30 mar 2021

Pandemia pode intensificar ainda mais a subnotificação de casos de catapora no Brasil

As Américas continuam sendo a região com o maior número de casos da Covid-19 e concentram mais metade de todas as mortes no mundo. A pandemia sobrecarrega o sistema de saúde dos países americanos e afeta, até mesmo, o calendário de vacinação das crianças nas regiões mais pobres do continente.

Numa entrevista à ONU News (8/10/2020), de Washington, o vice-diretor-geral da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que a pandemia da Covid-19 causou uma interrupção grave nas campanhas de imunização, o que coloca a saúde das crianças em em risco.

“A pandemia afetou também alguns serviços essenciais de saúde pública como os serviços de imunização. Metade dos países da América Latina informam que os serviços de imunização durante os picos de transmissão da Covid-19 tiveram que ser suspensos total ou parcialmente. Isso é muito perigoso para a nossa região porque milhões de crianças estão deixando de se vacinar.”

A varicela ou catapora lidera o ranking das doenças infantis mais comuns. No entanto, a vacina proporciona a redução significativa de novos casos da doença entre os brasileiros. Mas isso não significa que devemos baixar a guarda. Pelo contrário, no momento atual devemos reunir forças e zelar pela saúde das crianças. Muitas delas sofrem com a alimentação inadequada, a escassez de leitos hospitalares por conta da pandemia, a falta de recursos financeiros, o desemprego dos pais e a limitação do convívio social.

“A vacina não conseguiu erradicar a catapora, mas atualmente, a doença é bem mais controlada do que antigamente. No entanto, a vacinação é fundamental, pois preserva não só a pessoa contra as doenças, mas todos que estão ao redor, incluindo aquelas pessoas que não podem vacinar, como as com sistemas imunológicos debilitados e mulheres grávidas. Existem indivíduos que mesmo vacinados, podem ser infectados, mas será uma versão geralmente mais suave, com menos bolhas e pouca ou nenhuma febre”, esclarece Diogo Umann, médico clínico geral e diretor da iMEDato.

A Catapora (varicela) é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna, causada pelo vírus Varicela-Zoster, que se manifesta com maior frequência em crianças e com incidência no fim do inverno e início da primavera .

No Brasil, não há dados confiáveis sobre a incidência de varicela, uma vez que somente os casos mais graves que exigem internação, além das mortes, são de notificação compulsória em alguns estados. A estimativa, segundo o site do Ministério da Saúde, é de cerca de 3 milhões de casos ao ano (criança e adultos). Os dados mais recentes de varicela (catapora) é de 2017.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil no período entre 2012 a 2017 foram notificados 602.136 casos de varicela no Brasil, a região sul notificou o maior número com 199.057 (33 %) dos casos, seguindo a região sudeste com 189.249 (31,4%), enquanto a região norte notificou apenas 40.325 (6,6%). (Tabela 1). Em 2013, destaca-se o ano com o maior registro de casos de varicela, com 197.628 (32,8%) casos, e em 2017 o menor número de registros, com 11220 (1,8%) casos, sendo dados parciais. A média de casos notificados neste período foi de 100.356 casos.

Com o agravamento da pandemia, o levantamento de dados sobre a catapora em todas as regiões do Brasil fica ainda mais difícil. As consequências são muitas:  falta de planejamento de campanhas eficientes de promoção da saúde infantil; ausência de controle social; redução na melhora dos índices de saúde e diminuição de recursos financeiros para a erradicação da doença no nosso país.

No estado de Minas Gerais já foram registrados vários surtos de catapora, antes de 2014, quando a vacinação foi contemplada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a médica infectologista pediátrica e diretora de Comunicação da Sociedade Mineira de Pediatria, Gabriela Araújo Costa : ” em Minas Gerais, nós não temos dados publicados da Secretaria de Estado de Saúde consolidando a notificações de varicela, recentemente. Os dados que nós temos estão relacionados ao período de 2017, considerando toda região sudeste”.

