15 jul 2016

Política de valorização do SUS, onde o sonho se perdeu?

Arquivado em opinião, saúde, SUS
Paulo Sá
OPINIÃO
Por: Paulo K. de Sá

Médico e coordenador do curso de Medicina da FMP/Fase (RJ)

É difícil nesse momento crítico do país, onde o acúmulo de erros aconteceu e proporcionou a grande crise que testemunhamos agora, fazer uma reflexão isenta de emotividade e tendências ideológicas. Em plena turbulência política e passando por grave crise de condução estrutural e organizacional, frente aos escândalos acumulados em torno de todas as tendências políticas, assistimos a inúmeras medidas aprovadas pelo Congresso Nacional, a toque de caixa, que nos fazem refletir sobre a pertinência das mesmas.

Fato é que desde a Constituição Federal de 1988, a definição sobre a estrutura de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) sempre foi deficitária em relação às necessidades de saúde da população brasileira, tanto de governos de esquerda como de direita. Inúmeras regulações foram realizadas através de normas operacionais e portarias ministeriais, que nem de longe conseguiam patrocinar as propostas encaminhadas.

O resultado disso é que, embora o SUS tenha avançado significativamente do ponto de vista de sua organização e ampliação de cobertura, principalmente através da Estratégia de Saúde da Família, o processo de seu custeio ficou a desejar e proporcionou uma quebra nas contas dos governos municipais e estaduais. Na verdade, poucos foram os municípios no país que conseguiram realizar investimentos de maior envergadura atendendo ao que se prega no SUS, como cobertura universal efetiva, equidade, integralidade da atenção à saúde, dentre outros.

Muitos municípios morreram na praia ao tentarem realizar investimentos na atenção básica e se depararem com os elevados custos para cobrir a população que aspirava. A rede intermediária de suporte, os especialistas, foi esvaziada do sistema por força da competitividade do mercado privado e à baixíssima remuneração proposta pelo sistema público. A rede de alta complexidade obteve a remuneração ao nível do mercado privado e, por isso mesmo, foi para onde os recursos foram drenados com a adesão de muitas clínicas e hospitais privados, provocando uma contradição intrínseca no sistema.

Ora, a proposta maravilhosa inspirada pela Reforma Sanitária, está agonizante. Primeiro porque está mergulhada em uma inviabilidade financeira de se atender aos princípios e diretrizes estabelecidos. Usurpada na sua possibilidade de gestão pela interferência, pela judicialização da saúde. E agora sucateada por uma sequência de atos impróprios do atual governo sem a devida pactuação social para permanecer viável o maior plano de saúde no Brasil, sem o qual a grande maioria dos brasileiros estaria à mingua, entregues à própria sorte como nos velhos tempos de colônia.

Além da atual inviabilização do sistema, as instituições formadoras na área da saúde se veem sucateadas, como as públicas, e fortemente limitadas, como as privadas, em face a grave crise econômica do país. Como resposta a esse quadro, temos estudantes representantes de uma parcela elitizada de nossa população, ávidos em recuperar seus investimentos ao longo de seis anos de graduação através da sua inserção no setor privado, ou no seu precário compromisso junto ao setor público como degrau temporário para sua inserção no mercado, uma vez que o SUS não superou a incompetência de estabelecer uma carreira decente para o profissional de saúde a ponto de inverter esse quadro grotesco imposto por um capitalismo às avessas.

Educação e Saúde podem se dar as mãos, as duas áreas mais importantes de uma sociedade estão agonizantes e demonstram claramente os rumos da sociedade brasileira, esgarçada e indignada com tudo que está em curso. Uma grande entrega à deriva em um oceano de tempestades de denúncias e corrupção e uma grande interrogação se estabelecem. Porém a esperança está no acordar político da população brasileira que estava comodamente hibernada diante de um predomínio ideológico inexorável diante da expansão voraz do capitalismo no mundo inteiro. Hoje, pelos diferentes espaços sociais, redes de articulação estão se estruturando em meio aos ardores da grande confusão patrocinada, em prol de uma nova discussão e solução política para o Brasil em todas as áreas – saúde, educação, produção agropecuária, modelo político, sistema econômico, direitos humanos e direitos dos trabalhadores e proprietários dos meios de produção, etc.

Um novo Brasil está acordando, mas ainda teremos choros e ranger de dentes até que a calmaria venha a prevalecer mediante a formulação de uma nova proposta pela sociedade brasileira devidamente articulada e amadurecida e que não seja a reedição do velho estado colonial de sempre.

30 jan 2016

Ministério da Saúde recebe inscrições para cursos gratuitos a distância sobre Chikungunya e dengue

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Arquivo/Agência Brasil

CHIKUNGUNYA

Interessantes para todos os profissionais de saúde e para a população, estes cursos são gratuitos e totalmente a distância.

