05 fev 2019

Santa Casa de BH abre inscrições para o curso de cuidador de idoso

Crédito: Freepik

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A Santa Casa BH Ensino e Pesquisa está com inscrições abertas para o curso de Cuidador de Idosos. As aulas terão início entre os dias 16 e 19 de março. As vagas são para os turnos da manhã, tarde e noite e aos sábados. A capacitação de 80 horas possibilita os participantes a trabalharem como cuidadores de idosos, utilizando recursos disponíveis no âmbito domiciliar e institucional. O investimento é de R$ 80 (matrícula) e duas parcelas de R$ 230 – com material didático incluso. As inscrições devem ser feitas no site santacasabh.org.br/ver/iep. Informações: (31) 3238-8672 | 3238-8601.

02 fev 2019

Leishmaniose visceral canina: sacrificar é a solução?

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Por Adriana Santos para MEU GUIA PET

Quanto vale a vida de um ser amado? O que você faria para salvar a vida do seu melhor amigo, seja humano ou não humano? Você concordaria que o poder público decidisse executar as pessoas que estão seriamente doentes? Certamente, a grande maioria reuniria todas as forças possíveis para manter um ente querido com saúde e feliz. São pessoas que valorizam a vida, independentemente da espécie. A cada dia, reconhecemos o espaço afetivo dos animais em nossas vidas e lutamos pelo bem estar deles.

No entanto, o poder público ainda tem dificuldades de valorizar a vida animal, quando, aparentemente, a vida humana corre algum tipo de risco, como é o caso das medidas de controle da leishmaniose visceral canina (LVC) – uma doença infecto contagiosa, causada pelo parasita Leishmania chagasi.

No ambiente urbano, os cães são os principais hospedeiros e vítimas, aumentando o risco de transmissão aos seres humanos. A doença é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se não tratada, pode levar a morte até 90% dos casos. Você acredita que o sacrifício de animais é a melhor opção de controle da LVC?

No Brasil, há ampla discussão em torno da opção por medidas repressivas, como o extermínio animal, desconsiderando ações preventivas, como o saneamento, o enfrentamento da proliferação do mosquito transmissor e programas de educação e conscientização ambiental. Uma extensa bibliografia científica mostra que o animal soropositivo para LVC, adequadamente tratado, sob supervisão de médico veterinário e protegido pelas medidas de prevenção, não apresenta protozoários na pele, não podendo, portanto, ser considerado infectante para o inseto transmissor, podendo conviver com seres humanos e outros animais.

Um artigo questionando a eutanásia em cães com leishmaniose visceral foi lançado pelo pesquisador do Icict/Fiocruz (RJ), Carlos Saldanha, juntamente com os pesquisadores Érica Gaspar Silva, da Uerj, e Rodrigo Vilani, da UniRio – “O uso de um instrumento de política de saúde pública controverso: a eutanásia de cães contaminados por leishmaniose no Brasil”. No texto, os pesquisadores levantam questionamentos, tomando por base “evidências científicas atuais e análises do ordenamento jurídico brasileiro, realizadas a partir do princípio da precaução e do reconhecimento dos animais como seres sencientes”.

Para Carlos Saldanha, duas questões motivaram os pesquisadores a escreverem o artigo: “A primeira, de caráter geral, está relacionada à atuação da Administração Pública de forma fragmentária, imediatista e sem a observação de evidências científicas. Esta medida está longe de se apresentar como solução e demonstra a ausência de uma perspectiva holística das mazelas sociais e urbanas no Brasil.

Um dos argumentos utilizados no artigo é o arcabouço legal que põe em xeque a legislação da Anvisa, citando inclusive uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que deliberou “ainda que existente exame positivo para Leishmaniose Visceral Canina, a verificação da real condição do cão, ainda que urgente deve ser apurada antes da determinação da medida extrema de sacrifício do animal” (Minas Gerais, 2013).

Uso do Milteforan

O documento com perguntas e respostas sobre a Leishmaniose Visceral Canina (LVC) foi atualizado, em outubro de 2017, pela Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNSPV/CFMV). A atualização foi feita levando em conta a autorização do registro do produto Milteforan, indicado para o tratamento da LVC, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No documento, a comissão esclarece a permissão do uso do Milteforan no tratamento individual de cães com diagnóstico laboratorial confirmado para Leishmaniose. Também aponta que o registro do fármaco não inviabiliza o cumprimento da Portaria Interministerial nº 1426/2008 e que continua proibido o tratamento da LVC em cães infectados ou doentes, com produtos de uso humano ou não registrados no Mapa.

O documento ressalta ainda que o produto não provoca a cura parasitológica para a doença e sim que alguns estudos demonstram, com seu uso, o declínio da carga parasitária e a redução do potencial de infecção e transmissibilidade da doença.

