26 jan 2019

SOS Brumadinho: Toda vida VALE a pena!

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Toda vida vale a pena ser vivida! Por isso, meu coração sangra ao ver imagens de animais agonizando na lama, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde uma barragem de rejeitos da mineradora Vale se rompeu, no início da tarde de ontem (25/01/2019). Foi difícil pegar no sono, depois de assistir aos noticiários e de conferir todas as mensagens de WhatsApp dos meus colegas jornalistas – que estão na cobertura de mais um crime ambiental.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais registrou, até agora (26/01), onze mortes em decorrência do rompimento.

A história novamente se repete em solo mineiro. Há três anos, a cidade histórica de Mariana contabilizava inúmeras perdas humanas e não humanas durante a maior tragédia ambiental do Brasil. Na época, eu estava trabalhando como repórter no Portal UAI. Foram momentos tensos e dramáticos. São prejuízos incalculáveis em todos os pontos de vista possíveis. Milhares de vidas pedidas. Se não fosse o trabalho voluntário de muitos brasileiros missionários da causa animal, a tragédia seria ainda maior.

* A foto da postagem foi exibida na página dos amigos do deputado Norldino Júnior. 

FIQUE POR DENTRO. SOS BRUMADINHO

*Deputado Noraldino Junior, da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), vai entrar com liminar na Justiça para que a Vale realize o salvamento dos animais vítimas do rompimento da Barragem em Brumadinho.

*A partir da próxima segunda-feira (28), cães farejadores devem passar a auxiliar os trabalhos na região onde os rejeitos da barragem foram derramados. Também a partir da próxima semana, tecnologia colocada à disposição pelo governo de Israel poderá ser empregada na localização, por imagem, de corpos que se encontram submersos na lama.

*O juiz Renan Chaves Carreira Machado, responsável pelo plantão judicial em Belo Horizonte, determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão da mineradora Vale. O montante, de acordo com a decisão, deve ser depositado numa conta judicial.

* 300 funcionários da Vale estavam trabalhando no momento da queda da barragem.

* No Brasil, entre 2001 e 2018, ocorreram oito acidentes com barragens de mineração, provocando um total de 27 mortes. O mais conhecido deles foi o rompimento da barragem da mineradora Samarco que, em novembro de 2015.

* Apenas 3% das barragens do país foram vistoriadas em 2017, diz Agência Nacional de Águas.

* Três anos após o rompimento da barragem de Mariana, vítimas seguem sem indenização e pescam em área contaminada.

* O Instituto Inhotim, maior museu a céu aberto do mundo, foi evacuado por recomendação dos Bombeiros de Minas Gerais após rompimento de barragem

* A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as famílias de pessoas desaparecidas após o rompimento da barragem em Brumadinho devem procurar a Academia de Polícia Civil, localizada na Rua Oscar Negrão de Lima, 200, Nova Gameleira, em Belo Horizonte. Dúvidas podem ser enviadas à corporação pelo e-mail dvibrumadinho@gmail.com

* A mineradora divulgou, na manhã de hoje (26), uma lista com o nome de pessoas que não fizeram contato desde o rompimento da barragem. Mais de 400 pessoas, entre funcionários do quadro e terceirizados, integram o levantamento da mineradora. De acordo com a empresa, a lista está sendo atualizada constantemente, conforme as pessoas são localizadas. O telefone destinado ao atendimento é 0800 821 500.

04 nov 2016

Eu sou Mariana

Arquivado em Animais, Cidade, Meio Ambiente, Vlog
Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Mariana (MG) – Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Fonte: Agência ONU

Um grupo de especialistas independentes do sistema de direitos humanos das Nações Unidas pediu ação imediata do governo brasileiro e das empresas envolvidas para solucionar os impactos do colapso de uma barragem da empresa Samarco, ocorrido em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG).

Na declaração, que marca o primeiro aniversário do desastre provocado pela ruptura da barragem de rejeitos de Fundão, os especialistas destacaram vários danos não solucionados, dentre eles o acesso seguro à água para consumo humano, a poluição dos rios, a incerteza sobre o destino das comunidades forçadas a deixar suas casas, e a resposta insuficiente do governo e das empresas envolvidas.

Leia a carta na íntegra: AQUI

Deixei um recadinho para os moradores de Bento Rodrigues. Veja

08 nov 2015

Mineração e tragédias em Minas Gerais. Até quando?

