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Sexpionage: o agente secreto da sedução

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As histórias de espionagem ficam ainda mais quentes, quando entram em cena os agentes secretos da sedução: no jargão policial, as andorinhas (mulheres) ou corvos (homens). Elas ou eles são treinados para seduzir as vítimas  até encontrarem provas, documentos, senhas, vídeos e informações relevantes para o sucesso da missão. Como missão dada é missão cumprida, os espiões do sexo fazem de tudo para conquistar a confiança dos “inimigos”, por isso usam e abusam das artimanhas do sexo.

A prática do sexo nos serviços de espionagem tem nome: sexpionage. Muitos espiões do sexto foram presos e até mesmo executados.  Entrevistei Thiago da Silva Pacheco, doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde defendeu a tese Da Ditadura a Democracia: Uma comparação das atividades de Inteligência da Polícia Política no Estado Novo e na República de 1946. É autor de vários artigos no campo da espionagem, Operações Encobertas, Serviços Secretos, Crime Político e Terrorismo. Pesquisador do Ateliê de Humanidades. Confira:

Adriana Santos: O que é Sexpionage?

Thiago Peixoto: É o uso da sedução e do sexo para se aproximar de um alvo e obter informações dele. Pode ser usado também para coagi-lo por meio de chantagens ou distraí-lo para roubo de documentos, por exemplo.

Qual foi o primeiro caso de sexpionage registrado na história mundial?

É impossível precisar isto. As Kunoichi (mulheres ninja) já dominavam técnicas sofisticadas para isto pelo menos desde o século XVII, mas sem dúvida sexpionage era usada antes e em outros espaços geográficos.

No Brasil, há casos registrados de sexpionage nas operações de inteligência?

Um caso detalhado com uma personagem biografada, não que eu saiba. Mas o uso da sedução e do sexo consta nos relatórios policiais pelo menos desde a década de 1930. Uma certa espiã de codinome “Princesa” no DOPS de São Paulo. O Manual de Polícia Política de 1943 alerta pormenorizadamente o perigo que mulheres sedutoras podiam representar aos agentes brasileiros. E Cecil de Borer, importante personagem ligado à espionagem na História do Brasil, elogia moças que iam “até a cama” se fosse necessário.

Alguém já foi preso por praticar sexpionage?

Sim. Um caso recente e que gerou repercussão foi o da espiã russa Anna Chapman. Ruiva, bonita e sem desprendimento sexual, seduziu alvos americanos mas foi presa pelo FBI em 2010. Há outros casos.o

Como são recrutados mulheres ou homens?

É difícil responder a esta pergunta porque cada Agência tem seus métodos. Os soviéticos usavam dançarinas e atrizes, por exemplo. Na verdade, o candidato ou candidata deve ter alto poder de sedução e desprendimento para não se envolver. Há casos em que se usa prostitutas, ou se coagem um(a) amante próximo(a) do(a) alvo.

Quando é utilizado o sexpionage? (espionagem governamental, empresarial…)

A sexpionage é uma ferramenta assim como o suborno, a coerção, o grampeamento de telefones, etc. Embora oficialmente os americanos demonstrassem no passado algum pudor ao falar dela, a sexpionage foi e é usada sempre que se considerar uma forma prática de se chegar a um objetivo.

Qual o caso mais emblemático sobre sexpionage?

Como gera escândalo, é muito complicado falar de um caso específico. Pela fama e repercussão, sem dúvida Mata Hari e seus amantes são uma demonstração de sexpionage, embora Mata Hari não tenha sido uma espiã relevante como normalmente se imagina.

“Margaretha Gertruida Zelle (Leeuwarden, 7 de agosto de 1876 — Vincennes, 15 de outubro de 1917), conhecida como Mata Hari, foi uma dançarina exótica dos Países Baixos acusada de espionagem que foi condenada à morte por fuzilamento, durante a Primeira Guerra Mundial. Em diferentes ocasiões sua vida foi alvo da curiosidade de biógrafos, romancistas e cineastas. Ao longo do tempo, Mata Hari transformou-se em uma espécie de símbolo da ousadia feminina. “Mata Hari”, seu nome artístico, é uma palavra malaia que significa “Sol”, mas traduzida literalmente significa Olho do dia”. (Wikipédia)

Homens ou mulheres são mais vulneráveis ao sexpionage?

A questão é descobrir a vulnerabilidade. A preferência sexual (hétero ou homo) e o gênero importam menos que a vulnerabilidade do alvo ao jogo da sedução e a viabilidade de aplicá-lo.

Por que o tema é pouco abordado no Brasil?

Acredito que não pelo tema em si, mas, infelizmente, pelo fato de abordamos muito pouco o assunto da espionagem no Brasil em qualquer aspecto que seja, excetuando-se a ficção. Por falarmos pouco sobre espionagem no geral, falamos pouco sobre sexpionage em específico.