O curso Manejo Clínico de Chikungunya recebe inscrições até 30 de junho de 2016.

Por se tratar de uma doença introduzida recentemente no Brasil, o objetivo é capacitar os profissionais de saúde para que desenvolvam competências para realizar ações de atenção à saúde da população. Dessa forma, o curso aborda as três patologias, a partir do diagnóstico diferencial e respectivos protocolos de atendimento. O conteúdo aponta ainda para a importância da realização da anamnese e exame físico que irão auxiliar no diagnóstico.

É composto por duas unidades. A primeira traz informações sobre a epidemiologia, quadro clínico, diagnóstico, ações de vigilância, organização do serviço de saúde, além de apresentar a importância da educação permanente em saúde.  A segunda unidade aborda casos clínicos, nos quais o profissional poderá refletir sobre a melhor conduta para realizar o manejo de pacientes com suspeita desta doença.

O curso é oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), integrante da Rede UNA-SUS. A iniciativa é fruto da parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Secretaria Executiva da UNA-SUS e Fiocruz Mato Grosso do Sul (Fiocruz MS).

Público: Médico; enfermeiros; assistentes sociais; fisioterapeutas; psicólogos e cirurgiões dentistas.

Carga horária: 30 horas

Inscrições: AQUI

DENGUE

Já a atualização do Manejo Clínico da Dengue recebe inscrições até 15 de maio de 2016. O curso é fruto da parceria entre a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) e o Ministério da Saúde, por meio das Secretarias de Vigilância em Saúde (SVS) e de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES). A iniciativa educacional tem como objetivo familiarizar os alunos com as recomendações atuais Ministério da Saúde no que tange o manejo clínico da doença. O enfoque do conteúdo é prático, baseado na análise de casos clínicos.

Em julho de 2015, o curso passou por uma atualização, com a inclusão de mais quatro casos clínicos, novo layout e vídeo que aborda a diferenciação do diagnóstico da febre chikungunya e da dengue.

Carga horária: 10 horas

Público: O curso é aberto para todos os profissionais de saúde de nível superior. É aberto também a demais interessados no tema.

Inscrições: AQUI

29 jan 2016

SUS opera primeira criança para retirada de tumor raro do abdômem

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Ilustração

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) informou quinta-feira (28/01) ter feito, com sucesso, a primeira cirurgia de citorredução associada a quimiohipertermia em uma criança, no Sistema Único de Saúde (SUS).

A cirurgia ocorreu há um mês em uma criança de 7 anos e envolveu a retirada completa de um tumor agressivo da cavidade abdominal, seguida da aplicação de quimioterápico aquecido na área afetada pela doença. O objetivo foi eliminar possíveis resíduos de células cancerígenas. O equipamento de perfusão usado na cirurgia foi desenvolvido no próprio instituto, especialmente para esse tratamento, informou a assessoria de imprensa do Inca.

O procedimento foi feito pelo médico Odilon de Souza Filho, da seção de cirurgia abdômino-pélvica do Inca, especializado nessa área, onde tem efetuado operações semelhantes em adultos. O Inca foi pioneiro no procedimento de citorredução associado à quimiohipertermia em adultos em 1998. No instituto costumam ser operadas dois adultos por mês pelo SUS, informou Souza Filho. Em países como Estados Unidos e França, médico disse que os centros especializados fazem apenas uma cirurgia mensal desse tipo, que custa cerca de US$ 100 mil e 58 mil euros, respectivamente.

Segundo relatou o médico, a criança operada passa bem e já teve alta. “Está um espetáculo”, comemorou o cirurgião. ”O sucesso é a gente conseguir fazer a cirurgia e em caso que há pouca doença”. Ele disse que no caso desse paciente pediátrico, a patologia foi tratada previamente, o que determinou uma redução do tumor. Com isso, a cirurgia teve menor complexidade.

O tumor desmoplásico de pequenas células redondas abdominal é uma doença rara que acomete a camada interna da cavidade abdominal e diminui a qualidade de vida do paciente, explicou o especialista. Ele explicou que o tratamento de quimiohipotermia só tem sucesso quando é feita uma cirurgia de citorredução máxima. De acordo com o Inca, o tratamento tem um custo alto e deve ser feita apenas em casos que exigem uma citorredução agressiva, nos quais há ressecção completa do tumor na cavidade peritoneal.

Odilon de Souza Filho acredita que o sucesso da operação e do tratamento dessa criança abrirá oportunidade para que novos pacientes pediátricos sejam operados no Inca dessa mesma patologia.

Crédito: Agência Brasil

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