Arquivado em Meio Ambiente, opinião
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Arquivo pessoal

OPINIÃO. Texto: Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

“Minas Gerais tem o seu próprio nome ligado à mineração, atividade que durante o apogeu do ouro e do diamante sustentou, em boa parte, a economia de Portugal. Nos dias de hoje, sem a fartura de pedras e metais preciosos, o minério de ferro é uma das bases da economia do Estado. Mas um lado funesto decorrente das atividades minerárias ao longo de mais de três séculos de exploração é ainda pouco conhecido: a perda de vidas humanas e a destruição do meio ambiente em episódios recorrentes na história do povo mineiro.

Tratando sobre a extração de ouro no Morro de Pascoal da Silva, em Vila Rica, em 1717, o Conde de Assumar deixou registrado em seu diário que os negros faziam “huns buracos mui profundos aonde se metem, e pouco a pouco vão tirando a terra para a lavar; porém esta sorte de tirar ouro he mui arriscado, porque sucede muitas vezes cahir a terra e apanhar os negros debayxo deitando-os enterrados vivos”.

O Barão de Langsdorff, ao percorrer região de Mariana em 1824, registrou: “passamos por um vale pobre e árido, por onde ocorre o rio São José, turvo pela lavação do ouro e em cujas margens se veem montes de cascalhos, alguns até já cobertos de capim. É difícil imaginar uma visão mais triste do que a deste vale, outrora tão rico em ouro”.

Em meados de 1844, na Mina de Cata Branca, município de Itabirito, à época alvo da exploração aurífera por uma empresa britânica, houve o desabamento da galeria explorada e soterramento de dezenas de operários escravos. Segundo os registros, dias depois do acidente ainda eram ouvidas vozes e gemidos dos negros em meio aos escombros. Ante a dificuldade de resgate, foi tomada a decisão de se desviar um curso d’água para inundar a mina, matando os pobres trabalhadores sobreviventes afogados, ao invés de espera-los morrer de fome.

Sobre o fato, José Pedro Xavier da Veiga deixou registrado nas suas célebres Efemérides Mineiras: “E lá estão enterradas naquele gigantesco túmulo da rocha as centenas de mineiros infelizes, que encontraram a morte perfurando as entranhas da terra para lhe aproveitar os tesouros. A mina conserva escancarada para o espaço uma boca enorme rodeada de rochas negras e como que aberta numa contorção de agonia”.

Em 21 de novembro de 1867, na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, um desabamento matou dezessete escravos e um trabalhador inglês. Dezenove anos mais tarde, em 10 de novembro de 1886, a história se repetiu em Morro Velho. Mais recentemente, rompimentos de barragens nas minas de Fernandinho (1986) e Herculano (2014), em Itabirito; Rio Verde (2001), no Distrito de Macacos, em Nova Lima; e da Mineração Rio Pomba (2008), em Miraí, redundaram em dezenas de outras mortes e prejuízos irreversíveis ao meio ambiente.

No último dia 05 de novembro de 2015, em Mariana, o rompimento de duas barragens da empresa Samarco soterrou quase integralmente o Distrito de Bento Rodrigues, ceifou vidas, destruiu dezenas de bens culturais e danificou de forma severa os recursos ambientais de vasta extensão da Bacia do Rio Doce. Todos sabem que a história é mestra da vida e os fatos adversos por ela registrados devem servir de alerta para o futuro, para que os erros não sejam repetidos.

O aprendizado com os equívocos de antanho deveria impor ao setor minerário da atualidade uma completa mudança de paradigmas. Afinal, temos condições de sermos autores da nossa própria história e não podemos admitir a repetição reiterada desses desastres como algo normal, inerente às atividades econômicas de Minas Gerais.

Entretanto, percebemos que ainda se avultam as inconsequentes condutas induzidas pela ambição do lucro fácil e pelo desdém aos direitos alheios, não raras vezes secundadas pela omissão ou incompetência de autoridades públicas responsáveis pelos processos de licenciamento ambiental, que se contentam com a adoção de tecnologias ultrapassadas em empreendimentos de alto risco, que raramente são fiscalizados.

A anunciada flexibilização do licenciamento ambiental pelo Governo de Minas, com o nítido propósito de beneficiar, entre outros, o seguimento dos empreendimentos de mineração, segue na contramão do que a sociedade mineira espera e precisa: segurança e respeito aos seus direitos.

É hora de dizer um basta.”

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