Em Belo Horizonte, os dados publicados são ainda mais antigos: 2014. O último levantamento mostra cerca de 1.300 casos. Em 2010, foram cerca de 6 mil casos notificados. Isso significa que não sabemos como está a real situação, em especial a partir de 2020, com o surgimento da pandemia coronavírus.

A subnotificação da catapora ainda é real e intensificada pelo MITO que a catapora é uma doença do bem. No imaginário popular, isso significa: toda criança precisa ter catapora; toda catapora é benigna e criança que é criança tem catapora”. Só que não é bem assim.  A varicela ou catapora pode evoluir para um quando mais crítico.

A  diretora de Comunicação da Sociedade Mineira de Pediatria, Gabriela Araújo Costa, explica que, antigamente, algumas mães, por falta de informação correta, levava os próprios filhos para a casa de pessoas que estavam infectadas pelo vírus da catapora. O objetivo era que as crianças ficassem livres de uma vez da doença .

“A catapora não pode ser considerada uma doença do bem. A catapora é uma doença que a maior parte das vezes vai evoluir de forma benigna, ou seja, as crianças não vão ter muitas complicações. Mas em alguns casos, a criança pode ter, a partir das lesões iniciais de catapora, infecção na pele que pode ficar grave, pode generalizar. A catapora de forma mais rara pode provocar pneumonia, complicações neurológicas (encefalites e alterações de equilíbrio) e, algumas vezes, dependendo da condição de base da criança, como, por exemplo, se ela tiver outras doenças, se for desnutrida ou se ela for muito novinha, a catapora pode, inclusive, levar essa criança ao óbito”.

“A catapora era uma das enfermidades mais comuns da infância antes do advento da vacina, mas continua sendo facilmente transmitida por via aérea da pessoa infectada, através da tosse e de espirros. A catapora é contagiosa desde o primeiro e segundo dia antes do aparecimento das manchas na pele. Assim, a criança que está infectada, como ainda não manifesta sintomas, tende a estar em contato com outras pessoas e crianças também, propagando o vírus rapidamente. Quando as manchas vermelhas começarem a aparecer, o paciente continua infectando por cerca de cinco a seis dias até que todas as bolhas tenham formado cascas”, esclarece Diogo Umann, médico clínico geral e diretor da iMEDato.

Os cuidados de higiene são muito importantes e devem ser feitos apenas com água e sabão. Para diminuir a coceira, o ideal é fazer compressa de água fria.

“Não existe um tratamento específico para a catapora. São usados alguns medicamentos que podem aliviar os sintomas de febre, como a dipirona e o paracetamol ou pomadas e gel à base de calamina para aliviar o incômodo da coceira. O médico também pode receitar o uso de antissépticos e sabonetes à base de triclosano”, informa o médico Diogo Umann.

Outros cuidados importantes: lavar sempre as mãos, após tocar as lesões; as crianças devem evitar o contato com outras crianças; os objetos pessoais das crianças devem ser higienizados com frequência.

Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), oferece, desde setembro de 2013, em toda a rede pública de saúde, a vacina varicela (catapora) incluída na tetra viral, que também protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A  vacina faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é ofertada para crianças de 15 meses de idade que já tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral.

A vacina tetra viral é segura – tem 97% de eficácia e raramente causa reações alérgicas. A vacina evita complicações, casos graves com internação e possível morte, além da prevenção, controle e eliminação das doenças: sarampo, caxumba e rubéola.

Em 2020, foi adicionado ao calendário do SUS de vacina varicela contra a catapora, quando a criança atinge 4 anos de idade.

Na rede particular de saúde, o preço médio da vacinação, segundo a Sociedade Mineira de Pediatria, é de 150 reais cada dose.

18 mar 2021

Zé Gotinha: exemplo de comunicação em saúde pública no Brasil

Zé Gotinha já é um “balzaquiano. Como amo o Zé! São 35 anos de muitas histórias boas para contar. O eterno garotão foi criado, em 1986, durante o governo de José Sarney, no primeiro mandato democrático após a terrível Ditadura Militar. O personagem mais amado do Brasil foi idealizado pelo artista plástico, Darlan Manoel Rosa.

