22 maio 2020

Quais os problemas provocados pelas disfunções da tireóide?

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Cerca de 15% dos brasileiros têm alguma disfunção na tireoide, principalmente, afetando as mulheres. A glândula fica na frente do pescoço e produz os hormônios responsáveis pelo metabolismo do corpo humano, influenciando os batimentos cardíacos, memória, sono, humor e até o bom ou mal funcionamento intestinal. Já, as disfunções podem provocar sintomas discretos e confundidos com outras doenças, gerando sérias consequências ao organismo.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) – alerta para a importância da glândula e a necessidade do tratamento, quando necessário.  Entrevistei, por e-mail, o Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) – Adauto Versiani. Confira. É bem esclarecedor:

1. É mito ou verdade que as alterações na tireoide provocam a perda de peso ou o aumento de peso?

É verdade. O hipotireoidismo, que determina um metabolismo mais lento no organismo, pode promover retenção hídrica e, consequentemente, um ganho de peso. Já o hipertireoidismo, que ocasiona um metabolismo acelerado de todas as células do corpo, aumenta a demanda de energia, liberando caloria e, consequentemente, proporcionando um emagrecimento.

2. Os distúrbios na tireoide podem ser considerados genéticos?

Sim, há possibilidade de uma origem genética. Quem tem história familiar de hipo ou hipertireoidismo, tem uma maior chance que os filhos tenham a doença. Nos casos de três parentes de primeiro grau com câncer de tireoide, podemos afirmar que o câncer de tireoide é familiar, de origem genética. Então, quem tem histórico de anticorpo contra a tireoide, pode ter uma tendência maior a ter hipo ou hipertireoidismo. Existem históricos familiares de câncer medular da tireóide devido a uma mutação que é transmitida para os filhos de maneira autossômica dominante, ou seja, pelo menos metade dos filhos pode receber essa alteração genética.

3. Distúrbios na tireoide podem interferir na saúde mental do paciente? Como?

Realmente, podem interferir. O hipotireoidismo pode levar a lentidão, sonolência, tristeza e pode exacerbar um quadro de depressão ou dificultar o tratamento de uma depressão já existente. O hipertireoidismo também pode interferir na saúde mental, causando uma agitação psicomotora e desencadeando quadros de surto psicótico, interferindo no bem-estar do paciente.

4. Por que as mulheres sofrem mais com os distúrbios da tireoide?

As mulheres, de uma maneira geral, têm 3 a 5 vezes mais chances de ter alterações na função tireoidiana. Não se sabe o mecanismo ao certo, mas pode ter alguma relação com a produção de estrogênio.

5. Crianças podem sofrer com distúrbios na tireoide?

Infelizmente, as crianças não estão salvas das disfunções da tireoide. É muito comum uma criança ter hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Existem até casos de câncer de tireoide em crianças, mas não com a mesma frequência que nos adultos. Por isso, é fundamental fazer o “Teste do Pezinho” no recém-nascido. Este exame é capaz de detectar o “hipotireoidismo congênito”, uma emergência pediátrica causada pela incapacidade da glândula tireoide do recém-nascido em produzir quantidades adequadas de hormônios tireoidianos, que resulta numa redução generalizada dos processos metabólicos. As crianças, não tratadas precocemente, terão o crescimento e o desenvolvimento mental seriamente comprometidos. Portanto, é muito importante fazer o “Teste do Pezinho” no nascimento e, ao longo dos anos, em caso de sintomatologia atípica das crianças, avaliar com o pediatra ou com o endocrinologista a possibilidade de ter doenças da tireoide associadas.

6. Como é feito o tratamento? É apenas por meio de medicamentos?

O tratamento do hipotireoidismo se faz com a reposição do hormônio tireoidiano que é a levotiroxina. Já o tratamento do hipertireoidismo pode ser feito com o uso de drogas que diminuem a função tireoidiana (remédios antitireoidianos), com o iodo radioativo ou com cirurgia. Não existe nenhum tipo de alteração na alimentação ou na atividade física que favoreça ou que auxilie em nenhum desses tratamentos.

