08 set 2015

O SUS que ninguém vê

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Um estudo divulgado na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), (13/07/2015) em São Carlos (SP), revelou que, apesar de manter pouco contato com a ciência, o brasileiro tem uma visão positiva sobre a área e confia mais nos pesquisadores do que nos médicos. Em um índice de – 1 a 1, os pesquisadores ficaram com 0,89, contra 0,74 de jornalistas, 0,7 de médicos, 0,53 de religiosos e – 0,96 de políticos.

Começo com uma provocação ancorada nas últimas pesquisas de opinião para iniciar a minha postagem em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Como sou pesquisadora independente na área da Comunicação e Saúde e jornalista de profissão, me considero uma pessoa um pouco mais confiável na visão dos brasileiros e, na medida do possível, capaz de traçar argumentos isentos de paixões políticas.

A Constituição brasileira estabelece que a saúde é um dever do Estado. Aqui, deve-se entender Estado não apenas como governo federal, mas como Poder Público, abrangendo a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios – com o olhar vigilante da sociedade.

Cabe lembrar que antes da criação do Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde desenvolvia quase que exclusivamente ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, como campanhas de vacinação e controle de endemias. A atuação do setor público na chamada assistência médico-hospitalar era prestada por intermédio do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, Inamps, autarquia do Ministério da Previdência e Assistência Social, e a assistência à saúde beneficiava APENAS os trabalhadores da economia formal, segurados do INPS e seus dependentes, não tendo caráter universal. Hoje o SUS tem uma extensa capilaridade de serviços que, infelizmente, pouco conhecem. Você sabia, por exemplo, que o SUS fica de olho nos restaurantes, padarias, aeroportos, salões de beleza, água consumida e ainda pode castrar o seu cachorro?

Em 1988, conclui-se o processo constituinte e foi promulgada a oitava Constituição do Brasil. A chamada “Constituição Cidadã” foi um marco fundamental na redefinição de prioridades da política do Estado na área da saúde pública. A Lei n. 8.080 de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção, recuperação e o funcionamento do SUS, obedecendo ainda princípios doutrinários como: universalização (para todos), integridade (no todo), equidade (respeitando as diferenças), descentralização (facilitando a administração) e controle social (participação).

Vale lembrar que o SUS é um processo que não se esgota na criação, mas na participação de vários movimentos partidários e não partidários. Muitos acreditam que o SUS é coisa de comunista ou conquista do PT. Isso é mito. Acredito ainda que o SUS não é um sistema fechado, mas um processo histórico em construção, patrimônio dos brasileiros. No entanto para a efetiva participação popular, as pessoas precisam conhecer as “regras do jogo”. Ninguém apoia o que não conhece. Por isso que o SUS precisa dialogar mais com a população. E o SUS não é constituído apenas da classe médica ou política, um pouco desacreditada dos brasileiros e brasileiras nos últimos tempos, conforme a pesquisa que citei no início do texto.

O que mais mata no mundo não são as doenças crônicas, mas a falta de entendimento sobre a importância do engajamento nas causas essenciais da humanidade. Governo que faz tudo sozinho é ditadura. Precisamos entender isso para avançar enquanto sociedade. A participação popular na tomada de decisões é fundamental para que o SUS não seja apenas a realidade de poucos, mas a conquista de muitos. Acredito que todos concordam que a nossa saúde não anda bem, mas para mudar essa realidade é necessário tirar o véu que nos impede de ver o que está refletido no espelho.

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28 jul 2015

SUS além das fronteiras

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Foto: Internet

O pequeno Davi Miguel Silva Gama embarca, hoje (28/07), para os Estados Unidos, onde fará transplante de intestino pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Jackson Memorial Medical, em Miami (EUA). A determinação para que o transplante, que não é realizado no Brasil, seja custeado pelo SUS só foi possível por meio de uma determinação do Tribunal Regional Federal (TRF3), que acolheu recurso da Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR3) e do pai da criança.

Davi nasceu com uma doença rara, a inclusão microvilositária, que impede seu organismo de absorver alimentos. A doença do bebê foi confirmada após uma biópsia de intestino, sendo relatado pela médica que o acompanha que o único procedimento que poderia modificar o curso da doença é o transplante intestinal. Além disso, a criança tem se alimentado exclusivamente pela via parental (pelas veias), o que já vem causando agravamento da colestase (fígado) e alterações da função renal.