Em relação ao sacrifício, a Assessoria de Comunicação do Conselho Federal de Medicina Veterinária informa que somente os cães positivos que estiverem em tratamento exclusivamente com o Milteforan não precisarão ser submetidos à eutanásia. No entanto, o responsável pelo cão com LVC deverá apresentar ao profissional de saúde que visitar sua residência, um atestado médico emitido pelo médico veterinário regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária. “Este atestado deve constar as informações de tratamento do animal acompanhado do resultado de sorologia realizada nos últimos 04 meses. Em qualquer outro caso, o CFMV apoia as medidas de controle preconizadas pelos serviços de saúde, que, como dito, devem ser implantadas de forma integrada. Ainda, os métodos para o controle do reservatório canino devem obedecer às Resoluções de bioética e bem-estar animal”.

O Conselho informa ainda que é contra a eutanásia indiscriminada de cães sadios ou falso-positivos, contra o sofrimento animal, contra os métodos não autorizados e/ou realizados por pessoas que não tenham a formação em medicina veterinária, contra o abandono animal, contra a propriedade/posse/guarda irresponsável, contra o comércio ilegal de medicamentos e insumos veterinários e contra a falta de iniciativa do governo em encontrar e padronizar medidas para minimizar o impacto da problemática da LVC na população de cães no país, de forma ética e efetiva.

A eutanásia é, geralmente, uma forma mais prática e rápida para o poder público de tentar solucionar a questão, mas antes de se pensar nela, é necessário mudanças ambientais significativas sejam feitas sobre determinadas regras, como saneamento básico. A profilaxia é a melhor opção, com uso de inseticida, coleiras nos animais em regiões endêmicas e orientação à população para cuidar do seu entorno, evitando focos do mosquito

Prevenção. Informações do Ministério da Saúde

A prevenção ocorre por meio do combate ao inseto transmissor. É possível mantê-lo longe, especialmente com o apoio da população, no que diz respeito à higiene ambiental. Essa limpeza deve ser feita por meio de:

* Limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem);

* Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos;

* Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de animais domésticos distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos flebotomíneos para dentro do domicílio.

* Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 4,4), moderada (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de leishmaniose visceral.

01 fev 2019

Vamos conversar sobre relação médico-paciente?

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Quando voltamos um pouquinho no tempo, temos a sensação que a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares tinha bases mais sólidas, contribuindo para o sucesso do tratamento oferecido pelo profissional. Infelizmente, aquele médico da família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo da vida, não existe mais. Talvez alguns profissionais mais antigos e resistentes aos modismos de cada época ainda consigam estabelecer relações afetivas duradouras com seus pacientes.

Uma das hipótese para o “esfriamento” da relação médico-paciente seja o avanço da tecnologia dura, que proporciona notáveis benefícios ao diagnóstico precoce de várias doenças, salvando vidas. No entanto, ao mesmo tempo, as máquinas que promovem o prolongamento da vida distanciam as relações entre profissionais de saúde e pacientes ávidos por uma atenção diferenciada. Será? São hipóteses. Inclusive, estou pesquisando sobre o assunto, por meio de uma pesquisa online. Se puder me ajudar, acesse AQUI.

livroEntrevistei o coloproctologista e curador do Centro de Memória da Faculdade Ciências Médicas, Geraldo Magela Gomes da Cruz.  Ele também é autor do livro “Câncer no reto: meu paciente e eu”.  “O livro relata a história de dez pacientes (todos já faleceram) que me marcaram muito e foram exaustivamente discutidos no Ciclo Psicanalítico de Minas Gerais”, esclarece.

Sobretudo nas décadas de 60 e 70 os cânceres retais baixos e mesmo de reto médio (alcançados pelo toque retal) eram operados sem muita tecnologia. Diagnosticado o câncer retal baixo ou médio o paciente era submetido a uma cirurgia altamente mutiladora, levando o paciente, com frequência, a impotência sexual e bexiga neurogênica (ora retenção ora incontinência urinária).

Em seu desespero, o paciente procurava respostas e ajuda do médico, que quase sempre se resumiam a palavras rápidas de consolo e encaminhamento ao oncologista (na década de 60 e 70 estava iniciando a especialidade). E, em seu desespero, o médico se sentia impotente para lidar e ajudar o paciente. Tratava de “se livrar dele”, encaminhando-o ao psiquiatra, ao clínico, que também não tinham a menor ideia de como ajudar. O médico já entrava em pânico quando via o paciente amputado na sala de espera do consultório. Como tudo era empírico, as mentiras ficavam soltas: “a colostomia vai ser revertida quando seus eosinófilos atingissem 50% no sangue circulante”, dentre outras tantas. Hoje, com o Google, isto não seria possível, porque o paciente veria que o normal no sangue circulante é 3%, e, excepcionalmente atinge 10 ou 15% em estados alérgicos e imunológicos especiais.