Existem situações comportamentais que podem agravar o hipertireoidismo, como o hábito de fumar. Quem sofre desta disfunção e fuma tem mais chances de ter, por exemplo, a Oftalmopatia de Graves. O anticorpo que ataca a tireoide, também ataca o músculo retro orbicular, causando um deslocamento do globo ocular para frente.

7. Como identificar um câncer na tireoide?

A maneira mais simples de identificar o câncer de tireoide é que, durante uma consulta médica, o profissional palpe a tireoide – glândula que fica na parte dianteira do pescoço. Caso ele note alguma alteração na topografia, isso deve ser investigado com ultrassom para confirmação ou pedir uma avaliação com um endocrinologista. Não é recomendado o “ultrassom de rotina”, porque podem ser detectados nódulos muito pequenos que, talvez, não teriam nenhum significado clínico. O paciente também pode ficar atento e solicitar que o médico realize a palpação na tireoide. Quanto mais cedo descobrir a disfunção, melhor será para a pessoa.

11 dez 2019

Poder e riscos da tireoide

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Por: Adauto Versiani, Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG)

Muitos ainda desconhecem, mas a tireoide é uma importante glândula para o organismo e os problemas decorrentes de um mau funcionamento geram muitas dúvidas sobre como tratar e o que pode acontecer. A glândula tem a forma de uma borboleta e está localizada na parte anterior do pescoço, regulando a função de importantes órgãos, como o coração, o cérebro, o fígado e os rins, produzindo os hormônios T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina). A retirada pressupõe reposições hormonais para a vida inteira, sendo fundamental conhecer o essencial para manter uma boa saúde.

​ Geralmente, os problemas da tireoide ocorrem quando a glândula não funciona de maneira adequada com a liberação de hormônios em quantidade insuficiente, causando o hipotireoidismo, ou em excesso, ocasionando o hipertireoidismo. As duas situações provocam aumento no volume da glândula, conhecido como bócio. O consumo de iodo também altera o funcionamento ideal, quando em falta ou em excesso.

​ Ela é importante para adultos e também no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, alterando o peso, a memória e a regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional. Por desconhecer a seriedade dos cuidados ideais, muitas pessoas possuem alguma doença ligada a tireoide e nem sabem. Só nos últimos 19 anos, o câncer da tireoide cresceu 8,8%, conforme estudo do Observatório de Oncologia.

​ Além do hipotireoidismo e hipertireoidismo, as doenças mais comuns são a de “Graves”, tireoidite e os nódulos que requerem análise e acompanhamento médico. As disfunções podem acontecer em qualquer etapa da vida e têm diagnósticos simples. Os problemas são bem recorrentes e o hipotireoidismo ocorre, normalmente, em 10% da população, sendo mais frequente em mulheres e idosos.

​ Entre as crianças, é comum algumas já nascerem com hipotireoidismo e, nesses casos, o Teste de Pezinho é fundamental para a detecção. Os tratamentos dependem de cada problema e os medicamentos para reposição hormonal já ajudam, sendo que, somente em casos mais extremos, será necessária a cirurgia.

​ A gravidez é outro tópico para atenção, pois as disfunções da tireoide acarretam problemas complexos para mãe e bebê. No começo da gestação, o feto não produz os hormônios da tireoide e, por isso, precisa usar os da mãe e, mesmo quando começa a produzir, é em quantidades insuficientes. As mulheres que já sofrem com alguma doença, devem avisar ao médico sobre a intenção de engravidar.

O reconhecimento de um nódulo na tireoide salva vidas. A palpação da glândula é de fundamental importância. A atenção deve ser redobrada se a família já tiver casos de uma dessas doenças. Quando identificado o nódulo, o endocrinologista deve solicitar exames complementares para confirmar ou descartar a presença de tumor. A recomendação para quem nunca consultou um médico especializado é manter uma alimentação balanceada e, ao menos uma vez por ano, fazer um checkup para verificar a saúde.