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Em foto pessoal, Antônio Gleiber Cassiano Júnior é encaminhado para a sala cirúrgica, em Miami

O adolescente Antônio Gleiber Cassiano Júnior, 16, precisava de um transplante de intestino para sobreviver. A família recorreu à Justiça para que a União custeasse o procedimento nos Estados Unidos. O procedimento médico foi feito no último dia (12/07), no Jackson Memorial Hospital, em Miami. A cirurgia foi paga pelo governo brasileiro. Ele passa bem.

O Juninho (como é conhecido) sofre de uma condição chamada síndrome do intestino ultracurto, que fez com que ele perdesse 95% do intestino delgado, o que o impedia de ingerir alimentos. Para sobreviver, ele recebia alimentação parenteral, diretamente na veia.

Davi e Juninho não foram os únicos brasileiros operados no Jackson Memorial. Em abril, a bebê Sofia Gonçalves passou por um transplante multivisceral de cinco órgãos, em operação também paga pelo SUS No ano passado, também foi operado o bebê Pedro Da Lavra. Nesse caso, o custo do procedimento, de R$ 4 milhões, foi pago pela família, que realizou uma campanha para arrecadar o valor. O bebê sofria do mesmo problema de Juninho.

SUS

Em 1988, por ocasião da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, foi instituído no país o Sistema Único de Saúde (SUS), que passou a oferecer a todo cidadão brasileiro acesso integral, universal e gratuito a serviços de saúde. É considerado um dos maiores sistemas de saúde públicos do mundo.

Quer conhecer a decisão da Justiça? AQUI 

27 maio 2015

Não é a primeira vez que a família Huck utiliza o SUS

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luciano

Não é a primeira vez que a família Huck utiliza do SUS e, provavelmente, não será a única. Não é praga, meus amigos! É informação! Com certeza o casal foi à farmácia adquirir um medicamento, vacinou os filhos pequenos, fez uma compra no supermercado, foi à padaria, cuidou da aparência e das unhas em um respeitado salão de beleza, embarcou e desembarcou nos terminas internacionais dos Aeroportos. Não fiquem espantados, infelizmente, os brasileiros não têm essa informação disponível nos meios de comunicação. É incrível, mas até hoje, depois de 27 anos, muitos dizem que enfrentam as longas filas do INAMPS (criado pelo regime militar em 1974).

Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em fevereiro de 2011, indica que boa parte da população ainda desconhece a amplitude do SUS: 34,3% afirmaram nunca ter usado o sistema — o que é pouco provável. A iniciativa apontou que a avaliação positiva do SUS se dá por quem utiliza os serviços assistenciais. O sistema público de saúde recebeu melhor avaliação de quem declarou tê-lo utilizado (68,9%) do que daqueles que afirmaram não fazê-lo.

Outro equívoco é achar que o SUS “é coisa do PT”, assim como o programa de governo Bolsa Família. O SUS é uma política de Estado, resultado de conquistas, movida pela determinação de bravos sanitaristas, políticos de partidos diferentes, movimentos sociais, intelectuais. O SUS é garantido pela Constituição de 1988 e regulamentado dois anos depois, pelas leis 8.080 e 8.142.

Poucos conhecem sobre a abrangência e os pilares que norteiam o SUS, até mesmo os comentaristas sobre saúde. Meu querido e eterno professor, o jornalista Valdir Oliveira, desde 2000 já chamava atenção para uma pesquisa realizada em 1998, que mostrava que a maioria dos entrevistados não sabia definir com precisão o significado da sigla SUS. No artigo publicado na edição de agosto de 98 da revista Interface (www.interface.org.br) — voltada a comunicação, saúde e educação —,  ele apontava que as principais imagens e informações divulgadas pela mídia sobre o sistema realçavam aspectos negativos, impedindo que o SUS criasse para si melhor imagem na esfera pública.

Para finalizar, o Sistema Único de Saúde é para todos: ricos, pobres, famosos ou anônimos. Até mesmo aqueles que condenam a Saúde do Brasil utilizam os serviços públicos de uma maneira ou de outra, inclusive os brasileiros que pagam planos de saúde. Por isso a necessidade da soma de forças nas esferas públicas e privadas para que o SUS seja de qualidade e universal.

Quer saber mais sobre a história do SUS?

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