláveis.

k) Converse sobre ASSUNTOS ALEGRES durante as refeições.

l) Se estiver difícil lidar com esse momento sozinho, PROCURE AJUDA. Vários profissionais da Psicologia estão disponíveis por meios digitais oferecendo orientação e acompanhamento qualificado.

Quais as alternativas para aliviar os sintomas de manias de limpeza?

Cuidar da higiene pessoal e do nosso ambiente tem sido uma instrução para contribuirmos com a prevenção e controle da doença, contudo, um comportamento extremo em relação a essa medida pode ser um alerta. Pessoas que já vivenciavam uma mania de limpeza ou que possuem predisposição para desenvolver esse comportamento podem ter o quadro psíquico agravo nesse momento. É preciso considerarmos que o pânico e a preocupação excessiva com a higienização nos coloca mais vulneráveis a desenvolver doenças por fragilizar o nosso sistema imunológico.

Uma intervenção indicada para esses casos é conscientizar às pessoas que estamos vivendo um cenário momentâneo, compartilhado com todo o mundo e que a forma buscar o equilíbrio pode ser uma maneira eficaz para lidarmos com tudo isso.

Atendimento à distância

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) regulamentou em 2018 os atendimentos psicológicos à distância com base em pesquisas científicas que comprovaram a eficácia da psicoterapia virtual em relação à presencial, revelando-a como uma prática viável e promissora. Além disso, a comodidade, economia de tempo e redução dos gastos com deslocamento tem tornado a psicoterapia online mais acessível e preferida por muitas pessoas.

São diversas as possibilidades de assistência por meio virtual e, para isso, é obrigatório que o profissional esteja inscrito e autorizado pelo Conselho Federal de Psicologia para prestação do serviço. As sessões podem ser realizadas por chamadas de vídeo, áudio ou mensagens escritas. O valor da sessão é estipulado conforme a tabela de honorários sugerida pelo conselho profissional. Para o cuidado com o sigilo e confidencialidade dos atendimentos, é importante estar em um ambiente privado, sem interrupção e utilizar um computador ou celular pessoal.

16 jan 2020

Santa Casa de BH realiza primeiro transplante hepático infantil

Divulgação

“Ano novo, vida nova”. Essa frase descreve o momento especial vivido por Sophia Gabrielly Santos, de 3 anos, e sua família. A menina realizou dias antes do Natal um transplante hepático que mudou sua vida. Esse foi o primeiro procedimento da especialidade feito em crianças na Santa Casa BH (SCBH). O sucesso da recuperação da paciente é comemorado pelas equipes do Transplante e da Pediatria. Em 2019, a instituição fez 32 transplantes de fígado, um aumento de 60% em relação ao ano anterior. Só em dezembro foram 10 procedimentos. Para 2020, está se preparando para oferecer transplante entre pessoas vivas para crianças.

Sophia nasceu no dia 14 de novembro de 2016, em Coluna (MG), e foi diagnosticada com atresia biliar (obstrução dos dutos biliares). Por conta disso, teve que ir para São Paulo para acompanhamento clínico e entrou na fila para aguardar a cirurgia. Pelas dificuldades financeiras e por problemas burocráticos, não conseguiu continuar o tratamento em outro estado. Em setembro de 2019, a Santa Casa BH disponibilizou uma vaga para a Secretaria Municipal de Saúde de Coluna para o atendimento clínico e já em dezembro foi feito o transplante.

De acordo com o coordenador do Transplante de Fígado da SCBH,  Dr. Agnaldo Soares Lima, a cirurgia foi muito bem sucedida. “Sophia nasceu com atresia das vias biliares. Aos 2 meses passou por uma cirurgia corretiva, que não surtiu o efeito esperado. Por conta disso, foi indicado o transplante”, disse.

Karina Costa Santos, mãe de Sophia, só tem a agradecer: “Deus é bom demais. Foi ele quem nos encaminhou para a Santa Casa BH e colocou os médicos e a equipe de enfermagem em nossas vidas. Foram três anos muito angustiantes, mas acabou o sofrimento. Minha filha terá vida normal e continuará fazendo acompanhamento aqui. Muito obrigada por tudo”.

Transplantes na SCBH em 2019

Considerado o maior hospital transplantador de Minas Gerais, a SCBH também oferece transplantes de córnea, medula óssea, coração e rim e realiza a captação de múltiplos órgãos para doação. Em 2019, foram feitos 111 transplantes de medula óssea, 59 de rim, 32 de fígado, 14 de coração e 110 de córnea. O hospital faz parte do “Projeto DONORS:  Estratégias para otimizar a doação de órgãos no Brasil”, do Ministério da Saúde. A iniciativa tem o objetivo de aumentar a taxa de sucesso das doações e a qualidade dos órgãos disponibilizados aos seus receptores.

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