A iniciativa foi parte da soma de muitos esforços de uma bem sucedida campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite, criada pelo Ministério da Saúde e apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Seu principal objetivo era tornar as campanhas de vacinação mais atraentes para as crianças. Por isso, o nome Zé Gotinha foi escolhido, democraticamente, por meio de um concurso promovido pelo Ministério da Saúde, envolvendo alunos de escolas de todo o Brasil.

O personagem também é “convocado” para outras missões, no sentido de alertar sobre a prevenção de doenças, como, por exemplo, sarampo.

Pensando aqui com os meus neurônios já cansadinhos de tanto pensar sobre estratégias de comunicação…

Qual a razão da falta de investimento em projetos coletivos que incentivam a comunicação nas campanhas de saúde pública?

Por que as assessorias de comunicação das instituições governamentais preferem nomear assessores que desconhecem os princípios da mobilização social ou desconhecem o próprio sistema de saúde pública (SUS)?

Enfim, as considerações finais são apenas um desabafo sincero de uma comunicadora que sente falta das boas iniciativas de comunicação e saúde pública.

Vida que segue… sempre na esperança da criação de novos personagens ou estratégias de comunicação mais eficientes.

 

26 fev 2021

Assembleia de Minas alerta sobre os casos de doenças raras no Brasil

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estima que 15 milhões de brasileiros sofram de algum tipo de doença rara. Por norma, ela tem origem genética, manifestando-se logo nos primeiros anos de vida da criança.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças raras são aquelas classificadas seguindo quatro principais fatores: incidência, raridade, gravidade e diversidade.

Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos brasileiros acometidos morrem antes dos cinco anos de idade.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, são consideradas doenças raras aquelas que afetam cinco indivíduos para cada grupo de 10 mil pessoas. A OMS estima que 8% da população mundial, ou uma em cada 15 pessoas, têm alguma dessas enfermidades.

Entre as doenças raras constam, por exemplo, a autoimune lúpus (causada pelas próprias defesas do organismo), a genético-hereditária hemofilia (desordem no mecanismo de coagulação do sangue) e a doença de Lyme (transmitida pela picada do carrapato).

Assembleia Legislativa de Minas Gerais e as doenças raras

Atenta à questão, a ALMG já aprovou proposições que foram transformadas em leis e que pretendem incentivar e fomentar ações afirmativas voltadas às pessoas com doenças raras.

A Lei 21.402, de 2014, institui a Semana Estadual das Doenças Raras, a ser comemorada na semana em que recair o dia 28 de fevereiro. Nesse período, devem ser realizadas atividades institucionais de orientação da população e de promoção da inclusão social da pessoa com doença rara.

Já a Lei 23.554, de 2020, garante a realização do teste do pezinho ampliado na rede pública de saúde. Esse teste está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) na versão básica, que detecta seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase).

O teste ampliado é o que detecta até dez doenças, quatro a mais que a versão básica, como a ocorrência de toxoplasmose congênita. Dessa forma, pode contribuir para o diagnóstico precoce de doença rara.

Lilás, azul, verde e rosa

Com o objetivo de dar visibilidade à condição vivenciada por pessoas com doenças raras, o Palácio da Inconfidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estará iluminado de lilás, azul, verde e rosa, cores referentes à bandeira das doenças raras, entre esta sexta-feira (26/2/21) e o dia 4 de março.

A iniciativa decorre da proximidade do Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado em 70 países. A data oficial é 29 de fevereiro, por ser um dia raro, presente apenas nos anos bissextos. Nos demais anos, é antecipada para o dia 28.

A iluminação do Palácio da Inconfidência integra o projeto Laços da Consciência, da Assembleia, que reúne ações de sensibilização para temas relacionados ao bem-estar, em especial à saúde.

*Com informações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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