“Esta situação passou a me incomodar de forma cada vez mais marcante. Primeiro porque, na verdade, trocava uma doença (câncer) por outras insuportáveis (colostomia, ausência de ânus, etc); e em segundo lugar porque não tinha condições de dar ao paciente algo em troca da mutilação que nele fizera. Sentia-me devedor”, conclui o curador.

Adriana Santos:  Qual a importância do aprimoramento das técnicas de comunicação por parte dos médicos no atendimento clínico, principalmente com a proliferação das redes sociais?

Geraldo Magela: Independentemente de ser médico e de estar atendendo, é importante dominar a relação com a mídia e entender sobre as redes sociais, porque já é parte da nossa vida. Se você não integra no meio midiático, você está alijado do convívio social. No que se refere ao atendimento ao paciente, ele hoje em dia não suporta esperar por uma resposta do médico. Ele quer uma resposta para suas dúvidas ou alívio para sua dor agora! Perdemos a noção de tempo e de espaço: todos estamos ligados instantaneamente e independente de onde estejamos. Parece que o médico está presente e disponível o tempo todo! Por isso, é importante aprimorar e saber usar os métodos de comunicação, se não vai estar fadado a permanecer desatualizado e alheio às tendências.

Na sua opinião, por que que muitos médicos têm dificuldades em estabelecer vínculos com seus pacientes?

Esta dificuldade pode vir de dois lados, o primeiro lado é da própria formação dos médicos enquanto seres humanos que são: como seu sistema neuropsicogênico foi formado pelo desejo e condução de seus cuidadores. Os médicos não tiveram infâncias iguais e sabemos que esta fase do ser humano marca todo seu futuro em relação com o outro (no caso o paciente é o outro). Em segundo lugar, porque não encontra motivação: falta de reconhecimento pelo trabalho, baixa remuneração, condições de trabalho precárias, a insatisfação com honorários pagos pelo SUS e pelos convênios.

Como a comunicação pode ajudar os médicos a recuperar o vínculo perdido com seus pacientes?

Se a comunicação for midiática, eu acredito que nunca. Se o médico não consegue manter uma boa relação médico-paciente na presença dele, na ausência, por meio de um site de relacionamento, por áudios, vídeos e imagens, jamais conseguirá. Repito: relação médico-paciente é um caso de amor, de respeito, de compreensão. Tem que haver a presença. Há um mal necessário: a interposição de SUS e planos de saúde entre o médico e o paciente. Digo “mal necessário” porque a medicina está caríssima e acima do poder aquisitivo da grande maioria dos brasileiros.

O que é humanização no atendimento médico na sua opinião?

Para mim, humanização no atendimento médico é o médico agir de tal forma com o paciente, que mesmo no meio de 20 outros pacientes na sala de espera cada um tenha certeza de que ele é o mais importante. Para isto o médico tem que estar satisfeito com o retorno de sua profissão. Esta resposta é uma resposta singela de um médico! Esta mesma pergunta terá respostas diferentes se formuladas para o Ministério de Saúde, para o SUS e para os planos de saúde.

Você acredita que as redes sociais podem aproximar médicos e pacientes?

Pode, mas é uma aproximação muito superficial. Não é uma aproximação de contato. E pode acontecer o oposto: afastar, em decorrência da superficialidade do contato. Eu não acho que é a rede social que vai aproximar. A rede social vai facilitar a relação, em tempo (imediatamente) e espaço (seja lá onde o médico estiver). O paciente que está com dor não pode esperar um médico atender um telefone fixo 3 ou 4 horas depois, é preciso que ele atenda o Whatsapp ou SMS e na hora dê uma solução orientação.

Quais os cuidados que os médicos devem ter na hora de usar as redes sociais?

Muito cuidado. Todo cuidado é pouco! Como coloproctologista já recebi imagens de clientes mostrando-me hemorroidas edemaciadas ou trombosadas, perguntando-me o que fazer. Imagine se tais coisas vazem. Algumas especialidades são potencialmente mais vulneráveis, como a minha, a ginecologia, a urologia, a andrologia, a obstetrícia. São imagens enviadas por pacientes pela por mídia eletrônica. Mas, há o perigo também para o médico: ser vítima de divulgação de áudio e vídeo sem anuência dele! Então, é necessário muito cuidado porque você não sabe quem vai acessar e quem vai mostrar o que foi escrito, ou que foi fotografado.

As redes sociais podem ajudar na humanização do atendimento médico?

Nunca! As redes sociais podem é facilitar, tornar o atendimento não presencial mais rápido, substituir a relação direta médico-paciente. Mas, não melhorar e humanizar. Humanizar inclui estar presente, é o paciente sentir a mão do médico em seu ombro, sentir o apoio. Todos os sentidos têm que estar envolvidos na presença do paciente: o olhar, a escuta o contato físico. Até os jeitos e trejeitos do paciente podem ser úteis na relação médico-paciente. A relação médico-paciente é um ato de amor: não pode ser virtual. Tem que ser presencial. Um vídeo, um áudio ou mensagens do google não podem substituir a presença dos dois.

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